2 de fevereiro de 2018

Capítulo 23

O ASSASSINO

Espiei pela janela. Eu não poderia esperar muito mais. Dentro de uns poucos dias, meus camaradas estariam aqui, prontos para voltar para Venda. Eles uivariam como um bando de cães se o negócio não tivesse sido feito, ansiosos para seguirem seu caminho e desdenhosos porque eu tinha demorado tanto assim para realizar uma tarefa tão simples. A garganta de uma menina. Até mesmo Eben teria conseguido fazer isso.
Mas não seria só uma menina. Eu teria que matar duas.
Fiquei vendo-as dormirem. O Komizar dizia que eu tinha olhos de gato, enxergando no escuro o que mais ninguém conseguia ver. Talvez fosse isso que me destinara para esse propósito. Griz era como um touro pisoteando o chão, mais adequado para o trabalho barulhento de um machado em uma ponte ou uma incursão sangrenta em plena luz do dia.
Ele não era apropriado para esse tipo de trabalho. Não tinha os passos silenciosos de um animal noturno. Não conseguia se tornar uma sombra que atacava com precisão rápida. Mas elas dormiam na mesma cama, e suas mãos se tocavam. Nem mesmo eu conseguiria ser tão silencioso. A morte fazia seus próprios barulhos.
Olhei para a garganta de Lia. Descoberta. Exposta. Fácil. No entanto, dessa vez não seria simples.
Depois do festival. Eu poderia esperar um pouco mais.

3 comentários:

Comentários de volta!
Passamos algumas horas sem essa opção, mas estamos à ativa novamente :)

Boa leitura! E SEM SPOILER!