24 de fevereiro de 2018

Capítulo 19

No fim das contas, para se distrair da perda do segundo grande amor de sua vida, recomendo fortemente que sua irmã saia do armário no Natal, especialmente com uma jovem negra chamada Edwina.
Mamãe disfarçou seu choque inicial com uma profusão de boas-vindas excessivamente efusivas e a promessa de preparar um chá, levando Eddie e Treena até a sala de estar, fazendo uma pausa momentânea para me lançar um olhar que, se minha mãe fosse do tipo que diz palavrões, teria significado que porra é essa, antes de desaparecer de novo no corredor que levava até a cozinha. Thom surgiu da sala, gritou “Eddie!”, deu um abraço apertado em nossa convidada, ficou balançando os pés enquanto esperava para receber seu presente, rasgou a embalagem e saiu correndo com um Lego novo.
E papai, absolutamente mudo, ficou apenas olhando fixo para o que se desenrolava bem à sua frente, como se estivesse tendo um sonho alucinógeno.
Vi a expressão ansiosa pouco característica de Treena, percebi o pânico aumentando no ar e soube que precisava agir. Murmurei para papai fechar a boca, então dei um passo para a frente e estendi a mão.
— Eddie! — falei. — Oi! Sou Louisa. Minha irmã sem dúvida já deve ter contado todas as coisas ruins de mim.
— Na verdade — disse Eddie —, ela só me contou coisas maravilhosas. Você mora em Nova York, não é?
— A maior parte do tempo.
Esperava que meu sorriso não parecesse tão forçado quanto eu tinha a impressão de estar.
— Eu morei no Brooklyn durante dois anos depois da faculdade. Ainda sinto saudade de lá.
Ela tirou o casaco cor de bronze, esperando enquanto Treena o pendurava em nosso cabideiro sobrecarregado. Eddie parecia uma minúscula bonequinha de porcelana, com os traços mais simétricos que eu já tinha visto e olhos amendoados com extravagantes cílios pretos. Ela continuou falando enquanto nos encaminhamos para a sala de estar — talvez educada demais para notar o choque mal-disfarçado de meus pais — e se abaixou para apertar a mão do vovô, que sorriu torto para ela e voltou a olhar fixamente para a televisão.
Eu nunca tinha visto minha irmã daquele jeito. Era como se tivéssemos acabado de ser apresentados a duas estranhas, e não apenas uma. Ali estava Eddie — impecavelmente educada, interessante, envolvida, navegando com graça pelas águas agitadas daquela conversa —, e lá estava a nova Treena, a expressão ligeiramente insegura, o sorriso meio frágil, a mão deslizando pelo sofá de vez em quando para apertar a da namorada, como se quisesse ser tranquilizada. O queixo de papai caiu uns bons dez centímetros na primeira vez que ela fez isso, e mamãe o cutucou repetidamente na costela com o cotovelo até ele fechar a boca de novo.
— Então! Edwina! — disse mamãe, servindo o chá. — Treena nos contou... ahn... muito pouco sobre você. Como... como vocês duas se conheceram?
Eddie sorriu.
— Eu sou gerente de uma loja de decoração perto do apartamento de Katrina, e ela foi lá algumas vezes para comprar almofadas e tecido, então nós começamos a conversar. Saímos para um drinque e depois fomos ao cinema e... sabe, descobrimos que tínhamos muitas coisas em comum.
Acabei assentindo, tentando entender o que minha irmã poderia ter em comum com a criatura educada e elegante à minha frente.
— Coisas em comum! Que ótimo. Coisas em comum é algo muito bom. Sim. E... de onde você... ah, puxa. Eu não quis...
— De onde eu sou? Blackheath. Eu sei... as pessoas raramente vão do sul para o norte de Londres. Meus pais se mudaram para Borehamwood quando se aposentaram, há três anos. Então, eu sou uma daquelas raridades: uma londrina do norte e do sul.
Ela sorriu para Treena, como se isso fosse uma piada interna delas, antes de se voltar para mamãe.
— Vocês sempre moraram por aqui?
— Mamãe e papai só vão sair de Stortfold no caixão — disse Treena.
— O que não vai acontecer tão cedo, esperamos! — comentei.
— Parece uma cidadezinha linda. Entendo por que vocês quiseram ficar — disse Eddie, estendendo o prato. — Este bolo está incrível, Sra. Clark. A senhora mesma faz? Minha mãe faz um com rum, e ela jura que é preciso deixar as frutas de molho durante três meses para absorver todo o sabor.
— Katrina é gay? — indagou papai.
— Está muito bom, mamãe — disse Treena. — As passas estão... bem... úmidas.
Papai olhava para nós, de uma para outra.
— Nossa Treena gosta de garotas? E ninguém está dizendo nada? Ficam só falando sobre almofadas e bolo?
— Bernard — repreendeu minha mãe.
— Talvez eu devesse dar um momento para vocês — disse Eddie.
— Não. Fique, Eddie.
Treena olhou para Thom, que estava concentrado na televisão, e falou:
— Sim, papai. Eu gosto de mulheres. Ou, pelo menos, gosto de Eddie.
— Treena talvez tenha gênero fluido — comentou mamãe, nervosa. — É assim que se diz? Os jovens do curso noturno me contaram que muitos deles não são nem uma coisa nem outra, hoje em dia. Existe um espectro. Ou um espéculo. Eu nunca lembro o que é.
Papai piscou.
Mamãe tomou um gole de chá tão audível que quase doeu.
— Bem, pessoalmente — falei, quando Treena parou de bater nas costas dela — eu acho que é ótimo alguém querer sair com Treena. Qualquer um. Sabe, alguém com olhos, ouvidos, coração, essas coisas.
Treena me lançou um olhar de gratidão genuína.
— Pensando bem, você sempre usou muita calça jeans. Quando criança — refletiu mamãe, secando a boca. — Talvez eu devesse ter feito você usar mais vestidos.
— Não tem nada a ver com calça jeans, mãe. Com genes, talvez.
— Bom, isso certamente não faz parte da genética da nossa família — disse papai. — Sem ofensas, Edwina.
— Sem problemas, Sr. Clark.
— Eu sou gay, papai. Sou gay e estou mais feliz do que nunca, e na realidade ninguém tem nada a ver com a maneira como eu escolhi ser feliz, mas eu realmente gostaria que você e a mamãe conseguissem ficar felizes por mim, porque eu estou feliz, e, o mais importante, espero que Eddie faça parte da minha vida e da do Thom por muito tempo.
Ela olhou para Eddie, que deu um sorriso tranquilizador.
Houve um longo silêncio.
— Você nunca comentou nada — disse papai, em tom de acusação. — Você nunca agiu como gay.
— Como uma pessoa gay deve agir? — perguntou Treena.
— Bem. De um jeito gay. Tipo... você nunca trouxe uma garota para nossa casa.
— Eu nunca trouxe ninguém para nossa casa. Além de Sundeep. O contador. E você não gostou dele porque ele não gostava de futebol.
— Eu gosto de futebol — disse Eddie, prestativa.
Papai ficou sentado, olhando fixamente para o próprio prato. Por fim, suspirou e esfregou os olhos com a palma das mãos. Quando parou, estava com uma expressão confusa, como se tivesse acordado de repente. Mamãe o observava atentamente, com a ansiedade estampada no rosto.
— Eddie. Edwina. Sinto muito se pareci um velho idiota. Não sou homofóbico, de verdade, mas...
— Ah, meu Deus — disse Treena. — Tem um mas.
Papai balançou a cabeça.
— Mas eu provavelmente vou dizer a coisa errada de qualquer maneira e fazer todo tipo de ofensas porque sou apenas um velho que não entende direito os novos termos e a forma como as coisas são feitas... Minha esposa pode contar isso a você. Dito tudo isso, até eu sei que o que importa a longo prazo é que essas minhas duas garotas sejam felizes. E se você a fizer feliz, Eddie, como Sam faz a nossa Lou feliz, então, que bom. Fico muito feliz por conhecê-la.
Ele se levantou e estendeu a mão por cima da mesa de centro. Depois de um instante, Eddie se inclinou para a frente e o cumprimentou.
— Certo. Agora, vamos comer um pedaço daquele bolo.
Mamãe suspirou de alívio e pegou a faca. E eu fiz o melhor possível para sorrir, então saí depressa da sala.

* * *

Sem dúvida existe uma hierarquia nas formas de se ter o coração partido. Eu a descobri. No topo da lista está a morte da pessoa que amamos. Não há situação capaz de despertar mais choque e solidariedade: as expressões se transformam, sempre há uma mão estendida para apertar seu ombro. Ah, meu Deus, eu sinto muito. Depois disso vem provavelmente ser deixado por outra pessoa — a infidelidade, a perversidade dos dois indivíduos envolvidos na traição provocando afirmações de ultraje e camaradagem. Ah, deve ter sido um choque e tanto para você. Podemos acrescentar separação forçada, obstáculos religiosos e doença grave. Mas Nós nos afastamos porque estávamos morando em continentes separados, embora seja verdade, dificilmente arrancará mais do que um sinal de reconhecimento com a cabeça ou um pragmático dar de ombros compreensivo. É, essas coisas acontecem.
Vi essa reação, ainda que coberta de preocupação maternal, na minha mãe. E depois no meu pai. Puxa, que pena. Mas imagino não seja uma grande surpresa. Eu me senti ligeiramente magoada, de uma maneira que não consegui expressar. Como assim não foi uma grande surpresa? EU O AMAVA.
O dia 26 passou lentamente, as horas vagarosas e tristes. Tive um sono agitado, contente pela distração criada por Eddie, de modo que eu não precisava ser o foco das atenções. Fiquei deitada na banheira e na cama do meu quartinho, sequei as lágrimas que escaparam e torci para que ninguém percebesse. Minha mãe me levou chá e tentou não comentar muito sobre a felicidade radiante de minha irmã.
Era ótimo vê-la daquele jeito. Ou teria sido, se eu não estivesse tão arrasada. Vi as duas dando as mãos disfarçadamente embaixo da mesa enquanto mamãe servia o jantar, as cabeças se encostando enquanto falavam sobre algo que tinham lido em uma revista, os pés se tocando enquanto viam televisão, Thom abrindo caminho entre elas com a confiança dos que são extremamente amados, indiferente a quem o estava amando. Depois que passamos da fase da grande surpresa, tudo fez total sentido para mim: Treena ficava muito feliz e relaxada na companhia daquela mulher, de um jeito que eu nunca tinha visto. De vez em quando, ela me lançava breves olhares tímidos e silenciosamente triunfantes, e eu sorria em resposta, esperando não parecer tão falsa quanto estava me sentindo.
Porque tudo o que eu sentia era um segundo buraco gigantesco onde antes ficava meu coração. Sem a raiva que havia me alimentado pelas quarenta e oito horas anteriores, eu era um vazio. Sam tinha ido embora, eu praticamente o mandara embora. Para outras pessoas, o fim do meu relacionamento talvez fosse compreensível, mas, para mim, aquilo tudo não fazia sentido algum.

* * *

Na tarde do dia 26, enquanto minha família cochilava no sofá (eu havia esquecido quanto tempo era passado discutindo, comendo ou digerindo comida em nossa casa), saí e caminhei até o castelo Stortfold. Estava vazio, exceto por uma mulher cheia de energia usando uma jaqueta impermeável, passeando com o cachorro. Ela me cumprimentou com um aceno de cabeça que sugeria que não queria conversa, então segui até as muralhas e encontrei um banco de onde podia olhar para o labirinto e a metade sul de Stortfold. Deixei a brisa gelada pinicar a ponta de minhas orelhas, senti os pés esfriando e disse a mim mesma que não me sentiria tão triste para sempre. Deixei que meus pensamentos fossem em direção a Will, lembrando-me de quantas tardes havíamos passado ao redor daquele castelo e de como eu sobrevivera à morte dele, e disse a mim mesma com firmeza que essa nova dor era menor: eu não enfrentaria meses de uma tristeza tão profunda que me faria passar mal. Eu não pensaria em Sam.
Não imaginaria ele com aquela mulher. Não olharia o Facebook. Voltaria para minha nova vida emocionante, rica e cheia de acontecimentos em Nova York e, quando ficasse totalmente longe dele, as partes de mim que estavam ocas e destruídas acabariam se curando. Talvez nós não tivéssemos sido o que eu achara que fôssemos. Talvez a intensidade do nosso primeiro encontro — quem poderia resistir a um paramédico, afinal? — tivesse feito com que acreditássemos que a intensidade era nossa. Talvez eu apenas precisasse de alguém para me tirar daquele luto. Talvez nosso relacionamento tivesse sido um rebote, e eu me sentiria melhor antes do que imaginava.
Repeti isso sem parar em minha mente, mas uma parte teimosa de mim se recusava a escutar. Por fim, quando cansei de fingir que ia ficar tudo bem, fechei os olhos, apoiei a cabeça nas mãos e chorei. Em um castelo vazio, em um dia em que todo mundo estava em casa, deixei a dor passar por mim e chorei sem inibição ou medo de ser flagrada. Chorei de um jeito que não poderia chorar na casinha da Renfrew Road nem depois que voltasse para o apartamento dos Gopnik: com raiva e tristeza, uma espécie de sangria emocional.
— Seu idiota... — falei, soluçando em meus joelhos. — Eu só fiquei três meses longe...
Minha voz soou estranha, estrangulada. E, como Thom, que costumava olhar para o próprio reflexo no espelho quando chorava e, depois, passava a chorar ainda mais forte, o som daquelas palavras foi tão triste e terrivelmente definitivo que comecei a chorar com mais intensidade.
— Caramba, Sam. Você foi um filho da mãe por me fazer pensar que valia o risco.
— Posso me sentar também ou é uma festa de sofrimento particular?
Ergui a cabeça de repente. Lily estava diante de mim, enrolada em uma grande jaqueta preta e um cachecol vermelho, os braços cruzados, com cara de que talvez já estivesse ali me examinando por algum tempo. Ela sorriu, como se me ver em meu momento mais sombrio fosse divertido, então ficou esperando enquanto eu me recompunha.
— Bem, acho que eu não preciso perguntar o que está acontecendo na sua vida — disse ela, me dando um soco forte no braço.
— Como você soube que eu estava aqui?
— Fui até sua casa, afinal voltei da estação de esqui há dois dias e você nem se deu ao trabalho de me ligar.
— Desculpe — falei. — As coisas têm sido...
— Têm sido difíceis porque você levou um pé na bunda do Sexy Sam. Foi aquela bruxa loura?
Assoei o nariz e a encarei.
— Como fiquei uns dias em Londres antes do Natal, fui até a central de ambulâncias para dar um alô, e ela estava lá, grudada nele feito uma espécie de mofo humano.
Funguei.
— Você percebeu.
— Nossa, sim. Eu ia alertar você, mas daí pensei: para quê? Não é como se você pudesse fazer algo a respeito disso lá em Nova York. Argh. Mas os homens são uns idiotas. Como ele pode não ter enxergado isso?
— Ah, Lily, eu senti muita saudade de você.
Eu percebera como sentira falta dela até aquele momento. A filha de Will, em toda a sua glória alegre e adolescente. Ela se sentou ao meu lado e eu me apoiei nela, como se Lily fosse a adulta. Ficamos olhando ao longe. Dava para ver a casa de Will, a Granta House.
— Quer dizer, só porque ela é bonita e tem peitos enormes e uma daquelas bocas de filme pornô que parecem estar sempre prontas para um boquete...
— Certo, pode parar agora.
— Enfim, eu não choraria mais se fosse você — disse ela sabiamente. — Em primeiro lugar, porque nenhum homem merece. Até a Katy Perry pode dizer isso a você. Mas também porque seus olhos ficam muito, muito pequenos quando você chora. Tipo, microscópicos mesmo.
Não consegui deixar de rir.
Ela se levantou e estendeu a mão.
— Vamos. Vamos até sua casa. Não tem nada aberto hoje, e o vovô, Della e a Bebê que Não Faz Nada Errado estão me enlouquecendo. Tenho vinte e quatro horas para matar antes que a vovó venha me buscar. Eca. Você deixou catarro no meu casaco? Deixou! Você vai limpar isso.

* * *

Tomando chá em minha casa, Lily me contou as notícias que não incluíra em seus e-mails — estava adorando a nova escola, mas não tinha conseguido se envolver com o trabalho como deveria. (“No fim das contas, perder muitas aulas tem consequências. O que é muito irritante no front ‘eu avisei’ dos adultos.”)
Lily gostava tanto de morar com a avó que reclamava dela do jeito como reclamava das pessoas que amava de verdade — com humor e um sarcasmo alegre. A avó tinha sido completamente irracional em relação a ela pintar de preto as paredes do quarto. E não a deixava dirigir o carro, embora Lily soubesse perfeitamente como dirigir e só quisesse se adiantar antes de entrar na autoescola.
Foi só quando começou a falar sobre sua mãe que a animação desapareceu. A mãe tinha, enfim, deixado o padrasto de Lily — “é claro” —, mas o arquiteto que mora no final da rua e que ela havia planejado tornar seu próximo marido não entrara no jogo, recusando-se a deixar a esposa. Agora, a mãe dela estava levando uma vida de infelicidade histérica, morando com os gêmeos em uma casa alugada em Holland Park e passando por uma sucessão de babás filipinas que, apesar de terem uma tolerância impressionante, raramente eram tolerantes o bastante para sobreviver a Tanya Houghton-Miller por mais do que algumas semanas.
— Eu nunca pensei que fosse sentir pena dos meninos, mas sinto — disse Lily. — Argh, eu queria muito um cigarro. Só tenho vontade de fumar quando falo da minha mãe. Não é preciso ser Freud para entender isso, né?
— Sinto muito, Lily.
— Não sinta. Eu estou ótima. Estou morando com a vovó e indo à escola. O drama da minha mãe não me afeta mais. Bem, ela me deixa longas mensagens de voz, chorando ou me dizendo que sou egoísta por não voltar a morar com ela, mas não me importo.
Lily estremeceu brevemente.
— Às vezes eu penso que, se tivesse ficado lá, eu teria enlouquecido de vez.
Pensei na menina que tinha aparecido na porta da minha casa tantos meses antes, bêbada, infeliz e isolada, e senti uma pequena explosão silenciosa de prazer pelo fato de que, ao acolhê-la, eu havia ajudado a filha de Will a construir um relacionamento feliz com a avó.
Minha mãe entrou e saiu, reabastecendo a bandeja com fatias de presunto, queijo e torta de carne moída, e pareceu encantada por Lily estar ali, em especial quando Lily, com a boca cheia, passou o boletim completo do que estava acontecendo na mansão. Ela achava que o Sr. Traynor não andava muito feliz. Della, sua nova esposa, estava achando a maternidade um desafio e vivia preocupada com a bebê, hesitando e choramingando sempre que a neném berrava. O que acontecia basicamente o tempo todo.
— O vovô passa a maior parte do tempo no escritório dele, o que a deixa ainda mais furiosa. Mas, quando ele tenta ajudar, ela apenas grita e diz que ele está fazendo tudo errado. Steven! Não a segure desse jeito! Steven! Você colocou a roupa totalmente ao contrário! Eu a mandaria cair fora, mas ele é legal demais para isso.
— Ele é da geração que se envolvia muito pouco com os bebês — comentou mamãe gentilmente. — Acho que seu pai não trocou uma fralda sequer.
— Como ele sempre pergunta da vovó, eu disse que ela está com um homem novo.
— A Sra. Traynor arranjou um namorado? — perguntou minha mãe, arregalando os olhos.
— Não. É claro que não. A vovó diz que está aproveitando a liberdade. Mas ele não precisa saber disso, certo? Eu falei para o vovô que um bonitão grisalho com um Aston Martin e uma cabeleira farta a busca duas vezes por semana e que eu não sei o nome dele, mas que é bom ver a vovó tão feliz de novo. Percebo que ele quer fazer mais perguntas, mas não se atreve a isso na presença de Della, então apenas assente, dá um sorriso muito falso, diz “Que bom” e volta para o escritório.
— Lily! — repreendeu minha mãe. — Você não pode contar mentiras assim!
— Por que não?
— Porque, bom, porque não é verdade!
— Muitas coisas na vida não são verdade. O Papai Noel não é verdade. Mas aposto que você falou com o Thom a respeito dele mesmo assim. O vovô arrumou outra esposa. É bom para ele, e para a vovó, ele achar que ela está tendo férias curtas e deliciosas em Paris com um aposentado rico e bonitão. E os dois nunca se falam. Então, qual é o problema?
Em termos de lógica, era muito impressionante. Percebi isso porque a boca de mamãe se mexia como a de alguém que sente um dente mole, mas ela não conseguiu pensar em nenhum outro motivo pelo qual Lily poderia estar errada.
— Enfim — disse Lily —, é melhor eu voltar. Jantar em família. Ho-ho-ho.
Foi nesse instante que Treena e Eddie entraram, voltando da pracinha com Thom. Vi a expressão repentina de ansiedade mal-disfarçada de mamãe e pensei Ah, Lily, não diga nada terrível. Fiz um gesto na direção delas.
— Esta é Lily, Eddie. Eddie, Lily. Lily é a filha do meu antigo patrão, Will. Eddie é...
— Minha namorada — disse Treena.
— Ah. Legal.
Lily apertou a mão de Eddie e então se virou para mim.
— Então. Ainda estou planejando convencer a vovó a me levar para Nova York. Ela diz que não vai fazer isso enquanto estiver frio, mas que irá na primavera. Então, esteja preparada para tirar uns dias de folga. Abril se qualifica como primavera, certo? Está a fim?
— Mal posso esperar — respondi.
Ao meu lado, minha mãe murchou silenciosamente de alívio.
Lily me deu um abraço apertado e saiu correndo pela porta da frente. Eu a observei indo embora e invejei a força da juventude.

6 comentários:

  1. Ninguem perguntou mas Eu imagino toda o livro com atores conhecidos kkk os do primeiro filme claro e os novos são: Lily é a Leelee Sobieski, Sam o Edward J. Burns Jr, Agnes é a Yvonne Strzechowski, Ilaria é a Octavia Spencer e Eddie é a Danai Gurira, Os outros ainda não defini rs...

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  2. A única que imagino exatamente como você é Eddie. Mas todos os que imagino são atores conhecidos kkkk

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    1. Pra mim o Sam é Dwayne Jackson ( mesmo na descrição dizendo que ele tem cabelo )
      A Agnes é Charlize theron.

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  3. Não sei pq mas imagino Eddie como a pepê daquela dubla pepê e nenê

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  4. Eu já imaginei Agnes: Brianna Brown, Sam: Nick Wechsler e o Josh: Nicholas Hoult ele é idêntico o Sam Clafin

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  5. Lily é uma graça, gostando dessa fase boa dela. Louisa precisa superar o Sam o mais rápido e voltar para New York plenissíma pronta pra ficar rica! Eu ouvi um amém igreja?

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Boa leitura, E SEM SPOILER!