14 de fevereiro de 2018

Capítulo 18. Amigos para sempre...

Na manhã seguinte, nas primeiras páginas dos jornais do mundo inteiro estava a foto do detetive Andrade carregando nos braços a filha do presidente dos
Estados Unidos coberta apenas pelo seu paletó. Do Alasca à Austrália, quem ligasse a televisão só veria locutores comentando a inteligência e a valentia daquele humilde policial brasileiro, que havia superado as mais fabulosas máquinas de investigação do planeta, libertando Peggy MacDermott sem um arranhão e ainda prendendo os responsáveis pelo sequestro.
Mas o tão festejado herói mal tinha conseguido dormir umas poucas horas naquela noite. Desde a madrugada, repórteres das agências internacionais acotovelavam-se para conseguir espaço entre os jornalistas brasileiros que já haviam cercado a casa do detetive.
De pijama e roupão, Andrade não se fazia de rogado e a todos atendia, repetindo dezenas de vezes o que acontecera naquelas seis horas de tensão: Sherman Blake chegou na cadeia berrando como se fosse a única pessoa com razão neste mundo. Nosso escrivão fala inglês e deu para ficar sabendo de tudo.
O sujeito foi um glorioso fuzileiro naval, um herói mesmo. Liderava grupos de resgate e ficou famoso no uso da faca de guerra. Acabou reformado com a patente de capitão e tornou-se guarda-costas de Wilbur MacDermott quando ele ainda era senador.
— Ouvimos dizer que ele era até um amigo da família, é verdade? — perguntou uma repórter da revista Paris Match.
— É verdade. Foi um amigo dedicado por muitos anos. Era extremamente ligado a Peggy, de quem realmente gostava muito. Mas, ao mesmo tempo, foi se tornando um fanático a favor da corrida armamentista e da força militar dos Estados Unidos. Secretamente, fundou a sinistra organização dos tais Heróis-em-Defesa-denão-sei-o-quê, usando como primeiros membros seus antigos comandados.
Andrade interrompeu a explanação por um momento, para fazer uma pose sorridente para os fotógrafos, e continuou:
— Aos poucos, Blake foi percebendo as posições pacifistas e pró-desarmamento do senador. E, quando MacDermott elegeu-se presidente, Blake entrou em pânico, pois descobriu que tudo aquilo em que acreditava piamente estava ameaçado...
— Foi aí que ele idealizou o sequestro? — perguntou um repórter da United Press.
— Foi. Em seu desespero, Blake planejou essa barbaridade, o sequestro e a possível morte de uma menina de quem ele gostava realmente. Pobre idiota! Vai ficar um bom tempo em uma de nossas cadeias, mas os verdadeiros responsáveis, os que lucram com a indústria de armas... — Andrade entusiasmava-se com o próprio discurso, como se fosse um político em época de eleição — ... esses vão continuar na sombra, tentando encontrar outro fanático como o Blake para cometer mais alguma loucura que tente deter os desejos de paz e fraternidade entre todos!
— Mas como ele conseguiu organizar o sequestro? — perguntou um jornalista do Der Spiegel.
— Já chego lá. Blake infiltrou dois de seus homens como agentes da CIA.
Eles faziam parte do esquema de segurança do Colégio Elite e esconderam-se no forro do vestiário antes da chegada do presidente ao Brasil. O resto foi fácil. Enquanto as meninas faziam sua exibição de ginástica olímpica nas quadras, esses dois bandidos prepararam o cativeiro lá no forro do vestiário feminino, armaram a barraquinha, depois deixaram sobre a pia do vestiário uma lata de talco com gás narcotizante e voltaram para o forro calmamente, só esperando a hora.
— Mas, e o helicóptero? — perguntou uma repórter da revista Time.
— Ah, ah! — riu-se o gordo detetive, como se fosse um mágico tirando uma carta da manga. — Essa é a parte mais engraçada da história! Todo mundo ficou perdendo tempo para localizar o helicóptero. E aí estava a esperteza do plano: o tal helicóptero nunca existiu!
— Como assim? — insistiu a repórter. — Mas uma porção de gente não ouviu o helicóptero na hora do sequestro de miss Peggy?
— Ouviram, sim! Mas ninguém viu o helicóptero! O que ouviram não passava de uma gravação, reboando numa noite muito escura. Por isso o safado do Blake insistia em descrever o helicóptero, dizendo que era um aparelho pintado de preto, com as luzes apagadas e nem sei o que mais, só para desviar as investigações de Hooper de dentro do colégio!
E foi assim que Andrade conseguiu encerrar as entrevistas e retomar seu trabalho. Depois de passar na delegacia, tinha de voltar ao Colégio Elite, para supervisionar os últimos detalhes da investigação. O detetive estacionou seu fusquinha numa esquina próxima ao Elite. Mal equilibrado contra um poste, um homem completamente embriagado fazia um inflamado discurso para quem passasse por ele:
— Todu mundu nesscha schidadi é ladrão! Ladrãããão! Levam a caisschaça du Alfredo inquantu eu isschtava dandu uma cusschilada! Depoisch eu asschei um dinhêru nu bolschu i cum u dinhêru eu bebi uma garrafa di caisschaça interinha, purque si eu asschchei u dinhêru nu bolschu, u dinhêru era meu, tô sschertu o tô erradu? Sssschertuuu! Maisssch agora, comu fica u Alfredo?
Como os jornalistas tinham prejudicado seu café da manhã, a primeira providência do detetive foi dar um pulo na lanchonete da italiana.
— Miguel! Crânio! Calú! Magrí! Chumbinho! Meus meninos!
Como era hora do recreio, lá estavam justamente seus cinco jovens amigos, seus queridos “meninos”, como ele sempre chamava.
— Que bom encontrar vocês! Puxa, mas como vocês estão abatidos! O que houve? Não dormiram bem à noite?
Os “meninos” entreolharam-se. Foi Magrí quem respondeu:
— Ehr... São as provas do semestre, sabe, Andrade? A gente tem de rachar de tanto estudar...
Sentaram-se em uma das mesinhas, à frente do farto café da manhã de Andrade, e o detetive propôs-se a narrar tudo de novo para aqueles jovens de quem ele tanto gostava, enquanto passava geleia numa fatia de pão:
— Meninos, que ótimo que vocês estavam estudando como bons alunos! A noite passada aqui, na sua escola, foi uma loucura! Uma loucura!
— Atchim! — fez Chumbinho.
Logo seguido por Calú...
— Atchim!
E por Magrí.
— Atchim!
— O que foi? Vocês pegaram um resfriado? O que houve, hein? Andaram apanhando sereno? Vocês precisam se cuidar, meninos... E o que é isso no seu dedo, Chumbinho?
— Hum? Esse curativo? Não é nada... Só um cortezinho...
Andrade terminou a xícara de café com leite, esfregou os cabelos do garoto com carinho e fez um ar de mistério:
— Mas, como eu estava contando, meninos, ouçam só...
E, pela enésima vez, o detetive repetiu orgulhosamente os lances do sequestro da filha do presidente dos Estados Unidos. Os seus “meninos mostravam-se admirados, e não perdiam um intervalo sem que algum dele comentasse:
— Puxa!
— Mas que barbaridade!
— Ainda bem que a gente estava fora dessa!
— E o que você fez depois, hein?
— Coitada da menina!
Como se contasse uma história de livro de aventuras para crianças, Andrade caprichava nos detalhes, pintando tudo com cores ainda mais berrantes do que as do tremendo quadro real. E concluiu:
— Impressionante, não? E como ele, o Blake, podia entrar e sair de qualquer lugar com suas credenciais de guarda-costas do presidente americano, tratou pessoalmente de matar com sua faca os dois agentes que protegiam Peggy!
— Que horror!
— Não é? Daí, para seus dois comparsas, era só esperar o gás narcotizante fazer efeito, descer do forro com máscaras contra gases, deixar aberta a porta do vestiário para que todos pensassem que eles tinham fugido por ali para embarcar no helicóptero, pegar a garota desmaiada e carregá-la lá para cima do forro. E o mais incrível eu ainda não contei...
— Ah, conta, vai, Andrade! — pediu Magrí, fazendo charminho.
— O canalha ainda se deu ao luxo de fazer uma ameaça daquelas!
Provavelmente com o sangue dos seguranças que estava na faca, escreveu um “K” no espelho do vestiário!
— Puxa! — exclamou Chumbinho. — E o que significa isso?
Andrade sorriu, superior:
— É a primeira letra da palavra “kill”. Vocês sabem o que quer dizer “kill”, em inglês?
— Kill?— Magrí fez carinha de sonsa. — Eu, não...
— Quer dizer “matar”!
— Que horror!
Esforçando-se para não rir, Crânio comentou:
— Mas esse plano era arriscado demais!
— Isso era. Mas eles sabiam que só precisavam aguentar por poucas horas, até o discurso. Depois, matariam Peggy e desceriam tranquilamente para o pátio, misturando-se com seus colegas da CIA!
— Puxa, Andrade! Mas como é que você desmascarou o Sherman Blake?
— É que aconteceu uma falha inexplicável com o equipamento de som moderníssimo que os bandidos deixaram em cima do telhado, ligado à caixa do alto-falante. Automaticamente, o aparelho gravou o telefonema de Blake mandando matar a menina, e transmitiu tudo de volta pelo alto-falante! Daí, vocês precisavam estar lá para ver a cara dos agentes da CIA ouvindo o motor do helicóptero e depois a voz do canalha do Blake!
— Mas que coincidência feliz, hein? — admirava-se Miguel.
— Mais do que feliz! Essa história estava cheia de maluquices. Imaginem a sorte que eu tive: quando eu subi para o forro do vestiário, os sequestradores estavam com as pistolas descarregadas!
— Incrível! — admirou-se Chumbinho.
— Não é? O Pacheco acha que isso era alguma ordem do maluco do Blake. Vai ver ele não queria barulho de tiros. Tudo tinha de ser feito a faca, em silêncio! Vai ver foi isso mesmo, Andrade — concordou Chumbinho. — Só pode ser isso...
Andrade limpava a boca com o guardanapo:
— Hum... acho que não adianta pedir o sorvete da casa... Vou acabar perdendo o apetite para o almoço. Vocês já experimentaram o sorvete especial daqui? Creme, pistache e chocolate. Uma delícia! Querem que eu peça sorvete para vocês?
Magrí deu um pulo:
— Não! Esse sorvete, não!
— Atchim! — espirrou Miguel, com os olhos vermelhos.
— Mas que resfriado vocês pegaram, hein? É, acho melhor mesmo vocês se cuidarem. Sorvetes e gelados estão fora, ouviram?
— É claro, Andrade. Sem sorvetes...
— E olhem: agora eu vejo que vocês estão tomando juízo, porque desta vez não vieram meter o nariz nessa história terrível, como aconteceu das outras vezes que eu não quero nem me lembrar! Desta vez, ficaram quietinhos, enquanto nós, os profissionais, cuidamos de tudo e salvamos a vida da filha do presidente...
— Você foi mesmo demais, Andrade! — aplaudiu Miguel.
O gordo detetive fez uma festinha no queixo de Magrí e levantou-se.
— Bom, agora eu preciso ir. Tenho um relatório enorme para preencher. Eu ia até tentar um modo de falar com o Presidente Rodrigues Lobo, mas...
— Falar com o presidente?! — sobressaltou-se Calú.
— Pra quê?
— O próprio presidente ligou para mim, sabia, Calú? É! O pessoal da delegacia ficou verde de inveja. E eu queria tentar um telefonema para ele, para agradecer a dica do Serviço Secreto sobre o forro do vestiário, que ele me passou. Se não fosse isso, eu...
Calú estava ansioso:
— Telefonar para o presidente?! Ora, mas que absurdo, Andrade!
— Foi o que me disse o Pacheco, Calú. É que o tal Hooper da CIA ficou com a cara no chão com esse caso. Ciúme, sabe? Imagine, a polícia mais poderosa do mundo ser superada por um detetive brasileiro! Além disso, o homem ficou uma fera, porque eu quase cheguei a metê-lo na cadeia! Pois é. E o Pacheco me aconselhou a não mexer mais nesse vespeiro porque ainda vai acabar dando rolo. Pode até causar um mal-estar internacional, você não acha?
— Acho! — reforçou Calú. — Acho sim! Atchim!
— E cuidado com o sereno, hein? — recomendou Andrade enquanto saía. — Andem bem agasalhados!
Enquanto o detetive se distanciava, a italiana da lanchonete, cansada pela noite mal dormida, mas feliz pelos lucros inesperados que o caso lhe trouxera, não entendeu por que aqueles cinco adolescentes riam e batiam-se as mãos, como se comemorassem a vitória do seu time...
No salão principal dos aposentos de MacDermott, o Presidente americano e sua esposa recém-chegada abraçavam-se.
— Agora tudo passou, querida, tudo passou... Peggy está de novo conosco, sã e salva.
— Sã e salva? Está muito mais, Wilbur! — sorriu a primeira dama americana.
— Você notou como ela está diferente? Em vez de abater-se com o que aconteceu, Peggy parece estar mais segura, mais confiante... Ela parece mais forte! — Os sofrimentos amadurecem, querida. E isso também se aplica a mim...
— É verdade, Wilbur. Devemos aprender a não confiar plenamente em pessoas como Blake, mesmo que se mostrem amáveis e solícitas...
— Talvez, querida, mas veja a situação de Peggy: dois homens em cujo amor ela pensava poder confiar estavam dispostos a aceitar sua morte... Sherman Blake, que em seu fanatismo julgava que suas ideias malucas sobre a América justificavam qualquer sacrifício, e eu próprio, que estava disposto a perder Peggy por achar que as minhas ideias também valiam mais do que a vida da minha própria filha!
— Vamos esquecer isso, Wilbur, por favor...
— Não, querida, vamos nos lembrar disso, para sempre. Blake tinha razão: durante estes anos, minhas obrigações políticas me roubaram o tempo que eu deveria ter dedicado a Peggy. Mas, daqui para a frente, vamos mudar isso. Antes de ser o presidente dos Estados Unidos, eu sou um pai...
Os cuidados de proteção ao presidente americano, à primeira dama e a sua filha tinham sido triplicados, mas havia sido aberta uma exceção, e um agente bateu na porta. A primeira dama abriu-a e o homem falou, cerimoniosamente:
— Boa-tarde, missís MacDermott. Já chegou o rapaz que miss Peggy autorizou que subisse até aqui.
— Oh, sim, querida — lembrou o presidente, que vinha atrás da esposa. — Peggy fez amizade com um garoto lá no colégio da amiga e convidou-o para um lanche com ela, aqui no hotel.
Voltou-se para um dos quartos e chamou:
— Peggy, seu amigo já chegou!
A menina apareceu, normalmente vestida, sem qualquer afetação, mas com um sorriso luminoso, de alguém na expectativa de algo maravilhoso.
— Eu e sua mãe temos de ir ao jantar de despedida na embaixada, Peggy, querida — disse o pai, abraçando-a.
— Só peço que você não teime em sair do hotel. Depois do que houve ontem, eu...
Peggy pôs-se na ponta dos pés e beijou-lhe o rosto.
— Está bem, papai. Nós só vamos conversar. Esse é um rapaz muito especial. Aqui no Brasil, eles iniciam as férias de inverno logo mais, no início de julho. Quero ver se a gente combina de ele ir a Washington para me encontrar. Adoraria mostrar minha terra para ele...
Nesse momento, um belo garoto era introduzido no salão. MacDermott estendeu-lhe a mão.
— Muito prazer, meu jovem. Vocês têm um lindo país. Adorei o Brasil.
— Thank you, Mister President — o garoto apertava-lhe a mão e devolvia o cumprimento, num inglês perfeito.
— A América também é linda. Eu e minha família já estivemos em seu país algumas vezes...
O casal saiu para o jantar. Já no carro, a primeira dama comentava:
— Aí tem coisa, Wilbur. Esse rapaz... hum... Peggy olhava para ele de uma maneira que nós, mulheres, sabemos o que significa. É... nossa filha está ficando uma moça, não está?
— Está, querida. O tempo passa e a gente nem percebe...
Depois que ficaram a sós, Peggy levou o jovem visitante para a mesma varanda de onde, na noite anterior, havia apreciado o anoitecer da cidade nos braços de Sherman Blake.
Só que, desta vez, foi em braços mais jovens que ela se aninhou...
— Calú...
— Peggy...
Como estrelas muito baixas, as luzes da cidade salpicavam a escuridão da noite que já se fechava. Acima, o mau tempo encobria as estrelas de verdade. De olhos fechados, Peggy rememorava a noite anterior, quando tinha sido abraçada por aquele rapaz, em cima de um telhado, como num namoro entre gatos.
— Sabe, Calú? Pelo menos uma coisa aquele traidor, o tio Sherm, me ensinou de bom...
— Sim... ? — murmurava ele, aspirando seus cabelos.
— Ele me ensinou a dizer uma coisa em português...
— Em português? O que foi?
— Foi... Éééo tchiii áámôuu...
— Hum? O quê? Espere que eu vou ensiná-la a falar português. Repita comigo: Calú, eu te amo!
— Calú... Eeu... tchi... amou...
— Saiu mais ou menos. Mas você pode melhorar.
— Agora diga: Calú, eu te adoro!
— Calú... eeu... tchi... adoourou...
— Você vai indo bem. Agora diga: Calú, você é o garoto mais lindo do mundo!
— Oh, honey — ronronou a menina. — Vamos deixar essa lição para depois...
Amor não se ensina. Amor a gente faz...
— Oh, Peggy...
Os lábios dos dois se encontraram, num beijo longo, carinhoso, cheio de estrelas...
— Vamos lá, menino, sua garganta inflamou, eu não disse? Você fica no sereno, tomando gelado, e é isso que dá! Agora não pode se queixar. Vai ter de tomar essa injeção e pronto!
Chumbinho reclamava:
— Não quero, mãe! Isso é aquela injeção que dói! É aquele antibiótico que deixa calombo na bunda!
— O que é isso, garoto? — repreendeu o farmacêutico, impaciente. — Deixe de ser covarde!
O menor dos membros do grupo dos Karas, no dia seguinte a tudo aquilo que fizera, resfriado, com febre e com a garganta inflamada, voltou a cabeça para o farmacêutico, sério:
— Covarde? Eu?!
E, resignadamente, abaixou as calças, dispondo-se à dolorida picada... No Parque do Ibirapuera, o espetáculo ao ar livre estava sendo demais. O famoso tenor Plácido Carreras encerrava sua apresentação sob os aplausos de milhares de pessoas que se espalhavam pelo gramado.
No fim da multidão, quase conseguindo o isolamento que desejava, um
casalzinho estava abraçado.
— Magrí...
— Oh, Crânio...
Os potentes alto-falantes espalhavam a bela voz do tenor, embalando o beijo apaixonado daquele dois...
— Amigos para siempre, you will always be my friend...
O Salão Oval da Casa Branca, em Washington, recebia a visita de um homem gordo, careca, tremendo de nervosismo dentro de um terno alinhado, acabado de sair de uma loja de roupas feitas.
O salão estava lotado pelas mais altas autoridades dos Estados Unidos e pelas câmeras de tevê, que transmitiam a cerimônia para o mundo. Wilbur MacDermott prendia na lapela do paletó do convidado a mais alta condecoração do governo dos Estados Unidos. Uma medalha que representaria para sempre a gratidão de um país à coragem e ao desprendimento de um policial que salvara a vida da filha do presidente.
Emocionado, o detetive Andrade não suava nem um pouco. Sozinho, pedalando sua bicicleta, Miguel relembrava os riscos extremos que os Karas tinham assumido para salvar a vida de duas garotas: sua adorada Magrí e a filha do presidente dos Estados Unidos.
Em seu coração, ao pensar na americana, vinha-lhe aquele aperto que ele só sentia quando pensava em Magrí. Por quê? O que tinha acontecido com ele? E por que ele se sentia tão só?
“Daqui para a frente, mesmo distante, Peggy será um de nós. Ela é um Kara. Dos melhores. Mas...”
Mas ele sabia que a garota tinha ficado com outro... Sacudiu a cabeça, afastando a imagem da menina, e a gravidade dos problemas que assombravam o mundo voltou-lhe à consciência.
“Armas, guerras... Violência... É para viver nesse mundo que eu tenho de crescer? Ah, contra tanta coisa, a favor de tanta coisa eu tenho de lutar! Um trabalho para os Karas... Ah, a vida é um trabalho para os Karas!”
Lentamente, Miguel movia os pedais pensando que os Karas nunca, nunca poderiam acabar... Ao longo da rua quase deserta daquele começo de férias, a figura de Miguel distanciou-se até se perder ao longe...

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Boa leitura, E SEM SPOILER!