6 de fevereiro de 2018

Capítulo 16. Esses malditos não perdem tempo

Mal Andrade e Miguel viram os dois homens voltarem da viela e colocarem-se novamente junto ao carro escuro, o detetive ligou a ignição e deslizou até uma rua paralela ao quarteirão do hospital, onde o encontro de todos tinha sido marcado.
Da viela, Magrí e Crânio saíram rapidamente. Calú os esperava. Correram para a rua combinada.
Apressados, nenhum dos três olhou para trás.
E nenhum deles viu uma figurinha disforme, torta, saindo da viela atrás deles. Como uma aranha, feia, assustadora...
Quando chegaram no fusquinha, o rosto de Magrí estava vermelho, em brasa.
Ela pediu excitada:
— Por favor, rode, Andrade. Rode a esmo por aí. Vocês não imaginam o que eu descobri...
Em marcha lenta, Andrade procurou ruas de pouco movimento.
— Dona Iolanda é prisioneira daquele hospital. Não está em coma coisa nenhuma! O ferimento dela é superficial. Um corte queimado de bala sob a axila, perto do seio esquerdo.
— Mas ela não perdeu os sentidos, quando foi ferida, lá no aeroporto?
— Deve ter desmaiado apenas pela dor e pelo susto, Calú. Mas o maldito Doutor Q.I. não quer que ela fale. Estão mantendo dona Iolanda dopada, semi-anestesiada, inconsciente, com dois gorilões guardando a porta do quarto. Eu dei um jeito de jogar fora o anestésico que estava ligado à veia dela e coloquei soro fisiológico no lugar.
— Boa, Magrí!
— Eu não sou médica, mas qualquer pessoa sabe que soro fisiológico não faz mal a ninguém. Só que a gente não pode perder tempo. Logo que eles descobrirem que a tal “menininha” grávida desapareceu, vão desconfiar que alguma coisa anormal está acontecendo. E eles não são de brincadeira. Precisamos agir depressa!
— Isso é comigo! — encerrou Andrade. — Não posso invadir o hospital sem uma ordem judicial. Mas posso alegar que dona Iolanda é uma testemunha importante no caso do sequestro do doutor Bartholomew Flanagan e que precisa de proteção policial.
Pelo rádio transmissor do carro, ligou para a central e pediu uma viatura, urgente.
— Vou deixar dois guardas o tempo todo na porta do quarto da professora. Os bandidos não vão poder fazer mais nada contra ela. Só que eu não vou esperar até a chegada da viatura. Magrí e Crânio, vocês já fizeram muito, por hoje. Fiquem aqui no carro, de olho na saída do hospital. Calú e Miguel, venham comigo!
Os três saíram apressados.
Nem os dois homens de terno, nem o carro escuro estavam mais em frente ao hospital.

* * *

Os três entraram no saguão.
Um médico discutia com a recepcionista. Ao ver o gordo “pai”, que há pouco tempo entrara com a filha grávida, a recepcionista ficou sem jeito:
— Oh, é o senhor? Desculpe, mas a sua filha desapareceu. Não foi culpa nossa, porque...
O detetive interrompeu-a com um gesto e mostrou sua identificação de policial.
— Sou o detetive Andrade. Preciso garantir a segurança de uma paciente, que é testemunha-chave de um caso policial.
— Sua filha? — a recepcionista estava desorientada. — Mas ela desapareceu. Como é que...
— Não é a minha filha. É dona Iolanda Negri.
— Desculpe, mas o senhor não pode interferir no trat... — começou a falar o médico.
— Não vou interferir em nada. Só quero garantir a proteção dessa testemunha...

* * *

Magrí e Crânio, ansiosos, estavam sozinhos no fusca, aguardando os acontecimentos.
Sozinhos... Magrí olhou para o garoto como se olhasse o mar e procurasse enxergar os peixes que nadam nas profundidades abissais.
O rapaz aproximou-se dela.
— Oh, Magrí...
Com delicadeza, Magrí encostou a mão no peito do rapaz, detendo-o.
— Crânio, precisamos conversar. . .

* * *

Acompanhados pelo médico, Andrade e os dois Karas pegaram o elevador para o quinto andar.
Apressado, Miguel passou em frente aos outros.
— Onde é o quarto dela?
— O quinhentos e doze...
O comandante dos Karas correu para lá.
Em frente ao quarto da UTI, não havia mais nenhum gorila de guarda.
Abriu a porta.
Dentro do quinhentos e doze, só havia uma cama vazia.

* * *

Depois da conversa, Crânio tinha uma expressão distante, como se não estivesse ali.
Os dois nada mais falavam.
Nesse momento, Crânio apontou:
— Olhe, Magrí! Acho que estão nos espionando!
— Onde?
— Já sumiu. Que coisa horrível!
— Horrível? O que é que você viu?
— Você não vai acreditar, Magrí. Era um anão horrendo!
— Um anão?!

* * *

Miguel e Calú corriam para o carro.
— Magrí! Crânio! Vocês não imaginam! Dona Iolanda desapareceu!
Crânio deu um soco no painel do carro:
— Malditos! Esses malditos não perdem tempo!

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Boa leitura, E SEM SPOILER!