16 de fevereiro de 2018

Capítulo 14

Avistei Griz levando um cavalo para fora do estábulo. Com Kaden e o Komizar ainda de costas para mim, corri para interceptá-lo. Ele me viu chegando e parou, sua carranca sempre presente.
— Posso falar com você? — perguntei. — Em particular.
Ele olhou para os lados.
— Nós estamos tão sós quanto poderíamos.
Eu não tinha tempo para a diplomacia.
— Você é um espião? — perguntei sem rodeios.
Ele deu um passo a frente, o queixo enfiado no peito.
— Sem mais conversa sobre isso — resmungou baixo. Seus olhos correram pelos governadores próximos conversando em grupos de três ou quatro. — Eu lhe fiz um favor, menina. Você salvou a minha vida e a de meus companheiros. Eu pago minhas dívidas. Agora estamos quites.
— Eu não acredito que isso foi tudo, Griz. Eu vi o seu rosto. Você se importou.
— Não torne maior do que era.
— Mas eu ainda preciso de sua ajuda.
— Nós estamos quites, princesa. Entende isso?
Mas não podia estar terminado. Eu ainda precisava de mais ajuda.
— Eu poderia revelar a todos que você fala morrighês fluentemente — ameacei. Eu estava desesperada por seu auxílio, mesmo se tivesse chantageá-lo para obtê-lo.
— E se fizer isso, estaria condenando toda a minha família à morte. Trinta e seis pessoas. Irmãos, primos e seus filhos. Mais que aquela companhia inteira de homens que você assistiu morrer. É isso o que você quer?
Trinta e seis. Procurei em seu rosto cheio de cicatrizes e vi medo, verdadeiro e real. Balancei a cabeça.
— Não — sussurrei. — Não é o que eu quero. — Senti minhas esperanças caírem com outra porta fechada. — Seu segredo está seguro.
— Assim como o seu.
Pelo menos tive a confirmação de que ele conhecia a verdadeira identidade de Rafe. Eu estava grata que Griz o tivesse acobertado, mas muito mais era necessário.
Abri a boca para pedir uma última informação, mas ele se virou bruscamente, o cotovelo deliberadamente acertando minhas costelas. Eu me dobrei, caindo sobre um joelho. Ele se inclinou para baixo, um grunhido em seu rosto, mas sua voz era baixa e uniforme.
— Estamos sendo vigiados — ele sussurrou. — Brigue comigo.
— Seu estúpido idiota! — gritei. — Veja por onde anda!
— Isso mesmo — ele sussurrou. — Um pequeno conselho que posso lhe dar: você seria esperta em se tornar amiga de Aster. O ouriço conhece todos os cantos do Sanctum, assim como qualquer rato. — Ele endireitou-se e olhou para mim. — Então fique fora do meu caminho! — ele falou mais alto quando se afastou violentamente.
Um grupo próximo de governadores riu.
Olhei ao redor e vi que era Kaden que estava nos observando. Ele se aproximou e perguntou o que Griz queria.
— Nada — respondi. — Ele só estava grunhindo e babando sobre as carroças de mercadorias, como todos os outros.
— Por uma boa razão — respondeu Kaden. — Podem ser as últimas por um longo tempo. O inverno está próximo.
Ele fez soar como uma porta se fechando. Em Civica não havia grande diferença entre inverno e verão, alguns graus, ventos mais fortes, um casaco mais pesado, e a chuva. Mas não era o suficiente para parar o comércio ou o tráfego.
E, pelos meus cálculos, o inverno ainda demoraria pelo menos dois meses. Nós estávamos apenas entrando no outono, o verão terminara há pouco. Certamente o inverno não poderia vir mais cedo para Venda do que para Civica. Mas eu senti o frio no ar, o brilho cansado do sol, já diferente do dia anterior. O inverno está próximo. Portas o bastante já haviam sido fechadas para mim, eu não podia deixar esta se fechar também.

* * *

Segui Kaden pela praça para um portão que levava para fora do Sanctum. Ele estava me levando à jehendra para conseguir roupas adequadas, como o Komizar tinha recomendado. Eu fiquei perto dele, temendo as pessoas fora dos portões tanto quanto aquelas dentro. Foi uma benção o Komizar ter partido. Deu-me um espaço para respirar – um pouco passada a notícia – mas também significava que ele estava fora do meu alcance. Eu queria perguntar a Kaden sobre Rafe, onde ele estava e como tinha se saído durante a noite, mas sabia que isso só o faria duvidar do meu pronunciamento sobre não querer ter nada a ver com o emissário, e se Kaden suspeitasse, o Komizar suspeitaria mais ainda. Rezei para que os guardas não tivessem mostrado a Rafe mais de seu desgosto por porcos de Dalbreck. Talvez depois do jantar da noite anterior e das atenções frequentes do Komizar em direção a ele, eles mostrassem mais contenção.
Nós caminhamos lado a lado, mas notei um hesitar ocasional na marcha de Kaden.
— Sinto muito sobre a perna — falei.
— Como você falou, não existem regras quando se trata de sobrevivência. Seus irmãos te ensinaram bem.
Engoli o nó se formando em minha garganta.
— Sim, ensinaram.
— Eles te ensinaram a atirar a faca também?
Eu tinha quase esquecido Finch e minha mira em seu peito. Kaden, obviamente, não esquecera.
— Meus irmãos me ensinaram um monte de coisas. Principalmente apenas por estar com eles, observando e absorvendo.
— O que mais você absorveu?
— Acho que você vai ter que descobrir.
— Eu não tenho certeza de que minhas canelas queiram saber.
Eu sorri.
— Acho que suas pernas estão seguras por agora.
Ele limpou a garganta.
— Peço desculpas por meu tom com você esta manhã. Sei que eu fui...
— Arrogante? Condescendente? Insensível?
Ele assentiu.
— Mas você sabe que eu não me sinto assim sobre você. É uma linguagem que se tornou parte de mim depois de tantos anos. Especialmente agora que estou de volta aqui. Eu...
— Por quê? Você nunca vai me dizer por que odeia nobres desse jeito? Quando não conhece nenhum além de mim?
— Eu conheço a nobreza, senão a realeza. Não há muita diferença.
— Claro que conhece — zombei. — Um assassino na corte cruzando com lordes e lady todos os dias. Cite nomes. Apenas um nobre que você conhece.
— Por esse caminho — disse ele, agarrando o meu braço ao me levar para uma viela, usando nossa súbita mudança de direção como uma forma de evitar a minha pergunta.
Eu suspeitava que a sua resposta era que ele não conhecia nenhum, mas não queria admitir isso. Ele odiava nobres porque todos vendanos odiavam. Esperava-se isso. Especialmente certos vendanos poderosos.
— Só para você saber, Kaden, seu reverenciado líder tem planos para me matar. Ele me disse isso.
Kaden sacudiu a cabeça e levantou o saco de moedas que o Komizar tinha jogado para ele como se fosse prova do contrário.
— Ele não vai matá-la.
— Talvez ele só me queira bem vestida quando eu estiver pendurada na ponta de uma corda.
— O Komizar não enforca pessoas. Ele as decapita.
— Oh, claro. Isso é um alívio. Obrigada por me esclarecer.
— Ele não vai matá-la, Lia — repetiu ele. — A menos que você faça algo estúpido. — Ele parou e agarrou meu braço. — Você não vai fazer algo estúpido, não é?
Os transeuntes pararam e nos observavam. Percebi que todos reconheceram o assassino. Eles sabiam quem ele era e deram-lhe distância respeitosa.
Estudei Kaden. Estupidez era uma questão de perspectiva.
— Só estou fazendo o que você pediu. Seguindo a sua liderança e tentando convencer os outros do meu dom.
Ele se inclinou para perto, baixando a voz.
— Use suas mostras com moderação, Lia, e nunca as mantenha sobre a cabeça do Komizar como fez com Griz e Finch. Você vai sentir a resposta se o fizer. Deixe-o usar o seu dom como lhe aprouver.
— Ajudá-lo com uma farsa, você quer dizer?
— E repetirei suas próprias palavras: Não existem regras quando se trata de sobrevivência.
— E se isso não for uma farsa?
Sua expressão escureceu. Percebi que, em todo o nosso tempo no Cam Lanteux, ele nem uma vez admitiu que eu poderia realmente ter um dom, nem mesmo quando eu os avisei sobre a debandada bisões. Estranhamente, ele usou rumor do meu dom como uma desculpa para me manter viva sem admitir qualquer crença própria.
— Basta fazer o que ele pedir — Kaden disse finalmente.
Eu ofereci um aceno relutante, e nós continuamos a caminhar. Era quase como se ele tivesse uma relação mais profunda com o dom do que Griz e Finch. Era o poder potencial que ele considerava que nem ele nem o Komizar poderiam controlar? Dihara riria da ideia de usar o dom como o Komizar quisesse. Ela negara quando propus isso. O dom não pode ser convocado, é apenas isso, um dom, uma maneira delicada de saber, um modo tão antigo quanto o próprio universo. Um pequeno suspiro escapou dos meus lábios. Delicado. Oh como eu desejava que fosse uma maça pesada que eu poderia exercer em seu lugar.
Kaden passou a explicar que as ameaças do Komizar eram apenas sua maneira de estabelecer limites e poder comigo. Um pouco de respeito vindo de mim poderia necessitar de um caminho.
— E esse saco de moedas é um suborno? Como o vinho roubado que ele dá aos governadores? Ele está tentando comprar o meu respeito?
Kaden olhou de lado para mim.
— O Komizar não tem necessidade de comprar qualquer coisa. Você deve saber disso por agora.
— As roupas que estou usando estão boas. Gosto bastante da sua camisa e das calças.
— Assim como eu, e meu guarda-roupa não é ilimitado. Além disso, estão enormes em você, e se o Komizar quer que você tenha roupas novas, você terá roupas novas. Você não quer insultar a sua generosidade. Disse que queria entender meu mundo. A jehendra abrirá os seus olhos para mais dele.
Generosidade? Tentei me impedir de parecer chocada. Mas Kaden tinha certa cegueira quando se tratava do Komizar. Ou talvez ele simplesmente tivesse a mesma esperança não realista que Rafe tinha em seu exército de quatro homens que, contra todas as probabilidades, eles poderiam acertar o que estava errado em seu mundo.
Marchei junto ao lado dele, engolindo meu ceticismo quanto à generosidade do Komizar porque entender o mundo de Kaden, que incluía a jehendra, só poderia me ajudar a sair deste lugar esquecido por Deus. Sondei sobre outras coisas.
— Ele disse que você seria o Mantenedor na ausência dele. O que isso significa?
— Não muito. Se uma decisão tiver que ser tomada enquanto ele estiver fora, a responsabilidade recai sobre mim.
— Isso soa como um trabalho importante.
— Normalmente não. O Komizar mantém um rígido controle sobre os assuntos que dizem respeito à Venda. Mas às vezes um lorde não pode resolver uma disputa ou uma patrulha tem que ser enviada para fora.
— Você pode dar ordens para levantar a ponte?
— Apenas se necessário. E isso não será necessário. — A lealdade vendana era forte em seu tom.
Nós caminhamos em silêncio, e observei a sua cidade, o seu murmúrio enchendo meus ouvidos. Era o som de milhares de pessoas andando por perto, um rumor crescente de tarefas que eram realizadas com urgência. Olhos correram sobre nós a partir de portas e casebres apertados. Senti os olhares nas nossas costas muito depois que passamos. Eu tinha certeza que de alguma forma eles sabiam que eu era uma estranha.
Quando a rua estreitou, vendanos viajando na direção oposta passaram por nós, e os ossos em seus cintos batiam contra as paredes de pedra. As pessoas pareciam ocupar cada centímetro desta cidade sem fim. As histórias que eles procriavam como coelhos não pareciam muito forçadas.
O beco finalmente abriu-se para uma rua mais larga que abrigava mais pessoas. As altas estruturas circundantes bloqueavam o sol, e cabanas em ruínas equilibravam-se precariamente em suas bordas. A cidade era tecida em uma trama e urdidura que desafiava a razão. Às vezes, apenas uma trêmula parede de lona no vento marcava um espaço para viver. As pessoas viviam onde podiam, transbordando de vias obscuras e talhando um espaço para chamar de lar.
Crianças seguiam atrás de nós, oferecendo churrasco de carne de cavalo, amuletos em cordões couro ou ratos que se contorciam em seus bolsos. Ratos como animais de estimação? Será que alguém realmente pagava por uma coisa dessas? Mas quando um garotinho descreveu o dele como gordo e cheio de carne, percebi que eles não estavam sendo vendidos como animais de estimação.
Caminhamos por pelo menos um quilômetro e meio antes de chegarmos a um grande mercado aberto. Esta era a jehendra. Era o maior espaço aberto que eu tinha visto na cidade até agora, tão grande quanto três campos de torneio. Havia apenas algumas estruturas permanentes. O restante era como uma colcha colorida de retalhos. Algumas barracas não eram mais do que um caixote virado para vender as menores lembranças. Sinos, tambores e as cordas de uma zítara dedilhavam o ar em uma batida animada que combinava com a cidade.
Passamos por uma barraca onde cordeiros sem pele estavam pendurados em ganchos, moscas conseguindo a primeira prova. Um pouco mais abaixo, potes rasos de barro cheios de ervas em pó estavam expostos sobre cobertores, as mulheres oferecendo uma pitada de graça para nos atrair para o seu caminho. Do outro lado do corredor, três barracas próximas mostravam pilhas de roupas, algumas delas esfarrapadas e rasgadas. Outras barracas tinham tecidos que pareciam rivalizar com os trazidos recentemente nas caravanas dos Previzi. Pombos magros e quase sem penas arrulhavam dentro de gaiolas acima de cercados sulcados de viçosos leitões cor-de-rosa. Vi fileira após fileira de mercadorias, desde comida, cerâmica, até as lojas mais sombrias nas estruturas permanentes que ofereciam prazeres invisíveis por trás de cortinas fechadas.
Em contraste com esta cidade pintada de fuligem e cansaço, a jehendra fervilhava com cor e vida. Embora não tivesse dito nada, senti Kaden estudando-me quando parei nas barracas e examinei as mercadorias. Ele temia que eu usasse a palavra bárbaro com a mesma aversão que eu tinha ao atravessar o Cam Lanteux? Alguns dos produtos oferecidos eram o mais humilde dos esforços, panos torcidos em bonecos ou bolas de gordura animal moldadas e amarradas em entranhas de animais.
Eu estava tentada a gastar as moedas do Komizar com toda sorte de coisas além de roupas, e foi difícil seguir em frente quando os rostos sérios estavam esperançosos que eu comprasse seus produtos. Caminhei por uma barraca de talismãs. Pedras azuis chatas com estrelas brancas pareciam ser o design favorecido, às vezes com um toque de pedra vermelha no centro, e me perguntei se ele remetia à história do anjo Aster.
Lembrei do que Kaden tinha dito, que as únicas coisas que não faltavam em Venda eram pedra e metal. Pelo menos alguns vendanos pareciam não ter memória curta também. Suas narrativas da história poderiam não ser precisas, mas pelo menos eles as tinham – e alguns, como esses artesãos, as reverenciavam o suficiente para forjar joias em memória a elas.
Isso foi algo que não ouvi esta manhã em Venda, o recitar das memórias que sempre saudavam as manhãs em Morrighan. Nunca pensei que sentiria falta delas, mas talvez fosse apenas saudade de quem as recitava: Pauline, Berdi, meus irmãos. Mesmo meu pai nunca perdia as memórias sagradas da manhã, cantando as bravuras de Morrighan e a firmeza dos Remanescentes escolhidos. Passei o polegar sobre o amuleto, as estrelas incrustadas uma memória tão cuidadosamente elaborada quanto qualquer nota musical.
— Aqui — disse Kaden, e ele passou uma moeda ao comerciante. — Ela vai levar esse.
O vendedor colocou o talismã em volta do meu pescoço.
— Eu sabia que você o levaria — ele sussurrou em meu ouvido. Ele deu um passo para trás, o olhar fixo no meu. Seus modos me deixaram nervosa, mas talvez fosse o jeito dos vendedores vendanos, serem tão familiares.
— Use-o em boa saúde — disse ele.
— Eu usarei. Obrigada.
Continuamos em frente, Kaden liderando o caminho, até chegarmos a várias barracas enfileiradas com roupas e tecidos pendurados em varas.
— Uma delas deve ter algo para você — falou ele. — Vou esperar aqui. — Ele sentou-se na ponta de um carrinho vazio e cruzou os braços, apontando para as barracas.
Passei pelas barracas com indiferença, não tendo certeza em qual delas entrar, especialmente desde que eu não tinha interesse em encontrar algo “adequado” para vestir. Olhei à distância, não me comprometendo a pisar dentro de nenhuma delas, mas então ouvi uma vozinha.
— Senhorita! Senhorita!
Da escuridão de uma das barracas, uma mão foi estendida e agarrou a minha, me puxando para dentro.
Tomei uma respiração assustada, mas vi que era Aster. Eu perguntei o que ela fazia aqui, e ela disse que era loja de seu pai.
— Não a loja dele propriamente dita, mas ele trabalha aqui algumas vezes. Levanta coisas pesadas demais para Effiera. Não hoje, porém, porque ele está doente, então me enviou no lugar, mas Effiera não acha lá muita coisa alguém do meu tamanho... — Aster colocou a mão sobre sua boca. — Sinto muito, senhorita. Lá vou eu novamente. Não importa por que estou aqui. Por que você está aqui?
Porque fui puxada para a sua barraca, eu queria dizer para provocá-la, mas sabia que Aster ficaria constrangida, e não queria adicionar nada à sua insegurança.
— O Komizar disse que preciso de roupas adequadas.
Os olhos dela se arregalaram como se o próprio Komizar estivesse ali, e no mesmo instante, uma mulher atarracada apressou-se a correr até o meio da tenda, saindo de trás de uma cortina esticada no fundo do local.
— Você veio ao lugar certo, então. Eu sei exatamente do que ele gosta. Eu tenho...
Esclareci as coisas imediatamente. Eu não era uma das “visitantes especiais” do Komizar. Aster ofereceu entusiasmadamente mais detalhes sobre quem eu era.
— Ela acabou de chegar! Ela é uma princesa. Veio de uma terra distante, e seu nome é Jezelia,mas...
— Calma, menina! — A mulher olhou para mim, mastigando algo escondido no interior de sua bochecha, e eu me perguntei se ela cuspiria aquilo em mim agora que sabia que eu vinha do outro lado. Ela me estudou por um longo tempo.
— Acho que tenho exatamente aquilo de que você precisa. — Ela estimou minhas medidas com um olho treinado e disse voltaria em instantes. Ordenou que Aster me fizesse companhia enquanto isso.
Assim que Effiera se foi, Aster colocou a cabeça através de uma fenda na lateral da tenda e soltou um assobio ensurdecedor. Em segundos, duas crianças esqueléticas menores que Aster deslizaram através da aba. Como o de Aster, o cabelo delas era cortado rente ao couro cabeludo, e eu não tinha certeza se eram meninos ou meninas, mas os seus olhos estavam arregalados e famintos. Aster apresentou a menor como Yvet, e o outro era um menino chamado Zekiah. Notei que lhe faltava a ponta do indicador da mão esquerda. O coto estava vermelho e inchado, como se a perda tivesse ocorrido apenas recentemente, e ele o esfregava, envergonhado, com a outra mão. No início eles estavam tímidos demais para falar, mas então Yvet perguntou em uma voz trêmula se eu tinha estado realmente em outras terras como Aster reivindicara. Aster olhou para mim com os olhos em expectativa, como se sua reputação estivesse em risco.
— Sim, o que Aster diz é verdade — respondi. — Vocês gostariam de ouvir sobre essas terras?
Eles assentiram ansiosamente, e todos nós nos sentamos no tapete no meio da tenda. Eu contei a eles sobre as cidades esquecidas no meio do nada, sobre savanas de grama acobreada que se espalhavam tão amplamente como um mar, sobre ruínas reluzentes que brilhavam por quilômetros, prados no alto das montanhas onde as estrelas estavam tão próximas que você poderia tocar em suas caudas cintilantes, e sobre uma velha que tecia o brilho das estrelas em fios em uma grande roda de fiar. Contei a eles sobre os animais barbados com cabeças que eram como bigornas, que cavalgavam juntos em grupos mais numerosos que os seixos em um rio e de uma misteriosa cidade em ruínas onde nascentes fluíam com água doce como néctar, ruas brilhavam de ouro, e os Antigos ainda lançavam sua magia.
— É de onde você vem? — perguntou Yvet.
Olhei para ela, não tendo certeza de como responder. De onde eu era? Estranhamente, não foi Civica que veio à mente.
— Não — eu finalmente sussurrei. E então eu lhes contei sobre Terravin. — Era uma vez — falei, tornando uma história tão distante e remota como eu sentia agora — uma princesa, e seu nome era Arabella. Ela teve que fugir de um dragão terrível que a perseguia com a intenção de torná-la seu café da manhã. Ela correu para uma aldeia que lhe ofereceu proteção. — Falei a eles de uma baía tão brilhante quanto safiras, peixes prateados que saltavam para redes, uma mulher que mexia infinitas panelas de guisado, e casas de campo tecidas de arco-íris e flores, uma terra tão mágica quanto toda princesa jamais poderia sonhar. Mas, então, o dragão a encontrou novamente, e ela teve que ir embora.
— Será que a princesa algum dia vai voltar? — perguntou uma nova voz.
Olhei à minha esquerda, assustada. Mais quatro crianças haviam entrado de fininho e agora estavam agachadas sobre os joelhos na entrada da tenda.
— Acho que ela vai tentar — respondi.
Effiera surgiu dos fundos, batendo palmas e enxotando-as para fora.
— Aqui vamos nós — ela disse, e eu me virei para encontrar mais três mulheres de pé na parte de trás da tenda, seus braços cheios com tecidos. Entre eles estavam couros macios de todos os tons – marrom, bege, castanho amarelado, alguns tingidos de roxo, verde e vermelho. Outra mulher trazia acessórios como cintos, lenços e bainhas em seus braços.
Meu coração batia forte, e eu não sabia por que, mas então eu soube – antes mesmo de elas as abrirem.
Roupas bárbaras. Estas não eram como as peças que Calantha usava, feitas de tecidos leves e delicados, trazidas pelas caravanas dos Previzi. Olhei para Effiera, incerta. Sua expressão era firme. Eu tinha certeza de que não era o que o Komizar tinha em mente, mas de alguma forma, estes tecidos parecia certo. Era a mesma estranha sensação que eu tinha sentido na primeira vez que contornei a curva e vi Terravin. Um sentimento de afinidade. Vestuário, é claro, não era o mesmo que uma casa, eu me lembrei.
— Tudo de que preciso é de algo simples, calças e uma camisa. Roupas com as quais eu possa cavalgar — eu disse.
— E é o que você terá, e uma muda simples de roupas, também — Effiera respondeu, e com um rápido aceno de mão, as mulheres se moveram num turbilhão de movimento e começaram a medir e montar um conjunto básico de montaria.

* * *

Kaden e eu caminhamos de volta para o Sanctum. Effiera prometeu enviar os dois conjuntos de roupa que eu tinha encomendado através de Aster mais tarde, depois que algumas alterações fossem feitas. O medo que eu tinha carregado desde que atravessei a ponte para Venda ficou momentaneamente suspenso. Minha breve estada na tenda, primeiro com as crianças e, em seguida, com as mulheres, enquanto elas seguravam tecidos, coletes, camisas e calças, foi um bálsamo. Eu me senti menos como uma forasteira, e eu esperava poder ficar com essa sensação.
— Parece tolice gastar dinheiro em roupas quando há tanta necessidade em todo lugar — falei, ainda questionando bolsa solta do Komizar.
— Como você acha que vendanos vivem suas vidas diariamente? Eles têm empregos e profissões e bocas para alimentar. Eu dei a Effiera duas vezes o que ela obteria de qualquer outra pessoa. Confeccionar roupas é a forma como ela sobrevive.
— Effiera? Você sabe o nome de cada dono de barraca de Venda?
— Não. Apenas o dela.
— Então você trouxe outras jovens moças até ela?
— Para falar a verdade, sim.
Ele não entrou em detalhes, e seu silêncio me fez imaginar quem foram elas. Mais visitantes do Komizar ou jovens moças de seu próprio interesse?
— Por que já estamos voltando? — perguntei. — Ainda é cedo. Achei que você queria que eu visse sua cidade. Vi apenas uma pequena parte.
— O Komizar tem alguns assuntos de que preciso cuidar no quadrante de Tomack.
— Não é para isso que servem os lordes dos quadrantes?
— Não para este assunto. Tem a ver com soldados.
— Eu poderia ir junto com você.
— Não.
Sua resposta veio quente e cortante, e não era nem um pouco condizente com o jeito habitual de Kaden. Virei-me e lancei-lhe um longo olhar de avaliação.
— Vou levá-la de volta por outro caminho — ofereceu ele. — Passando por algumas das ruínas mais interessantes.
Um meio-termo, porque o que quer que houvesse nesse quadrante de Tomack, ele não queria que eu visse.
Mais uma vez andamos por ruas estreitas, becos, e alguns caminhos que pareciam pouco mais do que trilhas de coelho, pulando por cima de pequenas ravinas lavadas pela chuva e deslizando por grama morta bastante pisoteada. Chegamos finalmente a uma rua grande e bem viajada, e Kaden me levou até um grande caldeirão borbulhando sobre uma fogueira. Havia bancos ásperos de madeira espalhados em um círculo ao redor, e um velho oferecia canecas da bebida por um preço modesto.
— É thannis — explicou Kaden. — Um chá feito a partir de uma erva. — Ele comprou uma caneca para cada um de nós, e nos sentamos em um dos bancos. — Thannis é outra coisa que Venda tem em abundância. Ela cresce em quase qualquer lugar. Em camadas de pedra no fundo do mar, em fendas nos campos mais rochosos. Às vezes os agricultores têm raiva delas. Uma vez que tomam pé, é difícil evitar sua propagação. Thannis é uma sobrevivente, assim como um vendano. — Ele disse que as folhas eram roxas, brotando brilhantes acima das neves do inverno, mas no final do outono, por apenas alguns dias antes da semeadura, mudava para o dourado brilhante. Então ela se tornava doce, mas também venenosa. — Um gole da thannis dourada será o seu último.
Fiquei contente de ver que a nossa bebida era de um diferente tom arroxeado e não dourado. Tomei um gole e a cuspi. Tinha gosto de terra. Terra amarga, horrível, mofada.
Kaden riu.
— É um gosto adquirido, mas uma tradição em Venda, como os ossos usados em nossos cintos. Diz-se que thannis foi tudo o que manteve Lady Venda e os primeiros clãs daqui vivos durante os primeiros invernos. Na verdade, provavelmente foi tudo o que me manteve vivo mais de um inverno. Quando outros suprimentos acabam, há sempre thannis.
Encarei com coragem outro gole e forcei-o a descer, então imediatamente tentei juntar saliva em minha boca para levar o gosto embora. Eu tinha certeza que não era um gosto que eu gostaria de adquirir, nem mesmo no mais gélido dos invernos. Olhei para o velho mexendo o caldeirão, cantando um cântico aos transeuntes: Thannis para o coração, thannis para a mente, thannis para a alma, thannis, vida longa aos filhos de Venda. Ele a repetia continuamente, uma canção serpenteando sem começo nem fim.
Pairando sobre o vapor do caldeirão, vi alguém de pé em uma cordilheira rochosa me observando de longe. Uma mulher. Sua figura parecia ondular através do vapor, brumosa, se esvanecendo, e, em seguida, ela desapareceu. Ela simplesmente desapareceu. Pisquei e olhei para minha caneca.
— O que tem nisso? — perguntei.
Kaden sorriu.
— Apenas uma erva daninha inofensiva, juro. — Ele chamou o velho e perguntou-lhe se ele tinha algum creme para adoçar a minha bebida. O homem o atendeu feliz, pois embora o thannis tenha quase saído de graça, o creme, mel ou bebidas alcoólicas para dar sabor vinham a um custo maior. Mesmo com uma dose pesada de creme, o thannis ficou apenas razoavelmente palatável. O álcool poderia ter ajudado mais.
Nós sorvemos nossas bebidas e assistimos as crianças que passavam por ali, implorando para fazer qualquer coisa que pudesse trazer algo em troca.
— Eles parecem tão jovens. Onde estão os pais deles? — perguntei.
— A maioria não os tem, ou estão em outra rua fazendo o mesmo.
— Você não pode fazer alguma coisa por eles?
— Estou tentando, Lia. Assim como o Komizar. Mas há limite no número de cavalos que ele pode abater.
— E caravanas que pode assaltar. Há outras maneiras de administrar um reino.
Ele olhou para mim, um sorriso nos lábios.
— Há? — Seu olhar se voltou para a rua. — Quando os antigos tratados foram assinados e as fronteiras, estabelecidas, Venda não fez parte dessas negociações. As terras férteis de Venda foram sempre poucas, e a cada ano mais campos ficaram improdutíveis. A maior parte da zona rural de Venda é muito mais pobre do que o que você vê aqui, e por isso a cidade cresce. Eles vêm em busca de esperança e de uma vida melhor.
— Foi assim que você cresceu? Nas ruas de Venda?
Ele tomou os últimos goles de sua thannis e levantou-se para devolver a caneca para o velho.
— Não, eu teria sido sortudo se tivesse crescido nas ruas.
— Sortudo? Seus pais são assim tão ruins?
Ele parou no meio de um passo.
— Minha mãe era uma santa. — Era.
Fitei-o, uma veia saltada em sua têmpora. Era isso. Sua fraqueza. A parte enterrada de que ele se recusava a compartilhar. Os pais dele.
— Nós precisamos ir. — Ele esticou a mão, esperando a minha caneca vazia.
Eu queria mais respostas, mas sabia o que era a dor pelas memórias de uma mãe e um pai. Minha mãe tinha me enganado, tentando frustrar o meu dom, e meu pai...
Meu estômago se apertou.
Era apenas um único aviso pequeno na praça da vilarejo. Walther tinha me falado isso como se pudesse me confortar, mas o anúncio ainda era uma chamada para a minha prisão e meu retorno por traição, divulgado por meu próprio pai. Algumas linhas nunca deveriam ser cruzadas, e ele provou isso quando enforcado seu próprio sobrinho. Eu ainda não sabia qual o papel que meu pai teve no atentado do caçador de recompensas contra a minha vida. Talvez ele tivesse visto isso como uma maneira conveniente de eliminar uma audiência complicada na corte. Ele sabia que os meus irmãos nunca o perdoariam se ele me executasse.
— Lia, sua caneca?
Afastei a memória, entregando-lhe a caneca, e continuamos nosso caminho. Aqui, como na savana, ruínas e novas construções estavam lado a lado, e às vezes era impossível discernir uma da outra. A enorme cúpula que um dia devia ter coberto um grande templo estava afundada em escombros, e apenas um lampejo de pedra esculpida reluzia através da terra para mostrar que aquilo era mais do que um montinho na paisagem. Próxima a ela, pedra fora empilhada sobre pedra, criando um cercado para uma cabra. Os animais eram cuidadosamente guardados aqui, Kaden me disse. Eles tendiam a desaparecer.
Nós andamos por um longo caminho até que Kaden finalmente parou em uma ruína modesta, descansando a mão sobre uma árvore que tomava conta de uma parede como dedos retorcidos.
— Este costumava ser o lugar mais alto do que qualquer torre de Venda.
— Como alguém poderia saber disso? — olhei para as paredes que restavam e formavam um enorme quadrado. Árvores cresceram sobre as ruínas como sentinelas torcidas. Nenhum dos restos reais da torre tinha mais do que uns quatro metros de altura, e faltava quase uma parede inteira. Parecia uma ideia irreal supor que uma vez existiu uma torre aqui que se elevava sobre toda a cidade. — Pode ter sido apenas as paredes de uma mansão.
— Não eram — Kaden disse com firmeza. — Ela subia a quase duzentos metros de altura.
Duzentos metros? Grunhi minha descrença.
— Documentos comprovam isso. Pelo o que eles podem decifrar, este era um monumento a um dos seus líderes.
Eu realmente não sabia muito sobre a história dos Antigos antes da devastação. Pouco fora registrado nos Textos Sagrados de Morrighan... a maioria falava apenas no que houve depois. Nós só sabíamos de sua morte, e os estudiosos haviam recolhido as poucas relíquias que sobreviveram aos séculos. Os documentos em papel eram raros. Papel era a primeira coisa a se desfazer, e de acordo com os Textos Sagrados, quando os Antigos tentavam sobreviver, foi a primeira coisa que utilizaram como combustível. Sobrevivência vinha antes das palavras.
Documentos antigos que haviam sido traduzidos eram ainda mais raros. Os eruditos de Morrighan levavam anos aprendendo tais coisas. Os vendanos mal pareciam capazes de manter seu povo alimentado, não se importando em educá-los em outras línguas. Como realizariam uma tarefa tão grande?
Olhei de volta para o monumento que supostamente chegara até o céu, agora quase totalmente irreconhecível como algo feito pelo homem. Ervas daninhas tomavam cada superfície. Um monumento a um líder? Quem os Antigos queriam imortalizar? Quem quer que fosse, o anjo Aster, por ordem dos deuses, o apagara da memória. Pensei nos textos antigos que eu tinha roubado do Erudito Real, ainda em meu alforje, que provavelmente estavam sendo vendidos na jehendra a essa altura. Eu provavelmente nunca veria os preciosos textos novamente, e tive tempo para traduzir apenas uma única passagem dos Últimos Testemunhos de Gaudrel. Estariam o resto de suas palavras perdidas para mim agora? Talvez isso não importasse mais. Mas enquanto eu olhava para o monumento, as poucas palavras que eu tinha traduzido soaram tão claras como se Gaudrel as tivesse sussurrado para mim agora: As coisas que duram. As coisas que permanecem. Este grande monumento não era uma dessas coisas.
— Tem outro desse seguindo por essa rua, e depois voltaremos — disse Kaden.
Olhei para onde ele apontava. Grandes lajes brancas brilhavam à distância. Quando chegamos perto delas, ele disse que túneis sob a cidade tinham revelado que a maior parte da ruína estava enterrada. Apenas a porção superior estava exposta. Estas ruínas não eram de uma torre, mas de um tipo diferente de templo. No seu centro haviam esculpido a cabeça enorme e partes dos ombros de um homem. O rosto não tinha os traços perfeitos de um deus, nem o de um soldado idealizado. Tinha uma proporção estranho; testa e nariz muito grandes, maçãs do rosto salientes que o faziam parecer faminto. Talvez por isso eu não pudesse desviar o olhar, ele era como um tributo a um povo que nunca conheceu, alguém de outro tempo esculpido com a mesma fome e desejos daqueles que viviam aqui agora. Subi e corri meus dedos sobre a maçã do rosto rachado, perguntando-me quem ele era e por que os antigos queriam que ele fosse lembrado.
Lajes quebradas do templo circundante estavam caídas no chão perto dele. Um grande pedaço possuía gravações, mas a maioria das palavras fora desgastada pelo tempo. Os traços fracos de algumas letras sobreviveram. Eu não conseguia ler, mas meu dedo seguiu as ranhuras, adicionando os traços apagados à memória.
E T   R N A  E N T
Fiquei impressionada com a tristeza emanando da figura abandonada e das palavras perdidas. Pela primeira vez, senti uma pontada de gratidão por minhas horas passadas a estudar os Textos Sagrados de Morrighan, de modo que a verdade e a história não se perdessem novamente.
— Nós devemos ir — Kaden falou. — Tomaremos outro caminho, um mais rápido para voltar.
Afastei-me do monumento e olhei em volta, à espera de sua liderança. Tínhamos dado tantas voltas, eu não tinha certeza de qual direção devíamos ir – então o esclarecimento me atingiu, como as mãos tivessem batido em meus ombros, me acordando.
Olhei para Kaden, percebendo que ele estava fazendo.
Ele não estava apenas sendo gentil e prestativo ao me mostrar mais de Venda. Este fora seu plano o tempo todo. Ele estava confundindo-me deliberadamente. Eu não tinha ideia de onde o Sanctum ficava a partir daqui. Ele não queria que eu me familiarizasse com o emaranhado de ruas, de modo que tomaria uma rota diferente para voltar. As voltas e mais voltas em becos que se seguiram não eram atalhos, mas obstáculos para me impedir de encontrar meu próprio caminho em torno deste labirinto que era a cidade.
Virei-me, olhando em diferentes direções, tentando me orientar. Era impossível.
— Você ainda não confia em mim — falei.
Sua mandíbula estava tensa, seus olhos eram pedras escuras.
— O problema, Lia, é que a conheço muito bem. Como no dia em que usou a debandada de bisões para se separar de nós. Você está sempre à procura de oportunidades. Mal conseguiu escapar naquele dia. Se tentar algo parecido aqui, não conseguiria de jeito nenhum. Confie em mim.
— Atravessar o rio a nado? Eu não sou tão estúpida. O que mais eu poderia tentar?
Ele olhou para mim como se estivesse genuinamente perplexo.
— Eu não sei.
Não existem regras quando se trata de sobrevivência, lembrei a mim mesma enquanto me movia para perto dele. Cada passo era aço afiado me cortando, mas ergui a mão e apertei a dele com ternura. Senti seu calor e sua força. Seu saber estranho.
— Já pensou que talvez eu esteja tentando ver as oportunidades à minha frente — falei suavemente — e esteja procurando nada além disso?
Ele olhou para mim pelo o que pareceu uma vida inteira e, em seguida, sua mão apertou meus dedos e ele me puxou para perto. Sua outra mão pressionou a parte baixa das minhas costas, segurando-me firmemente contra ele, apenas a respiração, o tempo e segredos entre nós.
— Espero que sim — ele finalmente sussurrou, e então, com o rosto a apenas centímetros do meu, ele me soltou e disse que era hora de voltar.

11 comentários:

  1. Ora Lia, não iluda meu querido Kaden.

    Eu não paro de pensar em quais respostas e coisas ela poderia descobrir se ainda tivesse os livros. Acho que o Kaden os deve ter guardados. Hnm.

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  2. "O inverno está próximo"
    Seria o Kaden um Stark perdido em Venda? Fica ai o questionamento

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    1. Eu tbm tive um vislumbre dos Starks no Kaden: o inverno chegando. 🤣🤣

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    2. Pensei o mesmo kkkkk "o norte se lembra"

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  3. Acho que ela está tendo visões da lady Venda

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  4. O monumento é a estátua de Abraham Limconl em Washington.

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    1. E a torre com 200 metros de altura é o Washington Monument

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  5. cara, eu super acho esse livro pós-apocalíptico... nossa sociedade atual foi pro saco e essa se reergueu

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  6. Gente, Rafe que se cuide. Não to gostando dele estar sendo tão excluído assim. Cadê meu príncipe?!

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  7. Gente, Rafe que se cuide. Não to gostando dele estar sendo tão excluído assim. Cadê meu príncipe?!

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