20 de fevereiro de 2018

Capítulo 13

O Vale dos Gigantes não era o que eu esperava que fosse. Na exuberante bacia abaixo de nós, imensos templos em forma de caixas cobertas de verde e dourado serpeavam por quilômetros em fileiras bem dispostas, como se fossem um estoque de baús de um gigante, cobertos de musgo. Sven disse que as lendas clamavam que esse lugar costumava ser um mercado para os Antigos. Que tesouros tinham sido tão grandes e imensos a ponto de que estruturas de tal estatura se fizessem necessárias? Eles ladeavam uma trilha que serpenteava pelo vale e, por fim, desapareciam atrás de baixas colinas. Árvores com folhas douradas brotavam entre eles, e musgo e vinhas da cor de esmeraldas cobriam suas paredes. Ainda que alguns deles tivessem caído e virado escombros, muitos estavam estranhamente impactos, tal como na Cidade da Magia Negra, quase como se os Antigos ainda vagassem por lá. Até mesmo de longe eu podia ver o que restava das placas de sinalização que costumavam marcar o caminho. Por que essa cidade havia sido poupada da devastação e do tempo?
Isso me levava a questionar se este seria um outro lugar que Griz e seus companheiros tinham evitado, temendo que os espíritos sombrios dos Antigos segurassem as paredes. Ele e Kaden caminhavam à nossa frente, percorrendo a trilha que serpeava em uma descida pela encosta da montanha. Rafe não permitira que eles cavalgassem. Ele disse que era mais seguro fazer com que ele simplesmente andassem à frente de Jeb e Orrin, que ainda estavam com os arcos em prontidão, mesmo embora as mãos de Kaden e Griz estivessem firmemente atadas.
— Você realmente os teria matado a sangue-frio? — perguntei.
— Não é menos do que ele teria ordenado para mim.
— Olho por olho? É assim que funciona essa coisa de soldados?
Um sibilar irritação escapou pelos dentes de Rafe.
— Não, eu não os teria matado de imediato. Eu provavelmente teria esperado que Kaden fizesse alguma coisa idiota no calor do momento, o que ele com certeza fará, e então eu o teria matado. Ah, espera, desculpe! Esqueci. Todos nós estamos em boas mãos. Griz prometeu cair em cima dele, caso Kaden saia da linha. Eu entendi isso direito?
Respondi o sarcasmo dele com um olhar de aço cheio de raiva.
— Da próxima vez, vou ordenar que ele caia em cima de você. Guarde o seu cinismo para si. Tudo que eu precisava saber era se você os mataria a sangue-frio.
Rafe soltou um suspiro.
— Não machuca deixar que eles pensem que eu faria isso. Não confio em nenhum dos dois, e nós ainda temos um longo caminho até chegarmos à segurança do posto avançado.
— Há quanto tempo você sabe que eles estavam nos seguindo?
— Eu vinha suspeitando disso há alguns dias. Vi uma fumaça branca cedo certa manhã. Uma fogueira de acampamento sendo apagada com água. O que eu não consigo entender é como eles nos alcançaram tão rápido.
— Eu sei. — Assim que o último nó havia sido atado nas suas mãos, a explicação que Kaden havia me dado tempos atrás, não existe qualquer outra maneira, me incomodava. Essa era outra das suas mentiras. No mínimo, ele havia deliberadamente pintado uma imagem que me fazia presumir coisas.
— Kaden me levou a acreditar que a ponte que dava para Venda havia substituído o antigo pontilhão que costumava se estender sobre o rio. Estou achando que, perigoso ou não, em algum lugar não muito longe do Sanctum, esse pontilhão ainda existe, o que quer dizer que, se conseguiram a cruzar o rio, outros provavelmente também o fizeram. Ele pode não ter mentido em relação ao esquadrão.
Rafe levou a mão para cima e passou os dedos pelos cabelos. Essa era uma notícia que ele não queria ouvir. Se tivéssemos qualquer vantagem que fosse, isso era devido apenas ao fato de que a neve havia coberto os nossos rastros.
Uma comoção irrompeu à nossa frente. O ranger de cascalhos, o relinchar de cavalos, assim como gritos alarmados que explodiam pelo ar.
Parem!
Recuem!
Cuidado!
De repente, a trilha estava uma confusão, enquanto os cavalos tropeçavam uns nos outros. A espada de Rafe saiu da bainha em um lampejo. Instintivamente, puxei a minha também, embora não soubesse do que eu estava me defendendo.
O cavalo de Orrin estava indo para trás, e os outros estavam tentando controlar os seus cavalos agitados na estreita trilha. Por uns poucos segundos, a confusão imperou, e então nós vimos o que havia acontecido. Griz tinha caído, bloqueando o caminho. Kaden estava ajoelhado ao lado dele, gritando para que alguém o desamarrasse, de modo que ele pudesse ajudar o homem.
Rafe ordenou que todo mundo mantivesse as posições, como se suspeitasse de algum truque. Ele desceu da sua montaria para investigar o que havia acontecido, mas nós rapidamente olhamos para onde o manto de Griz caíra, revelando um tecido molhado e ensanguentado na lateral do corpo dele. Sua face estava branca e molhada de suor, e eu sabia que não se tratava de um truque. A ferida que Jorik infligira nele havia dias ainda sangrava.
— O que aconteceu? — perguntou Rafe.
— Não é nada — grunhiu Griz. — É só me dar a mão aqui.
— Cala a boca — disse Kaden a ele. Kaden ergueu o olhar para Rafe. — É da batalha no terraço. Ele levou um golpe de espada na lateral do corpo. Tentei colocar uma bandagem no ferimento, mas ele continua se abrindo.
Griz rangeu os dentes para Kaden e tentou se levantar sozinho, mas Rafe o manteve no chão com a bota.
— Não se mexa — ele ordenou a Griz, e então gritou por cima do ombro, chamando Tavish. — Venha dar uma olhada nisso.
Orrin escoltou Kaden para vários metros longe dali e fizeram com que ele se sentasse enquanto Tavish examinava Griz. O restante de nós pairava por ali, observando enquanto Tavish puxava para cima o colete e a camisa imundos de Griz, para depois cortar e remover as bandagens ensopadas.
Sven soltou um gemido quando viu a ferida, e eu contive um estremecer. O talho de uns vinte centímetros estava com uma crosta de sangue preto, e a pele em volta dele estava vermelha e inflamada. Além disso, pus amarelo vazava da ferida.
Tavish balançou a cabeça, dizendo que nada podia fazer em relação àquilo ali na trilha. Ele precisava de água quente e tinha que limpar o ferimento antes que pudesse costurar alguma coisa que fosse.
— Isso vai dar um trabalhinho.
Pela forma como ele disse trabalhinho, eu sabia que até mesmo ele estava com dúvidas sobre o quanto seria capaz de fazer. Ajoelhei-me no chão ao lado de Griz.
— Você tem pouco de thannis aí com você? — perguntei.
Ele balançou a cabeça.
— Eu tenho um pouco — disse Kaden, da sua posição guardada há vários metros dali.
— Não vou beber thannis nenhuma — gemeu Griz.
— Cale a boca! — falei. — Se eu mandar que você beba thannis, você vai beber thannis. — No entanto, o que eu tinha em mente era um cataplasma, assim que tivéssemos descido até o vale, para extrair um pouco do veneno.
Eles desamarraram as mãos de Griz e foi preciso que Rafe, Jeb e Sven agissem juntos para que conseguissem deixá-lo de pé. Vários xingamentos depois, eles finalmente conseguiram colocá-lo em cima do cavalo. Eles não estavam mais preocupados que ele fosse fazer algum movimento repentino. Kaden ainda foi forçado a caminhar à nossa frente. Seu status não havia mudado.
Sven cavalgava perto de Griz, e quando este cambaleou em cima da sua sela, Sven esticou a mão e segurou no braço dele para mantê-lo no lugar.
Por causa dos atrasos com essa coisa de Griz e Kaden se juntarem à nossa caravana, nós não chegamos ao pé do vale até o crepúsculo. Agora, Kaden estivera caminhando por cinco horas com as mãos atadas atrás das costas. Eu vi a fadiga nos seus passos, mas, estranhamente, em vez de empatia, minha própria raiva e meus próprios temores haviam voltado à tona. Por quantos meses eu havia ficado naquela mesma posição, uma prisioneira quase morrendo de fome, humilhada e com medo, sem saber ao certo se viveria mais um dia? Ele não tinha sofrido nem metade do que eu sofri. Ainda. A perturbadora diferença era que ele viera em busca disso. Por que realmente estava aqui?
Nós descemos cavalgando pela estrada principal, cercados pelos estranhos gigantes em forma de caixas. Muitas das antigas muralhas e dos antigos telhados ainda estavam intactos. Houve uma rápida discussão para escolha de um abrigo adequado, o que queria dizer um abrigo que pudesse ser defendido... caso isso se fizesse necessário.
Rafe e Tavish conversaram e se decidiram por uma ruína. Todos nós coletamos várias braçadas de galhos soltos e secos que conseguimos encontrar e os colocamos dentro da morada cavernosa, levando os cavalos conosco. O abrigo poderia ter contido um regimento inteiro.
Tão logo uma fogueira estava brilhando, eu preparei o cataplasma, servindo-me do que quer que estivesse no alforje de Kaden. Tavish afiou sua faca e começou a trabalhar em Griz. Nosso abrigo erguia-se por vários andares, e espessas placas de pedra que haviam caído de lugares mais altos e enchiam o chão ao nosso redor. Griz foi deitado em uma delas. Por mais fraco que ele estivesse, e agora, ao que parecia, levemente delirante, foi preciso que todos os quatro os segurassem enquanto a ferida estava sendo limpa.
Foi ordenado que Kaden se sentasse em uma área aberta não muito longe dos equipamentos e da fogueira. Fiquei sentada ali perto, em um grande bloco de pedra, de guarda, com uma espada cruzando meu colo. Uma sensação estranha formava um nó dentro de mim, como se fosse uma refeição que não tivesse sido digerida, apressada e desconfortável. Notei os braços dele, ainda atados atrás das costas. Um gosto amargo ergueu-se na minha garganta.
Ele era o prisioneiro agora, como havia feito de mim sua prisioneira. Todas as ações dele que eu havia deixado de lado e esquecido, por que sabia que de alguma forma distorcida, ele também tinha salvado a minha vida, estavam de repente tão frescas e doloridas como se tivessem acontecido ontem. Senti a corda ferindo os meus pulsos e o terror sufocante de tentar respirar debaixo de um capuz preto que ele havia colocado sobre a minha cabeça. Senti a vergonha de chorar enquanto a minha face era esfregada no chão. Minhas emoções não eram cegantes e explosivas, como tinham sido no momento em que aquilo acontecia; agora estavam tensas e contidas, como um animal andando de um lado para o outro atrás da jaula formada pelas minhas costelas.
Kaden me fitou, e seus olhos nada revelavam: frios, calmos, mortos. Eu queria ver o terror neles. Medo. Assim como ele com certeza vira nos meus quando descobri que ele não era o mercador de peles que ele dissera ser, mas, sim, um assassino enviado para me matar.
— Como é a sensação? — perguntei a ele.
Ele agiu como se não soubesse do que eu estava falando. Tentei provocá-lo para que o medo dele viesse à tona.
— Como é a sensação de ter as mãos atadas atrás das costas? Ser arrastado por lugares inóspitos, sem saber o que vai acontecer com você? — Forcei um longo e esplêndido sorriso a assomar aos meus lábios, como se eu estivesse desfrutando a mudança das nossas sortes. — Como é a sensação de ser um prisioneiro?
— Eu não gosto, se é isso que quer ouvir.
Meus olhos ardiam. Eu queria mais do que isso.
— O que eu quero é ver você implorar para ser solto. Barganhar desesperadamente pela sua vida como eu tive que fazer.
Ele soltou um suspiro.
— Isso é tudo que eu ganho? Um suspiro?
— Eu sei que você sofreu, Lia, mas fiz o que achava que era certo no momento. Não posso desfazer o que já está feito. Posso apenas compensar os meus erros.
Engasguei com a palavra. Eu sabia amargamente o custo de consertar erros, e o quão pateticamente se poderia ficar aquém das expectativas. Quando Greta morreu, eu achava que era tudo culpa minha enquanto tentava consertar e compensar os meus erros, mas agora eu percebia que nem mesmo conhecia as regras do jogo para o qual fora atraída, nem todos os jogadores... como os traidores lá em Civica. Meus consertos nada teriam mudado. As mentiras seguiam em frente. Exatamente como acontecia com as mentiras de Kaden.
— Você mentiu para mim em relação ao pontilhão? Ele estava lá o tempo todo?
— Sim. A seis quilômetros ao norte do portão de Brightmist. Mas agora o pontilhão não está mais lá. Nós o cortamos.
Seis quilômetros? Nós poderíamos ter saído de lá andando!
Reclinei-me na rocha.
— Então que história é sagaz você teceu para fazer com que eles poupassem as suas vidas? Estou certa de que foi uma excelente história. Você é um mestre do engodo, afinal.
Ele me analisou, com os olhos castanhos tão escuros e profundos quanto à noite.
— Não — disse ele. — Não mais. Acho que esse título agora é seu.
Desviei o olhar. Esse era um título que eu ficaria feliz em abraçar se ele pudesse me levar a ter aquilo de que eu precisava. Fitei a luz do fogo que dançava pelo aço da espada, com ambos os gumes igualmente afiados e reluzentes.
— Eu fiz o que tinha que fazer.
— Todas aquelas coisas que você me falou? Fez apenas o que tinha que fazer?
Levantei-me com espada ainda na mão. Eu não estava disposta a entrar em uma discussão e ser arrastada pelo caminho da culpa.
— Quem foi que mandou você atrás de nós, Kaden? — exigi saber. — Por que está aqui? Foi Malich?
Um sorriso afetado e cheio de repulsa torceu o lábio dele.
— Diga — falei.
— Caso você não tenha notado, Lia, nós estávamos em número menor naquele dia no terraço. Mal escaparmos com vida. Faiwel morreu. O mesmo aconteceu com os outros guardas que lutaram ao nosso lado. Eu e Griz conseguimos descer, lutando, até um portal no nível mais inferior, e selamos a porta atrás de nós. Dali nos escondemos em várias passagens abandonados por três dias. Quando não conseguiram nos encontrar, presumiram que havíamos escapado em outra jangada.
— E exatamente como você saberia o que eles presumiram? Ou que havia um esquadrão atrás de nós?
— Uma das passagens em que nos escondemos ficava ao lado do saguão do Sanctum. Nós ouvimos o Komizar gritando ordens, uma das quais era para que encontrassem você.
 Meus joelhos ficaram moles como água. Fiquei com olhar fixo em Kaden. A caverna, de repente girou com as sombras.
— Mas ele está morto.
— Pode ser que esteja a essa altura. Ele estava fraco, mas Ulrix mandou chamar curandeiros. Estavam cuidando dele.
Minhas pernas cederam e caí no chão. Eu vi os olhos do Komizar me perfurando, o dragão que se recusava a morrer.
— Lia — sussurrou. — Me desamarre. Por favor. É a única maneira com que posso ajudar você.
Ele se aproximou até que os nossos joelhos quase encostassem um no outro.
Tentei me focar, mas, em vez disso, eu estava sentindo o cheiro do sangue salgado que havia escorrido no terraço, vendo o brilho nos olhos de Aster, ouvindo os cânticos da multidão, sentindo a textura gélida da faca enquanto eu a puxava da bainha, o dia ganhando vida de novo, a descrença que havia me varrido, os segundos que mudaram tudo, o Komizar desabando no chão, e a minha esperança ingênua aumentando, minha esperança de que aquilo tudo pudesse realmente ter acabado.
Havia palavras secas como giz na minha língua. Engoli em seco, buscando saliva e por fim consegui soltar um sussurro rouco:
— O que foi que aconteceu com os outros, Kaden? Calantha, Effiera, os criados?
Deixei de mencionar mais uma meia dúzia de nomes daqueles que tinham simpatizado comigo, aqueles que haviam olhado para mim com olhos cheios de esperança. Eles haviam esperado algo de mim que não dei a eles. Uma promessa pelo qual ainda estavam esperando.
Ele franziu o rosto.
— A maioria provavelmente está morta. Clãs que celebraram a sua sucessão na praça sofreram perdas. Foi uma mensagem. Não sei os números, mas pelo menos uns cem foram assassinados. Todos do clã de Aster, inclusive Effiera.
Meus pensamentos giravam.
— Yvet e Zekiah? — perguntei, não sabendo ao certo se eu realmente queria saber a resposta. — E Eben?
— Não sei. — No entanto, o tom da voz dele continha pouca esperança. Ele olhou de relance para o meu colo. A espada ainda estava ali.
Uma parte minha queria soltá-lo, queria acreditar em todas as palavras que ele dissera, acreditar que ele só estava aqui para nos ajudar a fugir, mas a história de Rafe não batia com a de Kaden. Rafe tinha visto o Komizar morto. Ele dissera a Sven que vira o cadáver ser arrastado para longe.
A caverna estremeceu com repentino berro ensurdecedor. Ouvi Griz soltar xingamentos e os gritos dos outros tentando segurar Griz. Os pássaros que dormiam empoleirados acima de nós saíram voando, preocupados, fazendo cair uma chuva de destroços arenosos.
Kaden ergueu o olhar como se alguma coisa pudesse estar à espreita nos pisos escuros acima de nós.
— Solte-me, Lia. Juro que não estou mentindo.
Eu me levantei, tirando a poeira da minha calça, com uma dor familiar surgindo no peito. Venda sempre vem em primeiro lugar. As palavras dele de muito tempo atrás ainda ardiam. Se havia alguma palavra verdadeira no coração de Kaden, eu sabia que eram estas.
Ergui a espada e pressionei a sua ponta afiada no pescoço dele.
— Você pode ter salvado a minha vida, Kaden, mas ainda não fez por merecer a minha confiança. Eu me importo com todos esses homens com que estou viajando. Não permitirei que os machuque.
Nos olhos dele, o fogo ardia lentamente com frustração. As coisas eram diferentes agora. Havia muito mais em jogo do que apenas salvar a minha vida. Havia todo mundo que eu amava em Morrighan, todo mundo com quem eu me importava em Venda, todos os homens nesta companhia com quem eu cavalgava... eles estavam entremeados em todos os pensamentos que eu tinha e em todos os movimentos que eu fazia. Eles tinham que se tornar parte dos pensamentos de Kaden também. Ele precisava se importar, como eu me importava. Venda não poderia mais vir em primeiro lugar para ele. Nem mesmo eu poderia vir em primeiro lugar.

* * *

Eu estava deitada, aninhada nos braços de Rafe, com a exaustão nos sobrepujando. Eu perguntei a ele sobre o Komizar, contando o que Kaden havia me dito. Ele falou para eu não me preocupar, que o Komizar estava morto, mas vi a hesitação dessa vez, antes que ele me respondesse, a oscilação no maxilar, o mais leve movimento em que ele demorou para me dizer o que eu precisava saber. Rafe estava mentindo. Ele não vira o corpo ser arrastado. Eu não sabia ao certo se deveria ficar com raiva ou me sentir grata ele. Eu sabia que ele só estava tentando acalmar os meus medos, mas não queria ser acalmada. Eu queria estar preparada. Não forcei a situação. O descanso era mais importante para nossa sobrevivência. Seus olhos estavam com olheiras.
Nós estávamos alinhados em um recanto escuro das ruínas que nos provia apenas uma pontinha de privacidade. Umas poucas placas caídas separavam-nos dos outros e do prédio da fogueira. Orrin estava encarregado do primeiro turno da vigília. Eu podia ouvi-lo andando de um lado para o outro no chão de cascalhos apenas a uns poucos metros de distância. Talvez fosse o farfalhar de pássaros em algum lugar acima de nós ou distante uivo de lobos que o mantinha tenso. Ou talvez fosse o fato de que o Assassino agora dormia entre nós. Talvez esse fosse o motivo pelo qual nenhum de nós conseguiu adormecer.
Apenas Griz parecia encontrar um profundo torpor, varrido para o interior de algum mundo cheio de sonhos sombrios. Tavish disse que, se ele sobrevivesse à noite, poderia ter uma chance. Não havia nada mais que pudéssemos fazer.

6 comentários:

  1. Agr kaden que é o prisioneiro KKKK que ironia

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  2. Que nojinho desse kaden, eu gostava dele

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  3. aí Kaden parece que o jogo virou não é mesmo? eu realmente quero que tudo acabe bem pra lia e para o Rafe, apesar de Kaden e Lia soar legal ele fez muitas coisas ruins para a Lia dizendo a si mesmo que a amava, mas se esse fosse realmente o sentimento, nunca a teria levado para Venda.

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  4. Ela falou um monte de mentira pro kaden .E agora fica c raiva porque ele mentiu p ela.

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  5. Sinceramente não sei quem é mais mentiroso na história.. Karen.. a própria lia ou o rafe q sempre mente achando q vai proteger a lia

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  6. Dane-se quem fica com quem. Sério. Passei dessa fase. Só quero ver o final disso.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!