2 de fevereiro de 2018

Capítulo 11

O ASSASSINO

Não pode haver uma segunda chance.
E, ainda assim, eu havia deixado a segunda chance escapar. Joguei meu alforje na parede. Meu colega de celeiro tinha levado o colchão para o canto oposto. Pelo menos o espaço era grande. Ele já estava me enfurecendo, um idiota do interior que, com duas bebidas, tinha ficado de olho em uma princesa.
Eu conhecia o tipo. Fazer amizade com ele fora um erro, mas, apesar disso, não havia quartos livres na estalagem, então seria bem provável que eu fosse acabar dividindo o celeiro com ele, de qualquer maneira.
As acomodações não eram das melhores. Apenas um telhado sobre nossas cabeças, e colchões fininhos que nós mesmos tivemos que trazer de um armazém, mas pelo menos o celeiro não fedia... ainda. Eu tinha que admitir que a comida na estalagem era uma opção bem melhor do que esquilo ossudo assado no espeto em uma fogueira a céu aberto, e já estava cansado de encher meu cantil com água de riachos arenosos.
Eu espero que cidras escuras sejam do agrado de vocês.
E eram. Não sei ao certo o que eu estava esperando, mas não era ela.
Esfreguei as costelas debaixo da minha camisa, lembrando-me das inúmeras vezes que apanhei. Já fazia anos, mas cada chicotada permanecia fresca em minha mente. Os membros da realeza que eu conheci eram feitos de covardia e ganância, e ela mostrava ter nada de um ou de outro. Lia mantivera-se firme com aquele soldado, defendendo sua amiga como se um exército inteiro estivesse atrás dela. Ela estava com medo. Eu vi as canecas tremerem em sua mão, mas o temor não a deteve.
Ainda assim, um membro da realeza era um membro da realeza, e a arrogância desdenhosa dela provava suas raízes. Eu me lembraria disso quando chegasse a sua hora, mas não havia nenhum motivo pelo qual eu não pudesse desfrutar dos confortos e de outros prazeres da estalagem por mais uns poucos dias antes de terminar os meus negócios. Havia muito tempo para isso. Levaria pelo menos um mês para que Griz e os outros se juntassem a mim. Eu não tinha que passar esse tempo sozinho em uma terra inóspita comendo roedores quando podia ficar aqui. Eu faria o trabalho quando fosse o momento certo. O Komizar sempre pudera contar comigo, e dessa vez não seria diferente.
Tirei minhas botas e apaguei o lampião, deslizando minha faca logo abaixo da beirada do colchão, ao alcance da mão. Quantas vezes eu a havia usado para lacerar gargantas anônimas? No entanto, dessa vez eu sabia o nome da minha vítima, pelo menos o suposto nome que estava usando. Lia. Um nome que não parecia muito da realeza. Eu me perguntava por que ela o teria escolhido.
Lia. Era como um sussurro ao vento.

9 comentários:

  1. Oh não. Shippei.
    Sem querer.
    Lia e Rafe. Se é que esse é o nome dele...

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    1. Não acho que ele seja o Rafe, seria muito óbvio. Mas shippei ela com o Rafe sim, será muito irônico se ele for o príncipe, como penso que seja, e ela escolher ficar com ele. Tipo, ela o abandonou no altar e no fim acabar casando com ele seria muito engraçado.

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    2. Tbm acho q o Rafe é o assassino e o Kaden é o príncipe

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  2. ue...Karina esse capítulo é do primeiro livro...

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  3. Eu faria o trabalho quando fosse o momento certo. O Komizar sempre pudera contar comigo, e dessa vez não seria diferente... Da ate do do assassino

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  4. Ele é o Rafe sim. Pq o principe estava com o cavalo dele.

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  5. Ahaaa, que chato eles descobriram que ela é a princesa. Acho que seria mais legal se nenhum descobrisse nada um dos outro. Concordam?

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  6. É óbvio demais,então a autora deve estar fazendo o contrário....ou talvez ela sabia que por ser óbvio a gente ia achar o contrário então colocou no óbvio sem que a gente saiba o como é óbvio....oi talvez ela quizesse que achassemos óbvio que não era obvio então o óbvio.....pera,acho que dei um nó na minha cabeça

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Boa leitura, E SEM SPOILER!