6 de fevereiro de 2018

Capítulo 10. Seu filho está em nosso poder

O detetive Andrade entrou no seu velho fusquinha. O diretor da Penitenciária de Segurança Máxima estava esperando por ele. Era pela penitenciária que ele devia iniciar as investigações. Andrade tinha certeza.
“Doutor Q.I. !”, pensava ele. “Como eu vou descobrir onde se escondeu esse bandido? Como é que ele pôde, de dentro da cadeia, organizar um plano mirabolante como esse de sequestrar o doutor Bartholomew Flanagan e roubar a Droga do Amor? E como foi possível passar para a ação horas depois de fugir da cadeia? Ah, eu preciso pôr as mãos em você, Doutor Q.I.! Antes que você possa fazer algum mal aos meus meninos...”
Não tinha rodado nem cem metros quando o receptor do rádio do carro chamou:
— Detetive Andrade... Central chamando detetive Andrade. . .
Pegou o fone e respondeu:
— Detetive Andrade na escuta...
Do outro lado, a voz estava excitada:
— Venha para a Central imediatamente, detetive Andrade!
— O que houve?
— Outro sequestro, detetive Andrade. Dessa vez é um menino.
— Que menino?
— Ainda não sabemos o nome do garoto, detetive. Só sabemos o apelido.
— E qual é o raio do apelido do menino? Fale logo!
— Um apelido gozado, detetive. Dizem que o menino é chamado de Chumbinho...

* * *

A casa estava cercada por cinco viaturas da polícia e por tiras de plástico amarelo isolando a área. Policiais em uniforme tentavam afastar os curiosos e as câmeras de tevê.
Uma bicicleta estava caída no gramado.
Andrade encostou o fusquinha e correu para a casa. Identificou-se para o guarda da porta e entrou na sala.
A primeira pessoa que viu foi Magrí, sentada em uma poltrona, chorando, desconsolada. Ao lado estava uma senhora estendendo-lhe um copo d’água. Os dois policiais que haviam escoltado a menina e Chumbinho do aeroporto para casa completavam o quadro, mostrando-se pouco à vontade.
— Magrí! O que aconteceu?
A menina jogou-se nos braços do detetive:
— Ah, Andrade! O Chumbinho! Dessa vez foi o Chumbinho! — Andrade, abraçando a menina e dando tapinhas paternais em suas costas, falou irado para os policiais:
— Vocês! Eu não disse para entregarem os meninos em segurança! O que vocês fizeram?
— Desculpe, detetive Andrade, nós...
Magrí afastou-se um pouco e encarou o detetive. Seu lindo rostinho estava coberto de lágrimas. 
— Não, Andrade. A culpa não é deles. Eles me levaram direitinho para casa, e depois trouxeram Chumbinho. Eles não têm culpa de nada!
— E a senhora, quem é? — perguntou o detetive, voltando-se para a mulher com o copo d’água. — É a mãe de Chumbinho?
— Não — respondeu a senhora. — Sou a governanta da casa. A mãe do menino passou mal, desmaiou, e agora está lá em cima com o médico...
A paciência de Andrade estava cada vez menor:
— Então alguém pode me dizer, por favor, o que aconteceu por aqui?
— O menino chegou direitinho — continuou a governanta. — Tomou um banho e depois saiu para dar uma volta de bicicleta. Quinze minutos depois, eu ouvi a campainha. Vim atender, e não tinha ninguém na porta. Só encontrei o bilhete junto da bicicleta caída no gramado...
— O bilhete? Que maldito bilhete é esse?
Um dos policiais estendeu um grande envelope plástico, onde estava guardado um papel.
— Este bilhete, detetive...
Andrade pegou o envelope plástico. Dentro dele havia um papel amarelo coberto por frases recortadas de jornais:
Seu filho está em nosso poder

Seu filho está em nosso poder
Não chamem Á. pOliCÍA nem A iNTerPoL Do coNtrÁrIO eLE nunca VoLTaRá cOm ViDa
EnTRaRemOs em CoNtATo pOr TeleFoNe

No fim do bilhete, Andrade tremeu, ao ler estas iniciais:

QI

— Maldição! O Doutor Q.I.!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários de volta!
Passamos algumas horas sem essa opção, mas estamos à ativa novamente :)

Boa leitura! E SEM SPOILER!