2 de janeiro de 2018

Nota do autor

Nota do autor
É engraçado, mas eu sempre acho que essa parte do livro é mais difícil de escrever. Talvez seja porque não posso me esconder atrás de nada, como uma maneira particular de escrever, ou eventos excitantes, ou cenas de ação (Rápido, olhe para lá, não olhe para mim!). Sou somente eu, conversando. E aqueles de vocês que já me viram conversar saberão que eu fico envergonhado fazendo isso, e tento me afastar disso.
A primeira coisa a ser dita, presumo, é que me desculpem por levar oito livros para apresentar a irmã de Sherlock e sua antiga casa de família. Nos livros Nuvem da morte em diante, eu quis que Sherlock se sentisse desconectado de suas raízes – um lobo solitário; alguém que não tinha m local confortável para viver e que tinha somente seu irmão, Mycroft, para se apoiar, e frequentemente nem mesmo isso. Todo o tempo, no entanto, eu sabia que queria que Sherlock eventualmente fosse para casa, mas em um ponto em que ela não fosse mais sua casa. Sua mãe está morta, seu pai está desaparecido em ação, e seu irmão finalmente mostrou que o trabalho vem antes da família e até mesmo da moralidade. O Sherlock Holmes mais velho, adulto, sobre o qual Arthur Conan Doyle e tantos outros autores escreveram, nunca fala de seu passado e obviamente tem uma relação difícil com seu irmão, e é sobre isso que finalmente consegui falar nos meus livros. Agora você sabe porque ele é da maneira que é.
Há ainda algumas coisas para o Jovem Sherlock fazer antes de se tornar o Velho Sherlock, é claro. O espectro de seu pai, que o assombra desde Nuvem da morte, precisa ser colocado de lado de uma vez por todas, e há ainda algumas coisas que ele precisa aprender (ou aprender mais) – particularmente química e a arte do disfarce teatral. Ele também precisa resolver seu complicado relacionamento com a Câmara Paradol – ele está trabalhando para eles, ou lutando contra eles, ou ambos? Oh, e acho que Amyus Crowe e Virginia Crowe precisam aparecer novamente, só para dar algo a mais para complicar a vida dele. Então, se houver um nono livro (e isso está fora do meu alcance, receio), então você provavelmente pode esperar que uma parte se passe na Índia, com Sherlock indo atrás de seu pai e contra as forças do Império Russo (eles eram muito ativos na Índia naquele tempo, lutando secreta e abertamente contra os britânicos).
Enquanto estou aqui, no entanto, preciso lhes dar algum tipo de contexto histórico para este livro – porque eu não invento as coisas simplesmente, sabe. O Canal de Suez é algo real, e foi construído da maneira descrita nesse livro. Naquele tempo provavelmente foi o projeto de engenharia mais impressionante que o mundo já vira. Devo admitir que alterei a data em que ele ficou pronto, por propósitos literários. Mas tudo bem; eu tenho autorização para fazer isso. A parte sobre o Governo Britânico ser contra a construção do canal, que foi feito pela França, são completamente verdadeiras.
A maior parte da pesquisa para este livro foi feita utilizando somente estes dois volumes: Parting the desert: the creation of the Suez Canal, de Zachary Karabell (John Murray, 2003) – este livro conta toda a história política e os desafios da engenharia que permearam a construção de um canal artificial entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho – o tipo de projeto que, hoje em dia, seria ou tachado de muito difícil ou muito caro ou ambos; e Victorian Women visiting the Pyramids, de John Theakstone – esta coleção de diários extraídos de mulheres vitorianas reais que haviam visitado as pirâmides no Egito foi inestimável para me dar um sabor do que realmente era estar lá em 1870. Eu pensaria duas vezes antes de ir agora (muito quente, muitos insetos), mas essas moças indômitas fizeram isso quando as únicas opções de transporte do Cairo até as pirâmides eram burros ou camelos.
Então, aí está. Talvez eu tenha a chance de falar com vocês de novo, ou talvez Sherlock fique por aqui, desesperadamente preocupado com o destino de seu pai. Quem sabe?
Espero que nos falemos novamente.

6 comentários:

  1. Respostas
    1. Sim, eu adorei demais essa série ,mas muito triste por Sherlock,por ele ver que o irmão mandaria matar ele pelo emprego...

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  2. Meu Deus! Nem sei oque falar, li oito livros para não saber o final? E agora José?

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  3. Eu passei os últimos livros inteiros me preocupando com o Matty, com o jeito que ele ia se separar do Sherlock, e agora sou deixada com questionamemtos e mais questionamentos. Frustrante porém recomendo lsbaosbakna

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  4. Sabe a sensação de "não sei o que fazer da minha vida, daqui em diante?" Então, essa sou eu agora... A gente precisa muito de um nono livro...

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Boa leitura, E SEM SPOILER!