24 de fevereiro de 2018

Divulgação: Libertação - Ser feliz é ser livre


Sinopse:
Problemas na vida, quem não tem? E na adolescência é quando um turbilhão deles desabam nas costas. Isso é o que enfrentam três amigos do 2º ano do ensino médio. Marta é uma novata que chega à escola Sant’Ana despertando olhares e até mesmo desejo. Tímida, mas muito inteligente conseguiu a amizade mais que leal de Renan e Bethy, dois super amigos que enfrentam em suas famílias problemas reais da vida de muitos jovens. Unidos e fortes vão bater de frente com cada um que os importunam, que os fazem chorar, que os deixam desolados. Uma história cheia de crises, tormentos, injúrias, desamor, mas com uma força de vencer que rebaterá tudo isso com um elo fortíssimo. Os três personagens principais têm sérios problemas em suas famílias onde se manifestam no psicológico deles, querendo cada um ter um sonho de libertação. Isso se propaga na escola, onde viverão situações até mesmo constrangedoras. 

Categorias: ficção, adolescência, romance, história original
Autor: Igor Aguiar


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CAPÍTULO I
A NOVATA

Era manhã de segunda-feira e Marta acordou cedo para ir à sua nova escola. Estava super ansiosa para que começassem as aulas, havia dias que não dormia direito pensando no que a aguardava em sua nova vida escolar. Tinha 16 anos e era uma adolescente um pouco tímida, mas muito determinada e inteligente. Adorava as artes da literatura. Possuía um diário que sempre anotava o que acontecia no seu dia a dia, principalmente seus segredos que nunca contara a ninguém. Não possuía muitas amigas, pois a achavam exibida pelo fato de ser inteligente - na verdade era apenas rixa delas -, Marta sempre foi uma menina sagaz e modesta.
Assim que acordou, tomou seu banho depressa e logo foi ter com sua mãe, Helena, que estava na cozinha tomando café. Seu semblante parecia um pouco abatido. Sempre estivera assim desde que seu marido havia morrido num trágico acidente de carro e de lá pra cá nunca mais teve vontade de viver a vida com bravura e o que ainda lhe mantinha de pé era poder estar com sua filha, pois Marta era a única pessoa a que se dedicava e defendia dos vexames da vida.
— Bom dia, mãe, acordou bem hoje? ­— disse Marta já com certa pressa para sair.
— Sim, querida, estou bem! ­— disfarçando seu estado — Espero que se dê bem na sua nova escola, tenho certeza que vai gostar. Tome seu café com calma.
­— É que estou quase atrasada, mãe, e talvez não irão me deixar mais entrar.
Bebeu apenas um copo de suco de abacaxi e pegou uma maçã para comer no caminho. Deu um abraço e um beijo em sua mãe e saiu em direção ao Colégio Sant’Ana que ficava um pouco distante de sua casa. Caminhando quase correndo, olhando para seu relógio, com medo de chegar tarde, suando frio e nervosa com o que iria encontrar. Pensativa, pelo percurso imaginava como poderiam recebê-la, se gostariam dela ou se iriam odiá-la. Pensava se iria travar quando os professores perguntassem até como era seu nome, quantos anos tinha, que profissão queria seguir. Pegou o ônibus para chegar mais rápido. Com seus pensamentos revoltosos, eis que Marta chegou na porta de sua escola e se deparou com o que ela mais temia: o portão havia sido fechado. Foi como terem lhe tirado um pedaço de seu coração. E agora? Não teria seu tão aguardado primeiro dia de aula? Entrou em desespero e começou a tremer. Logo, alguém chegou. Parecia que também estava atrasado.
Era um menino alto, forte, loiro. Ele reparou naquela menina magra, com um rosto sutil e delicado e cabelos castanho-claros tremendo de nervosismo por ter chegado tarde em sua nova escola. Ele a viu naquele estado e perguntou:
— Olá! Está tudo bem? Parece muito amedrontada. Está assim por causa do portão?
— Sim, venho me preparando há dias para hoje — disse ela para um estranho que a fez se sentir tranquila.
— Ah, eu também não acredito que eles já fecharam. Você deve ser novata, nunca vi você aqui antes.
Com a presença do menino, começou a acalmar-se e respondeu que era sim uma novata e estava um pouco assustada ao ver aquele portão fechado. Ele a traquilizou e disse que abririam daqui uns instantes, pois sempre há alguns alunos que se atrasam. Não demorou muito e o porteiro abriu o tal portão. Eles entraram e despediram-se sem mesmo terem dito seus nomes.
Andando pelo corredor, Marta tentava encontrar sua sala. Vários alunos no mural da escola procuravam seus nomes na ficha. Marta se aproximou, analisou e, de repente, viu seu nome: MARTA CARVALHO DE OLIVEIRA, 2º ANO “B”. Respirou fundo, seguiu em frente, em direção a tão esperada sala.
Entrou e sentou-se na frente, como já era de costume. Olhou para os lados e viu “seres estranhos”, jamais tinha visto aquelas pessoas antes. Alguns a olhavam com veemência, outros a olhavam dos pés a cabeça, vendo se a nova aluna fosse alguém eminente. Sentada e de frente para o quadro, esperava a entrada do primeiro professor.  
Os minutos passaram e um menino sentou-se perto de Marta. Ele era mediano, branco de cabelos negros e vestia, por baixo do casaco do uniforme, uma roupa um tanto fashion que o destacava dos outros garotos. Parecia alguém vindo da TV e dos holofotes das revistas. Sua mochila era customizada e bastante colorida. Começou a falar com Marta com um simples “oi”. Ela retribuiu:
— Oi!
— Sou Renan.
Meu nome é Marta.
—Você deve ser novata por aqui, não é?
— Ah sim, sou! — falava com receio, pois ninguém havia conversado com ela depois daquele menino que chegara atrasado.
Com uma ótima conversa, os dois foram fazendo trocadilhos e de onde nasceria uma bela amizade. Ele sempre foi muito educado e tratava todos muito bem. Todavia, alguns o implicavam bastante e lhe atiravam insultos e amedrontavam-no a ponto de deprimi-lo.  Ele elogiou bastante o cabelo de Marta, dizendo:
— Nossa, adorei o seu cabelo! Você sabe cuidar muito bem dele, não parece uns e outros que se tem por aí.
— Muito obrigada! Vejo que você tem muito bom gosto para moda.
— Bem, eu não gosto de aparecer de qualquer jeito. Afinal, a moda e eu fomos feitos para arrasar. ­­— disse ele com uma afirmação sucinta.
Os dois conversaram bastante como se já se conhecessem há muito tempo. Minutos mais tarde, o professor de matemática adentrou a sala e apresentou-se. Chamava-se Raul, um homem jovem, alto, usava óculos e mostrava-se bastante intelectual. Aparentemente ele parecia uma boa pessoa, gentil, simpático e bastante solidário com seus alunos. Porém, por trás dessa pessoa educada, existia alguém que ninguém imaginava.
As apresentações começaram e quando a primeira pessoa iria falar, uma menina nervosa e alvoroçada chegou atrasada na sala, não era nenhuma novata, era Bethy. Pediu licença ao professor e entrou. Sentou-se perto de Renan, que era um dos seus poucos amigos, aliás, o melhor amigo. Falando meio baixo, com medo do professor lhe dar uma bronca, ela perguntou:
­— Quem é ela Renan? Aposto que já conversou com ela e agora você vai me deixar e não vai falar mais comigo. ­— falou assustada como se Renan fosse deixá-la sem sua amizade. Logo ele retrucou:
— Você tá louca!? Eu não vou deixar de falar com você. Afinal, ela é nova aqui e dei minhas boas-vindas. É uma ótima garota.
Ouvindo sussurros, o professor fez um “SHHH” pedindo atenção. Os alunos foram se apresentando e logo veio a vez de Marta. Tímida e assustada falou rápido seu nome, sua idade e do que gostava. Raul a olhou dos pés a cabeça e falou que ela era uma menina muito bonita e que tinha um belo futuro. A garota agradeceu o elogio meio acuada, apesar de odiar matemática, gostou muito do professor Raul.
A aula começou e todos muito atentos a ela, inclusive Marta que não gostava muito da matéria. O primeiro horário havia terminado e seguiu-se os outros com o restante dos professores, vieram: história, física, geografia, química e as várias disciplinas até que chegou a hora do intervalo. Todos saíram da sala em direção à cantina e também ao pátio e corredores. Renan convidou Marta para ficar junto a ele e saírem para que ela conhecesse melhor a escola. Bethy ficou morrendo de ciúmes e logo foi com os dois. Foram andando, viram a biblioteca, a cantina, a sala de informática, os banheiros, as outras salas. Renan resolveu ir comprar um lanche, deixando Bethy e Marta sozinhas. A novata tentava se aproximar da nova colega:
— O Renan é muito legal, é um menino diferente dos outros.
— Sim, eu o conheço há muito tempo, desde os oito anos. Estudamos sempre juntos de lá pra cá. Ah, e nem tente roubar ele de mim, porque é um amigo que poucos merecem — falou Bethy com ar de possuidora.
 — Não se preocupe, eu não vou roubar ele de você. Sei respeitar as amizades antigas.
Com o decorrer da conversa, como num susto quando se tem quando alguém inesperado aparece, eis que Marta viu o menino que conheceu na entrada da escola. Seu coração bateu tão forte, que ficou parada e imóvel. Olhando para a nova aluna, Bethy não entendeu a inércia da nova colega e perguntou:
— Você tá bem? Tem alguma coisa errada? Por que está parecendo uma idiota parada como se fosse um poste de rua?
­— É... Nada não! Você conhece aquele menino? — perguntou curiosa.
— Mas que menino?! Aqui tem tantos!
— Aquele loirinho ali! — apontando discretamente.
— Ah, ele é do 3º ano. O nome dele é Christian. Ele é um dos meninos mais bonitos da escola. As meninas dão muito em cima dele, mas ele nem liga pra elas. Se derretem feito qualquer umazinha.
Marta nem imaginou que viu aquele belo garoto outra vez. Despertou dentro dela um sentimento diferente. Algo jamais visto. O que seria aquilo? Uma paixonite de colégio? Um sentimento qualquer? Ele não a viu, estava com um grupo de amigos e várias meninas ao seu redor. Mas ela adorou vê-lo, não sabia o porquê, só sabia que ele era singular e especial para ela. Tentou ir até onde ele estava, mas achou melhor não. Tinha muita gente e pensou que poderiam não gostar que ela estivesse ali, querendo se intrometer onde não foi chamada.
Renan voltou e trouxe consigo latas de refrigerante e salgadinhos que ofereceu para suas amigas, elas aceitaram e comeram todos juntos antes que o sinal tocasse para voltarem à sala. Na conversa entre amigos, aproveitaram para falar das coisas que não gostavam; das que gostavam; das músicas que preferiam; de namoros; e coisas que adolescentes sempre falam. Bethy falou que já havia ficado com alguns meninos, mas nenhum a fez se sentir bem e feliz. Disse ainda que os meninos não serviam pra nada, eram apenas meros seres que habitavam a Terra só para não ficar vazia demais. Ouvindo isso Renan defendeu-se:
— Você quer dizer que eu não presto, que sou um menino como qualquer um, que vive por aí fazendo baboseiras, vagando sem rumo, é isso?! — falou ele com rancor.
— Não é bem assim, Renan, você é especial. Não chega nem aos pés dos outros meninos. Te adoro, fofo! — abraçando seu amigo de infância — e você Marta, já ficou com muitos meninos?
Marta ficou paralisada com a pergunta de Bethy, não sabia o que responder. Era uma questão muito íntima para ela e nunca havia comentado nada disso a ninguém, apenas para seu velho amigo de todas as horas: o seu diário. Nem mesmo para sua mãe ela falava sobre tais assuntos, porém achou que deveria falar porque estava confiante nos novos companheiros. Ela então tomou coragem e disse:
— Na verdade gente, eu nunca fiquei com ninguém. Nenhum menino se interessou por mim antes e ainda por cima nunca beijei. — falou isso com certo ressentimento, mas se sentiu aliviada por ter desabafado e poder dizer aquilo que a sufocava.
Renan e Bethy ficaram perplexos, não estavam acreditando no que Marta dissera. Apesar da surpresa, não quiseram deixar sua amiga constrangida e disseram que era normal demorar um pouco para o primeiro beijo e que a hora certa viria, bastava acreditar e esperar. Ela agradeceu o apoio dos dois, pois falar isso para alguém era bastante complicado e como não tinha amigas no outro colégio, reservava-se para ela mesma e para seu diário. Marta, depois de espairecer seus segredos, quis perguntar a Renan se ele gostava de alguém e se já havia também ficado com outra pessoa. Era uma pergunta delicadíssima para ele. Ela mal terminou de falar e o sinal tocou indicando que o intervalo tinha terminado. Então Bethy querendo interromper a pergunta de Marta, falou:
— Bem, pessoal, acho melhor irmos para a sala. Conversamos depois, afinal, eles não suportam ver alunos pelos corredores quando bate o sinal.
Todos voltaram para a turma, sentaram-se esperando o próximo professor. Um menino metido a durão, grosseiro e que era o malfeitor da sala, deixou na carteira de Renan um bilhete no qual estava escrito: “Sua Barbie ingênua fique espertinha, é melhor você começar a ser macho, se não a chapa vai esquentar”. Olharam-se, e Duke, como se chamava o valentão, fez cara de quem queria fazer algo de ruim com Renan. Renan mostrou o bilhete para Bethy.
— Esse imbecil do Duke ainda vai ter o que merece. Não se preocupe não vou deixar nada de mau acontecer a você. — disse Bethy com um ar de revolta.
Ao fim desse momento ameaçador, uma nova professora chegou. Seu nome era Clara, uma mulher alta, magra, parecia uma modelo internacional, cabelos louros e voz suave. Sua matéria era literatura, a matéria que Marta mais gostava. Sentiu-se tão à vontade com a senhorita Clara que seu rosto começou a mostrar um ar de alegria. A professora, com sua sutileza, se apresentou e pediu para que os alunos falassem seus nomes e quais livros já haviam lido e os que mais gostaram. Muitos não comentaram sobre os livros, porque não eram tão leitores assim. Na vez de Marta, a turma toda ficou surpresa, a nova aluna era uma verdadeira expert em livros, já lera dezenas e dezenas deles, conhecia vários autores famosos, todos os movimentos literários. Clara a achou uma menina extremamente inteligente e a aplaudiu com ânimo e disse:
— Meus parabéns! Você terá um futuro de sucesso!
— Muito obrigada, professora! — disse Marta contente.
A aula enfim começou e Marta se mantinha antenada, como já adorava a disciplina, ficou ainda mais encantada. Outro bilhete de Duke percorrendo a sala foi entregue, agora para nova colega de classe. Marta abriu e leu aquelas letras que mais pareciam rabiscos de crianças começando a escrever. Estava escrito: “Você é muito gostosinha, vou morder seu pescocinho, e te agarrar toda.”. Ela ficou horrorizada e com medo, não sabia quem escrevera aquilo. Então mostrou para Bethy que, quando viu o bilhete, já soube perfeitamente quem tinha o tinha escrito.
­— Foi o Duke de novo! Ele não vai deixar você em paz. Mas não se preocupe, estou com você e nada vai acontecer.
— Eu estou com medo! E se ele fizer alguma coisa?­ — disse Marta atemorizada.
Bethy a tranquilizou, mas mesmo assim sua amiga ainda ficou com receios. Veio o fim da aula e o primeiro dia na nova escola terminou. Os três amigos se despediram. Renan e Bethy foram juntos enquanto Marta ficou na parada de ônibus para ir para casa. Sentada no banco da parada, sentou-se perto dela o garoto que encontrou na entrada da escola. Ele a reconheceu e falou:
— Oi, você é aquela garota que eu encontrei hoje na porta da escola, não é?
— Sim.
— Eu sou Christian e estudo no 3º ano, desculpa não ter dito meu nome antes.
— Meu nome é Marta, estudo no 2º ano “B”.
— Você é muito bonita, deve ter um monte de meninos atrás de você.
Meio sem jeito, Marta falou que não, não tinha meninos correndo atrás dela, disse ainda que não tinha namorado. Então, ela curiosamente também fez a mesma pergunta a Christian:
— Eu vi você de longe na escola e tinha muitas meninas perto de você. Alguma delas deve ser sua namorada, não é mesmo?
— Ah não, elas apenas enchem meu saco, eu não namoro nenhuma delas não.
Assim que a conversa foi se engajando, o ônibus de Marta chegou. Ela se despediu de Christian e entrou no ônibus com um sentimento que a fez pensar naquele menino com amor. 
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4 comentários:

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