2 de janeiro de 2018

Capítulo onze

ELES ATRAVESSAVAM o oceano em direção a Malta. O mar estava calmo e o sol estava alto em um céu sem nuvens. Sherlock havia começado a usar a roupa clara de linho que James Phillimore comprara para ele em Arundel. Ele estava fazendo uma pausa em seu treino de espada, encostado na balaustrada do Princesa Helena, com a parede exterior do salão do navio atrás dele, e olhava para as águas translúcidas quando percebeu que alguma coisa ao seu redor havia mudado.
Ele estivera consciente do barulho de um grupo de homens e mulheres jogando críquete no deque do navio um pouco à esquerda, mas o som do bastão batendo na bola e da conversa dos jogadores parara subitamente. O campo de críquete estivera ocupado praticamente todas as horas do dia desde que saíram de Southampton, e Sherlock não conseguia pensar em nenhuma razão para que tivessem parado agora. Ao olhar ao longo do deque dobrando o salão, ele podia ver a beirada do campo: um carpete verde plano com pequenos aros de metal presos no chão. Ninguém estava lá. Intrigado, ele deixou seu local na balaustrada e caminhou pelo deque para verificar o que havia acontecido. Poucas coisas interessantes aconteciam em um navio, e talvez a atenção dos jogadores tivesse captada por algo e todos tivessem ido assistir. Se esse fosse o caso, Sherlock queria saber o que era.
O campo estava deserto, e não havia sinal dos jogadores nas proximidades. Na verdade, não havia sinal de ninguém – passageiros nem tripulantes. Isso não era a coisa mais estranha, no entanto. No centro do campo de críquete uma mesa havia sido posta e coberta com uma toalha branca. Duas cadeiras a acompanhavam. No centro da mesa havia um jarro com algo que parecia muito com uma limonada com gelo boiando dentro dela, e dois copos.
Sherlock olhou ao redor. Ele era a única pessoa à vista.
Ele caminhou lentamente em direção à mesa. Na frente das duas cadeiras, no linho branco imaculado da toalha de mesa, havia duas plaquinhas feitas papel-cartão branco dobrado. Algo estava escrito no cartão mais próximo a Sherlock.
Era o nome dele.
Ele podia ver claramente, embora estivesse a três metros de distância. Estava escrito a mão, em um estilo grande e forte que, ele imaginou superficialmente, provavelmente pertencia a uma mulher ao invés de um homem. Esse pensamento foi encoberto, no entanto, pela maior questão que ocupava sua mente: quem poderia considerar colocar uma mesa para ele no meio do campo de críquete do Princesa Helena? Nem James Phillimore e nem Matty se preocupariam em fazer algo tão formal – além do mais, ele os via todos os dias no café da manhã, no almoço e no jantar. Talvez se fosse seu aniversário eles poderiam ter organizado algum tipo de celebração, mas não era o caso. A estranheza e a formalidade daquilo poderiam apontar para Mycroft, mas como ele saberia que Sherlock estava no navio?
O nome no outro cartão poderia lhe dar uma resposta, mas ele se sentiu estranhamente relutante em olhar.
Por fim, é claro, havia somente uma coisa que ele poderia fazer. Ele caminhou até lá, puxou a cadeira e sentou em frente ao cartão com o seu nome.
Nada aconteceu. Ele olhou ao redor, mas ninguém estava se aproximando dele, ninguém o observava. O deque estava totalmente deserto, o que, pensando bem, era bastante incomum para este período do dia. Geralmente estava lotado com turistas.
Ele olhou para o jarro de limonada, mas não fez nenhum movimento para servir-se de um copo. O gelo fazia pequenos sons de tlinc quando o barco balançava.
Ele suspeitava saber o que deveria fazer para que os eventos se desenrolassem, mas apesar de querer saber o que era tudo aquilo, não queria ser muito previsível. Queria que quem o estivesse observando em segredo – e ele sabia que havia alguém – começasse a pensar se ele pegaria o outro cartão e o olharia. Queria que eles pensassem se ele bebericaria a limonada por um tempo e depois se levantaria para ir embora. Por fim, é claro, ele se levantou e pegou o outro cartão dobrado. Ele tinha que saber.
Sra. Loran
As palavras eram da mesma caligrafia grande e nítida.
Ele reconheceu o nome instantaneamente. Ele esteve afastado de seus pensamentos desde que encontrara a mulher pela primeira e única vez alguns anos atrás. Na época, ela fingia ser uma atriz em um apequena companhia teatral, mas quando estavam juntos em Moscou, Sherlock descobriu que ela era na verdade um membro de alto nível da Câmara Paradol – o grupo secreto que abrangia diversos países e se utilizava atividades criminais para alcançar fins políticos.
Na verdade, Sherlock se corrigiu, ele não descobrira que ela era um membro da Câmara Paradol. Ele havia sido completamente enganado pela sua representação de uma dama de meia-idade. Ela havia revelado a verdade a ele em um café, e mesmo lá, por um momento, ele tivera dificuldade para absorver a notícia. Sherlock descobriu mais tarde que ela realmente era uma atriz, entre outras coisas, e uma muito melhor do que ele havia lhe dado crédito.
A questão era, o que ela fazia ali em um navio seguindo para Alexandria?
Não, essa era somente uma das perguntas. Havia também, entre outras: porque ela queria falar com ele, e qual conexão ela e a Câmara Paradol tinham com o que estava acontecendo na construção do Canal Suez?
Tendo pegado o cartão e visto o nome, Sherlock sabia o que aconteceria em seguida, e de fato aconteceu. Ele olhou ao redor. A Sra. Loran estava parada a alguns metros de distância, parecendo exatamente como a avó de alguém que deixou sua agulha de tricô de lado e se esqueceu onde estava. Ela usava um longo vestido branco, com um casaco curto e um chapéu de aba larga. Carregava uma sombrinha.
— Posso me juntar a você, jovenzinho? — ela perguntou.
— Eu tenho opção? — ele respondeu.
Lembranças daquele café invadiram-no, fazendo com que seu coração acelerasse e sua respiração ficasse curta: as ameaças que foram feitas, o fogo que Rufus Stone havia começado para que ele escapasse de lá, e especialmente duas outras pessoas que haviam estado no local – o Sr. Kyte e o Sr. Wormersley. Kyte estava morto, tendo corrido com toda a força de encontro com uma alabarda que Sherlock preparara como armadilha em uma caverna subterrânea na Irlanda. Na última vez em que vira o Sr. Wormersley, o rosto do homem estava sendo atacado por um falcão, mas mais tarde ele ouviu que Wormersley havia sido preso pela polícia de Moscou. Até onde ele sabia, o homem ainda estava definhando em uma cela de prisão russa em algum lugar. Ele estava certo de que Mycroft teria lhe contado se Wormersley tivesse saído de lá. Mycroft teria lhe contado, não teria?
— Agradeço — a Sra. Loran falou, andando em direção à mesa e puxando a cadeira. — Realmente penso que quanto mais velha fico, mais os meus ossos rangem. A brisa do mar não ajuda, e quanto ao balanço do navio nas ondas... bem, não tem como sabermos de um segundo para outro para que lado a pessoa vai!
Ela se sentou e sorriu para Sherlock, suas mãos cuidadosamente dobradas sobre o colo. Por um momento, sentado ali, Sherlock se pegou pensando em sua tia Anna. Ele tinha certeza que ela e a Sra. Loran teriam se tornado amigas rapidamente. Elas poderiam se encontrar em casas de chá e conversar sobre tricô, costura e assassinato.
— Eu não estava esperando vê-la aqui — ele disse, quebrando o silêncio.
— Não era para você esperar — ela devolveu. Ela inclinou a cabeça para o lado, examinando-o. Ele imaginou se ela pediria que ele fechasse o botão de cima da sua camisa, apertar sua gravata ou garantir que ele usasse um chapéu para evitar queimaduras do sol. — Sua inteligência é afiada... a mais afiada que já conheci, com exceção de seu irmão... mas se você não tem nenhuma evidência para analisar, então como pode chegar a alguma conclusão? Não há evidência de que temos algum interesse nesse assunto.
— Aqueles três bandidos... os que entraram no Chalé Holmes e que aprisionaram o Sr. Phillimore em sua própria parede: eles não trabalham para a Câmara Paradol, trabalham?
Ela balançou a cabeça.
— Certamente que não! — Ela parecia afrontada com a ideia.
— Eles foram muito desajeitados — Sherlock continuou. — Cometeram erros. Não é o que eu esperava da sua organização.
— Não é minha organização — ela corrigiu suavemente. — A Câmara Paradol existe desde antes de eu nascer, e continuará depois que eu morrer. Sou meramente uma peça substituível no mecanismo. Eventualmente todas as peças serão substituídas, mas o mecanismo continuará funcionando.
— Com que propósito? — Sherlock perguntou.
— Poder. Dinheiro. Influência. Significam a mesma coisa, no final. — Ela fez uma pausa. — Duvido que esteja revelando algum segredo ao dizer que nós almejamos ser o poder por trás de cada principal governo no mundo. Levará muito tempo, mas acredito que chegaremos lá.
— E nesse meio tempo — Sherlock observou — o que a senhora ganha com isso?
— Por que as pessoas fazem qualquer tipo de trabalho? Por dinheiro, é claro, e para ter algo com que se ocupar, algo para passar o tempo. — Ela sorriu novamente. — Trabalhar para a Câmara Paradol é certamente lucrativo, e é muito mais interessante do que comandar uma agência de correio em uma pequena cidade. E eu posso viajar, o que é bom.
— Presumo — ele falou suavemente — que o dinheiro compense o risco. Compensa?
— O risco? — Ela refletiu por um momento. — Suponho que haja um grau de risco envolvido. Certamente maior do que comandar uma agência de correio. O oobre Sr. Wormersley ainda está na prisão em Moscou... nós poderíamos tirá-lo de lá, é claro, mas ele merece uma punição por seu fracasso. Seu rosto está parecido com peças de quebra-cabeça que alguém tentou montar, e ele tem tido as mais terríveis infecções. E então há o Sr. Kyte e o Barão Maupertuis. Mesmo o poder da Câmara Paradol não pode recuperá-los do lugar para onde foram... ou melhor, do lugar para onde você os enviou. Mas a vida é arriscada, jovenzinho. Este navio pode bater em uma rocha ou em um recife e naufragar amanhã. Eu posso ser atropelada por um cavalo descontrolado no momento em que sair da prancha de desembarque quando aportarmos.
— A senhora está aqui para me matar? — ele apenas perguntou.
Ela balançou a cabeça de maneira gentil.
— Certamente que não. Você interferiu em nossos planos diversas vezes, mas nós não lhe desejamos nenhum mal. O que passou, passou. Não há motivo para chorar sobre o leite derramado, como minha mãe costumava dizer. — Ela olhou para a limonada e uma expressão de preocupação passou por sua face roliça. — Oh, querido... esse é o motivo de você não ter se servido de limonada? Pensou que ela estava envenenada? Aqui... deixe-me servi-lo!
Ela se inclinou para a frente, pegou o jarro e serviu limonada no copo de Sherlock, e depois no seu próprio. Colocando a jarra no lugar, ela pegou seu copo e bebeu dele.
— Só para mostrar a você que ela não está envenenada — ela falou tranquilizadoramente.
Sherlock pegou seu copo. Estava gelado contra seus dedos, e os cubos de gelo batiam uns nos outros. Ele bebeu. A limonada era azeda e doce ao mesmo tempo.
— Fascinante — ele disse. — Você mesma quem preparou?
— Não... eu tenho pessoas para esse tipo de coisa. — Ela olhou para ele, e Sherlock subitamente viu um vislumbre do aço por trás da fachada acolhedora. — É claro, se nós quiséssemos envenená-lo, teríamos forrado o interior do seu copo com veneno e deixado secar antes de colocá-lo na mesa.
— Eu troquei os copos quando sentei — ele disse calmamente.
A Sra. Loran gargalhou.
— Muito bom! Mas não, você não os trocou. Nós estávamos observando, é claro. Mas admiro a sua calma sob pressão, jovenzinho. Realmente admiro.
— Por que eu estou aqui? — Sherlock perguntou, colocando seu copo novamente na mesa. — Por que você está aqui?
— É muito simples. Nós precisamos da sua ajuda.
No silêncio que se seguiu, Sherlock olhou ao redor. O deque onde eles estavam sentados ainda estava completamente deserto, a não ser pelos dois. Seja lá qual fosse o poder que a Câmara Paradol possuísse, era o suficiente para criar essa zona silenciosa em um navio outrora lotado. Havia correntes de contenção através do deque, longe aonde ele não conseguisse vê-las? Havia placas com avisos como Fechado para Manutenção Indispensável?
— O que é a Câmara Paradol? — ele perguntou subitamente.
— Você sabe o que é. Nós somos uma organização de...
— Não — ele interrompeu — a câmara em si. O que é? Onde ela fica?
— Ah, — ela assentiu. — A Câmara Paradol é a sala onde o Conselho que governa suas atividades se encontra. É uma sala cujas paredes são feitas de folhas de puro âmbar, iluminadas pelo lado de fora. Todos aqueles que entram na sala estão mascarados no estilo veneziano para que ninguém saiba quem eles são. Naquela câmara, a história não é somente feita, mas planejada.
— Onde é a Câmara? Onde vocês se encontram?
— A Câmara está onde nós quisermos que ela esteja. Ela pode ser desmontada, movida e remontada de maneira que pareça exatamente igual. Nós nunca anos encontramos duas vezes no mesmo lugar.
Ele refletiu por um momento.
— O que está acontecendo com o Canal no Egito, o esquema que Jonathan Phillimore descobriu... vocês não querem que isso aconteça, não é mesmo?
A Sra. Loran ficou em silêncio por um tempo. Ela olhou para as ondas rodeando o navio. Parecia tentar decidir o que dizer, o quanto revelar.
— Isso não vai de encontro com nossos planos — ela concordou enfim. — A criação do canal através do Egito causará uma mudança no poder político e econômico que beneficiará a Câmara Paradol. Reduzirá a influência britânica e dará aos nossos agentes meios mais rápidos para viajar e transmitir mensagens. Não, nós não queremos que o canal seja sabotado. Nós queremos que ele seja construído.
— E é isso o que essas pessoas estão tentando fazer, não é? Sabotar a construção? — ele pressionou.
Ela assentiu.
— Mesmo nós não sabemos quem está por trás deste plano grosseiro. Nossa suspeita é que seja um grupo de industriais e políticos criado para esse fim, e que veem suas próprias fortunas minguando se o canal for concluído. Eles acreditam que se puderem impedir que o canal seja construído agora, então ninguém por volta do próximo século será capaz de financiá-lo, ou quererá correr esse risco. As coisas se assentarão novamente ao status quo a que estão acostumados.
— Meu irmão é um deles? — Esta era a questão que estava pesando na mente de Sherlock.
Ela balançou a cabeça.
— Não, mas os homens para quem ele trabalha, os homens responsáveis pelas Relações Exteriores, e os homens que comandam o Governo, alguns deles estão envolvidos. Seu irmão está meramente seguindo ordens. E duvido que ele queira fazer isso, mas o fará para garantir seu cargo e seu salário.
— Presumo — Sherlock disse cuidadosamente — que a senhora esteja me contando tudo isto não somente por diversão, mas porque quer a minha ajuda.
— Sim — a Sra. Loran disse. — Nós queremos. Irônico, não é mesmo? — ela continuou. Ela pegou o copo e tomou outro gole da limonada. — Você interferiu em nossos planos antes, mas desta vez nossos interesses parecem coincidir.
— Você não tem seus próprios agentes infiltrados? — Sherlock perguntou.
A Sra. Loran deu de ombros.
— Nós tínhamos, mas eles foram descobertos e eliminados pelos agentes desses sabotadores. Foi lamentável... por causa de algumas circunstâncias, nós não tínhamos nosso melhor pessoal no país, então tivemos que contar com pessoas recrutadas no local. Isso foi um erro.
— Jonathan Phillimore... ele era um dos seus homens?
— Oh, por favor! — Ela levantou seus olhos em desprezo. — Suco de limão como tinta invisível? Faça o favor de nos dar mais crédito do que isso, jovenzinho.
— E se eu ajudá-la... o que ganho com isso?
Ela o encarou.
— Certamente você não está sugerindo que nós o remuneremos?
— Não é uma má ideia — ele admitiu. — Mas não, eu não aceitaria seu dinheiro. Só me ocorreu que você parece esperar que eu ofereça os meus serviços de graça.
— De qualquer modo você e seus amigos estão indo para o Egito tentar encontrar Jonathan Phillimore e tentar impedir a sabotagem do Canal de Suez — a Sra. Loran observou. — Vocês podem fazer isso com nossos recursos e nossa assistência, ou podem fazer isso sozinhos. Qual das opções acha que lhes dá maior chance de sucesso?
Sherlock pausou por tempo suficiente para que a Sra. Loran começasse a se sentir desconfortável.
— Eu estava esperando por mais do que isso — ele falou.
— Tal como?
— Ainda não tenho certeza. Um favor, talvez. Você ficará me devendo alguma coisa.
Ela gargalhou novamente. Ela tinha uma risada de menina, muito mais jovem do que seu rosto.
— Sherlock, nós somos uma conspiração criminosa que abrange o mundo todo! Nós mentimos, trapaceamos, chantageamos e matamos! O que o faz pensar que honraríamos qualquer promessa que fizéssemos a você?
— O motivo é que o único modo para uma organização como a sua manter o controle sobre as distâncias e prazos é se mantiverem suas promessas. Extraordinariamente, o seu pessoal e seus contatos devem confiar em vocês para fazer o que pedem. Não é como se pudessem elaborar e assinar contratos legais, não é mesmo? O seu pessoal confia em vocês para pagá-los se eles fizerem um bom trabalho, e para resgatá-los se algo de errado acontecer que não seja culpa deles. Todo o seu empreendimento é construído sobre confiança, não é? Não confiança como algo ético ou moral, mas confiança em algo que vocês demonstraram em tudo que fizeram.
Ela olhou para ele por um longo momento, como se o estivesse reavaliando.
— Creio que você possa ser até mais esperto do que seu irmão — ela falou calmamente. — Ou, pelo menos, tem o potencial para ser. — Sua voz se tornou mais formal, como a de uma professora. — Muito bem... nós ficaremos lhe devendo um favor, se nos ajudar, e esse favor será pago em algum momento de sua escolha, da maneira que escolher, e o favor será mensurado com a mesma dimensão do favor que fará por nós. — Sua voz retornou à normal amabilidade e simpatia. — Afinal de contas, nós não lhe daremos algo maior em retorno. Isto o satisfaz?
Ele assentiu.
— Satisfaz. Então... o que pode me contar que irá me ajudar?
— Se você tentar contatar a Companhia Canal de Suez e avisá-los que alguém está tentando sabotá-los, eles só irão dispensá-lo. Sua melhor opção é ir diretamente ao homem no comando, Monsieur Ferdinand de Lesseps. Ele é o arquiteto principal do canal, e o homem comandando todos os trabalhos. Se alguém for escutá-lo, será ele. Ele tem uma casa de campo em Ishmaili, mas você poderá precisar utilizar algum subterfúgio para entrar. — Ela olhou para o oceano. — Se isso falhar, então procure por Jonathan Phillimore. Se descobrir onde ele está, então encontrará a conspiração.
Sherlock assentiu.
— Como eu entrarei em contato com você, se precisar?
— Haverá sempre alguém observando-o. Há um lenço vermelho em sua bagagem. Mantenha-o no seu bolso. Se precisar de nós, segure-o para cima. Nós estaremos lá. — Ela pegou seu copo de limonada e bebeu. — E agora, nós devemos finalizar nosso encontro. Acredito que haja um torneio de críquete agendado, e eu não gostaria de atrasá-lo por muito tempo.
— Eu não trouxe um lenço vermelho comigo — ele falou.
— Eu sei. Se tivesse trazido, então não haveria necessidade para nós colocarmos um em sua bagagem enquanto está sentado aqui. — Ela se levantou. — Eu não sei se nos encontraremos novamente ou não, mas saiba que estaremos observando-o com interesse, seja lá o que decida fazer no futuro.
— E eu estarei observando vocês — ele devolveu. Ergueu sua limonada em um brinde. — Saiba disso.
Ela olhou para ele com carinho, como uma avó tentando descobrir qual presente dar ao neto.
— Só porque nós lhe devemos um favor, jovenzinho, não quer dizer que nós não o mataremos se ficar no nosso caminho.
— Como falei ao Sr. Kyte logo após ele correr de encontro à alabarda que deixei como uma armadilha para ele em Galway, e um pouco antes de ele dar seu último suspiro: somente eu decido quando vou morrer. Mais ninguém.
Ele virou sua cabeça para observar o oceano, não querendo entrar em uma disputa de quem encarava por mais tempo ou uma batalha de palavras. Ambos haviam dito o que queriam. Quando ele se virou, a Sra. Loran já tinha ido embora.

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