29 de janeiro de 2018

Capítulo 9

Duas horas depois, com a cabeça encostada na borda da banheira esculpida no chão de pedra da enorme caverna sob a Torre, Yrene olhou para a escuridão que espreitava acima.
O Útero estava quase vazio no meio da tarde. Sua única companhia eram os fios de águas naturais que fluíam através da dúzia de banheiras embutidas no chão da caverna, e o gotejar de água de estalactites caindo sobre os inúmeros sinos amarrados em correntes entre os pilares de pedra pálida que se erguiam das rochas antigas.
As velas haviam sido introduzidas em alcovas naturais, ou colocadas em cada extremidade de cada banheira, dourando o vapor sulfuroso e deixando as corujas esculpidas em cada parede e pilar com um relevo cintilante.
Com um pano macio suavizando o contato de sua cabeça contra a borda de pedra implacável da banheira, Yrene respirou o ar denso do Útero, observando-o subir e desaparecer na escuridão forte e dura lá em cima. Ao redor dela ecoava um som agudo e doce, ocasionalmente interrompido por notas isoladas e claras.
Ninguém na Torre sabia quem havia trazido primeiro os vários sinos de prata, vidro e bronze para a câmara aberta do Útero de Silba. Alguns sinos estavam ali fazia tanto tempo que estavam cobertos de depósitos minerais, fazendo com que o som dos pingos de água que caíam das estalactites não passasse de um baixo plunc.  Mas era uma tradição – uma que a própria Yrene participou – que cada nova ajudante trouxesse um sino de sua escolha. Com seu nome e data de admissão na Torre gravados, e então encontrasse um lugar para o sino – mas antes mergulhando nas águas borbulhantes do chão do Útero. O sino para ser pendurado para a eternidade, oferecendo música e orientação a todas as curandeiras que chegassem depois; as vozes de suas amadas irmãs para sempre cantando para eles.
E considerar quantas curandeiras haviam passado pelos corredores da Torre, considerando o número de sinos, grandes e pequenos, que agora pendiam por todo o espaço... A câmara inteira, quase do tamanho do grande salão do khagan, estava cheia dos ecos dos sinos. Um zumbido constante que enchia a cabeça de Yrene, seus ossos, enquanto mergulhava no calor delicioso.
Algum arquiteto antigo descobrira as fontes termais logo abaixo da Torre e construíra uma rede de banheiras no chão para que a água fluísse entre elas, um constante fluxo de calor e movimento. Yrene colocou a mão contra uma das aberturas na lateral da banheira, deixando que a água passasse através de seus dedos em seu caminho para o respiradouro na outra extremidade, para retornar à corrente em si e para dentro do coração adormecido da terra.
Yrene respirou fundo outra vez, jogando para trás o cabelo úmido que estava em sua fronte. Ela se lavara antes de entrar na banheira, como todas tinham que fazer em uma das antecâmaras pequenas fora do Útero, para limpar o pó, o sangue e as manchas do mundo acima. Uma ajudante estivera esperando com um roupão cor de lavanda – a cor de Silba – para que Yrene a usasse no Útero propriamente dito, onde ela então a descartou perto da banheira e entrou, nua a não ser pelo anel de sua mãe.
No vapor inconstante, Yrene levantou sua mão e estudou o anel, o modo como a luz refletia sobre o ouro e brilhava na granada. Por todo lado, os sinos tocavam, zumbiam e cantavam, misturando-se com o som a água pingando até que ela estivesse à deriva em uma corrente de som vivo.
Água – o elemento de Silba. Banhar-se nas águas sagradas daqui, intocadas pelo mundo acima, era entrar no sangue de Silba. Yrene sabia que ela não era a única curandeira a entrar nas águas e sentir como se estivesse realmente aninhada no calor do ventre de Silba. Como se esse espaço tivesse sido feito somente para elas.
E a escuridão acima... era diferente do que ela havia espionado no corpo de Lorde Westfall. O oposto daquela escuridão. A escuridão acima dela era da criação, do descanso, do pensamento não formado.
Yrene encarou a escuridão, encarou o ventre da própria Silba. E ela poderia jurar sentir algo encarando-a de volta. Escutando, enquanto ela pensava em tudo o que Lorde Westfall lhe havia dito.
Coisas saídas de pesadelos antigos. Coisas de outro reino. Demônios. Magias da escuridão. Venenos libertados sobre sua terra natal. Mesmo nas águas quentes e reconfortantes, o sangue de Yrene gelou.
Nesses campos de batalha longínquos, no extremo norte, ela esperava tratar feridas de flechas, espadas e ossos quebrados. Esperava tratar qualquer uma das doenças que surgiam nos campos de batalha, especialmente durante os meses mais frios.
Não as feridas de criaturas que destruíram tanto a alma quanto o corpo. Que usavam garras, dentes e venenos. O poder maligno enrolado em torno da lesão da medula espinhal... Não era um osso fraturado ou nervos emaranhados. Bem, tecnicamente era, mas magia estava ligada a ela. Vinculada a ela.
Ela ainda não conseguia afastar a sensação oleosa, a sensação de que algo havia se agitado. Despertado.
Os sons dos sinos fluíam e diminuíam, acalentando sua mente para descansar, para abrir-se.
Ela tinha que ir para a biblioteca esta noite. Ver se havia alguma informação sobre tudo o que o lorde tinha falado, se talvez alguém antes dela tivesse pensamentos sobre lesões causadas por magia.
No entanto, não seria uma lesão que dependesse dela para curar.
Ela havia sugerido antes de partir. Mas lutar contra aquela coisa dentro dele... Como?
Yrene disse a palavra em voz alta para o vapor e a escuridão, para a calmaria de sinos e água borbulhante.
Ela ainda podia ver sua sonda de magia recuando, ainda sentia sua repulsa por aquele poder demoníaco. O oposto do que ela era, do que era sua magia. Na escuridão que pairava sobre sua cabeça, ela podia ver tudo. Na escuridão muito acima, escondida no útero terrestre de Silba... a visão acenava.
Como se dissesse, vá onde você teme pisar.
Yrene engoliu em seco. Mergulhar naquele poço de poder em que se tinha agarrado nas costas do lorde...
Você deve ir, a doce escuridão sussurrou, a água cantando junto com ela enquanto fluía e passava por ela. Como se estivesse nadando nas veias de Silba.
Você deve ir, murmurou novamente, a escuridão acima parecendo se espalhar, chegar mais perto.
Yrene permitiu. E se deixou olhar mais fundo, avançar mais fundo, naquela escuridão.
Combater aquela força furiosa dentro do lorde, se arriscar por algum teste de Hafiza, arriscar-se por um filho de Adarlan quando seu próprio povo estava sendo atacado ou lutando naquela guerra distante e todos os dias a atrasaram... Eu não posso.
Você não quer, a escuridão adorável a desafiou.
Yrene recuou. Ela havia prometido a Hafiza que permaneceria, que o curaria, mas o que ela sentira hoje... Poderia demorar uma quantidade incalculável de tempo. Se ela pudesse pelo menos encontrar uma maneira de ajudá-lo. Ela prometeu curá-lo, e embora algumas lesões exigissem que a curandeira trilhasse a estrada com seu paciente, essa lesão dele...
A escuridão parecia diminuir.
Não posso, Yrene insistiu.
A escuridão não respondeu novamente. Distante, como se ela estivesse agora longe, um sino tocou, claro e límpido.
Yrene piscou com o som, o mundo entrando em foco. Seus membros e respiração voltando, como se ela estivesse pairando por cima deles.
Ela olhou para a escuridão – encontrando apenas o escuro normal e suave. Oco e vazio, como se tivesse se deslocado. Estado lá, e ido embora. Como se ela o tivesse repelido, decepcionado.
A cabeça de Yrene girou ligeiramente enquanto se sentava, esticando membros que haviam ficado um pouco rígidos, mesmo na água rica em minerais. Por quanto tempo ela havia ficado ali?
Ela esfregou seus braços escorregadios, o coração trovejando enquanto vasculhava a escuridão, como se ainda pudesse ter outra resposta para o que ela deveria fazer, o que estava diante dela. Uma alternativa.
Nenhuma veio.
Um som ecoou pela caverna, distintamente não era um sino ou o gotejar de água. Um inalar silencioso e trêmulo.
Yrene virou-se, a água escorrendo pelos fios bagunçados de cabelo que haviam escapado do nó em cima de sua cabeça e viu que outra curandeira havia entrado no Útero em algum momento, reivindicando uma banheira na extremidade oposta das fileiras paralelas flanqueando ambos os lados da câmara. Com os vapores à deriva, era quase impossível identificá-la, embora Yrene certamente não soubesse o nome de cada curandeira na Torre.
O som ecoou no Útero novamente, e Yrene sentou-se mais adiante, as mãos apoiadas no chão frio e escuro enquanto ela saía da água. O vapor enrolava-se em sua pele enquanto ela alcançava o roupão fino e o amarrava na cintura, o tecido agarrando-se ao seu corpo encharcado.
O protocolo do Útero estava bem estabelecido. Era um lugar para solidão, para silêncio. Curandeiras entravam nas águas para se reconectar com Silba, para se centrarem. Algumas procuravam orientação; outros procuravam absolvição. Algumas procuravam aliviar as emoções de um dia árduo de trabalho que elas não poderiam demonstrar na frente dos pacientes, talvez na frente de ninguém.
E embora Yrene soubesse que a curandeira do outro lado do Útero tivesse direito a seu espaço, embora estivesse preparada para sair e conceder privacidade à curandeira para prantear...
Os ombros da mulher tremeram. Outro soluço abafado.
Em pés quase silenciosos, Yrene aproximou-se da curandeira na banheira. Viu o riacho correndo por seu rosto jovem – sua pele morena clara e seu cabelo beijado de ouro quase idêntico ao da própria Yrene. Viu a desolação nos olhos castanhos da mulher enquanto ela olhava para a escuridão acima, lágrimas escorrendo por seu maxilar delgado e para a água ondulante.
Havia algumas feridas que não podiam ser curadas. Algumas doenças que até mesmo o poder das curandeiras não podia parar, se estivessem profundamente enraizadas. Se tivessem chegado tarde demais. Se não marcassem os sinais corretos.
A curandeira não a olhou quando Yrene sentava-se silenciosamente ao lado da banheira, curvando os joelhos no peito antes de pegar a mão da curandeira e entrelaçar seus dedos.
Então, Yrene ficou sentada ali, segurando a mão da curandeira enquanto ela chorava em silêncio, o vapor à deriva cheio do toque claro e doce dos sinos.
Depois de incontáveis minutos, a mulher na banheira murmurou:
— Ela tinha três anos. — Yrene apertou a mão úmida da curandeira. Não havia palavras para confortar, para acalmar. — Eu queria... — A voz da mulher quebrou, seu corpo inteiro tremendo, a luz das velas refletindo em sua pele. — Às vezes eu queria que este dom nunca tivesse sido dado a mim.
Yrene refletiu sobre as palavras.
A mulher finalmente virou a cabeça, vendo o rosto de Yrene, um lampejo de reconhecimento em seus olhos.
— Você já se sentiu assim? — Uma pergunta crua, desprotegida.
Não. Não tinha. Nenhuma vez. Nem mesmo quando a fumaça do sacrifício de sua mãe fez seus olhos lacrimejarem e ela sabia que não podia fazer nada para salvá-la. Ela nunca detestara o dom que lhe fora dado, porque em todos esses anos, nunca estivera sozinha graças a ele. Mesmo com a magia desaparecida de sua terra natal, Yrene ainda havia se sentido assim, como uma mão quente que segurava seu ombro. Uma lembrança de quem ela era, de onde viera, uma corrente viva para inúmeras gerações de mulheres Towers que caminharam por esse caminho antes dela.
A curandeira procurou nos olhos de Yrene a resposta que ela queria. A resposta que Yrene não podia dar. Então Yrene apenas apertou a mão da mulher novamente e olhou para a escuridão.
Vá onde você teme pisar.
Yrene sabia o que tinha que fazer. E desejou que não soubesse.




— E então? Yrene já o curou?
Sentado à mesa no grande salão do khagan, Chaol virou-se para onde a princesa Hasar estava sentada vários assentos ao lado. Uma brisa refrescante que cheirava a chuva se aproximando fluía pelas janelas abertas para balançar as faixas brancas de luto penduradas em suas molduras no alto.
Kashin e Sartaq olharam para eles – o último lançando à irmã um olhar de desaprovação.
— Talentosa como Yrene deve ser — Chaol falou cuidadosamente, ciente de que muitos ouviam, mesmo sem demonstrar — estamos apenas nas fases iniciais do que provavelmente será um longo processo. Ela deixou-me esta tarde para fazer algumas pesquisas na biblioteca da Torre.
Os lábios de Hasar se enrolaram em um sorriso venenoso.
— Quão afortunado você, que teremos o prazer de sua companhia por um tempo ainda.
 Como se ele ficasse de bom grado por um momento mais.
Mas Nesryn respondeu, ainda resplandecendo pelas horas passadas novamente com sua família naquela tarde:
— Qualquer chance para as nossas duas terras constituírem laços é afortunada.
— De fato — disse Hasar, e voltou a espetar o tomate e o quiabo gelados de seu prato. Sua amante não estava à vista, mas Yrene também não. O medo da curandeira mais cedo... ele quase fora capaz de senti-lo no ar. Mas pura vontade a havia estabilizado; vontade e temperamento, pensou Chaol. Ele se perguntou qual ganharia no final.
De fato, uma pequena parte dele esperava que Yrene ficasse longe, apenas para evitar o que ela havia sugerido fortemente que eles também fizessem: conversar. Discutir coisas. Sobre ele.
Ele deixaria claro para ela amanhã que poderia curar-se perfeitamente sem isso.
Durante longos minutos, Chaol ficou em silêncio, observando aqueles à mesa, os criados passando por ali. Os guardas nas janelas e arcadas.
O cordeiro picado tornou-se pesado em seu estômago à vista de seus uniformes, de como eles ficavam parados tão altos e orgulhosos. Por quantas refeições ele próprio tinha se posicionado nas portas, ou no pátio, monitorando seu rei? Quantas vezes ele havia dado broncas em seus homens por ficarem parados em posição desleixada, ou por conversarem entre si, e os havia colocado em tarefas inferiores?
Um dos guardas de khagan notou seu olhar e deu um rápido aceno de cabeça.
Chaol desviou o olhar rapidamente, com as palmas das mãos pegajosas. Mas ele se forçou a continuar observando os rostos ao seu redor, o que eles vestiam e como eles se moviam e sorriam.
Nenhum sinal – nenhum – de qualquer força perversa, fosse despachada de Morath ou de outro lugar. Nenhum sinal além das faixas brancas para honrar a sua princesa caída.
Aelin afirmara que os valg tinham um pacto com eles, e ele viu o sangue deles escorrer preto de suas veias mortais mais vezes do que ele conseguia contar, mas não podia exigir que todos neste saguão cortassem suas mãos...
Na verdade, não era uma má ideia – se ele pudesse conseguir uma audiência com o khagan para convencê-lo a dar essa ordem.
Para marcar quem fugisse ou desse desculpas.
Uma audiência com o khagan para convencê-lo do perigo, e talvez fazer algum progresso com essa aliança. Para que os príncipes e as princesas que estavam ao seu redor nunca precisassem usar um colar valg. Seus amados não soubessem o que era olhar em seus rostos e não ver nada além de crueldade antiga sorrindo de volta.
Chaol respirou fundo e se inclinou para frente, para onde o khagan jantava alguns assentos para o lado, imerso em uma conversa com um vizir e com a princesa Duva.
A filha do khagan, que agora era a mais nova, parecia observar mais do que participar, e embora seu rosto bonito estivesse suavizado com um sorriso doce, seus olhos não perdiam nada. Foi só quando o vizir fez uma pausa para um gole de vinho e Duva virou-se para o marido em silêncio à sua esquerda que Chaol limpou a garganta e disse ao khagan:
 — Agradeço-lhe novamente, Grande Khagan, por oferecer os serviços de suas curandeiras.
O khagan virou seus olhos rígidos, cansados, em sua direção.
— Elas não são mais minhas curandeiras do que são suas, Lorde Westfall. — Ele voltou-se para o vizir, que franziu a testa para Chaol por interromper.
Mas Chaol continuou:
— Eu esperava ter talvez a honra de uma reunião com o senhor em particular.
Nesryn tocou seu cotovelo com o dele em alerta enquanto o silêncio preenchia a mesa. Chaol se recusou a olhar para qualquer lugar, exceto para o homem a sua frente.
O khagan simplesmente disse:
— Você pode discutir esses assuntos com o meu Vizir Chefe, que mantém minha agenda. — Ele fez um movimento com o queixo em direção a um homem de olhos perscrutadores, que monitorava a conversa de seu lugar à mesa. Um olhar para o sorriso fino do Vizir Chefe disse a Chaol que a reunião não aconteceria. — Meu foco permanece em ajudar minha esposa através do seu luto. — O brilho de tristeza nos olhos do khagan não foi fingido. De fato, não havia nenhum sinal da esposa do khagan na mesa, nem mesmo um lugar reservado para ela.
Um trovão distante ressoou no silêncio que se seguiu. Não era a hora nem o lugar para insistir. Um homem sofrendo por uma criança perdida... Ele seria um tolo em insistir. E grosseiro além da medida.
Chaol abaixou seu queixo.
— Perdoe-me por me intrometer neste momento difícil. — Ele ignorou o sorriso torto no rosto de Arghun enquanto o príncipe observava ao lado de seu pai. Duva, pelo menos, ofereceu-lhe um sorriso simpático, como se dissesse, Você não é o primeiro a ser dispensado. Dê-lhe tempo.
Chaol deu à princesa um aceno superficial antes de retornar ao seu prato. Se o khagan estava decidido a ignorá-lo, de luto ou não... talvez existissem outros meios para conseguir informações.
Outras formas de obter apoio.
Ele olhou para Nesryn. Ela o informou quando voltara antes do jantar que não teve sorte procurando Sartaq esta manhã. E agora, com o príncipe sentado em frente a eles, bebendo seu vinho, Chaol viu-se casualmente perguntando:
— Ouvi dizer que sua lendária ruk, Kadara, está aqui, príncipe.
— Besta horrível — murmurou Hasar para seu quiabo, recebendo um meio sorriso de Sartaq.
— Hasar ainda está magoada porque Kadara tentou comê-la quando se conheceram — confidenciou Sartaq.
Hasar revirou os olhos, embora um brilho de diversão brilhasse lá.
Kashin falou de alguns assentos ao lado:
— Você poderia ouvi-la guinchar do porto.
Para a surpresa de Chaol, Nesryn perguntou:
— A princesa ou a besta?
Sartaq riu, um som sobressaltado e alto iluminando seus olhos. Hasar apenas deu a Nesryn um olhar de advertência antes de se virar para o vizir ao lado dela.
Kashin sorriu para Nesryn e sussurrou:
— Ambas.
 Uma risada escapou da garganta de Chaol, embora ele a tenha retido sob o olhar de Hasar. Nesryn sorriu, inclinando-se para dirigir uma boa desculpa à princesa.
Contudo, Sartaq observava-os atentamente sobre a borda de seu cálice dourado. Chaol perguntou:
— Você é capaz de voar bastante em Kadara enquanto está aqui?
Sartaq não perdeu um segundo enquanto assentia.
— Quantas vezes quanto posso, geralmente perto do amanhecer. Eu estava no céu logo após o café da manhã, e voltei a tempo do jantar, felizmente.
Hasar murmurou para Nesryn sem quebrar o olhar com o vizir que exigia sua atenção:
— Ele nunca perdeu uma refeição em sua vida.
Kashin emitiu uma risada que fez até o khagan olhar em sua direção, Arghun franzindo o cenho em desaprovação. Quando a realeza riu desde a morte da irmã? Pelo rosto firme do khagan, talvez um tempo.
Mas Sartaq jogou sua longa trança sobre um ombro antes de acariciar o estômago plano e firme sob suas finas roupas.
— Por que você acha que eu volto para casa com tanta frequência, irmã, se não pela boa comida?
— Para conspirar e fazer intrigas? — Hasar perguntou docemente.
O sorriso de Sartaq se reprimiu.
— Como se eu tivesse tempo para essas coisas.
Uma sombra pareceu passar sobre o rosto de Sartaq – e Chaol observou para onde o olhar do príncipe se dirigiu... Os estandartes brancos ainda fluíam pelas janelas altas nas paredes do corredor, agora tremulando no que era certamente o vento de uma tempestade. Um homem que talvez desejasse possuir mais tempo para as partes importantes de sua vida.
— O senhor voa todos os dias, então, príncipe? — Nesryn perguntou com um toque suave.
Sartaq arrastou o olhar dos estandartes de morte de sua irmã mais nova para avaliar Nesryn. Mais guerreiro do que cortesão, contudo, ele assentiu – em resposta a um pedido não dito.
— Voo, Capitã.
Quando Sartaq se virou para responder a uma pergunta de Duva, Chaol trocou um olhar com Nesryn – tudo que ele precisava para transmitir seu pedido.
Esteja no ninho da besta ao amanhecer. Descubra onde ele está nesta guerra.

7 comentários:

  1. Só pensei agora, que não é um pouco suspeito a esposa do khagan estar... tão distante? Tipo eu posso estar errada, talvez seja luto mesmo, mas só nesse capítulo que algo pareceu estranho...

    ResponderExcluir
  2. Olha já quero Sartaq, Irene e cia com Aelin, Dorian e sua turma. O ultimo livro vai ter que ter umas 1000 paginas eu não aceito menos que isso.
    Embora eu queira essas coisas verdade seja dita não é possível confiar em ninguém. Por mais que eu já goste desse povo realmente não é possível confiar.
    E eu acho que a coisa "errada" suspeita e tal que o Chaol procura está é com a Rainha, Imperatriz, Khagana porque se o homem é o Khagan...

    ResponderExcluir
  3. Estou apaixonada pelo Sartaq, tô começando a ficar preocupada comigo porque tipo, basta o boy do livro piscar que eu me apaixona heuheu mas claro que há exceções, teve personagens que não desce de jeito nenhum, tipo o Maven, nunca confiei nele, na verdade sempre odiei esse cara.

    Essa esposa do Kangan, não sei não, tô achando estranho, mas o luto por alguém que amamos nos destrói. Depois de ler A Rainha Vermelha desconfio de tudo ksksksks

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Te entendo, depois de ler A Rainha Vermelha desconfio de qualquer um que olhe pra mim um estranho... na verdade eu diria que fiquei mais paranoica do que já era.

      Excluir
  4. Rapaz, eu estou desconfiando desse Kashin ( sei lá como se escreve) e dos outros possíveis herdeiros... Não sei pq mas acho q um deles matou a irmã mais nova para q houvessem menos candidatos ao trono.

    ResponderExcluir
  5. Mano o Sartaq me lembra tanto o Cassian!! Q sdds dele

    ResponderExcluir
  6. Nai fui muito com a cara do Kashin mas gostei bastante do Sartaq.E essa esposa do Khagan ein?! Suspeito.Acho que depois que tu lê The 39 clues E Rainha Vermelha a pessoa cria uma seria desconfiança,que é so um personagem aparecer que tu já fica com um pe atrás

    ResponderExcluir

Comentários de volta!
Passamos algumas horas sem essa opção, mas estamos à ativa novamente :)

Boa leitura! E SEM SPOILER!