29 de janeiro de 2018

Capítulo 65

As mãos de Yrene não tremeram quando as ergueu diante dela.
A luz branca brilhava ao redor de seus dedos, encaixando-os, protegendo-os enquanto pegava a mão da princesa. Era tão leve, tão delicada, em comparação com os horrores que tinham sido feitos com ela.
A magia de Yrene ondulou e curvou-se quando ela alcançou o falso anel de casamento. Como se fosse uma espécie de magneto, distorcendo o mundo em torno dele.
A mão de Chaol se acomodou em suas costas em apoio silencioso.
Ela se preparou, respirando fundo enquanto seus dedos se fechavam ao redor do anel.
Foi pior.
Muito pior do que o que estivera dentro de Chaol.
Onde o dele fora uma mera sombra, este era uma piscina de tinta preta. Corrupção. O oposto de tudo neste mundo.
Yrene ofegou através dos dentes, a magia que cavava em torno de sua mão, a luz uma barreira, uma luva entre ela e aquele anel, e puxou.
O anel saiu.
E Duva começou a gritar.
Seu corpo se arqueou do sofá, Sartaq e Kashin indo para as pernas e os ombros, respectivamente.
Os dentes apertados, os príncipes prenderam sua irmã enquanto ela lutava contra eles, gritando sem palavras enquanto o feitiço de sono de Hafiza a mantinha inconsciente.
— Você a está machucando — disse o khagan.
Yrene não se incomodou em olhar para ele enquanto estudava Duva. O corpo que a princesa jogava para cima e para baixo, uma e outra vez.
— Cale-se — murmurou Hasar a seu pai. — Deixe-a trabalhar. Alguém traga um ferreiro para abrir esse maldito anel.
O mundo além deles desapareceu em borrão e som. Yrene estava vagamente ciente de um jovem homem...
O marido de Duva – correndo até eles. Cobrindo a boca com um grito; sendo mantido à distância por Nesryn.
Chaol apenas continuou ajoelhado ao lado de Yrene, tirando a mão de suas costas com uma última carícia calmante, enquanto ela olhava e olhava para Duva enquanto se contorcia.
— Ela vai machucar a si mesma — Arghun fervilhou. — Pare com essa...
Um verdadeiro parasita. Uma sombra viva dentro da princesa. Preenchendo seu sangue, plantada em sua mente.
Ela podia sentir o demônio valg dentro, furioso e guinchando.
Yrene levantou as mãos diante dela. A luz branca encheu sua pele. Ela se tornou essa luz, mantida dentro das fronteiras agora fracas de seu corpo.
Alguém engasgou quando Yrene alcançou as mãos brilhantes e cegas para o peito da princesa, como se guiada por algum puxão invisível.
O demônio começou a entrar em pânico, sentindo sua abordagem.
Distante, ouviu Sartaq xingar. Ouviu madeira quebrando quando Duva dirigiu seu pé contra o braço do sofá.
Havia apenas o valg remexendo contra o poder. Somente suas mãos incandescentes alcançando a princesa.
Yrene colocou as mãos brilhantes no peito de Duva.
Luz aumentou, brilhante como um sol. As pessoas gritaram.
Mas tão rapidamente como apareceu, a luz sumiu, sugada para Yrene – onde suas mãos se encontraram no peito de Duva. Sugada para a própria princesa.
Junto com Yrene.
Era uma tempestade escura lá dentro.
Fria e furiosa e antiga.
Yrene sentiu aquilo enganchado lá. Enganchado em toda parte. Uma infecção de fato.
— Vocês todos morrerão — o demônio valg começou a silvar.
Yrene desencadeou seu poder.
Uma torrente de luz branca inundou cada veia e osso e nervo.
Não era um rio, mas uma onda de luz composta pelos inúmeros núcleos de seu poder – tantos que eram um legião, todos caçando cada canto escuro e furioso, cada fenda gritante de malícia.
Longe, além deles, um ferreiro chegou. Um martelo atingiu o metal.
Hasar grunhiu, o som ecoado por Chaol, bem no ouvido de Yrene.
Meio ciente, viu a pedra negra e brilhante que se encontrava dentro do metal enquanto passavam com cuidado para o lenço de cabeça de um vizir.
O demônio valg rugiu quando sua magia o sufocou, afogou-o. Yrene ofegou contra a revidada. Forçando-a.
A mão de Chaol novamente começou a esfregar as costas em linhas suaves.
Mais do mundo desapareceu.
Não tenho medo de você, disse Yrene no escuro. E você não tem para onde correr.
Duva se debateu, tentando soltar do aperto de Yrene. Yrene pressionou mais forte em seu peito.
O tempo diminuiu e se curvou. Ela estava vagamente consciente da dor nos joelhos, o peso nas costas. Pouco ciente de Sartaq e Kashin se recusando a oferecer sua posição à outra pessoa.
Ainda assim, Yrene enviou sua magia para Duva. Preenchendo-a com aquela luz devoradora.
O demônio gritou o tempo todo.
Mas pouco a pouco, ela explodiu de volta, explodiu mais fundo.
Até que viu, enrolado em seu núcleo.
Sua verdadeira forma... era tão horrível quanto imaginara.
A fumaça rodopiava e enrolava-se sobre aquilo, vislumbres reveladores de membros e garras, pelos cinza, pele lisa e olhos escuros anormalmente grandes de raiva enquanto o olhava.
Verdadeiramente olhava para ele.
Grunhiu, revelando dentes pontudos e afiados. Seu mundo deve cair. Como os outros já caíram. Como todos os outros cairão.
O demônio fincou garras profundamente na escuridão. Duva gritou.
— Patético — disse Yrene.
Talvez tenha falado a palavra em voz alta, pois o silêncio caiu.
Distante, aquele vínculo fluindo... diminuiu. A mão em suas costas se afastou.
— Totalmente patético — repetiu Yrene, sua mágica se acumulando atrás dela em uma onda poderosa e branca — para um príncipe prender uma mulher indefesa.
O demônio revirou-se contra a onda, agarrando o escuro como se fosse cavar um túnel através de Duva.
Yrene empurrou para frente. Deixou sua onda cair.
E quando seu poder bateu no último remanescente do demônio, ele riu. Não sou nenhum príncipe, garota. Mas uma princesa. E minhas irmãs logo a encontrarão.
A luz de Yrene entrou em erupção, triturando e escorando, devorando qualquer último pedaço de escuridão...
Yrene voltou para seu corpo, caindo contra o chão. Chaol gritou seu nome.
Mas Hasar estava lá, levantando-a enquanto Yrene se segurava em Duva, com as mãos brilhando...
Duva tossiu, sufocando, tentando virar de lado.
— Virem-na — gritou Yrene aos príncipes, que obedeceram. No mesmo momento Duva levantou e vomitou sobre a borda do sofá. Salpicou os joelhos de Yrene, cheirando o inferno mais profundo. Mas ela examinou a bagunça. Comida, principalmente comida e manchas de sangue.
Duva vomitou novamente, um som profundo e estrangulado.
Somente fumaça preta saiu de seus lábios. Ela se esforçou para vomitar de novo e de novo.
Até que uma gavinha caísse nos pisos de esmeralda.
E enquanto as sombras escorriam dos lábios de Duva... Yrene o sentiu. Mesmo enquanto sua magia se esticava e deformava, sentiu quando o demônio valg desapareceu no nada.
Como orvalho dissolvido pelo sol.
Seu corpo estava frio e dolorido. Vazio. Sua magia drenada até sobrar quase nada.
Ela piscou para a parede de pessoas de pé ao redor do sofá.
Os filhos de khagan agora ladeavam o pai, as mãos em suas espadas, os rostos sombrios.
Letais – com raiva. Não de Yrene, nem de Duva, mas do homem que enviara aquilo para sua casa. Para sua família.
O rosto de Duva relaxou com uma respiração exalada, a cor voltando em suas bochechas.
O marido de Duva tentou chegar novamente a ela, mas Yrene o deteve com uma mão.
Pesada – sua mão estava tão pesada. Mas ela manteve o olhar em pânico do jovem. Que não estava no rosto de sua esposa, mas na barriga. Yrene assentiu para ele como se quisesse dizer, vou olhar.
Então ela colocou as mãos naquele útero redondo e alto.
Enviou sua sonda mágica, dançando ao longo dela, a vida lá dentro.
Algo novo e alegre respondeu.
Alto.
Seu pontapé despertou Duva com um uf, as pálpebras se abrindo.
Duva piscou para todos. Piscou para Yrene, para a mão que ela ainda mantinha na barriga dela.
— Ele é... — As palavras um sussurro rouco.
Yrene sorriu, ofegando suavemente, e aliviou um peso esmagador em seu peito.
— Saudável e humano.
Duva apenas olhou para Yrene até que as lágrimas se acumularam e fluíam daqueles olhos escuros.
Seu marido afundou em uma cadeira e cobriu o rosto, os ombros tremendo.
Houve um movimento apressado, e então o khagan estava lá.
E o homem mais poderoso da terra caiu de joelhos diante do sofá e alcançou a sua filha. Abraçou-a com força.
— É verdade, Duva? — Arghun exigiu da ponta do sofá, e Yrene resistiu ao desejo de gritar com ele sobre dar à mulher algum espaço para assimilar tudo o que suportou.
Sartaq não tinha reservas. Ele rosnou para o irmão mais velho:
— Cale a sua boca.
Mas antes que Arghun pudesse chiar uma réplica, Duva ergueu a cabeça do ombro do khagan.
As lágrimas escorriam por suas bochechas enquanto examinava Sartaq e Arghun. Então Hasar. E Kashin. E por último, o marido que levantou a cabeça de suas mãos.
Sombras ainda alinhavam aquele rosto encantador, mas eram sombras humanas.
— É verdade — sussurrou Duva, sua voz quebrando quando ela olhou de volta para seus irmãos e irmãs. — Tudo isso.
E enquanto tudo o que a confissão implicava começava a se assentar, o khagan envolveu-a novamente, balançando-a suavemente enquanto chorava.
Hasar permaneceu na outra ponta do sofá enquanto seus irmãos se pressionavam para abraçar sua irmã, algo como saudade no rosto dela.
Hasar percebeu o olhar de Yrene e articulou a palavra: Obrigada.
Yrene apenas inclinou a cabeça e recuou para onde Chaol esperava. Não ao seu lado, mas sentado em sua cadeira ao lado de um pilar próximo. Ele deve ter pedido a um criado para trazê-la de sua suíte quando o laço entre eles ficou fino enquanto lutava dentro de Duva.
Chaol dirigiu-se para ela, examinando seu rosto. Mas o próprio rosto dele não tinha nenhuma dor, nenhuma frustração.
Apenas admiração e tanta adoração que lhe tirou o fôlego. Yrene se sentou no colo dele e foi abraçada enquanto beijava sua bochecha.
Uma porta se abriu no corredor, e pés e saias apressadas encheram o ar. E soluços. A Grande Imperatriz soluçava enquanto se atirava para a filha.
Ela estava a um passo de Duva quando Kashin entrou em cena, segurando sua mãe pela cintura, o vestido branco balançando com a força de sua corrida interrompida. Ela falou em halha, rápido demais para Yrene entender, a pele acinzentada contra a cachoeira negra de seus cabelos longos e retos. Ela não parecia notar ninguém além da filha diante dela quando Kashin murmurou uma explicação, sua mão acariciando as costas delgadas de sua mãe em toques calmantes.
A Grande Imperatriz apenas caiu de joelhos e pegou Duva em seus braços.
Uma velha dor agitou-se em Yrene à visão de mãe e filha, à visão de ambas chorando de tristeza e alegria.
Chaol apertou seu ombro em uma compreensão tranquila enquanto Yrene saía de seu colo e eles se viraram para sair.
— Qualquer coisa — o khagan falou por sobre o ombro para Yrene, o homem ainda ajoelhado ao lado de Duva e sua esposa quando Hasar finalmente foi abraçar a irmã. A mãe delas apenas envolveu as duas princesas, beijando as irmãs em suas bochechas, sobrancelhas e cabelos enquanto elas se mantinham unidas. — Qualquer coisa que desejar — disse o khagan. — Peça, e é seu.
Yrene não hesitou. As palavras saíram de seus lábios.
— Um favor, Grande Khagan. Gostaria de lhe pedir um favor.



O palácio estava em tumulto, mas Chaol e Yrene conseguiram se encontrar sozinhos com Nesryn e Sartaq. Sentados, de todos os lugares, na suíte deles.
O príncipe e Nesryn se juntaram a eles na longa caminhada de volta ao quarto, Chaol conduzindo a cadeira ao lado de Yrene. Ela oscilava em seus pés e era teimosa demais para mencionar isso. Até chegou a avaliar a ele com olhos afiados de curandeira, perguntando sobre as costas, as pernas. Como se fosse ele quem drenara o poder até as migalhas.
Ele sentiu a mudança dentro de seu corpo enquanto poderosas ondas do poder dela fluíam para Duva. Sentiu a tensão crescer em pontos de suas costas e pernas. Só então saiu do lado dela durante a cura, seus passos cambaleantes quando se encostou no braço de madeira de um assento nas proximidades e pediu em voz baixa ao criado mais próximo que trouxesse sua cadeira. Depois que retornaram, ele precisava dela – suas pernas ainda eram capazes de algum movimento, mas não de ficar de pé.
Mas isso não o frustrou, não o constrangeu. Se esse fosse o estado natural do seu corpo pelo resto de sua vida... não era um castigo, nem um pouco.
Ele ainda pensava nisso quando chegaram à suíte deles, refletindo sobre como poderiam resolver sua agenda – as batalhas e a cura.
Pois ele iria lutar. E se o poder dela fosse drenado, ele lutaria mesmo assim. Fosse montado num cavalo ou na própria cadeira.
E quando Yrene precisasse curar, quando a magia em suas veias a convocasse para aqueles campos de batalha e seu vínculo afinasse... ele conseguiria uma bengala ou a cadeira. Ele não se encolheria diante disso.
Se ele sobrevivesse à batalha. A guerra. Se eles sobrevivessem.
Ele e Yrene encontraram seus lugares na deplorável substituição do sofá dourado – o qual ele estava, honestamente, debatendo levar de volta a Adarlan com ele, em pedaços e tudo – enquanto Nesryn e o príncipe sentaram, com cuidado, em cadeiras separadas. Chaol tentou não se dar conta ou divertir-se com isso.
— Como sabiam que estávamos com problemas? — Yrene perguntou finalmente. — Antes de encontrarem com os guardas, quero dizer.
Sartaq piscou, tropeçando nos seus pensamentos. Um canto de sua boca ergueu-se.
— Kadja — ele falou, fazendo um movimento de queixo para a criada que servia chá diante deles. — Ela foi a única que viu Duva sair... para os túneis. Ela está... a meu serviço.
Chaol estudou a criada, que não deu nenhum sinal de que tinha ouvido.
— Obrigado — ele falou.
Mas Yrene deu um passo além, pegando a mão da mulher e apertando-a.
— Nós temos uma dívida de vida com você — ela disse. — Como podemos pagá-la?
Kadja apenas balançou a cabeça e afastou-se da sala. Eles a encararam por um momento.
— Arghun, sem dúvida, está debatendo se deve puni-la por isso — pensou Sartaq. — Por um lado, ela salvou Duva. Por outro... ela não falou nada para ele.
Nesryn franziu a testa.
— Nós precisamos encontrar uma maneira de protegê-la, então. Se ele é tão ingrato.
— Oh, ele é — disse Sartaq, e Chaol tentou não piscar para a casualidade entre eles, ou o uso do termo nós. — Mas pensarei nisso.
Chaol se absteve de revelar aquela notícia a Shen, Kadja teria um protetor fiel para o resto de sua vida.
— E agora? — Yrene apenas perguntou.
Nesryn passou a mão por seus cabelos escuros. Diferente. Sim, havia algo completamente diferente nela. Ela olhou para Sartaq – não em busca de permissão, mas... como se se assegurasse de que ele estava lá. Então disse as palavras que deixaram Chaol feliz por estar sentado.
— Maeve é uma rainha valg.
Tudo foi contado então. O que ela e Sartaq aprenderam nessas últimas semanas: aranhas estígias, que eram na verdade infantaria valg. Um metamorfo que poderia ser o tio de Lysandra. E uma rainha valg que se mascarara como feérica há milhares de anos, escondendo-se dos reis demoníacos que ela atraiu para esse mundo ao tentar escapar deles.
— Isso explica por que os curandeiros feéricos também podem ter fugido — murmurou Yrene quando Nesryn ficou em silêncio. — Por que o próprio complexo de curandeiros de Maeve fica na fronteira com o mundo mortal. Talvez não para que possam alcançar humanos que precisam de cuidados... Mas como uma patrulha fronteiriça contra os valg que tentarem invadir seu território.
Quão perto os valg foram involuntariamente quando Aelin lutou contra aqueles príncipes em Wendlyn.
— Também explica por que Aelin disse ter visto uma coruja ao lado de Maeve quando se encontraram pela primeira vez — disse Nesryn, gesticulando para Yrene, cujas sobrancelhas se uniram.
— A coruja deve ser a forma feérica de um curandeiro — Yrene falou. — Um curandeiro que ela mantém por perto – como um guarda-costas. Permitiu que todos acreditassem ser algum animal de estimação...
A cabeça de Chaol girava. Sartaq lançou-lhe um olhar como se quisesse dizer que entendia bem o sentimento.
— O que aconteceu antes de chegarmos? — perguntou Nesryn. — Quando os encontramos...
A mão de Yrene apertou a dele. E foi a vez dele de dizer o que eles aprenderam, o que tinham suportado. Independentemente do que Maeve poderia planejar para fazer... Permanecia Erawan para enfrentar.
Até que Yrene murmurou:
— Quando eu curava Duva, o demônio... — Ela esfregou o peito. Ele nunca tinha visto qualquer coisa tão notável quanto aquela cura: o brilho cegante de suas mãos, a expressão quase sagrada no rosto dela. Como se ela fosse a própria Silba. — O demônio me disse que não era um príncipe valg... mas uma princesa.
Silêncio.
— A aranha. Ela alegou que os reis valg tinham filhos e filhas. Príncipes e princesas — Nesryn lembrou.
Chaol amaldiçoou. Não, suas pernas não o sustentariam agora, com Yrene recuperando lentamente o seu poder ou não.
— Nós precisaremos de uma Portadora do Fog o, parece — disse ele. E para traduzir os livros que Hafiza disse que entregaria com prazer à causa deles.
Nesryn mordeu o lábio.
— Aelin agora navega para o norte até Terrasen, um exército com ela. As bruxas também.
— Ou apenas as Treze — respondeu Chaol. — Os relatórios eram turvos. Talvez nem seja Manon Bico Negro.
— É ela — disse Nesryn. — Eu apostaria tudo nisso. — Ela dirigiu sua atenção para Sartaq, que assentiu com a cabeça – silenciosa permissão. Nesryn apoiou os antebraços sobre os joelhos. — Nós não voamos sozinhos quando voltamos para cá.
Chaol olhou entre eles.
— Quantos?
O rosto de Sartaq se contraiu.
— Os rukhin são vitais internamente, só pude arriscar trazer a metade. — Chaol esperou. — Então eu trouxe mil.
Ele estava realmente feliz por estar sentado. Mil cavaleiros ruk... Chaol coçou a mandíbula.
— Se conseguirmos nos juntar ao exército de Aelin, somando com as Treze e quaisquer outras Dentes de Ferro que Manon Bico Negro possa trazer para o nosso lado...
— Teremos uma legião aérea para combater Morath — terminou Nesryn, com os olhos brilhando. Com esperança, sim, mas algo como medo, também. Como se ela tivesse percebido o que seria o combate. As vidas em jogo. Ainda assim, ela se virou para Yrene. — E se você puder curar aqueles infectados pelos valg...
— Ainda precisamos encontrar uma maneira de derrubar seus hospedeiros — disse Sartaq. — O suficiente para Yrene e outros curandeiros possam curá-los.
Sim, também havia isso.
— Bem, como você disse, temos Aelin Portadora de Fogo lutando por nós, não é? — Yrene acrescentou. — Se ela pode produzir chama, certamente pode produzir fumaça. — Sua boca se curvou para o lado. — Posso ter algumas ideias.
Yrene abriu a boca como se fosse dizer mais, mas as portas da suíte se abriram e Hasar entrou.
Hasar pareceu parar quando viu Sartaq.
— Parece que estou atrasada para o conselho de guerra.
Sartaq apoiou o tornozelo sobre um joelho.
— Quem disse que é o que estamos discutindo?
Hasar reivindicou um assento para si e ajustou o cabelo que caía sobre um ombro.
— Você quer me dizer o que os ruks defecando nos telhados estão aqui só para fazê-lo parecer importante?
Sartaq sorriu calmamente.
— Sim, irmã?
A princesa apenas olhou para Yrene, depois para Chaol.
— Eu vou com vocês.
Chaol não se atreveu a se mover.
— Sozinha? — Yrene perguntou.
— Não sozinha. — A diversão zombeteira desapareceu de seu rosto. — Você salvou a vida de Duva. E a nossa, se ela ficasse mais ousada. — Um olhar para Sartaq, que a assistia com leve surpresa. — Duva é a melhor de nós. O melhor de mim. — A garganta de Hasar balançou. — Então eu irei com você, com quaisquer navios que eu puder levar, de modo que minha irmã nunca mais olhará por sobre o ombro com medo.
Exceto pelo medo dos irmãos, Chaol se absteve de dizer.
Mas Hasar pegou as palavras em seus olhos.
— Não ela — ela disse calmamente. — Todos os outros — ela acrescentou com um olhar para Sartaq, que assentiu sombriamente. — Mas nunca Duva.
Uma promessa não dita, Chaol percebeu, entre os outros irmãos.
— Então ainda terá que sofrer com minha companhia por um tempo, lorde Westfall — Hasar falou, mas aquele sorriso não era mais tão cortante. — Porque por minhas irmãs, vivas e mortas, vou marchar com meu sulde até os portões de Morath e fazer que o demônio bastardo pague. — Ela encontrou o olhar de Yrene. — E por você, Yrene Towers, pelo o que fez por Duva, eu a ajudarei a salvar sua terra.
Yrene levantou-se, as mãos tremendo. E nenhum deles falou uma palavra quando Yrene chegou ao assento de Hasar e jogou os braços ao redor do pescoço para abraçar a princesa com força.

15 comentários:

  1. "— Kadja — ele falou, fazendo um movimento de queixo para a criada que servia chá diante deles. — Ela foi a única que viu Duva sair... para os túneis. Ela está... a meu serviço."

    Oxe. Me enganei total... pensei que Kadja servia à Kashin, porque ele gostava da Yrene, certo? Aí pensei que ele queria... verificar que ela estava bem, ou algo assim.

    A autora realmente me enganou ;-;

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    1. E eu pensando que ela estivesse a serviço de Arghun (assim que escreve?) ou de algum vizir

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  2. Gente o último livro (pausa para o choro) será épico. Eu não aceito menos de 1000 páginas. Simplesmente não aceito.

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    1. Traduziu meus sentimentos. ..

      Analu

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    2. Concordo
      Ainda não acredito wue essa série vai acabar (choro)

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    3. Totalmente concordo com você. Quero aqueles capitulos bem grandes. Mas não sei se estou preparada para o último livro. Já sei que vou chorar muito. E ter pelo menos 80 ataques cardíacos

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    4. Kkk Depois de todo os sentimentos ( Choro, alegria,tristeza,esperança e por último, Raiva ( Exclusivamente de Maeve) eu não quero um final incompleto.

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    5. 1000 páginas parecem poucas para o tanto de trama que a Sarah consegue colocar em cada livro! OMG!

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  3. Fogo. Eles precisam do fogo. Eles tem exércitos, mas precisam do fogo. que foi roubado. Mano como isso dói.
    Crochans, ruks, dentes de ferro, frota de Wendlyn, galera da Ansel, Assassinos silenciosos, Whitherons, frota de Hasar, curandeiros, bagaça toda, mas sem fogo
    vou ali e chorar
    o último livro precisa ter em torno de 2000 páginas

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    1. Né 💔 e mal sabem eles. Ainda bem que essas armas foram inventadas, senão...

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    2. Mds.Esse último livro vai ser épico.

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  4. Um minuto de silêncio para chorarmos porque o livro está acabando e ainda tem um longo tempo até o último livro chegar ao Brasil ~lágrimas~

    "— Porque por minhas irmãs, vivas e mortas, vou marchar com meu sulde até os portões de Morath e fazer que o demônio bastardo pague. — Ela encontrou o olhar de Yrene. — E por você, Yrene Towers, pelo o que fez por Duva, eu a ajudarei a salvar sua terra."

    Mudei de idéia, eu gosto da Hasar heuheu
    O ÚLTIMO LIVRO VAI SER FODA, ÉPICO E NÃO ACEITO MENOS DE MIL PÁGINAS

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  5. Doi no coração toda vez que eles falam que vão precisar da Aelin, porque eles falam com a certeza de que ela esta segura,rodiada por tropas, defesas e amigos sendo que na verdade ela esta presa pela rainha valg maeve em outro continente sofrendo sabese-lá oque

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  6. Ai meu Deus, já tô pirando aqui pensando no último livro, sempre gostei da Hasar sabia q ela ia ajudar

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  7. O q vão fazer enqto a aelin está com a maeve..precisam do fogo dela
    .estou louca pro próximo livro

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Boa leitura, E SEM SPOILER!