29 de janeiro de 2018

Capítulo 61

Yrene contava cada passo. Não que isso ajudasse, mas seu cérebro apenas produziu os números em um inventário infinito.
Um, dois, três... Quarenta.
Trezentos.
Quatrocentos e vinte e quatro.
Setecentos e vinte e um.
Eles seguiram para baixo e para baixo, examinando todas as sombras e corredores, todas as alcovas, salas de leitura e recantos. Nada.
Somente acólitos trabalhando em silêncio, muitos guardando as coisas para a noite. Nenhum gato de Bastet – nenhum.
Oitocentos e trinta.
Mil e três.
Eles chegaram ao fundo da biblioteca, as luzes diminuíram. Quase sonolentas.
As sombras mais alertas. Yrene viu rostos em todos elas.
Chaol mergulhou adiante, espada brilhando como mercúrio enquanto seguiam as instruções de Nousha.
A temperatura caiu. As luzes ficaram cada vez mais distantes.
Os livros de couro foram substituídos por pergaminhos esfarelando. Pergaminhos foram substituídos por placas esculpidas. Prateleiras de madeira deram lugar a estantes de pedra. O chão de mármore não fora cortado. Assim como as paredes.
— Aqui — Chaol respirou, e puxou-a para uma parada, sua espada levantando-se.
O salão diante deles estava iluminado por uma única vela. Deixada para queimar no chão.
E depois: quatro portas.
Três seladas com uma pedra pesada, mas a quarta... Aberta. A pedra estava rolada de lado. Outra vela solitária queimava diante dela, iluminando a escuridão além.
Um túnel. Mais profundo que o Útero – mais profundo do que qualquer nível da Torre.
Chaol apontou para a poeira da passagem à frente.
— Trilhas. Dois conjuntos, lado a lado.
Com certeza, o chão havia sido perturbado.
Ele girou para ela.
— Você fica aqui, eu...
— Não. — Ele pesou a palavra, sua posição, quando ela acrescentou: — Juntos. Nós faremos isso juntos.
Chaol tomou outro momento para considerar, depois assentiu. Com cuidado, ele a conduziu, mostrando-lhe onde pisar para evitar ruídos altos em pedras soltas.
Uma vela acenou pela porta do túnel aberto. Um farol. Um convite.
A luz dançava ao longo de sua lâmina enquanto a inclinava diante a entrada do túnel.
Nada além de blocos de pedra e uma passagem escura infinita os cumprimentaram.
Yrene respirou através do nariz, pela boca. Hafiza. Hafiza estava lá. Machucada ou pior, e Chaol segurou a mão dela e a levou para o escuro.
Eles avançaram em silêncio por minutos incontáveis. Até que a luz da única vela desapareceu atrás deles – e outra apareceu. Fracamente, longe. Como se em um canto distante.
Como se alguém estivesse esperando.



Chaol sabia que era uma armadilha.
Sabia que a Alta Curandeira não tinha sido o alvo, mas a isca. Mas se eles tivesse chegado tarde demais...
Ele não permitiria que isso acontecesse.
Eles avançaram para aquela segunda vela, a luz tão boa quanto o toque do sino do jantar.
Ele avançou, no entanto, Yrene seguindo o ritmo ao lado dele.
A única vela ficou mais brilhante.
Não uma vela. Uma luz dourada na curva além. Dourando a parede de pedra que dava para a passagem.
Yrene tentou se apressar, mas ele manteve o ritmo lento. Tranquilo como a morte.
Embora não tivesse dúvida de que quem que fosse, já sabia que eles estavam vindo.
Eles alcançaram a curva no túnel, e ele estudou a luz na parede mais distante, tentando ler quaisquer sombras ou interrupções. Somente luz.
Ele olhou na esquina. Yrene também fez isso.
Sua respiração ficou pesada. Ele tivera algumas visões no ano anterior, mas isso...
Era uma câmara, tão grande quanto toda a sala do trono do palácio de Forte da Fenda, talvez maior. O teto segurado por pilares esculpidos, recuando na escuridão, um conjunto de escadas levando para baixo do túnel no piso principal. Ele sabia por que a luz dourada estava sobre as paredes.
Iluminado pelas tochas que queimavam... Ouro.
A riqueza de um antigo império enchia a câmara. Cofres, estátuas e artefatos de ouro puro. Armaduras. Espadas.
E espalhados entre tudo aquilo havia sarcófagos. Feitos não de ouro, mas de pedra impenetrável.
Uma tumba – e um tesouro. E mais para trás, em cima de um estrado elevado...
Yrene deixou escapar um pequeno som à visão da curandeira amordaçada e atada sentada em um trono dourado. Mas era a mulher de pé ao lado da curandeira, uma faca descansando sobre sua barriga redonda, que fez o sangue de Chaol gelar.
Duva. A filha mais nova do khagan.
Ela sorriu para eles enquanto se aproximavam – e a expressão não era humana.
Era valg.

23 comentários:

  1. Ah, cara. Pensei que fosse a esposa do khagan... se bem que a lista de pessoas suspeitas era infinita, ai ai...

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    1. Pois é, também pensei que fosse ela! A única personagem que não aparecia...

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  2. :O :O :O Como eu imaginei um deles estava possuído.

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    1. Kkkkkkk

      Vc é ótima

      Analu

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    2. Hahaha. Obrigada. Eu sabia que era um deles, mas minha maior suspeita era a esposa do Khagan.

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  3. Eu sei ta ficando cansativo mas volto a repitir IMPREVISIVEL
    Quando vc acha que vai ter lá uns demonio sem ter possuido ninguem ,encontra uma princesa gravida possuida

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  4. Só eu imagino, a Nesryn, o Sartaq e o povo todo chegando quando dê merda.?
    Tipo, vai que eles conseguem ter na mira a Duva e eles chegam nessa hora.. Ahhh

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  5. Uai.. Eu imaginei o marido de Diva, mas isso, isso é surpreendente...

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    1. cara, eu também
      daí depois a mulher do khagan
      e depois outros

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  6. Há quanto tempo será que ela é vlag? Acho que existe outro, ou outros, em Antica.

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  7. Eu sabia (não quem estava possuído) que ninguém acertaria quem era o valg. É sempre assim, quando os leitores da Sarah acham que descobriram, acontece algo totalmente diferente. Eu achava que era a imperatriz, mas ela estava óbvio demais, de qualquer forma eu jamais desconfiei da Duva. Estou chocada 'O'

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    1. Alguém no capítulo do deserto mencionou que a Duva poderia ser o Valg.

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  8. Depois de muito livros de Sarah J. Maas eu percebi varias coisas incluindo o fato de que ela não escreve um personagem a toa, no inicio quando apareceu a Duva e disse que ela tinha um anel eu disse "é ela" mas o anel tinha outra cor, mesmo assim eu me perguntava qual era o motivo dessa menina ainda tá ai só que como a maioria eu suspeitei da rainha e me esqueci da Duva.

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  9. Eu desconfiei dela, mas principalmente do marido sempre calado quando eles não foram pro deserto.
    Mas ela era minha segunda opção..

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  10. A única que eu não tinha desconfiado, decepcionada comigo mesma!

    Flavia

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  11. Simplesmente tão pasma quanto é possível estar! =O

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  12. Como assim??? Que quié isso? Wats??? Co quê? O quê? Error error error!!! Caution! Caution!! Falha no sistema! Impossivel computar os dados erro critico falh a a a fal lha a a aaaa...... system failure please insert a disc of instalation.

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  13. O marido dela deve ser principe valg e engravidou ela, tipo as pernas amarelas... será?? medooo

    karla

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  14. Nossa era logo a gravida..mas sera q fez tudo sozinha?

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  15. Puts... Eu pensei que seria a rainha... Agora a Duva? Que maldade cara, a mulher tá grávida 😓

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Boa leitura, E SEM SPOILER!