29 de janeiro de 2018

Capítulo 6

Ela sabia sua idade, mas Yrene não esperava que o ex-capitão fosse assim... jovem.
Ela não tinha feito as contas até que entrou naquele quarto e viu seu rosto bonito, uma mistura de cautela e esperança escrita em todos os músculos endurecidos e grandes.
Foi essa esperança que a fez ficar vermelha. Tinha feito grande esforço para não dar-lhe uma cicatriz correspondente àquela que cortava sua bochecha.
Ela não foi profissional no sentido mais horrível. Jamais fora tão grosseira e cruel com alguns de seus pacientes.
Felizmente, Hasar chegou, esfriando ligeiramente a cabeça. Mas tocar o homem, pensar em maneiras de ajudá-lo...
Ela não pretendia escrever a lista das últimas quatro gerações de mulheres das Towers. Não pretendia escrever o nome da mãe repetidamente ao pretender gravar suas informações. Não ajudou com o esmagador rugido em sua cabeça.
Suando e empoeirada, Yrene explodiu no escritório de Hafiza quase uma hora depois, a caminhada do palácio através das ruas estreitas, depois a subida pelos intermináveis degraus até ali levando uma eternidade.
Ela tinha chegado atrasada – esse tinha sido o primeiro momento verdadeiramente não profissional. Ela nunca chegara atrasada para uma consulta. No entanto, às dez horas, ela se encontrou em uma alcova do corredor do lado de fora do quarto, esfregando o rosto, lutando para respirar.
Ele não era o bruto que ela esperava.
Ele falava bem, mais senhor do que soldado. Embora seu corpo tenha certamente pertencido ao último. Ela tinha remendado e curado guerreiros favoritos do khagan o suficiente para conhecer a sensação de músculo debaixo de seus dedos. As cicatrizes que cobriam a pele bronzeada de Lorde Westfall falavam muito sobre como os músculos haviam sido ganhos da maneira mais difícil. E agora o ajudavam a manobrar o mundo com a cadeira.
E a lesão na espinha...
Quando Yrene parou no limiar do escritório da Alta Curandeira, Hafiza ergueu os olhos de onde sentava ao lado de um acólito.
— Preciso trocar algumas palavras — Yrene disse com força, uma das mãos segurando o batente da porta.
— Você terá um momento quando terminarmos — Hafiza simplesmente respondeu, entregando um lenço à menina.
Alguns curandeiros homens existiam, mas a maioria dos que recebiam o dom de Silba eram do sexo feminino. E essa menina, provavelmente com não mais do que catorze anos... Yrene trabalhava na fazenda de seu primo naquela idade. Sonhando em estar aqui. Certamente não chorando com ninguém sobre o seu peso demais na vida.
Mas Yrene saiu, fechando a porta atrás dela e esperando contra a parede no corredor estreito. Havia duas outras portas aqui: uma fechada que levava à oficina pessoal de Hafiza e a porta que levava ao quarto da Alta Curandeira; a primeira porta esculpido com uma coruja pronta para voar, a última com uma coruja em repouso. O símbolo de Silba. Estava em toda parte na torre – corujas esculpidas e gravadas em pedra e madeira, às vezes em lugares inesperados e com pequenas expressões tolas, como se algum acólito lá há muito tempo as tivesse gravado como uma piada secreta. Mas a coruja na oficina particular da Alta Curandeira...
Embora estivesse empoleirada em um ramo de ferro enrugado atravessando a própria porta, suas asas abaixadas enquanto se preparava para pular nos céus, ela parecia... alerta. Consciente de todos aqueles que atravessaram essa porta, aqueles que encaravam a porta da oficina por tempo demais. Ninguém além de Hafiza possuía a chave, transmitida por seu antecessor. Conhecimento e dispositivos antigos, meio esquecidos ou conhecidos, os acólitos sussurraram – coisas antinaturais que estavam melhor trancadas do que soltas no mundo.
Yrene sempre riu de suas palavras sussurradas, mas não lhes disse que ela e outros poucos selecionados tiveram o prazer de se juntar a Hafiza naquela oficina, que, apesar da grande idade de algumas ferramentas e móveis, não valia a pena fofocar sobre. Mas o mistério da oficina da Alta Curandeira persistia, como provavelmente havia feito por séculos – ainda outro mito bem-amado da Torre, passado de acólito para acólito.
Yrene abanou o rosto, sem ar pela subida e pelo calor. Ela inclinou a cabeça para trás contra a pedra fresca, e novamente sentiu o pedaço de papel no bolso. Ela se perguntou se o lorde notara quantas vezes ela pegara o bilhete daquela estranha. Se ele pensava que ela buscava uma arma. Ele tinha visto tudo, estava ciente de cada respiração dela.
Um homem treinado para isso. Tinha que ser, se servira ao rei morto. Assim como Nesryn Faliq, uma filha deste continente, agora servindo o rei de um território que não tratara bem os estrangeiros.
Yrene não conseguia entender isso. Havia algum vínculo romântico, sabia tanto pela tensão quanto pelo conforto entre eles. Mas até que ponto... Não importava. Salvo pela cura emocional que o lorde também precisaria. Um homem não costumava expressar seus sentimentos, seus medos e esperanças e dores – alguns sendo óbvios.
A porta do escritório de Hafiza se abriu finalmente e a acólita surgiu, sorrindo com desculpas para Yrene, com nariz vermelho e olhos vidrados.
Yrene suspirou pelo nariz e ofereceu um sorriso de volta. Ela não era a pessoa que acabara de entrar no escritório. Não, até ocupada como estava, Yrene sempre separava tempo para os acólitos, principalmente os que tinham saudades de casa.
Ninguém se sentou ao lado dela no salão durante aqueles primeiros dias.
Yrene ainda lembrava daquelas refeições solitárias. Lembrou-se que tinha chorado depois de dois dias e começou a levar sua comida para a vasta biblioteca de curandeiros no subterrâneo, escondendo-se dos bibliotecários rígidos que proibiam tais coisas, com apenas uma ocasional coruja esculpida como companhia.
Yrene retornara ao salão e tinha conhecimento suficiente para ter a perspectiva de encontrar o lugar menos assustador, rostos familiares e sorridentes dando-lhe coragem suficiente para deixar a biblioteca e seus gatos enigmáticos atrás de qualquer coisa além de pesquisa.
Yrene tocou a menina no ombro e sussurrou:
— Cook fez biscoitos de amêndoa esta manhã. Senti o cheiro deles quando passei pelo corredor. Diga a ela que quero seis, mas pegue quatro deles para você. — Ela piscou para a garota. — Deixe os outros dois para mim no meu quarto.
A menina sorriu, concordando a cabeça. Cook foi talvez a primeira amiga de Yrene na Torre. Ela vira Yrene comendo sozinha e começara a colocar doces extras em sua bandeja. Deixando-os em seu quarto. Mesmo em seu local secreto favorito na biblioteca. Yrene pagara Cook no ano anterior, ao salvar sua neta de uma doença insidiosa do pulmão que se arrastara sobre ela. Cook ainda ficava chorosa sempre que elas se encontravam, e Yrene fazia questão de passar pela casa da menina ao menos uma vez por mês para verificá-la.
Quando fosse embora, ela teria que pedir a alguém para cuidar da garota. Separar-se da vida que construiu... seria uma tarefa difícil. E vinha com uma pequena quantidade de culpa.
Yrene observou a menina descer pela escadaria em espiral, depois respirou profundamente e entrou no escritório de Hafiza.
— O jovem lorde caminhará novamente? — Hafiza perguntou como saudação, sobrancelhas brancas altas na testa.
Yrene deslizou para sua poltrona habitual, o assento ainda quente da garota que acabava de desocupá-lo.
— Sim. A lesão é quase gêmea a que curei no inverno passado, mas será complicado.
— Em relação à cura ou a você?
Yrene corou.
— Eu me comportei mal...
— Isso era de se esperar.
Yrene limpou o suor de sua testa.
— Estou com vergonha de dizer quão mal.
— Então não diga. Melhore na próxima vez, e consideraremos esta outra lição.
Yrene se recostou na poltrona, esticando as pernas doloridas no tapete desgastado. Não importava como os empregados de Hafiza implorassem, ela se recusava a mudar o tapete vermelho e verde. Ele tinha sido bom o suficiente para os últimos cinco de seus predecessores, e ela era boa o suficiente para ele.
Yrene inclinou a cabeça contra o encosto macio da poltrona, olhando o dia sem nuvens além das janelas abertas.
— Acho que posso curá-lo — ela falou, mais para si mesma do que Hafiza. — Se ele cooperar, eu poderia fazê-lo andar novamente.
— E ele cooperará?
— Eu não fui a única que se comportou mal — disse ela. — Embora ele seja de Adarlan – pode ser de sua natureza.
Hafiza deu uma risada.
— Quando você voltará a encontrá-lo?
Yrene hesitou.
— Você vai voltar, não vai? — Hafiza pressionou.
Yrene mexeu nos fios do braço da poltrona.
— Foi difícil olhar para ele, ouvir seu sotaque e... — Ela acalmou sua mão. — Mas você está certa. Eu terei que... tentar. Se assim for, Adarlan nunca poderá contra mim.
— Você espera que eles...?
— Ele tem amigos poderosos que podem lembrar. Sua companheira é a nova Capitã da Guarda. A família dela vem daqui, mas ela os serve.
— E o que isso te diz?
Sempre uma lição, sempre um teste.
— Isso me diz... — Yrene soltou uma respiração. — Isso me diz que não sei o quanto eu estou assumindo. — Ela se endireitou. — Mas também não os perdoa de seus pecados.
No entanto, ela conhecera muitas pessoas ruins em sua vida. Viveu entre eles, serviu-os, em Innish. Ela viu os olhos castanhos de Lorde Westfall e soube, no fundo, que ele não era um deles. Nem sua companheira.
E com sua idade... Ele era um garoto quando tantas dessas atrocidades haviam sido cometidas. Ele ainda teria atuado em algumas partes, e muitos outras foram cometidas nos últimos anos – o suficiente para deixá-la doente, mas...
— A lesão na coluna vertebral — falou Yrene. — Ele afirma que alguma magia a causou. — Sua magia tinha recuado contra a marca salpicada. Curvado para longe.
— Oh?
Ela estremeceu.
— Eu nunca senti nada assim. Como se estivesse apodrecido, ainda vazio. Fria como a mais longa noite de inverno.
— Terei que aceitar sua palavra sobre isso.
Yrene resmungou, grata pelo humor seco. De fato, Hafiza nunca viu muita neve. Com o clima quente durante todo o ano em Antica, o mais próximo que chegaram do inverno nesses dois anos talvez fosse uma crosta de geada brilhando sobre a lavanda e os limoeiros uma manhã.
— Foi... — Yrene afastou a lembrança do eco ainda dentro daquela cicatriz. — Não era nenhuma ferida mágica que eu já tivesse encontrado antes.
— Isso afetará a cicatrização da coluna vertebral?
— Eu não sei. Não tentei examinar com meu poder ainda, mas... eu a avisarei.
— Estou à sua disposição.
— Mesmo que este seja o meu teste final?
— Um bom curandeiro — Hafiza respondeu com um sorriso — sabe quando pedir ajuda.
Yrene assentiu distraidamente. E quando ela voltasse para casa, para a guerra e o derramamento de sangue, para quem ela pediria ajuda?
— Eu voltarei — Yrene falou finalmente. — Amanhã. Quero estudar sobre lesões na coluna vertebral e a paralisia na biblioteca esta noite.
— Deixarei Cook saber onde encontrá-la.
Yrene deu a Hafiza um sorriso irônico.
— Nada te escapa, não é?
O olhar conhecido de Hafiza não foi reconfortante.




A curandeira não retornou naquele dia. Nesryn esperou por mais uma hora, depois duas, Chaol preenchendo o tempo com a leitura na sala de estar, antes de finalmente declarar que veria a sua família.
Passaram-se anos desde que viu os tios e seus filhos. Ela rezou para que eles ainda estivessem na casa onde ela havia visitado pela última vez.
Ela mal dormiu. Mal conseguiu pensar ou sentir coisas como fome ou exaustão graças aos pensamentos que causavam estragos dentro dela.
A curandeira com a falta de respostas não a acalmou.
E com um encontro formal agendado com o khagan e seus filhos mais tarde...
— Eu posso me entreter sozinho, sabe — Chaol falou, baixando o livro sobre o colo quando olhou Nesryn mais uma vez para a porta da suíte. — Eu me juntaria a você, se pudesse.
— Você será capaz — ela prometeu. A curandeira parecia bastante habilidosa, mesmo que se recusasse a dar-lhes um pingo de esperança.
Se a mulher não pudesse ajudá-los, então Nesryn encontraria outro. E outro. Mesmo que ela tivesse que implorar a Alta Curandeira para ajudar.
— Vá, Nesryn — ordenou Chaol. — Você não terá paz até lá.
Ela esfregou o pescoço, depois se levantou de seu lugar no sofá dourado e caminhou até ele. Colocou as mãos em ambos os braços da cadeira, atualmente posicionada próxima às portas abertas do jardim. Ela aproximou seu rosto do dele, mais perto do que tinha estado nos últimos dias. Seus próprios olhos pareciam... mais brilhantes, de alguma forma. Melhor do que o dia anterior.
— Eu voltarei assim que puder.
Ele deu um sorriso calmo.
— Tome seu tempo. Veja sua família. — Ele não via sua mãe ou irmão há anos, dissera a ela. Seu pai... Chaol não falava sobre o pai.
— Talvez — ela falou calmamente — possamos conseguiur uma resposta para a curandeira.
Ele apenas piscou.
Ela murmurou:
— Sobre ir até o fim.
Tão rápido, a luz piscou para fora de seus olhos.
Ela se afastou rapidamente. Ele a parara com o braço, no navio, quando ela praticamente saltara sobre ele. E vê-lo sem a camisa antes, aqueles músculos ondulando em suas costas, na barriga... Ela quase implorara à curandeira para deixá-la fazer o exame.
Patético. Embora ela nunca tivesse sido particularmente boa em evitar seus desejos. Começou a dormir com ele naquele verão porque não via motivo em resistir para onde seu interesse a atraía. Mesmo que ela não gostasse especialmente dele, não como agora.
Nesryn passou uma mão pelo cabelo.
— Eu voltarei para o jantar.
Chaol acenou, e já estava lendo seu livro novamente quando ela saiu da sala.
Eles não fizeram nenhum voto, ela lembrou a si mesma. Ela sabia que suas tendências o levavam a querer fazer exatamente isso por ela, para honrá-la, e neste verão, quando aquele castelo entrara em colapso e ela pensou que ele estivesse morto... Ela nunca conheceu tal medo. Nunca tinha rezado como rezara naqueles momentos – até que a chama de Aelin a poupara da morte, e Nesryn tinha rezado para que ela o tivesse poupado também.
Nesryn afastou os pensamentos daqueles dias enquanto atravessava os salões do palácio, lembrando vagamente onde encontrar os portões para a cidade propriamente dita. O que ela pensava querer, o que era mais importante – ou tinha sido. Até que o khagan deu a notícia.
Ela tinha deixado sua família. Ela deveria estar lá. Para proteger as crianças, proteger seu pai envelhecido, sua irmã feroz e risonha.
— Capitã Faliq.
Nesryn parou à voz agradável, ao título a que ela ainda não estava acostumada a responder. Ela estava de pé em uma encruzilhada do palácio, o caminho a seguir para levá-la aos portões da frente se ela continuasse indo em frente. Ela marcara todas as saídas pela qual passaram no caminho.
E no final do corredor, quem a chamou, estava Sartaq.
As roupas finas do dia anterior se foram. O príncipe agora usava couros ajustados, os ombros cobertos com uma armadura simples mas resistente, reforçada nos pulsos, joelhos e canelas. Assim como o peitoral. Seus longos cabelos pretos haviam sido trançados para trás, presos com uma fina tira de couro.
Ela se curvou profundamente. Mais baixo do que teria se curvado para os outros filhos do khagan. Mas, para um herdeiro notável, que poderia ser um dia o aliado de Adarlan...
Se eles sobrevivessem.
— Você está com pressa — comentoue Sartaq, observando pelo corredor de onde ela viera.
— Eu... eu tenho família na cidade. Estava indo vê-los. — Ela acrescentou com tristeza: — A menos que Sua Alteza precise de mim.
Um sorriso irônico agraciou seu rosto. E ela percebeu que ela havia respondido em sua própria língua. A língua deles.
— Eu vou para um passeio em Kadara. Meu ruk — ele esclareceu, falando em seu idioma também.
— Eu sei — disse ela. — Ouvi as histórias.
— Mesmo em Adarlan? — Ele levantou uma sobrancelha. Um guerreiro e um encantador. Uma combinação perigosa, embora não pudesse se lembrar de nenhuma menção de um cônjuge. De fato, nenhum anel marcava seu dedo.
— Mesmo em Adarlan — concordou Nesryn, embora não tenha mencionado que a pessoas na rua talvez não conhecessem tais história. Mas em sua casa... Ah, sim. O Príncipe Alado, eles o chamavam.
— Posso acompanhá-la? As ruas são um labirinto, mesmo para mim.
Era uma oferta generosa, uma honra.
— Eu não o afastaria dos céus. — Se apenas porque ela não sabia como conversar com esses homens – nascidos e criados no poder, acostumados a mulheres finas e políticos intrigantes. Embora seus cavaleiros ruk, segundo a lenda, pudessem vir de qualquer lugar.
— Kadara está acostumada a esperar — disse Sartaq. — Pelo menos permita-me levá-la aos portões. Há uma nova guarda hoje, e vou dizer-lhes para marcar o seu rosto para que você possa voltar.
Porque com suas roupas, seus cabelos não adornados... De fato, os guardas poderim não permitir sua passagem. O que teria sido... mortificante.
— Obrigada — disse ela, e os dois começaram a andar lado a lado.
Eles ficaram em silêncio quando passaram pelas faixas brancas saindo de uma das janelas abertas. Chaol lhe contara no dia anterior sobre a preocupação de Kashin de que a morte de sua irmã mais nova pudesse ser algo armado – um dos agentes de Perrington poderia ser responsável. Foi o suficiente para plantar uma semente de medo nela. Para fazê-la marcar cada rosto que encontrou, olhar para todas as sombras.
Mantendo um ritmo suave ao lado dele, Nesryn olhou para Sartaq enquanto as faixas tremulavam. O príncipe, no entanto, assentia com a cabeça para alguns homens e mulheres curiosos com as vestes douradas dos vizires.
Nesryn encontrou-se perguntando:
— Há realmente trinta e seis deles?
— Nós temos um fascínio com o número, então sim. — Ele resmungou, o som não mais principesco. — Meu pai debatia dividi-los pela metade, mas teme a ira dos deuses mais do que as repercussões políticas.
Parecia um sopro de ar fresco para o outono, ouvi-lo falar sua língua original. O idioma sendo o comum, e não visto de maneira torta. Ela sempre sentia isso quando vinha para cá.
— Lorde Westfall encontrou a curandeira?
Não havia mal em contar a verdade, ela decidiu, então Nesryn respondeu:
— Sim. Yrene Towers.
— Ah. A famosa dama dourada.
— Oh?
— Ela é impressionante, não?
Nesryn sorriu ligeiramente.
— O senhor a favorece, vejo.
Sartaq riu.
— Oh, eu não me atreveria. Meu irmão Kashin não ficaria satisfeito.
— Eles têm um relacionamento? — Hasar insinuara algo nessa via.
— Eles são amigos ou foram. Não os vi falar em meses, mas quem sabe o que aconteceu? Embora eu suponha que eu não seja o melhor dos bisbilhoteiros da corte para te contar.
— Ainda é útil saber, se estamos trabalhando com ela.
— Sua avaliação de Lorde Westfall foi positiva?
Nesryn deu de ombros.
— Ela estava hesitante em confirmar.
— Muitos curandeiros farão isso. Eles não gostam de dar esperança e tirá-la. — Ele jogou sua trança sobre o ombro. — Embora eu também diga que a própria Yrene curou um dos montadores Darghan de Kashin no último inverno de uma lesão muito similar. E os curandeiros há muito reparam tais feridas entre as tribos dos cavaleiros do nosso povo e meu próprio rukhin. Eles saberão o que fazer.
Nesryn engoliu a esperança que floresceu quando o brilho das portas abertas para o pátio principal e os portões do palácio surgiu.
— Há quanto tempo é um cavaleiro ruk, príncipe?
— Pensei que tivesse ouvido as histórias. — O humor dançou em seu rosto.
— Apenas fofocas. Eu prefiro a verdade.
Os olhos escuros de Sartaq se estabeleceram sobre ela, seu foco inabalável o suficiente para deixá-la feliz por não recebê-los com muita frequência. Não por medo, mas... era inquietante ter o peso desse olhar inteiramente sobre si. Era um olhar de águia – o olhar de um ruk. Afiado e penetrante.
— Eu tinha doze anos quando meu pai nos levou para a montanha. E quando eu me esgueirei e subi no próprio ruk do capitão, subindo no céu e exigindo que eles me perseguissem... Meu pai me disse que se eu tivesse me estatelado nas pedras, teria merecido morrer por minha estupidez. Como punição, ele ordenou que eu vivesse entre os rukhins até que eu pudesse provar que eu não era um tolo completo – por uma vida inteira, ele sugeriu.
Nesryn riu baixinho e piscou contra a luz do sol quando emergiram no grande pátio. Arcos ornamentados e pilares foram esculpidos com flora e fauna, o palácio erguendo-se atrás deles como um leviatã.
— Felizmente, não morri de estupidez e, em vez disso, adorei a montaria, o estilo de vida deles. Eles me deram um inferno porque eu era um príncipe, mas eu provei o meu conhecimento logo. Kadara surgiu quando eu tinha quinze anos, e eu a criei sozinho. Não tive nenhum outro desde então. — Orgulho e carinho iluminaram os olhos de ônix.
E, no entanto, Nesryn e Chaol pediram-lhe para levar aquela amada montaria para a batalha contra as serpentes aladas muitas vezes mais pesadas e com força infinitamente mais bruta. Com veneno nas caudas. Seu estômago revolveu.
Alcançaram os portões principais, onde uma pequena porta cortada nas enormes lajes de bronze estampado estava deixada aberta para permitir o acesso a pessoas a pé correndo com recados para o palácio. Nesryn permaneceu parada enquanto Sartaq a apresentava aos guardas fortemente armados de plantão, ordenando-lhes que concedessem seu acesso irrestrito. O sol brilhou sobre as pestanas das espadas cruzadas sobre suas costas enquanto os guardas inclinavam sua aquiescência, cada um com um punho sobre seu coração.
Ela vira como Chaol mal podia olhar para eles – os guardas do palácio e aqueles nas docas.
Sartaq a conduziu pela pequena porta, o portão de bronze com quase trinta centímetros de espessura, e pela ampla avenida de pedra que levava ao labirinto das ruas da cidade. Casas chiques e mais guardas se alinhavam nas ruas circundantes, residências dos ricos que desejavam habitar à sombra do palácio. Mas a própria rua estava cheia de pessoas em seus negócios ou lazer, mesmo alguns viajantes que subiram todo o caminho até aqui para admirar o palácio e agora tentavam enxergar através da pequena porta através da qual Nesryn e Sartaq saíram, buscando um vislumbre do pátio além. Nenhum parecia reconhecer o príncipe ao lado dela – embora conhecesse os guardas na rua e parassem nas portas monitoradas a cada respiração e palavra.
Um olhar para Sartaq, e ela não tinha dúvida de que o príncipe também estava bem ciente de seus arredores enquanto estava além dos portões, como se ele fosse um homem comum. Ela estudou as ruas lotadas à frente, ouviu o clamor. Levaria uma hora para chegar à casa de sua família caminhando pela cidade, mas ainda mais que uma hora se de carruagem ou a cavalo graças ao tráfego entupido.
— Você tem certeza de que não precisa de uma escolta?
Um meio sorriso puxou a boca de Nesryn enquanto achava que ele a observava de soslaio.
— Posso cuidar de mim mesma, príncipe, mas agradeço-lhe a honra.
Sartaq a examinou, uma avaliação de um guerreiro rápido. Na verdade, ele era um homem que tinha pouco a temer quando pisava além das paredes do palácio.
— Se tiver tempo ou interesse, você deve vir para montar. O ar lá em cima é aberto – sem a poeira e a salmoura aqui de baixo.
Aberto o suficiente para que os ouvidos não pudessem escutá-los.
Nesryn inclinou-se profundamente.
— Eu gostaria bastante.
Ela sentiu o príncipe ainda observando-a enquanto caminhava pela avenida ensolarada, esquivando-se de carrinhos e carroças lutando para passar. Mas ela não ousou olhar para trás. Não estava inteiramente certa do porquê.

22 comentários:

  1. Eita! Como é que vai ser isso dai? Nesryn e Chaol? Nesryn e Sartaq? Chaol e Yrene? Yrene e Kashin?

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    1. Pois é minha filha eu acabei de comentar lá atrás teremos uma bela bagunça amorosa.

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    2. Como sera isso em?? Espero q nao de briga kk

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    3. Estou tentando entender como essa autora conseguiu encaixar tanto casal e triângulo amoroso.

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  2. Nesryn + Sartaq = <3 ?

    Shippo!

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  3. Kkkkkkkk, no começo desse incrível livro ainda, e ja tem especulações de ships aparecendo aí

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  4. Já falei que eu shippo? Pois bem eu shippo. Ah eles estão me lembrando os dothraki.

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  5. Eu não sei pq mas eu não confio muito no Sartaq, na verdade eu não confio em ninguém desse reino além da Yrene é óbvio, nem no soberano supremo deles eu não confio.

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  6. Eu só sei que se arrumar direito, todo mundo transa kjkj

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  7. Yrene + Chaol
    Nesryn + Sartaq

    Shippo muito *-*

    Mas depois de ler A Rainha Vermelha estou com um pé atrás com os personagens desse continente, exceto Yrene, nela eu confio *-*

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  8. Ja shippo
    Nesryn e Sartaq and
    Chaol e Yrene <3

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  9. Tô começando a ficar sad ;-; ... Tantos shipps para possivelmente alguém morrer no próximo livro! ;-; ( mas até lá tô shippando o Chaol com a Yrene e a Nesryn com Sartaq)

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  10. Esse Sartaq tá mexendo com a minha imaginação kklkkkkk. .. tô shipando ele e Nesryn. Ela e Chaol já deu. Rola mais não!

    Flavia

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  11. Tô morrendo pra saber o final desse livro.o bom é que nunca a gente sabe o final

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  12. Ninguém merece o Chaol ele virou um embuste CREDO

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  13. Tadinho do Chaol.... tendo que engolir o próprio orgulho, praticamente perdendo Nesryn pra um príncipe gato e tendo sua masculinidade questionada por uma curandeira de Chacro Lavado que só de saber que ele servia ao antigo rei de Adarlan nem queria vê-lo. E ainda foi zuado por ela kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkMDS!

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  14. Já temos um quinteto amoroso..qtos possíveis casais..só espero q o chaol comece a ser mais interessante pq ele me da tedio

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  15. Que rolo, 5 pessoas e dois triângulos amorosos 😱😱
    Mais só tenho certeza de uma coisa Nesryn e Satarq são meu preferidos 😍😍

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  16. Chaol sempre foi meu personagem favorito, a voz humana em meio a tudo, então veio a Nesryn e roubou o lugar dele rsrsrs. Eu shippava os dois, mas acho que não vai rolar. Então vou mudar para Nesryn e Satarq

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Boa leitura, E SEM SPOILER!