29 de janeiro de 2018

Capítulo 57

O abrigo de Eridun estava uma loucura quando eles voltaram.
Falkan estava vivo – por pouco – e causou tanto pânico na chegada dos ruks a Altun que Houlun teve que saltar na frente da aranha tépida para evitar que os outros ruks o destruíssem.
Sartaq conseguiu ficar de pé tempo suficiente para abraçar Kadara, pedir que um curandeiro viesse para ela imediatamente, então envolveu seus braços em torno de Borte, que estava salpicada de sangue preto e sorria de orelha à orelha. Então Sartaq colocou os braços em Yeran, a quem Borte ignorou, o que Nesryn supôs que fosse uma melhoria da hostilidade absoluta.
— Como? — Sartaq perguntou a Borte enquanto Nesryn pairava perto da forma inconsciente de Falkan, ainda não confiando nos ruks para se controlarem.
Yeran, sua companhia de ruks Berlad tendo retornado ao seu próprio abrigo, afastou-se de sua montaria e respondeu:
— Borte veio me buscar. Disse que estava indo em uma missão estúpida e perigosa e eu poderia deixá-la morrer sozinha ou vir junto.
Sartaq riu.
— Você estava proibida — ele disse a Borte, olhando para onde Houlun se ajoelhava ao lado de Falkan, a mãe de coração, de fato, parecia dividida entre alívio e raiva absoluta.
Borte fungou.
— Pela minha mãe postiça daqui. Como no momento estou noiva de um capitão do Berlad... — dando ênfase no momento, para desgosto de Yeran, parecia — também posso reivindicar lealdade parcial da mãe de . Que não teve dúvidas sobre deixar-me passar algum tempo de qualidade com meu noivo.
— Nós teremos uma conversinha, ela e eu — Houlun olhou-a se levantando e caminhou, ordenando a várias pessoas para levarem Falkan mais adiante no corredor. Cambaleando com o peso da aranha, obedeceram com cautela.
Borte deu de ombros, virando-se para seguir Houlun para onde o metamorfo seria remendado da melhor maneira possível no corpo da aranha.
— Pelo menos o senso de tempo de qualidade da mãe postiça dele é compatível com a minha própria — ela disse e saiu.
No entanto, quando saiu, Nesryn poderia ter jurado que Borte deu a Yeran uma piscadela, um pequeno sorriso.
Yeran a encarou por um longo momento, depois se virou para eles. Deu-lhes um sorriso torto.
— Ela prometeu marcar uma data. Foi assim que fez minha mãe aprovar. — Ele piscou para Sartaq. — Que pena eu não disse a ela que não aprovarei a data.
E com isso, ele foi atrás de Borte, dando alguns passos apressados para alcançá-la. Ela girou para ele, palavras afiadas já saindo de seus lábios, mas permitiu que ele a seguisse até o corredor.
Quando Nesryn se virou para Sartaq, foi a tempo de vê-lo oscilar.
Ela pulou para frente, seu corpo dolorido protestando quando segurou o príncipe. Alguém gritou por um curandeiro, mas Sartaq se firmou mesmo que mantivesse seus braços sobre ela.
Nesryn encontrou-se incapaz de tirar seus próprios braços da cintura dele.
Sartaq olhou para ela, aquele sorriso suave e doce em sua boca novamente.
— Você me salvou.
— Pareceu um fim triste para as histórias do Príncipe Alado — ela respondeu, franzindo o cenho para o ferimento na perna dele. — Você deveria estar sentado...
Do outro lado do corredor, luz brilhou, pessoas gritaram... e então a aranha desapareceu. Substituída por um homem, coberto de cortes e sangue.
Quando Nesryn se virou para ele, o olhar de Sartaq estava em seu rosto.
Sua garganta se fechou, a boca pressionando em uma linha trêmula quando percebeu que estavam aqui. Eles estavam aqui e vivos, e ela nunca conheceu tão verdadeiro terror e desespero como nos momentos em que ele foi levado para longe.
— Não chore — ele murmurou, inclinando-se para limpar com a boca as lágrimas que escaparam. Disse contra a pele dela: — O que eles diriam sobre a Flecha de Neith, então?
Nesryn riu apesar de si mesma, apesar do que aconteceu, e apertou-o tanto quanto ousou, descansando a cabeça contra seu peito.
Sartaq simplesmente acariciou seus cabelos e abraçou-a de volta.



O Conselho dos Clãs se reuniu dois dias depois, ao amanhecer.
As mães e seus capitães de cada abrigo reuniram-se no salão, tantos que o espaço estava cheio.
Nesryn tinha dormido todo o dia anterior.
Não em seu quarto, mas enrolada na cama ao lado do príncipe agora de pé com ela diante do grupo.
Ambos cuidaram de seus ferimentos e tomaram banho, e embora Sartaq a tivesse apenas beijado... Nesryn não se opôs quando ele a conduziu pela mão e mancara para o quarto dele.
Então eles dormiram. E quando acordaram, quando colocaram bandagens em suas feridas, eles saíram para encontrar o salão cheio de cavaleiros.
Falkan estava sentado contra a parede mais distante, o braço em uma tipoia, mas os olhos limpos. Nesryn sorriu para ele quando entrou, mas agora não era o momento para essa reunião. Ou as possíveis verdades que ela carregava.
Quando Houlun terminou de receber todos, quando o silêncio caiu no salão, Nesryn ficou de pé ombro a ombro com Sartaq. Era estranho vê-lo com o cabelo mais curto – estranho, mas não horrível. Voltaria a crescer, ele disse quando ela franziu a testa naquela manhã.
Todos os olhos se deslocaram entre eles, alguns calorosos e acolhedores, outros preocupados, alguns duros.
Sartaq se dirigiu ao grupo se reuniu.
— As kharankui se agitaram de novo. — Murmúrios e pessoas se mexendo pelo salão. — E embora a ameaça tenha sido tratada de forma valente e feroz pelo clã Berlad, as aranhas provavelmente retornarão. Elas ouviram um chamado obscuro através do mundo. E estão preparadas para responder.
Nesryn deu um passo à frente. Elevou o queixo. E embora as palavras a enchessem de medo, falar aqui parecia tão natural quanto respirar.
— Aprendemos muitas coisas na Passagem de Dagul — disse Nesryn, sua voz soando nos pilares e pedras do corredor. — Coisas que mudarão a guerra no norte. E mudarão esse mundo.
Cada olho estava sobre ela agora. Houlun assentiu com a cabeça perto de Borte, que sorria em encorajamento.
Yeran sentado perto, meio observando sua noiva.
Os dedos de Sartaq roçaram os dela. Uma vez – em estímulo. Uma promessa.
— Nós não enfrentamos um exército de homens no continente do norte — continuou Nesryn. — Mas de demônios. E se não nos levantarmos para enfrentar esta ameaça, se não nos levantarmos para encontrá-la como um povo, de todas as terras... Então encontraremos nossa condenação.
Então ela contou a eles. A história completa. De Erawan. E Maeve.
Ela não mencionou a busca das chaves, mas, quando terminou, o salão estava agitado, os clãs sussurrando uns com os outros.
— Deixo essa escolha para vocês — disse Sartaq, com a voz inalterada. — Os horrores nos Montes Dagul são apenas o começo. Eu não julgarei de nenhuma maneira se optarem por permanecer. Mas todos os que voarem comigo, nós o faremos sob a bandeira do khagan. Nós os deixaremos para debater entre vocês.
E com isso, pegando Nesryn pela mão, Sartaq a levou do salão, Falkan os seguindo. Borte e Houlun permaneceram com os chefes do clã Eridun. Nesryn sabia de que lado ficariam, que eles voariam para o norte, mas os outros...
Sussurros se tornaram um debate completo quando chegaram a um dos espaços de encontro privados da família. Mas Sartaq ficou na pequena sala por apenas um momento antes de se dirigir para as cozinhas, deixando Nesryn e Falkan com uma piscadela e uma promessa de trazer comida.
Sozinha com o metamorfo, Nesryn caminhou até o fogo e aqueceu as mãos.
— Como você está se sentindo? — Ela perguntou, olhando por cima do ombro para onde Falkan relaxava em uma cadeira de madeira de encosto baixo.
— Tudo dói. — Falkan fez uma careta, esfregando a perna. — Lembre-me de nunca fazer nada heroico novamente.
Ela riu sobre o crepitar do fogo.
— Obrigada... por fazer isso.
— Eu não tenho ninguém que sentiria minha falta, de qualquer maneira.
Sua garganta apertou. Mas ela perguntou:
— Se voarmos para o norte – para Antica, e finalmente para o continente do norte... — Ela não conseguia mais dizer a palavra. Casa. — Você virá?
O metamorfo ficou em silêncio por um longo momento.
— Você quer que eu vá? Qualquer um de vocês?
Nesryn virou-se do fogo finalmente, os olhos ardendo.
— Tenho algo para lhe contar.



Falkan chorou.
Colocou a cabeça entre as mãos e chorou quando Nesryn lhe contou o que suspeitava. Ela não sabia muito da história pessoal de Lysandra, mas a idade, a localização, correspondiam. Apenas a descrição não.
A mãe havia descrito uma garota comum e morena. Não uma beleza de cabelos negros e olhos verdes.
Mas sim, sim, ele viria. Para a guerra, e para encontrá-la. Sua sobrinha. Seu último fragmento de família no mundo, por quem ele nunca parou de procurar.
Sartaq voltou com comida, e trinta minutos depois, a notícia veio do salão.
Os clãs haviam tomado sua decisão.
As mãos tremendo, Nesryn caminhou até a porta, onde Sartaq estendeu a mão.
Seus dedos se entrelaçaram, e ele a levou para o salão agora silencioso. Falkan levantou dolorosamente de sua cadeira, gemendo enquanto afastava suas lágrimas e mancava atrás deles.
Eles deram alguns passos antes que uma mensageira entrou no corredor.
Nesryn se afastou de Sartaq para deixá-lo lidar com a garota ofegante de olhos selvagens. Mas foi para Nesryn que a mensageira estendeu a carta.
As mãos de Nesryn tremiam quando reconheceu a caligrafia nela.
Ela sentiu Sartaq endurecer quando também percebeu que a escrita era de Chaol. Ele recuou, os olhos fechando, para deixá-la ler.
Ela leu a mensagem duas vezes. Teve que tomar uma respiração firme para evitar vomitar.
— Ele... ele solicita minha presença em Antica. Precisa dela — ela falou, o bilhete balançando em sua mão trêmula. — Ele nos suplica que voltemos imediatamente. Tão rápido quanto os ventos possam nos levar.
Sartaq pegou a carta para ler por si mesmo. Falkan ficou em silêncio e atento enquanto o príncipe lia. E praguejava.
— Algo está errado — disse Sartaq, e Nesryn assentiu.
Se Chaol, que nunca pedia ajuda, nunca quis ajuda, pediu que eles se apressassem... Ela olhou para o conselho, ainda aguardando para anunciar sua decisão.
Mas Nesryn apenas perguntou ao príncipe:
— Em quanto tempo podemos estar no ar?

8 comentários:

  1. Falkan estava vivo – LOUVE A DEUS GLÓRIA Ó PAI
    Graças a deus. Agora ele vai encontrar Lyssandra... em forma de Aelin?
    E lyssandra vai poder voltar a sua forma original ou quase
    Carai, o último livro vai ser épico.

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    1. Mds.Tô MUITO ansiosa pelo último livro

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  2. "— Borte veio me buscar. Disse que estava indo em uma missão estúpida e perigosa e eu poderia deixá-la morrer sozinha ou vir junto."

    Eu shippo demais a Borte com o noivo *-*
    Aaaaaaaaaaaaa fico tão feliz que o Falkan esteja vivo e bem *-*
    Não me conformo de não ter mostrado o primeiro beijo da Nesryn com o Sartaq ¬¬

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  3. Já estou no capítulo 57 me perguntando como vai acabar essa porcaria.

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  4. Pelo amor... Sartak é muito fofo... que lindo ele e a Nesyrim!!! Nestark!!!

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  5. Na boa, tem tanta coisa pra desenvolver no próximo livro que se tiver menos que mil páginas eu já sei que não falou de tudo. Ou se falar, ficou de maneira superficial. É muita coisa

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  6. Falkan estava vivo – por pouco –
    Ainda bem

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Comentários de volta!
Passamos algumas horas sem essa opção, mas estamos à ativa novamente :)

Boa leitura! E SEM SPOILER!