29 de janeiro de 2018

Capítulo 56

Era agonia, desespero e medo. Era alegria, risada e descanso.
Era a vida, tudo isso, e à medida que aquela escuridão pulava para Chaol e Yrene, ele não a temeu.
Apenas olhou para o escuro e sorriu.
Não estava quebrado.
Foi feito de novo.
E quando a escuridão o viu...
Chaol deslizou uma mão contra sua bochecha. Beijou sua testa.
A escuridão afrouxou seu aperto e caiu de volta naquele poço. Enrolou-se no chão rochoso silenciosamente, com cuidado, e assistiu-o.
Ele tinha a sensação de se levantar, de ser sugado através de uma porta muito fina. Yrene o segurou, arrastando-o junto com ela.
Ela não soltou. Não vacilou. Ela os lançou para cima, uma estrela correndo para a noite.
A luz branca bateu contra eles...
Não. Luz do dia.
Ele apertou os olhos contra o brilho.
A primeira coisa que sentiu foi nada.
Sem dor. Sem entorpecimento. Sem agonia nem exaustão.
Suas pernas estavam... Ele moveu uma. Ela se mexeu e virou sem um triz de dor ou tensão.
Suave como a manteiga.
Ele olhou para a direita, para onde Yrene estava sentada.
Ela estava simplesmente sorrindo para ele.
— Como? — perguntou com a voz rouca.
Alegria acendeu seus deslumbrantes olhos.
— Minha teoria... eu explicarei mais tarde.
— A marca está...
Sua boca apertou.
— Menor, mas... ainda está lá. — Ela cutucou um ponto na coluna vertebral. — Embora eu não sinta qualquer coisa quando toco. Nada mesmo.
Um lembrete. Como se algum deus quisesse que ele lembrasse disso, lembrar do que aconteceu.
Ele se sentou, admirando a facilidade, a falta de rigidez.
— Você me curou.
— Acho que ambos temos crédito considerável desta vez. — Seus lábios e pele estavam muito pálidos.
Chaol roçou a bochecha dela com o nó dos dedos.
— Você está se sentindo bem?
— Estou cansada. Mas bem. E você, está se sentindo bem?
Ele pegou Yrene no colo dele e enterrou a cabeça no pescoço dela.
— Sim — ele respirou. — Mil vezes, sim.
Seu peito... havia uma leveza nele. Em seus ombros.
Ela bateu nele.
— Você ainda precisa ter cuidado. Estando recém-curado, você ainda pode se ferir. Dê tempo ao seu corpo para descansar – para deixar a cura se estabelecer.
Ele ergueu uma sobrancelha.
— O que, exatamente, descansar implica?
O sorriso de Yrene tornou-se perverso.
— Algumas coisas que apenas pacientes especiais descobrem.
Sua pele apertou os ossos, mas Yrene deslizou de seu colo.
— Você pode querer tomar um banho.
Ele piscou, olhando para si mesmo. Para a cama. E se encolheu.
Aquilo era vômito. Nas cobertas, em seu braço esquerdo.
— Quando...
— Não tenho certeza.
O pôr-do-sol dourava o jardim, espremendo a sala com longas sombras.
Horas. Eles estiveram aqui o dia todo.
Chaol afastou-se da cama, admirando-se a maneira como deslizava pelo mundo como uma lâmina através da seda.
Ele sentiu que ela o observava enquanto caminhava para a sala de banho.
— Água quente é segura agora? — Ele perguntou por cima do ombro, tirando sua roupa íntima e entrando no banho deliciosamente quente.
— Sim — ela respondeu. — Você não está cheio de músculos tensos.
Ele mergulhou debaixo da água, esfregando-se. Todo movimento... deuses sagrados.
Quando voltou à superfície, tirando a água do rosto, ela estava parada no arco da porta de entrada.
Ele ficou imóvel com a empbriaguez de seus olhos.
Lentamente, Yrene desfez os laços da frente daquele pálido vestido roxo. Deixou-o escorregar para o chão, junto com suas roupas íntimas.
Sua boca ficou seca quando ela manteve seus olhos sobre ele, os quadris balançando a cada passo que deu para a piscina. Para a escada.
Yrene entrou na água e seu sangue rugiu em seus ouvidos.
Chaol estava sobre ela antes de alcançar o último degrau.



Eles perderam o jantar. E a sobremesa.
kahve da meia-noite.
Kadja entrou durante o banho para mudar os lençóis. Yrene não conseguiu ficar mortificada pelo o que a criada provavelmente tinha ouvido. Eles certamente não foram silenciosos na água.
E certamente não foram silenciosos durante as horas seguintes.
Yrene estava cambaleando com exaustão quando se separaram, suada o suficiente para que outra ida ao banho fosse iminente. O peito de Chaol subia e descia em respirações poderosas.
No deserto, tinha sido inacreditável. Mas agora, curado – além da espinha, as pernas; curado naquele escuro, o lugar apodrecido dentro de sua alma...
Ele pressionou um beijo em sua sobrancelha suada, seus lábios pegando os cachos perdidos que haviam aparecido graças ao banho. A outra mão desenhou círculos na parte inferior das costas.
— Você disse algo naquele poço — ele murmurou.
Yrene estava cansada demais para formar palavras além de um “Mmm” baixo.
— Você disse que me ama.
Bem, isso a despertou.
Seu estômago apertou.
— Não se sinta obrigado a...
Chaol silenciou-a com aquele olhar constante e imperturbável.
— É verdade?
Ela traçou a cicatriz de sua bochecha. Não tinha visto muito do começo, só entrou em suas lembranças a tempo de ver aquele homem bonito de cabelos escuros – Dorian – sorrindo para ele. Mas ela sentia, sabia quem havia lhe dado aquela cicatriz recente.
— Sim. — E embora sua voz fosse baixa, ela quis dizer isso com cada centímetro de sua alma.
Os cantos da boca dele se ergueram.
— Então é uma coisa boa, Yrene Towers, que eu te ame também.
Seu peito ficou tenso; ela ficou cheia demais para seu corpo, para o que a atravessou.
— Desde o momento em que você entrou na sala de estar no primeiro dia — disse Chaol. — Ccho que eu sabia, mesmo então.
— Eu era uma estranha.
— Você me olhou sem pena. Olhou para mim, não para a cadeira ou para a lesão. Você me viu. Foi a primeira vez que eu me senti... visto. Senti-me acordado, em muito tempo.
Ela beijou seu peito, bem no coração.
— Como eu poderia resistir a estes músculos?
Sua risada retumbou em sua boca, seus ossos.
— A profissional consumada.
Yrene sorriu em sua pele.
— As curandeiras nunca me deixarão em paz. Hafiza já está fora de si com alegria.
Mas ela se endureceu, considerando a estrada à frente. As escolhas.
— Quando Nesryn retornar, eu planejo deixar as coisas claras — Chaol disse depois de um momento. — Embora eu pense que ela saberá antes de eu falar...
Yrene assentiu, tentando lutar contra a agitação que se arrastou sobre ela.
— E, além disso... A escolha é sua, Yrene. Quando vai sair. Como vai sair. Se realmente deseja deixar tudo.
Ela se preparou.
— Mas se você quiser... haverá um lugar para você no meu navio. Ao meu lado.
Ela deixou escapar um hum e desenhou um círculo ao redor de seu mamilo.
— Que tipo de lugar?
Chaol esticou-se como um gato, enfiando os braços atrás da cabeça enquanto dizia:
— As opções usuais: arrumadeira, cozinheira, lavadora de pratos...
Ela espetou suas costelas e ele riu. Era um som bonito, rico e profundo.
Mas seus olhos castanhos suavizaram quando ele segurou seu rosto.
— Qual lugar você gostaria, Yrene?
Seu coração trovejou à pergunta, ao timbre de sua voz. Mas ela sorriu e disse:
— Qualquer um que me dê o direito de gritar com você se você se esforçar demais. — Ela passou a mão pelas suas pernas, suas costas.
Cuidado – ele teria que ser tão, tão cuidadoso por um tempo.
Um canto da boca de Chaol levantou, e ele a puxou sobre si.
— Acho que conheço a posição certa.

2 comentários:

  1. Enqto isso, Nesryn se diverte com as aranhas...

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  2. Vomitando arco-íris
    E droga, ela não viu a Celaena/Aelin

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Passamos algumas horas sem essa opção, mas estamos à ativa novamente :)

Boa leitura! E SEM SPOILER!