29 de janeiro de 2018

Capítulo 54

Chaol acordou na manhã seguinte e mal conseguiu se mover.
Seu quarto havia sido consertado, guardas extras foram adicionados e, quando a realeza finalmente retornou das dunas ao pôr-do-sol, tudo estava em ordem.
Ele não viu Yrene pelo resto desse dia, e se perguntou se ela e a Alta Curandeira tinham de fato encontrado algo de valor naquele pergaminho. Mas quando o jantar veio e ela ainda não apareceu, ele enviou Kadja para pedir a Shen um relatório.
O próprio Shen veio – corando um pouco, sem dúvida, graças à beleza da criada que o trouxe aqui – e revelou que ele tinha certeza de que a notícia recebida da Torre era que Yrene havia retornado com segurança e não deixou a torre desde então.
Ainda assim, Chaol debatera chamar Yrene quando suas costas começaram a doer até o ponto de ser insuportável, quando mesmo a bengala não podia ajudá-lo a atravessar a sala. Mas a suíte não era segura. E se ela começasse a ficar aqui, e Nesryn voltasse antes que ele pudesse explicar...
Ele não conseguiu tirar o pensamento de sua mente. O que ele tinha feito, a confiança que havia quebrado.
Então ele conseguiu tomar um banho, esperando aliviar seus músculos doloridos, e praticamente se arrastou para a cama.
Chaol acordou ao amanhecer, tentou pegar a bengala ao lado da cama e engoliu o seu grito de dor.
Pânico o atingiu, selvagem e afiado. Ele apertou os dentes, tentando lutar através dele.
Os dedos do pé. Ele podia mover os dedos dos pés. E seus tornozelos. E seus joelhos...
Seu pescoço arqueou em agonia ondulante enquanto movia seus joelhos, suas coxas, seus quadris.
Oh, deuses. Ele tinha forçado demais, ele...
A porta se abriu, e lá estava ela, naquele vestido roxo.
Os olhos de Yrene se arregalaram, depois se acomodaram – como se estivesse prestes a lhe dizer algo.
Em vez disso, aquela máscara de calma constante deslizou sobre o rosto dela enquanto ela prendia metade de seu cabelo para trás e se aproximou em seus pés incansáveis.
— Você consegue se mexer?
— Sim, mas a dor... — Ele mal podia falar.
Deixando cair sua sacola no tapete, Yrene enrolou as mangas.
— Você pode virar?
Não. Ele tentou, e...
Ela não esperou por sua resposta.
— Descreva exatamente o que você fez ontem, desde o momento em que eu saí até agora.
Chaol fez. Falou tudo, até o banho...
Yrene praguejou viciosamente.
— Gelo. Gelo para ajudar os músculos tensos, não calor. — Ela soprou uma respiração. — Preciso que você role. Vvai doer como o inferno, mas é melhor se você fizer isso de uma só vez...
Ele não esperou. Apertou os dentes e fez isso.
Um grito saiu de sua garganta, mas Yrene estava instantaneamente lá, as mãos na bochecha, no cabelo, a boca contra o sua têmpora.
— Bom — ela soprou em sua pele. — Homem corajoso.
Ele não tinha se incomodado em vestir mais do que cuecas para dormir, então ela tinha pouco a fazer para prepará-lo enquanto passava as mãos sobre suas costas, rastreando o ar acima de sua pele.
— Ele... se deslocou — ela respirou.
— Não estou surpreso — ele disse através dos dentes. De modo nenhum.
Ela baixou as mãos para os lados.
— Por quê?
Ele traçou um dedo sobre a camisola bordada.
— Simplesmente faça o que precisa.
Yrene fez uma pausa à resposta dele – então pegou algo em sua bolsa. O couro. Ela segurou-o nas mãos, no entanto, em vez de deslizar para dentro da boca dele.
— Eu vou entrar — ela disse calmamente.
— Certo.
— Não, eu vou entrar, e vou terminar isso. Hoje. Agora mesmo.
Demorou um momento para que as palavras se afundassem. Tudo o que isso implicaria. Ele ousou perguntar:
— E se eu não puder?
Enfrentar, aguentar?
Não havia medo nos olhos de Yrene, nem hesitação.
— Esta não uma questão para eu responder.
Não, nunca fora. Chaol viu a luz do sol dançar em seu medalhão, sobre aquelas montanhas e mares.
O que ela poderia agora testemunhar dentro dele, o quanto ele falhou, uma vez depois da outra...
Mas eles haviam caminhado muito longe nessa estrada. Juntos. Ela não se afastou. De nada.
E ele também não.
— Você pode se machucar se ficar tempo demais — a garganta estava apertada, mas Chaol conseguiu falar.
Novamente, nenhuma onda de dúvida ou terror.
— Eu tenho uma teoria. Quero testá-la. — Yrene deslizou o couro entre seus lábios, e ele apertou levemente. — E você... você é a única pessoa em quem eu posso tentar.
Ocorreu a Chaol, logo que ela colocou as mãos sobre sua espinha desnuda, por que ele era o único que podia ser testado. Mas não havia nada que ele pudesse fazer quando a dor e a escuridão caíram sobre ele.
Não havia como parar Yrene enquanto ela mergulhava em seu corpo, sua magia uma luz branca e enrolada ao redor deles, dentro dele.
Valg. Seu corpo tinha sido manchado por seu poder, e Yrene...



Yrene não hesitou. Ela atravessou-o, descendo a escada da espinha, pelos corredores de seus ossos e sangue.
Ela era uma lança de luz, atirou-se diretamente no escuro, visando aquela sombra pairando que se esticava mais uma vez. Que tentava recuperar seu espaço.
Yrene bateu na escuridão e rugiu.
Aquilo estrondeou de volta, e ambos se enroscaram, lutando.
Era estranho, frio e vazio; estava cheio de podridão e vento e ódio.
Yrene se atirou nela. Toda a última gota.
E acima, como se a superfície de um mar noturno-escuro os separasse, Chaol berrou com agonia.
Hoje. Terminava hoje.
Eu sei o que você é.
Então, Yrene lutou, e a escuridão enfureceu-se.

5 comentários:

  1. Será que é dessa forma que Yrene vai descobrir sobre a Aelin? Porque se ela for ver todos os terrores da vida do Chaol, ela vai ver a Aelin lá. Sei lá, foi só o que pensei
    Ou talvez ela nem descubra sobre isso nesse livro

    ResponderExcluir
  2. 54

    Estou nervosa, muito nervosa. Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaa será que finalmente ela irá descobrir quem a Aelin é? Será que finalmente o Chaol vai se curado por completo? Ain não sei porquê, mas quero chorar *^*

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. eu espero que ela veja quem Aelin é, e que finalmente saiba de tudo o que aconteceu com ele, mas duvido que isso aconteça. E tb estou a um ponto de chorar, acho que é essa sensação de que o livro está acabando... não sei.

      Excluir
  3. Nao quero que o livro acabe😥

    ResponderExcluir
  4. Eu quero é saber o que ela descobriu!!! Acho que o poder dela deve afetar os valg, olha só se eles sugam a vidas de suas vitimas e o poder de cura dela é uma luz, então deve ser essa a fraqueza deles!! Essa luz de cura que elimina toda a podridão!!!

    ResponderExcluir

Se você não tem conta no Google e quiser comentar, utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!