29 de janeiro de 2018

Capítulo 51

Num turbilhão de fúria, Arcas se levantou, então mergulhou novamente, o grito de batalha de Borte ecoando nas pedras enquanto ela e sua ruk miraram a kharankui na passagem abaixo. Para a aranha segurando-as, sangue – sangue vermelho – escorrendo dela.
Outro grito dividiu a noite, um que ela conhecia bem como a própria voz.
E Kadara estava ali, voando rapidamente para eles, dois outros ruks em seu rastro.
Sartaq soltou o que poderia ter sido um soluço enquanto um dos outros ruks se separou, mergulhando para onde Borte varria e pulverizava e destruía fileiras de kharankui.
Um ruk de penas marrons mais escuras... e um jovem em cima dele.
Yeran.
Nesryn não reconheceu o outro cavaleiro que vinha atrás de Kadara. Sangue manchava as penas douradas da ruk, mas ela voou firme, pairando sobre a cabeça deles quando o outro ruk se aproximou.
— Mantenha-se quieta e não tenha medo da queda. — Sartaq sussurrou, passando a mão sobre a bochecha de Nesryn. À luz do luar, seu rosto estava coberto de sujeira e sangue, seus olhos cheios de dor e ainda...
Então havia uma parede de asas, e garras poderosas abertas.
Elas envolveram sua cintura e a parte de cima de suas coxas, elevando-a no ar, Sartaq foi pego pela outra, e então o grande pássaro disparou na noite.
O vento rugiu, mas o ruk os elevou mais alto. Kadara entrou em posição atrás deles – protegendo a retaguarda.
Através de seus cabelos, Nesryn olhou de volta para a passagem alinhada pelo fogo.
Onde Borte e Yeran agora se elevavam, uma forma escura apertada entre as garras do ruk de Yeran. Completamente ferida.
Borte não tinha terminado.
Uma luz acendeu-se sobre o ruk. Uma flecha flamejante.
Borte atirou alto no céu.
Um sinal, Nesryn percebeu quando inúmeras asas encheram o ar ao redor deles. E quando a flecha de Borte pousou no topo de uma teia, o fogo se espalhando, centenas de luzes acenderam no céu.
Cavaleiros em seus ruks. Cada um carregando uma flecha acesa. Cada um agora apontando para baixo.
Como uma chuva de estrelas cadentes, as flechas caíram sobre a escuridão de Dagul. Aterrando nas teias e nas árvores. E pegaram fogo. Uma após a outra, continuamente.
Até que a noite estava acesa, até a fumaça subir, misturando-se com os gritos crescentes dos picos e da floresta.
Os ruks viraram para o norte, Nesryn tremendo enquanto apertava as garras que a seguravam. Do outro lado, Sartaq encontrou seu olhar, seu cabelo agora na altura dos ombros ondulando no vento.
As chamas abaixo fizeram as feridas em seu rosto, suas mãos e seu pescoço ficarem ainda mais horríveis. A pele era pálida, seus lábios brancos, os olhos pesados com exaustão e alívio. E ainda...
Sartaq sorriu, pouco mais que uma curva em sua boca. As palavras que o príncipe confessara flutuando no vento entre eles.
Ela não podia tirar os olhos dele. Não podia desviar o olhar.
Então Nesryn sorriu de volta.
E abaixo e atrás deles, profundamente na noite, os Montes Dagul queimavam.

11 comentários:

  1. Você percebe que o livro, a escrita e a historia é tão boa quando você imagina toda a cena, exatamente como é retratada, e fica com a senssão de já ter visto o filme da historia.

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  2. Gente para tudo... cadê falkan? Não posso acreditar que deixaram ele ali..Lágrimas

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  3. Aprendemos que Abraxos não pode encostar no fogo

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  4. Acho que estou surtando 'u'
    Espero que Falkan esteja vivo

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  5. Oh Deus Falkan, tem uma lagrima no meu olho :'(

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  6. Eleee é tio de lyssandra ,tadinhooooo

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  7. Cadê o Falkan? Pfv que ele não tenha morrido

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  8. É muita emoção. .. Falkan vivo, por favor Sarah!

    Flavia

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Boa leitura, E SEM SPOILER!