29 de janeiro de 2018

Capítulo 50

Sartaq perdeu a firmeza quando a voz de Falkan quando veio da boca hedionda da kharankui.
Nesryn tirou as mãos da teia, engolindo seu grunhido de dor quando as fibras rasgaram a pele. A boca e a língua de Falkan tinham que estar doendo...
Ela olhou para a aranha pairando sobre Sartaq, cortando a seda que prendia príncipe com as garras. De fato, onde aquelas pinças roçavam, sangue escorria.
— Rápido — o metamorfo sussurrou. — Suas armas estão ali.
Ela poderia apenas vislumbrar o leve brilho da luz das estrelas na curva de seu arco, ao longo da prata nua de sua espada Asterion curta.
Falkan cortou as últimas tiras de Sartaq e o príncipe estava livre, afastando a teia. Ele oscilou enquanto ficava de pé, apoiando uma mão na pedra. Sangue, havia tanto sangue sobre ele...
Mas ele correu para ela, rasgando os fios ainda cobrindo seus pés.
— Você ferida?
— Mais rápido — disse Falkan, olhando para a entrada em arco atrás. — Não demorará muito para ela perceber que ninguém está vindo.
Os pés de Nesryn ficaram livres, e Sartaq ergueu-a.
— Você ouviu o que ela falou sobre Maeve?
— Oh, eu ouvi — Sartaq respirou quando eles correram para suas armas. Ele entregou-lhe o arco e aljava, a lâmina feérica. Agarrou suas próprias adagas Asterion enquanto sibilava para Falkan, — Para onde?
O metamorfo correu para frente, depois da escultura de Maeve.
— Aqui – há uma inclinação para cima. É logo do outro lado da passagem. Se conseguirmos ir subir...
— Você já viu Kadara?
— Não — disse o metamorfo. — Mas...
Eles não esperaram para ouvir o resto enquanto se arrastavam em pés silenciosos pelo arco, entrando na parte preenchida com luz das estrelas. Com certeza, uma inclinação áspera de pedra solta subia do chão, como se fosse um caminho para as próprias estrelas.
Eles estavam a meio caminho do declive traiçoeiro, Falkan uma sombra escura às suas costas, quando um grito subiu da montanha além. Mas os céus estavam vazios, nenhum sinal de Kadara...
— Fogo — respirou Nesryn enquanto se precipitavam em direção ao ápice do pico. — Ela disse que todos os valg odeiam o fogo. Eles temem fogo. — Para as aranhas devoradoras de vida, devoradoras de almas... Eles eram tão valg quanto Erawan. Aclamadas pelo mesmo inferno escuro. — Pegue a pederneira do seu bolso — ela ordenou ao príncipe.
— E colocar fogo em quê? — Seus olhos se dirigiram para as flechas nas costas dela quando pararam no topo do ápice estreito do pico – o chifre curvo. — Estamos presos aqui. — Ele verificou o céu. — Pode não ajudar em nada.
Nesryn retirou uma flecha, segurando seu arco enquanto rasgava uma tira de sua camisa abaixo de sua jaqueta e de seus couros e voar. Ela arrancou toda a bainha, cortou a peça em duas e enrolou uma em volta da cabeça da flecha.
— Precisamos de ignição — disse ela, enquanto Sartaq retirava a pederneira de seu bolso.
Uma faca brilhou, e então uma seção da trança de Sartaq estava em sua mão estendida.
Ela não hesitou. Apenas enrolou a trança ao redor do tecido, segurando a flecha para quando ele começou a bater a pederneira de novo e de novo. Faíscas voaram, à deriva...
Pegou. O fogo acendeu. Assim que a escuridão derramou-se na passagem abaixo. Ombro a ombro, as aranhas surgiram entre as paredes. Duas dúzias, pelo menos.
Nesryn encaixou a flecha, puxando a corda e mirando para cima.
Não diretamente para elas. Mas um tiro no céu, alto o suficiente para perfurar as estrelas frias.
As aranhas pararam, observando a flecha alcançar o seu apogeu e depois mergulhar.
— Outra — disse Nesryn, pegando a segunda tira de tecido e enrolando-a novamente em torno da cabeça da próxima flecha. Apenas três restavam em sua aljava. Sartaq cortou um segundo pedaço de sua trança, perdendo o laço na ponta. A pederneira soou, as faíscas brilharam e, à medida que aquela primeira flecha despencava em direção à dispersão de aranhas em seu caminho, ela atirou sua segunda flecha.
As aranhas estavam tão distraídas olhando para cima que não olharam para frente.
A maior delas, aquela que falou com ela por tanto tempo, menos ainda.
E quando a flecha ardente de Nesryn acertou seu abdômen, cravando fundo, o grito da aranha fez tremer as próprias pedras abaixo delas.
— Outra — Nesryn respirou, tirando sua próxima flecha enquanto Sartaq rasgava o tecido da camisa. — Rápido.
Sem nenhum lugar para ir, nenhuma maneira de mantê-los à distância.
— Metamorfo — ela chamou Falkan, que monitorava as aranhas em pânico, que estagnaram à ordem gritada de sua líder para apagar o fogo em seu abdômen. — Se vai mudar para algo, faça agora.
O metamorfo virou o rosto da aranha hedionda para eles. Sartaq cortou outra parte de sua trança e deslizou sobre a cabeça da terceira flecha.
— Eu vou segurá-las — disse Falkan.
Faíscas voaram, a chama acendeu naquela terceira flecha flamejante.
— Um favor, capitã — disse o metamorfo.
Tempo. Eles não tinham tempo...
— Quando eu tinha sete anos, meu irmão mais velho fez uma filha bastarda em uma pobre mulher em Forte da Fenda. Abandonou ambas. Passaram-se vinte anos desde então, e desde quando tive idade suficiente para ir à cidade, para começar meu comércio, procurei por ela. Encontrei a mãe depois de alguns anos – em seu leito de morte. Ela mal podia falar o suficiente para dizer que expulsou a garota. Ela não sabia onde estava minha sobrinha. Não se importava. Ela morreu antes que pudesse me dar um nome.
As mãos de Nesryn tremiam quando apontou a flecha para a aranha tentando passar por sua irmã ardente.
— Rápido — Sartaq advertiu.
— Se ela sobreviveu, se ela cresceu, também pode ter o dom dos metamorfos — Falkan continuou. — Mas não importa se ela tem ou não. O que importa... Ela é minha família. Tudo o que eu tenho. E eu procurei por ela durante muito tempo.
Nesryn disparou a terceira flecha. Uma aranha gritou quando encontrou seu alvo. As outras recuaram.
— Encontre-a — disse Falkan, dando um passo em direção aos horrores agitando-se abaixo. — Minha fortuna, tudo fica para ela. E talvez eu tenha falhado com ela nesta vida. Mas não em minha morte.
Nesryn abriu a boca, não acreditando, as palavras subindo, mas Falkan correu pelo caminho. Saltou bem na frente daquela linha ardente de aranhas.
Sartaq agarrou seu cotovelo, apontando para a inclinação abaixo do pico minúsculo.
— Esse...
Num momento, ela estava de pé. No seguinte, Sartaq a atirara para trás, sua espada brilhando.
Ela tropeçou, os braços abertos para mantê-la em equilíbrio quando percebeu o que havia subido do outro lado do pico. A aranha agora sibilava para eles, enormes presas pingando veneno na pedra.
Ela pulou para Sartaq com as duas pernas dianteiras.
Ele se esquivou e girou a lâmina, acertando-a em cheio.
Sangue preto pulverizou, a aranha gritou – mas não antes de fincar a garra profundamente na coxa do príncipe.
Nesryn se moveu, sua quarta flecha voando, diretamente em um daqueles olhos. A quinta e última flecha voou mais tarde, na boca aberta da aranha enquanto gritava.
Ela mordeu a flecha, quebrando-a no meio.
Nesryn largou o arco e pegou a lâmina feérica.
A aranha sibilou.
Nesryn entrou entre Sartaq e a aranha. Abaixo, as kharankui guincharam e gritaram.
Ela não ousou olhar para ver o que Falkan estava fazendo. Se ele ainda lutava.
A lâmina era uma fatia de luz da lua entre ela e a aranha.
kharankui avançou um passo. Nesryn cedeu um, Sartaq lutando para se levantar ao seu lado.
— Eu farei você implorar pela morte — disse a aranha, avançando de novo.
Recuou, preparando-se para atacar.
Faça valer a pena; faça o impulso valer...
A aranha saltou.
E caiu no penhasco quando um ruk escuro a acertou, rugindo em fúria.
Não Kadara. Mas Arcas.
Borte.

18 comentários:

  1. Lysandra eu sabia! Aí essas situações que matam tipo o Chaol e a Yrene falando da Aelin sem saber e agora eles falando da Lysandra

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    1. Siiimmmm!!! Eu fico toda ‘OMG!!!!’

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    2. A mesma coisa com a Elidie e o Lorcan <3 Ahhhh

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  2. Falei!!! Essa série é imprevisivel, eu amo a Sarah!!
    Essa série... não preciso nem falar o quanto eu gosto dela
    Se bem que deu pra dar uma desconfiada desse parentesco, mais sei lá pensei que fosse tipo um primo ou algo assim
    Aqueles personagens que Aelin conheceu durante a série voltando!
    História bem elaborada

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  3. nossa da vontade de gritar kkkkkkkkkkkkkk que raivaaaaaa

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  4. Sabia que era a Lysandra a parente dele. Que bom, a Lysandra é um amor.

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  5. NÃO
    NÃO NO
    NO
    NO
    SIMPLESMENTE NÃO
    PORRA FALKAN NÃO MORRE
    NOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
    ok
    1. Lyssandra precisa saber sobre Falkan
    2. Aelin precisa saber sobre o homem que vendeu seda de aranha
    3. Falkan não pode morrer, não pode estar morte, mano, não

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  6. Acho q nao é a Lissandra não.
    Pq esse cara tem ums 20 e pouco e a tal sobrinha ainda deve ser criança.

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    1. É a Lisandra sim, ele disse ali que tinha 7 anos quando o irmão dele engravidou a mãe dasobrinha dele É ele disse que se passou 20 anos o que conside com a idade da Lysandra.Então, sim. É a Lysandra

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  7. Quando Sartaq cortou o cavelo senti uma dor no coração como se estivesse cortando meu próprio cabelo heuheu
    Aaaaaaaaaaaaaaaaa eu sabia, Lysandra é sobrinha do Falkan, pelo menos essa era uma das minhas teorias heuheu meu Deus senti um enorme alívio quando a Borte brotou e por favor salvem o Falkan, a Lysandra precisa conhecer seu tio *^*

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  8. Sobre Lysandra: suspeitei desde o princípio!

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  9. OMG... a trança do Sartak vai até o pé... não para de cortar...

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  10. Eu ainda nem superei o capítulo anterior sobre Maeve. Agora tem isso de Lysandra..
    Olha, assim não está dando pra lidar

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  11. Já suspeitava dess parentesco

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  12. Ca-ram-ba! Esses últimos capítulos me deixaram chocada! Sarah está acabando comigo! Uma revelação atrás da outra!

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Comentários de volta!
Passamos algumas horas sem essa opção, mas estamos à ativa novamente :)

Boa leitura! E SEM SPOILER!