29 de janeiro de 2018

Capítulo 46

Aquilo a quebrou, a desfez, e a fez renascer.
Espalhada sobre o peito de Chaol horas depois, ouvindo seus batimentos cardíacos, Yrene ainda não tinha palavras para o que aconteceu entre eles. Não a união física, não os assaltos repetidos, mas simplesmente a sensação dele. De pertencimento.
Ela não sabia que poderia ser assim. Sua rápida e não impressionante primeira vez, fora apenas no último outono, e a deixou sem pressa de tentar novamente. Mas isso...
Ele se certificara de que ela encontrasse seu prazer. Repetidamente. Antes de procurar o seu próprio.
E, além disso, as coisas que ele a fez sentir...
Não apenas como resultado de seu corpo, mas quem ele era...
Yrene pressionou um beijo preguiçoso no músculo esculpido do peito de Chaol, saboreando os dedos que ele ainda passava por sua coluna, para cima e para baixo.
Era segurança, alegria e conforto, e conhecimento de que, não importa o que acontecesse... Ele não reclamaria. Não quebraria. Yrene roçou seu rosto contra ele.
Era perigoso, ela sabia, sentir essas coisas. Ela sabia o que havia em seus olhos quando olhava para ele. O coração que ela ofereceu sem dizer mais. Contudo, ver aquele medalhão que ele de alguma forma descobrira e pensara tanto sobre... Suas iniciais estavam lindamente gravadas, mas as montanhas e as ondas... era um trabalho impressionante, feito por um mestre joalheiro em Antica.
— Eu não fiz isso sozinha — murmurou Yrene contra sua pele.
— Hmm?
Ela passou os dedos pelos sulcos do estômago de Chaol antes de se apoiar em um cotovelo para estudar o rosto dele na escuridão. Os lampiões há muito haviam sido apagados, e o silêncio se instalara no acampamento, substituindo o zumbido dos besouros nas palmeiras.
— Chegar aqui. As montanhas sim, mas os mares... Alguém me ajudou.
O alerta envolveu aqueles olhos saciados.
— É?
Yrene abriu o medalhão. Entre assaltos de amor, quando ela moveu a bengala dele para fácil alcance a partir da cama, ela deslizara o pequeno bilhete para dentro do compartimento. O ajuste tinha sido perfeito.
— Eu estava presa em Innish, sem como sair. E uma noite, essa estranha apareceu na pousada. Ela era... tudo o que eu não era. Tudo o que eu tinha esquecido. Estava esperando um barco, e durante as três noites em que esteva lá, acho que queria que os mercenários tentassem roubá-la – ela estava provocando uma briga. Mas ela manteve distância. Fiquei para limpar tudo sozinha naquela noite...
A mão de Chaol ficou tensa em suas costas, mas ele não disse nada.
— E os mercenários que me deram uma hora difícil mais cedo naquela noite me encontraram no beco.
Ele ficou completamente quieto.
— Eu acho – eu sei o que eles queriam... — Ela sacudiu o aperto gelado de horror, mesmo todos esses anos depois. — A mulher, menina, seja lá o que fosse, interrompeu antes que pudessem tentar. Ela... lidou com eles. E quando terminou, me ensinou a me defender.
A mão dele começou a acariciá-la novamente.
— Então foi assim que você aprendeu.
Ela passou a mão pela cicatriz no pescoço.
— Mas outros mercenários, amigos dos primeiros, voltaram. Um segurou uma faca contra a minha garganta para que ela soltasse suas armas. Ela se recusou a fazê-lo. Então usei o que ela me ensinou para desarmar e incapacitar o homem.
Ele soprou uma respiração impressionada que bagunçou seus cabelos.
— Para ela, foi um teste. Ela estava ciente do segundo grupo circulando e me disse que queria que eu tivesse uma experiência controlada. Eu nunca tinha ouvido nada mais ridículo. — A mulher tinha sido brilhante ou louca. Provavelmente ambos. — Mas ela me falou... me falou que era melhor ser infeliz nas ruas de Antica do que em Innish. E se eu quisesse vir pra cá, deveria vir. Que se eu quisesse algo, deveria tomar. Me disse para lutar pela minha vida miserável.
Yrene tirou o cabelo suado da frente dos olhos.
— Eu a curei e ela seguiu seu caminho. E quando voltei ao meu quarto... Ela havia deixado uma bolsa de ouro. E um broche dourado com um rubi do tamanho de um ovo de ganso. Para pagar minha passagem para cá, e qualquer taxa de matrícula na Torre.
Ele piscou de surpresa. Yrene sussurrou, a voz quebrando:
— Acho que ela era uma deusa. Eu... eu não sei quem faria isso. Tenho pouco ouro restando, mas o broche... Eu nunca o vendi. Ainda o tenho.
Ele franziu a testa para o colar, como se tivesse julgado mal seu tamanho.
— Não é o que eu mantenho no bolso. — Yrene acrescentou. As sobrancelhas dele se ergueram. — Eu deixei Innish naquela manhã. Peguei o ouro e o broche e embarquei em um navio para cá. Então cruzei as montanhas por mim mesma, sim, mas o Mar Estreito... — Yrene traçou as ondas no medalhão. — Eu o atravessei por causa dela. Ensino as mulheres na Torre porque ela me disse para compartilhar o conhecimento com qualquer mulher que quisesse ouvir. Ensino porque isso me faz sentir que a estou pagando de volta, de alguma maneira.
Yrene passou o polegar sobre as iniciais na frente do colar.
— Eu nunca aprendi o nome dela. Ela só deixou um bilhete com duas linhas. Para onde precisar ir – e mais um pouco. O mundo precisa de mais curandeiros. É isso o que fica no meu bolso, aquele pequeno pedaço de papel. O que agora está aqui dentro. — Yrene tocou o medalhão. — Eu sei que é bobo, mas me deu coragem. Quando as coisas foram difíceis, ele me deu coragem. Ainda dá.
Chaol tirou os fios de cabelo de sua sobrancelha e beijou-a.
— Não há nada bobo sobre isso. E quem quer que ela seja... Eu serei eternamente grato.
— Eu também — murmurou Yrene enquanto ele deslizava a boca sobre a mandíbula dela e seus dedos dos pés se enrolavam. — Eu também.

12 comentários:

  1. Aiiii. Aí meu coração gente. Que vontade de gritar alto: "Ela é a Aelin!" "Aelin coração de fogo!"

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    1. Tenho a mesma sensação, mas cedo ou tarde eles irão descobrir quem é.... rsrs

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  2. Compartilho sua vontade de gritar "Ela é a Aelin! Aelin coração de fogo"

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  3. Toda vez que vejo ela contar essa história, morro de orgulho da Aelin <3333333

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  4. Que vontade de interromper esse momento fofo para chacoalha-los e berrar: É AELIN, AELIN CORAÇÃO DE FOGO RAINHA DE TERRASEN DO FOGO SELVAGEM A ESTRANHA A EX-ASSASSINA A DONA DA PORRA TODA

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  5. É a rainha cadela cuspidora de fogo!

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  6. Status de relacionamento:
    ( ) Solteira
    ( ) Enrolada
    ( ) Namorando
    ( ) Casada
    (X) Esperando Yrene descobrir que a estranha que a ajudou é na verdade Aelin Galathynius, rainha de Terrasen

    Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa *-*

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    1. kkkkkkk siiiiiiiiiiiiiim estou muito ansiosa

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    2. SIIIM kkkkk (tô esperando desde o começo do livro aaaaa)

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    3. Né 😂

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Boa leitura! E SEM SPOILER!