29 de janeiro de 2018

Capítulo 44

Yrene estava suada, embora secasse tão rapidamente que só sentia sua essência se apegando.
Felizmente, o oásis era sombreado e frio, uma piscina grande e rasa no centro. Os cavalos foram conduzidos para a sombra mais forte para beberem água e serem escovados, e criados e guardas reivindicaram algum lugar escondido para se lavarem e se divertirem.
Não havia sinal de qualquer tipo de caverna que Nousha houvera mencionado, ou da cidade dos mortos que Hasar afirmara espreitar na selva além. Mas o local se abria diante dela, e na grande piscina... Os membros da realeza já mergulhavam nas águas frescas.
Renia, Yrene viu de imediato, usava apenas uma fina túnica de seda – que fazia pouco para esconder seus dotes consideráveis quando ela emergiu da água, rindo de algo que Hasar falou.
— Bem, então — disse Chaol, tossindo ao lado de Yrene.
— Eu falei sobre as festas — ela murmurou, indo até as tendas espalhadas pelas palmeiras altas. Elas eram brancas e douradas, cada uma marcada com a bandeira do príncipe ou da princesa. Mas sem Sartaq e Duva entre eles, Chaol e Yrene ocuparam suas tendas, respectivamente.
Felizmente, ambas ficavam próximas. Yrene abriu as abas da barraca, o espaço grande como a cabana que ela compartilhara com sua mãe, então se virou para Chaol. Seu manquejar, mesmo com a bengala, era mais profundo do que naquela manhã. E ela tinha visto quão rígido ele estava ao descer daquele cavalo infernal.
— Eu sei que você quer se lavar — Yrene falou. — Mas preciso dar uma olhada em você. Em suas costas e pernas, quero dizer. Depois de toda aquela cavalgada.
Talvez ela não devesse ter corrido. Ela nem se lembrava de quem alcançou primeiro a fronteira do oásis, de qualquer forma. Estava ocupada demais rindo, sentindo como se estivesse saindo de seu corpo e provavelmente nunca mais se sentiria da mesma maneira. Ocupada olhando o rosto dele, cheio de tanta luz.
Chaol fez uma pausa nas abas de sua tenda, bengala oscilando, como se tivesse colocado muito mais peso sobre ela do que a madeira permitia. Mas foi alívio em seu rosto quando ele perguntou:
— Sua tenda ou a minha? — que a fez preocupar-se, apenas um pouco.
— Minha — disse ela, ciente dos criados e da nobreza que provavelmente não fazia ideia de que ela era a causa dessa excursão, mas que informaria as suas idas e vindas.
Ele assentiu, e ela monitorou cada movimento de subida e descida de suas pernas, o deslocamento de seu torso, a maneira como ele se inclinava sobre aquela bengala.
Quando Chaol passou por ela e entrou na tenda, ele murmurou em seu ouvido:
— Ganhei, por sinal.
Yrene olhou para o sol agora fazendo sua descida e sentiu seu cerne apertando em resposta.



Ele estava dolorido, mas ainda podia andar quando Yrene terminou seu exame completo. E a série de alongamentos era reconfortante para suas pernas e costas. E a massagem.
Chaol tinha o sentimento distinto de que ela estava brincando com ele, mesmo que suas mãos permanecessem castas.
Desinteressadas.
Ela até teve a coragem de pedir um criado para trazer uma jarra de água.
A tenda era adequada para a princesa que geralmente a ocupava. Uma grande cama estava no centro em cima de uma plataforma, o chão coberto por tapetes ornamentados. As áreas de estar espalhava-se além de um cortinado privado, e havia ouro em todos os lugares.
Ou os criados o trouxeram no dia anterior, ou o povo desta terra temia tanto a ira do khaganato que não se atrevia a roubar este lugar. Ou eram tão bem de vida que não precisavam disso.
Os outros estavam todos na piscina do oásis quando ele vestiu suas roupas agora secas e eles emergiram para procurar sua presa.
Eles conversaram baixo na tenda – nenhum deles havia notado nada de interessante na chegada. E na piscina do oásis, definitivamente sem indicação de uma caverna ou ruínas perto da realeza e seus amigos que se banhavam.
Confortáveis, relaxados. Livres, de maneiras que Adarlan nunca foi. Ele não era ingênuo o suficiente para pensar que nenhuma intriga estava sendo feita nas águas frescas, mas ele nunca ouvira sobre os nobres adarlanianos indo para uma piscina se divertir.
Embora ele certamente se perguntasse o que diabos Hasar estava pensando ao dar uma festa para Yrene, sendo manipulada ou não, considerando que a princesa estava bem ciente de que Yrene mal conhecia a maioria desses convidados.
Yrene hesitou no limite da clareira e olhou para ele por baixo dos cílios – um olhar que qualquer um poderia interpretar como tímido. Uma mulher talvez hesitante em mudar para as roupas leves que usavam nas águas. Deixando que qualquer espectador se esquecesse de que ela era uma curandeira e totalmente acostumada a pele à mostra.
— Acho que não estou com vontade de me banhar — murmurou Yrene sobre as risadas e borrifos de água daqueles dentro das águas do oásis. — Vamos fazer uma caminhada?
Palavras agradáveis e educadas enquanto inclinava a cabeça para os poucos acres de selva indomável que se espalhavam para a esquerda. Ela não se achava uma acostumada à corte, mas certamente podia mentir bem o suficiente. Ele supôs que, como uma curandeira, era uma habilidade que se mostrava útil.
— Seria um prazer — disse Chaol, oferecendo o braço.
Yrene hesitou novamente, o retrato de modéstia – olhando por cima do ombro para aqueles na piscina. A realeza assistindo. Kashin incluído.
Ele a deixaria escolher quando e como deixaria claro ao príncipe – mais uma vez – que ela não estava interessada. Embora ele não pudesse evitar um leve tom de culpa quando ela passou o braço através do seu e eles entraram na escuridão da selva do oásis.
Kashin era um bom homem. Chaol duvidava que suas palavras sobre estar disposto a ir à guerra fossem mentira. E arriscar antagonizar o príncipe, por talvez exibir o que ele tinha com Yrene... Chaol olhou de soslaio para ela, sua bengala apoiando-se nas raízes e no solo macio. Ela ofereceu-lhe um sorriso fraco, as bochechas ainda coradas com o sol.
Para o inferno com a preocupação sobre antagonizar Kashin.
O gorgolejo da primavera se misturou com as palmeiras suspirando acima enquanto se dirigiam mais fundo entre a fauna, escolhendo seu próprio caminho – sem nenhuma direção em mente.
— Em Anielle — ele falou — há dezenas de nascentes quentes ao longo do vale, perto do Lago Prata. Mantidas quentes pelas aberturas na terra. Quando eu era menino, muitas vezes mergulhávamos neles depois de um dia de treinamento.
— Foi o treinamento que o inspirou a juntar-se à guarda? — Ela perguntou com cuidado, como se percebendo que ele realmente havia oferecido esse pedaço dele.
Sua voz era grossa quando ele finalmente respondeu:
— Em parte. Eu era... bom nisso. Combate, esgrima, arquearia e essas coisas. Recebi o treinamento que era adequado para o herdeiro de um senhor que há muito defendia um povo da montanha dos homens selvagens dos Caninos. Mas meu treinamento de verdade começou quando cheguei à Forte da Fenda e me juntei à Guarda Real.
Ela desacelerou enquanto ele passava por um amontoado de raízes, deixando-o se focar em onde colocar os pés e a bengala.
— Suponho que ser teimoso e cabeça-dura fez de você um bom aluno pelo aspecto da disciplina.
Chaol riu, cutucando-a com o cotovelo.
— E fez. Eu era o primeiro no campo de treinamento e o último a sair. Embora fosse espancado todos os dias. — Seu peito apertou quando ele se lembrou de seus rostos, aqueles homens que o treinaram, que o empurraram e empurraram, o deixaram mancando e sangrando, e então se certificavam de que ele fosse remendado no quartel na mesma noite. Normalmente, com uma boa refeição e uma batida nas costas.
E foi em homenagem a esses homens, seus irmãos, que ele disse com voz rouca:
— Eles não eram todos homens maus, Yrene. Aqueles com quem eu... com quem eu cresci com, quem comandei... Eles eram bons homens.
Ele viu o rosto de Ress rindo, o rubor que o jovem guarda nunca conseguia esconder em torno de Aelin. Seus olhos queimaram.
Yrene parou, o oásis cantarolando em torno deles, e suas costas e pernas estavam mais do que gratas pela parada quando ela tirou o braço do dele. Tocou sua bochecha.
— Se eles são parcialmente responsáveis por você ser... você — ela falou, erguendo-se nos pés para roçar a boca contra a dele — então acredito que eles sejam.
— Foram — ele respirou.
E lá estava. Essa palavra, engolida pelo limo e sombra do oásis, que ele mal podia suportar. Foram.
Ele ainda poderia retirar-se deste precipício invisível agora diante deles. Yrene permaneceu perto, uma mão descansando sobre seu coração, esperando que ele decidisse falar.
E talvez fosse só porque ela manteve a mão sobre seu coração que ele sussurrou:
— Eles foram torturados por semanas nessa primavera. Depois assassinados e pendurados nos portões do castelo.
Sofrimento e horror tremiam em seus olhos. Ele mal podia aguentar quando conseguiu prosseguir:
— Nenhum deles quebrou. Quando o rei e os outros... — Ele não conseguis terminar. Ainda não. Talvez nunca enfrentasse aquela suspeita e provável verdade. — Quando questionaram os guardas sobre mim. Nenhum deles sucumbiu.
Ele não tinha as palavras para isso – a essa coragem, esse sacrifício.
A garganta de Yrene tremeu e ela tocou sua bochecha.
— Foi minha culpa — Chaol finalmente soltou. — O rei... ele fez isso para me punir. Por fugir, por ajudar os rebeldes em Forte da Fenda... foi tudo por minha culpa.
— Você não pode se culpar. — Palavras simples e honestas.
E totalmente falsas.
Elas o fizeram voltar, mais eficazmente do que jogar um balde de água fria.
Chaol afastou-se do seu toque.
Ele não deveria ter contado a ela, não deveria ter trazido isso a tona. No aniversário dela, deuses acima. Enquanto eles deveriam concentrar-se em encontrar qualquer tipo de informação que pudesse ajudá-los.
Ele trouxera a espada e a adaga, e enquanto coxeava entre as palmeiras, deixando Yrene segui-lo, ele as verificou para garantir que ambas estivessem ainda afiveladas em sua cintura. Verificou-as porque tinha que fazer algo com suas mãos trêmulas, com a ferida interna.
Ele dobrou as palavras, as memórias, de volta para dentro de si. Profundamente. Selou-as longe enquanto verificava suas armas, uma após a outra.
Yrene apenas o seguiu, sem dizer nada enquanto entravam mais fundo na selva.
O local era maior do que muitas aldeias, e, no entanto, pouco do verde tinha sido domado – certamente nenhuma trilha para ser encontrada, ou indicação de uma cidade dos mortos abaixo deles.
Até que pilares pálidos caídos começaram a aparecer entre as raízes e os arbustos. Um bom sinal, ele supunha. Se houvesse uma caverna, talvez estivesse próxima – talvez como uma habitação antiga.
Mas o nível de arquitetura que eles escalaram e caminharam por cima, forçando-o a selecionar seus passos com cuidado...
— Estas não eram algumas pessoas que habitavam cavernas e que enterravam seus mortos em buracos — observou, bengala raspando sobre a pedra antiga.
— Hasar disse que era uma cidade dos mortos — Yrene franziu o cenho para as colunas ornamentadas e lajes de pedra esculpida, incrustada com a vida da floresta. —Uma necrópole alastrando-se logo abaixo de nossos pés.
Ele estudou o chão da selva.
— Mas pensei que o povo do khagan deixasse seus mortos à céu aberto no coração de seu território de origem.
— Eles fazem isso — Yrene passou as mãos por um pilar esculpido com animais e criaturas estranhas. — Mas... esse local é anterior ao khaganato. À Torre e à Antica, também. A quem estava aqui antes. — Um conjunto de degraus nas ruínas levou a uma plataforma onde as árvores cresceram através da própria pedra, derrubando colunas esculpidas à sua volta. — Hasar afirmou que os túneis são todos armadilhas inteligentes. Ou projetados para manter saqueadores fora, ou manter os mortos dentro.
Apesar do calor, os pelos em seus braços se ergueram.
— Você está me dizendo isso agora?
— Assumi que Nousha quis dizer algo diferente. Que seria uma caverna, e se fosse conectado a estas ruínas, ela teria mencionado. — Yrene entrou na plataforma e suas pernas protestaram enquanto ele a seguiu. — Mas não vejo nenhum tipo de formações rochosas aqui, nenhuma suficientemente grande para uma caverna. A única pedra... vem daqui. — A entrada dando para a necrópole abaixo, como Hasar havia afirmado.
Eles examinaram o complexo destruído, os enormes pilares agora quebrados ou cobertos de raízes e vinhas.
O silêncio era tão pesado quanto o calor. Como se nenhum dos pássaros cantores ou insetos zumbidores do oásis ousassem se aventurar por aqui.
— É inquietante — ela murmurou.
Eles tinham vinte guardas à distância de um grito e, no entanto, ele encontrou sua mão livre indo em direção à espada. Se uma cidade dos mortos descansava sob seus pés, talvez Hasar estivesse certa. Eles deveriam deixá-los dormir.
Yrene virou-se, examinando os pilares, as esculturas. Nenhuma caverna – nada.
— Nousha conhecia a localização, porém — ela refletiu. — Deve ter sido importante – o local. Para a Torre.
— Mas sua importância foi esquecida ao longo do tempo, ou distorcida. Então, apenas o nome, o sentido de sua importância, permaneceu.
— Os curandeiros sempre foram atraídos para esse domínio, sabe — disse Yrene, distante, passando uma mão sobre uma coluna. — A terra apenas... abençoou-os com a magia. Mais do que qualquer outro tipo. Como se este fosse algum terreno propício à cura.
— Por quê?
Ela traçou um entalhe em uma coluna mais comprida do que a maioria dos navios.
— Por que algo prospera? As plantas crescem melhor em certas condições – as mais vantajosas para elas.
— E o continente do sul é um lugar onde os curandeiros prosperam?
Algo capturara seu interesse, fazendo suas palavras soarem abafadas quando ela disse:
— Talvez fosse um santuário.
Ele se aproximou, estremecendo com a dor subindo por sua espinha dorsal. Ela foi esquecida quando Chaol examinou os entalhes sob a palma da mão dela.
Duas forças opostas estavam gravadas na frente larga da coluna. À esquerda: guerreiros altos de ombros largos, armados com espadas e escudos, com chama ondulante e água que explodia, animais de todos os tipos no ar ou em seus joelhos. Orelhas pontudas – eram orelhas pontudas nas cabeças das figuras.
E enfrentando-os...
— Você disse que nada é coincidência — Yrene apontou para o exército de frente para os feéricos.
Menor que os feéricos, seus corpos mais volumosos. Garras e presas e lâminas de aparência perversa.
Ela murmurou uma palavra.
Valg.
Deuses santos.
Yrene correu para os outros pilares, arrancando vinhas e pó. Mais rostos feéricos. Figuras.
Alguns foram retratados em batalhas individuais contra os comandantes valg. Outros derrubados por eles. Alguns triunfando.
Chaol se moveu com ela tanto quanto conseguiu. Olhando, olhando...
Lá, mergulhado nas sombras densas de palmeiras largas. Um quadrado, uma estrutura em ruínas. Um mausoléu.
— Uma caverna — murmurou Yrene. Ou o que poderia ter sido interpretado como uma quando o conhecimento se confundiu.
Chaol arrancou as videiras para ela com a mão livre, as costas doendo. Rasgou e rasgou para procurar o que havia sido esculpido nos portões da necrópole.
— Nousha disse que a lenda afirmava que alguns daqueles pergaminhos vieram daqui — lembrou Chaol. — De um lugar cheio de marcas de Wyrd, de representações dos feéricos e dos valg. Mas esta não era uma cidade viva. Então eles tiveram que remover de túmulos ou arquivos abaixo dos nossos pés. — Da entrada logo além deles.
— Eles não enterraram humanos aqui — murmurou Yrene.
Porque as marcas nos portões fechados, de pedra...
— A Língua Antiga.
Ele vira aquilo no rosto e no braço de Rowan.
Este era um local de enterro de feéricos. Feéricos – não humanos.
— Pensei que apenas um grupo de feéricos tivesse deixado Doranelle — Chaol falou — para se estabelecer em Terrasen, com Brannon.
— Talvez outros tenham se estabelecido aqui durante o que quer que tenha sido essa guerra.
A primeira guerra. A primeira guerra dos demônios, antes que Elena e Gavin nascessem, antes de Terrasen.
Chaol estudou Yrene. Seu rosto sem cor.
— Ou talvez eles desejassem esconder algo.
Yrene franziu a testa para o chão como se pudesse ver os túmulos abaixo.
— Um tesouro?
— De um tipo diferente.
Ela encontrou seus olhos ao seu tom – sua quietude. E medo, puro e afiado, deslizou em seu coração.
— Não entendo. — Yrene falou baixinho.
— Mágica feérica é transmitida através de suas linhagens. Não aparece aleatoriamente. Talvez eles tenham vindo aqui. E então foram esquecidos pelo mundo, forças do bem e do mal. Talvez eles soubessem que este lugar estava longe o suficiente para permanecer intocado. Que as guerras seriam realizadas em outro lugar. Por eles. — Ele empurrou o queixo para uma escultura de um soldado valg. — Enquanto o continente do sul permaneceria principalmente mortal. Enquanto as sementes plantadas aqui pelos feéricos seriam criadas nas linhagens humanas e cresceriam em um povo dotado e propenso à magia de cura.
— Uma teoria interessante — disse com voz rouca — mas você não sabe o que isso poderia representar.
— Se você quisesse esconder algo precioso, não o esconderia à vista? Em um lugar onde estaria disposto a apostar que uma força poderosa surgiria para defendê-lo? Como um império. Muitos deles. Cujos muros não foram violados por conquistadores externos pela totalidade de sua história. Que veria o valor de seus curandeiros e pensaria que seu dom era algo bom, mas nunca saberia que poderia ser um tesouro esperando para ser usado em outro tempo. Uma arma.
— Nós não matamos.
— Não — disse Chaol, seu sangue esfriando — mas você e todos os curandeiros aqui... Há apenas outro lugar assim no mundo. Guardado tão fortemente, protegido por um poder tão poderoso.
— Doranelle – os curandeiros feéricos em Doranelle.
Guardados por Maeve. Ferozmente.
Quem lutaram naquela primeira guerra. Quem lutaram contra os valg.
— O que isso significa? — ela sussurrou.
Chaol teve a sensação de que o chão fugia debaixo dele.
— Eu fui enviado aqui para conseguir um exército. Mas eu me pergunto... me pergunto se alguma outra força me trouxe para recuperar outra coisa.
Ela pegou a mão dele, uma promessa silenciosa. Uma em que ele pensaria mais tarde.
— Talvez seja por isso que aquilo que vigiava a Torre estava me caçando — murmurou Yrene. — Se eles realmente são enviados de Morath... não querem que percebamos nada disso. Através da sua cura.
Ele apertou seus dedos.
— E aqueles pergaminhos na biblioteca... ou foram tirados ou levados daqui, esquecidos, a não ser da lenda sobre onde eles vieram. Onde os curandeiros desta terra podem ter se originado.
Não da necrópole – mas dos feéricos que a construíram.
— Os pergaminhos — ela falou — se retornarmos e encontrarmos alguém para traduzi-los...
— Eles podem explicar isso. O que os curandeiros poderiam fazer contra os valg.
Ela engoliu.
— Hafiza. Me pergunto se ela sabe o que são esses pergaminhos, de alguma forma. A Alta Curandeira não é apenas uma posição de poder, mas de sabedoria. Ela é uma biblioteca ambulante, coisas são ensinadas por seu antecessor que ninguém mais conhece na Torre. — Ela enrolou um cacho em torno do dedo. — Vale a pena mostrar a ela alguns dos textos. Ver se ela sabe o que são.
Uma aposta compartilhar as informações com qualquer outra pessoa, mas valia a pena tentar. Chaol assentiu.
O riso de alguém atravessou até mesmo o pesado silêncio do oásis.
Yrene soltou sua mão.
— Nós precisaremos sorrir, nos divertir entre eles. E depois sairemos à primeira luz.
— Enviar uma mensagem para Nesryn retornar. Assim que voltarmos. Não tenho certeza de que podemos aguardar por mais tempo pela ajuda do khagan.
— Nós tentaremos convencê-lo novamente de qualquer maneira — prometeu. Ele inclinou a cabeça. — Você ainda terá que vencer esta guerra, Chaol — disse ela calmamente. — Independentemente do papel que possamos desempenhar.
Ele passou um polegar sobre sua bochecha.
— Não tenho intenção de perder.



Não foi tarefa fácil fingir que não haviam tropeçado em algo enorme. Que algo não tinha os sacudido até os ossos.
Hasar ficou entediada com a piscina e pediu música, dança e almoço. O que se transformou em horas de descanso na sombra, ouvindo os músicos, comendo uma variedade de iguarias que Yrene não tinha ideia de como conseguiram levar até ali.
Mas, à medida que o sol se punha, todos se dispersaram em suas tendas para se trocar para o jantar. Depois do que ela aprendera junto com Chaol, mesmo estar sozinha por um tempo a deixava nervosa, mas Yrene lavou-se e trocou para o vestido púrpura translúcido fornecido por Hasar.
Chaol a esperava do lado de fora da tenda.
Hasar também lhe trouxera roupas. Um lindo azul profundo que iluminava o ouro em seus olhos castanhos, o bronzeado trazido pelo verão de sua pele.
Yrene corou quando o olhar dele deslizou ao longo de seu decote, até as faixas de pele que as dobras do vestido revelavam ao longo de sua cintura. Suas coxas. Prata e contas claras foram costuradas no tecido, fazendo o vestido brilhar como as estrelas agora cintilando para a vida no céu noturno acima deles.
Tochas e lanternas iluminavam a área em torno da piscina do oásis, para onde mesas, sofás e almofadas foram trazidos.
Música tocava, as pessoas já se perdiam no banquete servido nas várias mesas, com Hasar mantendo a corte, real como qualquer rainha de seu lugar na mesa mais próximo do fogo – uma piscina dourada.
Ela viu Yrene e sinalizou para ela. Para Chaol também.
Dois assentos haviam sido deixados vagos à direita da princesa. Yrene poderia ter jurado que Chaol os dimensionou a cada passo, como se examinasse as cadeiras, os que estavam ao seu redor, o oásis em si por quaisquer armadilhas ou ameaças. A mão dele roçou a tira de pele exposta na base de sua coluna vertebral – como se confirmando que tudo estava limpo.
— Não acha que esqueci minha convidada de honra, não é? — Hasar perguntou, beijando suas bochechas.
Chaol curvou-se para a princesa o máximo que conseguiu, e reivindicou seu assento do outro lado de Yrene, apoiando sua bengala contra a mesa.
— Hoje foi maravilhoso — disse Yrene, e não estava mentindo. — Obrigada.
Hasar ficou calada por uma batida, observando Yrene com suavidade incomum.
— Sei que não sou uma pessoa fácil de lidar, ou uma amiga fácil de se ter — disse ela, seus olhos escuros finalmente encontrando os de Yrene. — Mas você nunca me fez sentir assim.
A garganta de Yrene se apertou com as palavras. Hasar inclinou a cabeça, acenando para uma festa à sua volta.
— Isso é o mínimo que posso fazer para homenagear minha amiga. — Renia deu um tapinha suave no braço de Hasar, como se em aprovação e compreensão.
Yrene inclinou a cabeça.
— Não tenho interesse em amigos fáceis – pessoas fáceis. Acho que confio menos do que nos difíceis, e são muito menos atraentes, também.
Isso trouxe um sorriso para o rosto de Hasar. Ela se inclinou sobre a mesa para examinar Chaol.
— Parece muito belo, lorde Westfall — falou lentamente.
— E a senhorita está linda, princesa.
Hasar, enquanto bem-vestida, nunca foi chamada de tal forma. Mas ela aceitou o elogio com um sorriso de gato que de alguma forma lembrou Yrene daquela estranha em Innish – esse conhecimento de que beleza era fugaz, enquanto poder... poder era uma moeda muito mais valiosa.
O banquete se desdobrou, e Yrene sofreu com um brinde não tão sem defesas de Hasar para sua querida, leal e inteligente amiga. Mas ela bebeu com eles. Chaol também. Vinho e cerveja de mel, suas taças preenchidas antes de Yrene notar o braço quase silencioso dos criados servindo.
Demorou trinta minutos antes de começar a conversa sobre a guerra.
Arghun primeiro. Um brinde zombeteiro à segurança e à serenidade em tempos tão tumultuados.
Yrene bebeu, mas tentou esconder sua surpresa ao encontrar Chaol fazendo o mesmo, um sorriso vago grudado no rosto.
Então Hasar começou a discutir se os Desertos Ocidentais, com todos tão focados na metade leste do continente, era um alvo para as partes interessadas.
Chaol apenas deu de ombros. Como se tivesse chegado a uma conclusão nessa tarde. Algumas realizações sobre a guerra e o papel dos membros da realeza nela.
Hasar também percebeu. E apesar de que tudo isso deveria ser uma festa de aniversário, a princesa ponderou em voz alta para ninguém em especial:
— Talvez Aelin Galathynius devesse arrastar sua autoestima para cá e selecionar um de meus irmãos para se casar. Talvez, então, pensemos em ajudá-la. Se tal influência permanecesse na família.
Significando que toda aquela chama, todo aquele poder bruto... preso a este continente, criando uma linhagem, nunca seria uma ameaça.
— Meus irmãos teriam que aguentar estar com alguém assim, é claro — Hasar continuou — mas eles não são homens de sangue fraco como você pode acreditar. — Um olhar para Kashin, que pareceu fingir não ouvir, mesmo quando Arghun bufou.
Yrene se perguntou se os outros sabiam quão versado Kashin era de afugentar suas provocações – que ele nunca se abateu por causa disso simplesmente porque não se incomodava em se importar
Chaol respondeu Hasar com igual brandura:
— Tão interessante quanto seria ver Aelin Galathynius lidar com todos vocês... — Um sorriso secreto e deliberado, como se Chaol pudesse apreciar bastante essa visão. Como se Aelin pudesse muito bem fazer um esporte sanguinário com todos eles. — O casamento não é uma opção para ela.
As sobrancelhas de Hasar se ergueram.
— Com um homem?
Renia lhe deu um olhar afiado que Hasar ignorou.
Chaol riu.
— Com ninguém. Além de seu amado.
— Rei Dorian — disse Arghun, girando seu vinho. — Estou surpreso que ela possa aguentar a ele.
Chaol endureceu, mas balançou a cabeça.
— Não. Outro príncipe estrangeiro e poderoso.
Todos os membros da realeza silenciaram. Mesmo Kashin olhou para eles.
— E quem, pelo amor, seria esse? — Hasar sorveu seu vinho, aqueles olhos afiados escurecendo.
— Príncipe Rowan Whitethorn, de Doranelle. Ex-comandante da Rainha Maeve e membro da família real.
Yrene poderia jurar que o sangue drenou completamente do rosto de Arghun.
— Aelin Galathynius vai se casar com Rowan Whitethorn?
Pela maneira como o príncipe disse o nome... ele realmente ouvira falar desse Rowan.
Chaol mencionou Rowan mais de uma vez de passagem – Rowan, que conseguiu curar muito do dano de sua coluna vertebral. Um príncipe feérico. E o amado de Aelin.
Chaol deu de ombros.
— Eles são carranam, e ele fez o juramento de sangue para ela.
— Ele fez esse juramento a Maeve — retrucou Arghun.
Chaol recostou-se no assento.
— Ele fez. E Aelin conseguiu que Maeve o libertasse para que ele pudesse jurar a ela. Bem na cara de Maeve.
Arghun e Hasar trocaram olhares.
— Como? — exigiu o primeiro.
Um canto da boca de Chaol se ergueu.
— Pela mesma maneira como Aelin alcança todos os seus fins. — Ele levantou suas sobrancelhas. — Ela cercou a cidade de Maeve com fogo. E quando Maeve lhe disse que Doranelle era feita de pedra, Aelin simplesmente respondeu que seu povo, não.
Um arrepio serpenteou pela espinha de Yrene.
— Então ela é uma bruta e uma louca — Hasar fungou.
— É? Quem mais assustou Maeve e saiu andando, e muito menos conseguiu o que queria?
— Ela teria destruído uma cidade inteira por um homem — disse Hasar.
— O macho feérico de sangue puro mais poderoso do mundo — disse Chaol, simplesmente. — Um recurso digno para qualquer corte. Especialmente quando se apaixonaram um pelo outro.
Embora seus olhos dançassem enquanto falava, um tremor de tensão correu sob as últimas palavras.
Mas Arghun aproveitou as palavras.
— Se é uma jogada de amor, eles arriscam que seus inimigos vão atrás dele para puni-la. — Arghun sorriu como se quisesse dizer que já estava pensando em fazê-lo.
Chaol bufou, e o príncipe endireitou-se.
— Boa sorte para quem tentar ir atrás de Rowan Whitethorn.
— Porque Aelin vai queimá-los e deixá-los em cinzas? — Hasar perguntou com uma doçura envenenada.
Mas foi Kashin que respondeu suavemente:
— Porque Rowan Whitethorn sempre será aquele que se afastará desse encontro. Não o agressor.
Um momnto de silêncio.
— Bem, se Aelin não pode representar seu continente, talvez nós procuremos em outro lugar — Hasar falou então. Ela sorriu para Kashin. — Talvez Yrene Towers possa ser oferecida no lugar da rainha.
— Eu não sou nascida nobre — disse Yrene. — Ou da realeza. — Hasar perdera a cabeça.
— Tenho certeza de que lorde Westfall, como Mão, pode conseguir-lhe um título. Fazer de você uma condessa ou duquesa ou qualquer um dos termos que vocês usem. Claro, nós saberíamos que você é pouco mais do que uma leiteira vestida em joias, mas se ficasse entre nós... Tenho certeza de que há alguns aqui que não se importariam com seu começo humilde. — Ela fizera tanto com Renia – para Renia.
A diversão desapareceu do rosto de Chaol.
— Parece que agora quer ser parte desta guerra, princesa.
Hasar acenou com a mão.
— Estou apenas meditando sobre as possibilidades. — Ela examinou Yrene e Kashin, e a comida no estômago de Yrene ficou como chumbo. — Eu sempre disse que vocês teriam crianças tão bonitas.
— Se tivessem permissão do seu futuro khagan para viver.
— Uma pequena consideração – a ser tratada mais tarde.
Kashin inclinou-se para frente, com a mandíbula apertada.
— O vinho sobe à sua cabeça, irmã.
Hasar revirou os olhos.
— Por que não? Yrene é a herdeira não dita da Torre. É uma posição de poder – e se lorde Westfall lhe atribuísse um título real... digamos, contasse uma historinha de que sua linhagem real foi descoberta recentemente, ela poderia muito bem casar com você, Ka...
— Ela casará.
As palavras de Chaol eram lisas. Duras.
Cor manchou o rosto de Kashin enquanto perguntava suavemente:
— E por que, lorde Westfall?
Chaol segurou o olhar do homem.
— Ela não se casará com você.
Hasar sorriu.
— Acho que a moça pode falar por si mesma.
Yrene queria arrastar a cadeira para a piscina e afundar até o fundo. E morar lá, sob a superfície, para sempre. Ao invés de encarar o príncipe que esperava por uma resposta, a princesa que sorria como um demônio e o lorde cujo rosto estava duro de raiva.
Mas se fosse uma oferta séria, se fazer algo assim pudesse levar o pleno poder dos exércitos do continente do sul para ajudá-los, salvá-los...
— Nem sequer considere isso — disse Chaol, calmamente. — Ela está cheia de merda.
As pessoas engasgaram. Hasar ladrou uma risada.
— Você vai falar com respeito à minha irmã, ou vai se encontrar novamente com pernas que não funcionam — Arghun falou.
Chaol os ignorou. As mãos de Yrene tremiam o suficiente para que as deslizasse para debaixo da mesa.
Teria a princesa a trazido aqui para encurralá-la a concordar com essa ideia absurda ou foi simplesmente um capricho, um pensamento ocioso para provocar e atormentar lorde Westfall?
Chaol parecia estar prestes a abrir a boca para dizer mais, para afastar essa ideia ridícula de sua cabeça, mas ele hesitou.
Não porque concordasse, percebeu Yrene, mas porque queria dar-lhe espaço para escolher por si mesma. Um homem que costumava dar ordens, ser obedecido. E, no entanto, Yrene teve a sensação de que isso, também, era novo para ele. A paciência; a confiança.
E ela confiou nele. Para fazer o que ele precisava. Para encontrar uma maneira de sobreviver a esta guerra, fosse com este exército ou outro. Se não acontecesse aqui, com essas pessoas, ele navegaria para outro lugar.
Yrene olhou para Hasar, para Kashin e para os outros, alguns sorrindo, alguns trocando olhares desgostosos. Arghun acima de todos. Revoltado ao pensamento de sujar a linhagem de sua família.
Ela confiava em Chaol.
Não confiava nessa realeza.
Yrene sorriu para Hasar, depois para Kashin.
— Esta é uma conversa séria demais para o meu aniversário. Por que eu deveria escolher um homem esta noite, quando tenho tantos belos em minha companhia agora?
Ela poderia ter jurado que um estremecimento de alívio passou por Chaol.
— De fato — Hasar falou, seu sorriso afiado. Yrene tentou não recuar às presas invisíveis reveladas naquele sorriso. — Noivados são coisas bastante odiosas. Olhe para a pobre Duva, presa com aquele tedioso príncipe de olhos tristes.
E então a conversa mudou. Yrene não olhou para Kashin ou para os outros. Ela olhou apenas para seu cálice constantemente reabastecido – e bebeu. Ou para Chaol, que parecia meio inclinado a dar a volta em Yrene e virar a cadeira de Hasar na piscina.
Mas a refeição passou, e Yrene continuou bebendo, o suficiente para que, quando parou após a sobremesa, ela não tivesse percebido exatamente o quanto tinha bebido. O mundo inclinou-se e balançou, e Chaol a estabilizou com uma mão no cotovelo, mesmo que ele não estivesse tão firme em seus pés.
— Parece que eles não aguentam muito licor no norte — Arghun comentou com um resmungo.
Chaol riu.
— Eu recomendaria nunca dizer isso a alguém de Terrasen.
— Suponho que não haja mais nada a se fazer além de beber quando se vive entre neve e ovelhas — Arghun falou arrastado, descansando em sua cadeira.
— Pode ser — disse Chaol, colocando um braço nas costas de Yrene para guiá-la para as árvores e tendas — mas não impedirá que Aelin Galathynius ou Aedion Ashryver bebam mais que você numa mesa.
— Ou numa cadeira? — Hasar murmurou para Chaol.
Talvez fosse o vinho. Talvez fosse o calor, ou a mão em suas costas, ou o fato de que este homem ao seu lado tivesse lutado e lutado e nunca se queixado sobre isso.
Yrene pulou para a princesa.
E embora Chaol pudesse ter decidido não empurrar Hasar para a piscina atrás dela, Yrene não tinha tantas dúvidas sobre fazê-lo ela mesma. Em um momento, Hasar estava sorrindo para ela.
No seguinte, suas pernas, saias e joias foram para o céu, seu grito atravessava as dunas enquanto Yrene empurrava a princesa, com cadeira e tudo, na água.

12 comentários:

  1. Hahaha. Palmas pra você Irene, mas acho que essa sua atitude ou será entendida como brincadeirinha ou vai causar mais merdas. As vezes acho que sei o jogo que Hasar está fazendo, mas outras penso que não sei.

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    1. Kkkk já era hora, da Yrene pular em cima dessa princesa intrometida

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  2. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Yrene eu te venero. Ainda nao decidi se amo ou odeio a Hasar, mas ela tava merecendo uma dessas faz teeempo.

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  3. HAHAHAHAHA melhor cena. Imagina a cara da Hasar caindo na piscina

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  4. Amo quando Chaol menciona o que a Aelin é capaz de fazer não só por aqueles que ama, mas como ela acaba com todos os inimigos com furia e destreza.Isso faz com que eles pensem duas vezes ante de machucar CHAOL

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  5. "Guardados por Maeve. Ferozmente.
    Quem lutaram naquela primeira guerra. Quem lutaram contra os valg."

    Tem Alguma coisa errada, se pararmos pra pensar Maeve é uma vadia do mal, é estranho que elatenha lutado contra os valgs, ela não e5do tipo que se importa com esse mundo ou com as pessoas que nele vivem. Tudo o que ela quer é poder, então por que não se aliar à Erawan? Pode ser vantajoso pra ela. Aaaaaaaaaaaa acho que estou ficando louca, essa série me faz criar tantas teorias ao ponto de perder a sanidade.
    Alguém dê um prêmio à Yrene ksksksks essa com certeza foi a melhor parte do livro 😂

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    1. A Maeve é egoísta, ela queria se livrar de Erawan e ficar com as chaves só pra ela e ter o poder sozinha.

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    2. se bem me lembro vagamente, a Maeve amava um homem, aquele q a Celaena achou a espada e o anel na caverna, talvez ele fosse vivo nessas épocas, q ela lutou contra os Valgs

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  6. 😂😂😂😂😂😂😂😂😂vai da merda

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  7. Ainda não acredito que Hasar caiu na história da Yrene. Fico esperando dar M o tempo todo. E essa última cena, kkkkkk morri!

    Flavia

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  8. Socorro oooo Yrene eu te idolatro kkkkkkkkk
    Vc e Aelin seriam tão boas amigas ❤️

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Boa leitura, E SEM SPOILER!