29 de janeiro de 2018

Capítulo 39

Chaol não pensou.
Ele não se maravilhou com a sensação de estar tão alto. Com o peso de seu corpo, o gingado quando deu esse passo impressionante.
Havia apenas Yrene, e a mão na maçaneta da porta, e as lágrimas nos olhos furiosos e encantadores. Os mais bonitos que ele já tinha visto.
Eles se arregalaram quando ele deu esse passo em direção a ela.
Enquanto ele se movia e oscilava. Mas ele conseguiu outro.
Yrene tropeçou em sua direção, estudando-o da cabeça aos pés, levantando uma mão para cobrir a boca aberta. Ela parou a poucos metros de distância.
Ele não percebera o quanto ela era pequena. Quão delicada.
Como... como o mundo parecia e sentia daquela forma.
— Não vá — ele respirou. — Eu sinto muito.
Yrene examinou-o novamente, de seus pés até o rosto. Lágrimas escorriam pelas bochechas enquanto virava a cabeça para o lado.
— Eu sinto muito — disse Chaol novamente.
Ainda assim, ela não falou. As lágrimas apenas rolaram e rolaram.
— Eu não quis dizer nada disso — ele falou, rouco, seus joelhos começando a doer e curvar, as coxas tremendo. — Eu criei uma briga e... não quis dizer nada disso, Yrene. Nada. Me desculpe.
— No entanto, uma parte disso você pensava — sussurrou ela.
Chaol sacudiu a cabeça, o movimento fazendo-o oscilar. Ele segurou a parte de trás de uma poltrona para ficar de pé.
— Eu quis dizer aquilo sobre mim. O que você fez, Yrene, o que ainda está disposta a fazer... Você fez isso não por glória ou ambição, mas porque acredita que é o é certo. Sua bravura, sua inteligência, sua vontade implacável... Eu não tenho palavras para isso, Yrene.
Seu rosto não mudou.
— Por favor, Yrene.
Ele foi para ela, arriscando um passo impressionante e bamboleante.
Ela deu um passo para trás.
As mãos de Chaol enrolaram-se pelo ar vazio.
Ele apertou o queixo enquanto lutava para permanecer de pé, seu corpo balançando e estranho.
— Talvez isso o faça você se sentir melhor consigo mesmo, associar-se com pessoas menores e patéticas, como eu.
— Eu não... — Ele trincou os dentes e deu um passo em direção a ela, precisando apenas tocá-la, pegar sua mão e apertá-la, para mostrar-lhe que não era assim. Ele não pensava assim. Ele oscilou para a esquerda, esticando um braço para o outro lado para se equilibrar enquanto dizia: — Você sabe que não quis dizer isso.
Yrene recuou, mantendo-se fora do alcance.
— Sei?
Ele avançou outro passo. Outro.
Ela se esquivou a cada vez.
— Você sabe, droga — ele resmungou. Ele forçou as pernas em outro passo brusco.
Yrene saiu do caminho.
Ele piscou, parando.
Lendo a luz em seus olhos. O tom.
A bruxa o enganava para andar. Acelerando-o para se mover. Seguir em frente.
Ela fez uma pausa, encontrou o olhar dele, e nenhum rastro de dor dentro deles, como se dissesse: Levou tempo suficiente para entender. Um pequeno sorriso floresceu em sua boca.
Ele estava de pé. Estava... andando.
Andando. E esta mulher diante dele...
Chaol deu mais um passo.
Yrene recuou.
Não uma caçada, mas uma dança.
Ele não tirou os olhos dela enquanto cambaleava mais um passo, e outro, seu corpo doendo, tremendo. Mas ele passou por isso. Lutou por cada centímetro em sua direção. Cada passo que a levou até a parede.
Sua respiração vinha em golfadas rasas, aqueles olhos dourados tão arregalados enquanto ele a seguia pela sala. Enquanto ela o levava a colocar um pé depois do outro.
Até que suas costas atingiram a parede, a arandela chacoalhando. Como se ela tivesse perdido a noção de onde estava.
Chaol estava instantaneamente sobre ela.
Ele apoiou uma mão na parede, o papel de parede pressionando a palma da mão enquanto colocava seu peso sobre ela.
Para manter seu corpo ereto enquanto suas coxas tremiam, voltando a doer.
Eram preocupações menores e secundárias.
A outra mão...
Os olhos de Yrene ainda brilhavam com as lágrimas que ele causara.
Uma ainda se prendia à bochecha dela.
Chaol limpou-a. limpou outra que encontrou em sua mandíbula.
Ele não entendi – como ela poderia ser tão delicada, tão pequena, quando virou sua vida inteiramente. Fez milagres com essas mãos e sua alma, essa mulher que cruzara montanhas e mares.
Ela estava tremendo. Não com medo, não enquanto olhava para ele.
E só quando Yrene colocou a mão em seu peito, não para afastá-lo, mas para sentir os estrondosos batimentos do coração abaixo, que Chaol baixou a cabeça e a beijou.



Ele estava de pé. Ele estava andando.
E a estava beijando.
Yrene mal podia respirar, mal se mantinha dentro de sua pele, enquanto a boca de Chaol se acomodava sobre a dela.
Era como acordar ou nascer ou cair do céu. Era uma resposta e uma música, e ela não conseguia pensar ou sentir suficientemente.
As mãos dela enrolaram-se em sua camisa, os dedos se fechando em torno de punhados de tecido, puxando-o para perto.
Seus lábios acariciaram os dela em movimentos pacientes e sem pressa, como se estivessem traçando o gosto dela. E quando seus dentes roçaram o lábio inferior... Ela abriu a boca para ele.
Ele se aproximou, pressionando-a mais contra a parede. Ela mal sentiu a moldura afundando em sua espinha, o papel de parede contra suas costas quando a língua dele deslizou em sua boca.
Yrene gemeu, sem se preocupar com quem ouvisse, quem poderia estar à escuta. Todos poderiam ir para o inferno pelo o que ela se preocupava. Ela estava queimando, brilhando...
Chaol colocou uma mão contra sua mandíbula, inclinando o rosto para melhor reivindicar sua boca. Ela arqueou, silenciosamente implorando-o para levar...
Ela sabia que ele não queria dizer o que disse, sabia que estava atacando a si mesmo e que estava furioso. Ela o aguçara naquela briga, e mesmo que tivesse machucado... Ela soube no momento em que ele ficou de pé, quando o coração dela tinha parado, que ele não quis dizer aquilo.
Que ele teria rastejado.
Este homem, esse homem nobre e altruísta e notável...
Yrene passou as mãos por seus ombros, os dedos escorregando nos cabelos castanhos de seda. Mais, mais, mais...
Mas seu beijo foi minucioso. Como se quisesse aprender todos os gostos, todos os ângulos dela.
Ela roçou a língua contra a dele, e seu grunhido fez os dedos do pé se enrolarem dentro de suas sapatilhas...
Ela sentiu o tremor passar por ele antes de registrar o que era.
A tensão.
Ainda assim ele a beijou, parecia ter a intenção de fazê-lo mesmo que isso o fizesse cair no chão.
Pequenos passos. Pequenas medidas.
Yrene se separou, colocando uma mão em seu peito quando ele fez um movimento para reivindicar sua boca novamente.
— Você deve sentar.
Os olhos dele eram totalmente negros.
— Eu... deixe-me... por favor, Yrene.
Cada palavra era uma rouquidão quebrada. Como se ele tivesse libertado alguma força em si mesmo.
Ela lutou para manter sua respiração firme. Reunir o que ela sabia. Muito tempo de pé e ele poderia estirar as costas. E antes que ela pudesse encorajar a caminhada e – mais que isso, ela precisava ver a lesão. Talvez tivesse recuado o suficiente por conta própria.
Chaol roçou a boca contra a dela, o calor sedoso de seus lábios o suficiente para torná-la disposta a ignorar seu bom senso.
Mas ela empurrou contra isso. Suavemente deslizou para fora de seu alcance.
— Agora, terei maneiras de recompensá-lo — ela disse, tentando o humor.
Ele não sorriu de volta. Não fez nada além de assisti-la com uma intenção quase predatória quando ela recuou um passo e lhe ofereceu o braço. Para voltar para a cadeira.
Para andar.
Ele estava andando...
Ele fez isso. Soltou a parede e oscilou...
Yrene o segurou, firmou-o.
— Pensei que você não fosse me ajudar — disse ele com cuidado, erguendo uma sobrancelha.
— Na cadeira, não. Você tem muito mais chance de cair agora.
Chaol bufou uma risada, então se inclinou para sussurrar em seu ouvido:
— Será a cama ou o sofá agora, Yrene?
Ela engoliu em seco, desafiando-se a olhar para ele. Seus olhos ainda estavam escuros, o rosto corado e os lábios inchados. Por causa dela.
O sangue de Yrene estava aquecido, seu núcleo quase derretido. Como diabos ela o teria quase nu diante dela agora?
— Você ainda é meu paciente — ela conseguiu dizer com excelência, e guiou-o para a cadeira. Quase empurrando-o sobre ela – e ele quase pulou sobre a cadeira, também. — E, embora não haja nenhum juramento oficial sobre essas coisas, eu planejo manter as coisas profissionais.
O sorriso de resposta de Chaol era tudo menos de profissional. Assim como seu rosnado.
— Venha aqui.
Yrene sentia seu coração batendo em cada centímetro dela enquanto dava o passo que os separava. Enquanto ela segurava seu olhar ardente e se acomodou em seu colo.
A mão dele deslizou sob seus cabelos para tocar sua nuca, puxando seu rosto para si enquanto dava um beijo no canto de sua boca. Então o outro. Ela segurou seu ombro, os dedos apertando o pescoço e músculo abaixo, sua respiração falhando quando ele beliscou seu lábio inferior, enquanto sua outra mão começava a explorar seu torso...
Uma porta se abriu no corredor, e Yrene se levantou instantaneamente, atravessando a sala de estar até a mesa – até os frascos de óleo lá. No mesmo momento que Kadja atravessou a porta, uma bandeja em suas mãos.
A criada havia encontrado os “ingredientes” necessários para Yrene. Barbante, leite de cabra e vinagre.
Yrene mal conseguiu lembrar as palavras para agradecer a criado enquanto a menina colocava a bandeja na mesa.
Se Kadja viu seus rostos, seus cabelos e roupas, e pôde ler a linha de tensão entre eles, não disse nada. Yrene não tinha dúvidas de que se ela suspeitasse, sem dúvida relataria a quem quer que segurasse sua coleira, mas... Yrene encontrou-se não se importando enquanto se apoiava na mesa, Kadja partindo tão silenciosamente quanto havia chegado.
Encontrou Chaol ainda observando-a, o peito subindo e descendo.
— O que fazemos agora? — Yrene perguntou em voz baixa.
Pois ela não sabia... como voltar...
Chaol não respondeu. Apenas esticou uma perna completamente na frente dele. Então outra. Repetiu o movimento, maravilhando-se.
— Nós não olhamos para trás — disse ele, encontrando seu olhar. — Não ajuda ninguém e nada a olhar para trás.
Parecia que isso significava algo mais. Para ele, pelo menos.
Mas o sorriso de Chaol cresceu, seus olhos se iluminando quando ele acrescentou:
— Nós só podemos continuar.
Yrene foi até ele, incapaz de se impedir, como se aquele sorriso fosse um farol no escuro.

E quando Chaol se dirigiu para o sofá e tirou a camisa, quando ele se deitou e ela colocou as mãos em suas costas quentes e fortes... Yrene sorriu também.

10 comentários:

  1. Ulálá... Até eu fiquei morrendo de vontade de beijar agora.

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  2. Até que fim, não aguentava mais esperar por esses dois se acertarem.
    Agora só falta conseguirem que o Khagam se alie a eles e que a Nesryn volte com boas noticias e que ela seja feliz tb sozinha ou com alguém.
    J CARSTAIRS

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  3. Aaaaaaaaaaaaaaaaaa finalmente *-* agora vai, só falta a Nesryn se acertar com o Sartaq época o Chaol conseguir a aliança *-* *-* *-*
    Sinceramente eu fiquei constrangida com esse capítulo, senti como se eu estivesse no lugar da Yrene 😅

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  4. Vlh não é por nada não mais essa autora tem o dom pra romance viu OmG
    Deu até vontade de beija agr

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  5. E eu achando que a Nesryn e o Sartaq iam desencantar primeiro. .. mosca morta do jeito que o Chaol é! Finalmente! !

    Flavia

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  6. Ulalaaaaaaa!!! Se estivesse em casa agora ia atacar a patroa!! Kkkkkkkkk.

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  7. As palavras que Aelin disse a ele *-*

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  8. Até q enfim esse chaol tomou uma atitude..quem diria q eles iam se beijar antes do sartaq e nesryn

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Boa leitura, E SEM SPOILER!