29 de janeiro de 2018

Capítulo 34

Era pior do que Nesryn já havia sonhado.
kharankui que deslizou do teto para o chão era muito pior.
Maior do que um cavalo. Sua pele era negra e cinza, salpicada de branco, seus olhos múltiplos, piscinas profundas de obsidiana. E, apesar de seu volume, ela era esbelta e elegante – mais viúva-negra do que aranha-lobo.
— Aqueles petiscos feéricos esqueceram de olhar para cima quando construíram este lugar — disse a aranha, sua voz tão adorável apesar de sua monstruosidade absoluta. Suas longas pernas dianteiras clicaram contra a pedra antiga. — Para lembrar para quem colocaram essas armadilhas.
Nesryn dimensionou a escada atrás da aranha, os feixes de luz, em busca de quaisquer saídas. Não encontrou nenhuma.
E esta torre de vigia tornara-se agora uma verdadeira teia. Idiota; completa idiota por...
As garras na parte superior das pernas da aranha raspavam a rocha.
Nesryn guardou a espada novamente.
— Bom — a aranha ronronou. — Bom que você saiba quão inútil será a arma feérica.
Nesryn ergueu o arco, colocando uma flecha.
A aranha riu.
— Se os arqueiros feéricos não me pararam há muito tempo, humana, você não conseguirá agora.
Ao lado dela, a espada de Sartaq se ergueu uma fração.
Morrer aqui, agora, não tinha ocorrido a ela no café da manhã enquanto Borte trançava seus cabelos.
Mas não havia nada a fazer quando a aranha avançava as presas em suas mandíbulas.
— Quando eu tiver terminado com você, cavaleiro, farei seu pássaro gritar. — Gotas de líquido desprenderam-se daquelas presas. Veneno.
Então a aranha pulou.
Nesryn disparou uma flecha, outra pronta, e sua primeira encontrou seu alvo. Mas a aranha moveu-se tão rapidamente que o golpe mirado num olho atingiu a casca dura de seu abdômen, mal ferindo-a. A aranha pousou na mesa de pedra de tortura, como se prestes a pular sobre eles...
Sartaq golpeou, uma descida brutal em direção à perna mais próxima.
A aranha gritou, sangue negro brotando, e eles se precipitaram para aquela porta distante...
kharankui os interceptou primeiro. As pernas entre a parede e a mesa de pedra, bloqueando o caminho. Tão perto, o cheiro da morte vazando daquelas presas...
— Humano sujo — a aranha cuspiu, veneno pulverizando as pedras aos seus pés.
Do canto de seus olhos, Nesryn viu Sartaq arremessar um braço em seu caminho, empurrando-a para sair da frente daqueles maxilares mortais...
Ela não sabia o que aconteceu no início.
O que o borrão de movimento era, o que fez a kharankui gritar.
Em um momento, ela estava pronta para lutar contra a idiotice de se sacrificar de Sartaq, e no próximo... a aranha estava sendo atirada pela sala, caindo uma e outra vez.
Não Kadara, mas algo grande, armado com garras e presas...
Um lobo cinzento. Tão grande quanto um pônei, e totalmente feroz.
Sartaq não desperdiçou tempo, nem Nesryn. Eles correram para o arco e as escadas além, não se importando quantos espinhos ou flechas dispararam das paredes quando ultrapassavam as armadilhas. Galgando os degraus, saltando as lacunas entre eles, eles não pararam ao barulho e gritos abaixo...
Um silvo canino soou, depois silenciou.
Nesryn e Sartaq atingiram o topo da escada, correndo para as árvores além da porta aberta. O príncipe tinha uma mão em suas costas, empurrando-a, ambos meio virados para a torre.
A aranha explodiu da escuridão, visando não as árvores, mas as escadas superiores da torre de vigia.
Como se subisse para emboscar o lobo quando ele a perseguisse.
E exatamente como planejava, o lobo voou da escada, indo para o arco aberto das vigas, sem nem mesmo olhar para trás.
A aranha saltou. Ouro reluziu nos céus.
O grito de guerra de Kadara deixou os pinheiros tremendo, suas garras rasgando diretamente o abdômen da kharankui e enviando-a escadas abaixo.
O lobo se afastou quando o rugido de advertência de Sartaq para o seu ruk foi engolido pelos gritos do pássaro e da aranha. A kharankui pousou em suas costas, exatamente onde Kadara a queria.
Deixando seu ventre exposto às garras da ruk. E seu bico afiado.
Alguns cortes bem dados, e sangue preto espirrou, membros lustrosos se debatendo, e... silêncio.
O arco de Nesryn pendia de suas mãos trêmulas quando Kadara desmembrou a aranha tortuosa. Ela girou para Sartaq, mas seus olhos foram afastados. Para o lobo. Ela sabia. Enquanto o lobo coxeava na direção deles, um corte profundo em seu lado, e ela viu a sua escuridão de olhos de safira.
Sabia o que era, quem era, quando as bordas de seu casaco cinza brilharam, seu corpo inteiro se encheu de luz que encolhia e fluía.
E quando Falkan apareceu de pés diante deles, uma mão pressionada contra a ferida sangrenta em suas costelas, Nesryn respirou:
— Você é um metamorfo.

3 comentários:

  1. Por um momento, pensei que fosse um feerico.

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    1. Eu também jurava que era um férrico, decepcionei um pouquinho

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Passamos algumas horas sem essa opção, mas estamos à ativa novamente :)

Boa leitura! E SEM SPOILER!