29 de janeiro de 2018

Capítulo 29

Tempestades atrasaram a ida de Nesryn e Sartaq para as montanhas do norte Asimil.
Ao acordar, o príncipe olhou as nuvens e ordenou que Nesryn prendesse tudo o que pudesse no afloramento rochoso. Kadara mudava de uma pata cheia de garras para a outra, o sussurro de suas asas enquanto seus olhos dourados monitoravam a tempestade se aproximando.
Acima, raios e trovões ecoavam por cada pedra e fenda, e enquanto Nesryn e Sartaq se sentavam de costas para o muro de pedra embaixo da saliência, os ventos rugindo, ela poderia jurar que até mesmo a montanha abaixo deles estremeceu. Mas Kadara segurou-se contra a tempestade, colocando-se na frente deles, uma verdadeira parede de penas brancas e douradas.
Ainda assim, a chuva gelada conseguiu encontrá-los, congelando Nesryn até seus ossos, mesmo com a roupa grossa de couro e manta de lã pesada na qual Sartaq insistiu que ela se envolvesse. Seus dentes batiam violentamente o bastante para fazer sua mandíbula doer, e suas mãos estavam tão entorpecidas e duras que ela as manteve enfiadas sob as axilas para conseguir qualquer resquício de calor.
Mesmo antes de a magia desaparecer, Nesryn nunca desejara dons mágicos. E depois que ela sumiu, depois que os decretos a proibiram e as caçadas terríveis por aqueles que uma vez a exerceram, Nesryn não tinha ousado nem pensar em magia. Ela se contentara em praticar seu tiro com arco, aprender a empunhar adagas e espadas, dominar seu corpo até que ele também fosse uma arma. A magia falhava, ela dizia ao pai e à irmã sempre que eles perguntavam. Bom aço, não.
Mas sentada naquele penhasco, chicoteada pelo vento e pela chuva até que não conseguia mais lembrar de ter sentido calor um dia, Nesryn encontrou-se desejando uma faísca de chamas nas veias. Ou pelo menos que uma certa portadora de fogo dobrasse a esquina do penhasco para aquecê-los. Mas Aelin estava longe – desaparecida, se o relatório de Hasar era válido, o que Nesryn acreditava.
A verdadeira questão era se o desaparecimento de Aelin e de sua corte era devido a uma jogada horrível de Morath, ou algum esquema da rainha.
Tendo visto em Forte da Fenda do que Aelin era capaz, os planos que ela havia bolado e colocado em ação sem ninguém saber... Nesryn apostava em Aelin. A rainha reapareceria quando e onde desejasse – exatamente no momento em que ela pretendesse. Nesryn supôs que era por isso que ela gostava da rainha: havia planos bolados há tanto tempo e precisos, que para alguém que deixava o mundo julgá-la despreocupada e impetuosa, Aelin mostrava um grande negócio ao manter tudo em sigilo.
E à medida que aquela tempestade desabava ao redor de Nesryn e Sartaq, ela se perguntou se Aelin Galathynius ainda poderia ter alguma carta na manga que nem mesmo a corte conhecesse. Ela rezou para que Aelin tivesse. Pelo bem de todos eles.
Mas a magia falhou antes, Nesryn lembrou-se enquanto seus dentes se batiam um contra o outro. E ela faria tudo o que pudesse para encontrar uma maneira de lutar contra Morath sem ela.
Poucas horas antes de a tempestade ter passado a aterrorizar outras partes do mundo, Sartaq levantou-se quando Kadara sacudiu suas penas, livrando-se da água. Molhando-os no processo, mas Nesryn não estava em posição de se queixar, quando a ruk tomou o peso da ira da tempestade por eles.
Claro, também deixou a sela encharcada, o que, por sua vez, resultou em uma montaria bastante desconfortável à medida que subiam pelos ventos vivos das montanhas e as pradarias espalhadas abaixo.
Por causa do atraso, eles foram forçados a acampar por outra noite, desta vez em um bosque de árvores, novamente sem uma brasa para aquecê-los. Nesryn manteve sua boca fechada sobre isso – o frio que permaneceu com ela, ao longo de seus ossos, as raízes que espetavam as costas dela através do saco de dormir, o poço vazio em seu estômago que frutas secas, carne e o pão amanhecido não podiam preencher.
Sartaq, para seu crédito, deu-lhe os cobertores dele e perguntou se ela queria trocar suas roupas. Mas ela mal o conhecia, percebeu. Este homem com quem ela viajou, este príncipe com seu sulde e os olhos afiados de seu ruk... Ele era um pouco mais que um estranho.
Tais coisas geralmente não a incomodavam. Trabalhando para a guarda da cidade, ela havia lidado com estranhos todos os dias, em vários estados de repulsa ou pânico. Os encontros agradáveis tinham sido poucos e distantes, particularmente nos últimos seis meses, quando a escuridão se deslocara sobre a cidade e caçara abaixo dela.
Mas com Sartaq... enquanto Nesryn estremecia durante toda a noite, ela se perguntou se talvez tivesse sido um pouco precipitada em ir até ali, com possível aliança ou não.
Os membros dela doíam e os olhos queimavam quando a luz cinzenta do amanhecer atravessou os finos pinheiros. Kadara já estava se mexendo, ansiosa para sair, e Nesryn e Sartaq trocaram menos de meia dúzia de frases antes de estarem no ar para a última etapa de sua jornada.
Eles haviam voado por duas horas, os ventos aumentando cada vez mais para o sul, quando Sartaq disse em seu ouvido:
— Por ali. — Ele apontou para o leste. — Voe meio dia nessa direção, e alcançará as fronteiras do norte das estepes. O coração do Darghan.
— Você visita frequentemente?
Uma pausa. Ele disse sobre o vento:
— Kashin mantém sua lealdade. E Tumelun... — o modo como ele falou o nome da irmã implicava o suficiente. — Mas o rukhin e o Darghan foram o mesmo uma vez. Nós perseguíamos os ruks do alto de nossos cavalos Muniqi, seguindo-os profundamente nas Montanhas Tavan. — Ele apontou para sudeste enquanto Kadara se deslocava, apontando para as montanhas altas e irregulares que subiam no céu. Elas eram salpicadas de florestas, alguns picos cobertos de neve. — E quando domesticamos os ruks, alguns dos cavaleiros escolheram não voltar para as estepes.
— É por isso que muitas de suas tradições são as mesmas — observou Nesryn, olhando para o sulde amarrado à sela. A longa queda, muito abaixo no mato seco balançando como um mar dourado, esculpido por rios estreitos e ondulantes.
Ela rapidamente olhou para frente, para as montanhas. Embora tivesse se acostumado com a ideia de quão pouco havia entre ela e a morte em cima desta ruk, lembrar-se disso não faz nada para seu estômago parar de rodar.
— Sim — disse Sartaq. — É também por isso que nossos cavaleiros frequentemente se unem com o Darghan na guerra. Nossa luta, as técnicas, diferem, mas nós sabemos trabalhar juntos.
— Uma cavalaria abaixo e cobertura aérea acima — comentou Nesryn, tentando não parecer muito interessada. — Você já foi à guerra?
O príncipe ficou quieto por um minuto. Então ele disse:
— Não na escala do que está sendo desencadeado em sua terra. Nosso pai garante que os territórios dentro do nosso império reconheçam que a fidelidade é recompensada. E a resistência é respondida com a morte.
Gelo desceu por sua espinha.
— Então eu fui despachado duas vezes agora para lembrar certos territórios inquietos daquela verdade fria. — Sartaq prosseguiu, uma respiração quente em sua orelha. — Existem os clãs dentro do próprio rukhin. Antigas rivalidades que em que aprendi a navegar e conflitos que tive que superar.
Do jeito difícil, ele não adicionou. Em vez disso, ele disse:
— Como guarda da cidade, você deve ter lidado com essas coisas.
Ela resmungou ao pensamento.
— Eu estava principalmente na patrulha, raramente promovida.
— Considerando sua habilidade com o arco, eu pensaria que você correu o lugar inteiro.
Nesryn sorriu. Encantador. Sob esse exterior infalivelmente seguro, Sartaq era certamente um namoradeiro sem vergonha.
Mas ela considerou sua pergunta implícita, embora soubesse a resposta há anos.
— Adarlan não é tão... aberto como o khaganato quando se trata de abraçar o papel das mulheres nas fileiras de seus guardas ou exércitos — admitiu. — Embora eu possa ser especialista, homens geralmente eram promovidos. Então fui deixada para apodrecer no patrulhamento dos muros ou ruas movimentadas. Cuidar do submundo ou da nobreza era para os guardas mais importantes. E aqueles cujas famílias vinham de Adarlan.
Sua irmã tinha ficado furiosa, mas Nesryn sabia que se ela tivesse explodido para seus superiores, se os tivesse desafiado... Eles eram o tipo de homens que diriam a ela que deveria ser grata por ter sido admitida, então pediriam que entregasse a espada e o uniforme. Assim, ela pensava que era melhor permanecer, ser deixada para trás, não por mero pagamento, mas pelo fato de que havia tantos outros guardas como ela, ajudando aqueles quem mais precisava. Foi por eles que ela permaneceu, mantendo a cabeça baixa enquanto homens menores eram nomeados.
— Ah. — Outro momento de silêncio do príncipe. — Ouvi que eles não eram tão receptivos às pessoas de outras terras.
— Para dizer o mínimo. — As palavras estavam mais frias do que gostaria. E mesmo assim era o lugar onde seu pai tinha insistido em viver, pensando que oferecia uma espécie de vida melhor. Mesmo quando Adarlan lançou suas guerras para conquistar o continente do norte, ele tinha ficado – embora sua mãe tivesse tentado convencê-lo a retornar à Antica, a cidade de seu coração. No entanto, por qualquer motivo, talvez teimosia, talvez o desafio contra pessoas que queriam mandá-lo embora novamente, ele tinha ficado.
E Nesryn tentou não culpá-lo por isso, realmente tentou. Sua irmã não conseguia entender – Nesryn se irritava ocasionalmente sobre o assunto. Não, Delara sempre adorou Forte da Fenda, amava a agitação da cidade e prosperou em conquistar suas pessoas difíceis. Não foi uma surpresa que ela tivesse se casado com um homem nascido e criado na própria cidade. Uma verdadeira filha de Adarlan – era o que era a irmã dela. Pelo menos, do que Adarlan já havia sido e poderia um dia se tornar novamente.
Kadara pegou um vento rápido e voou ao longo dele, o mundo abaixo passando em um borrão enquanto voavam.
As montanhas ficaram cada vez mais próximas. Sartaq perguntou calmamente:
— Você alguma vez...?
— Não vale a pena falar. — Não quando às vezes ela ainda sentia aquela pedra colidindo contra sua cabeça, ouvindo as provocações daquelas crianças. Ela engoliu em seco e acrescentou: — Sua Alteza.
Uma risada baixa.
— E meu título aparece novamente. — Mas ele não pressionou mais. Apenas disse: — Eu só vou pedir-lhe que não me chame de Príncipe ou de Sua Alteza perto dos outros cavaleiros.
— Vai me implorar por isso?
Seus braços apertaram-se em torno dela com uma advertência fingida.
— Levou-me anos para fazê-los parar de perguntar se eu precisava dos meus chinelos de seda ou de criados para escovar os meus cabelos. — Nesryn riu. — Entre eles, eu sou simplesmente Sartaq — acrescentou — Ou capitão.
— Capitão?
— Outra coisa que você e eu temos em comum, parece.
Namoradeiro sem vergonha de fato.
— Mas você governa todos os seis clãs ruk. Eles respondem a você.
— Sim, e quando todos nós nos reunimos, sou Príncipe. Entre o clã da minha família, o Eridun, sou o capitão de suas forças. E obedeço a palavra da minha mãe de coração. — Ele a apertou novamente para dar ênfase. — O que eu a aconselho a fazer também, se não quiser ser deixada nua e amarrada a uma falésia no meio de uma tempestade.
— Deuses santos.
— De fato.
— Ela...
— Sim. E, como você disse, não vale a pena falar.
Mas Nesryn riu de novo, surpresa ao descobrir que seu rosto doía por sorrir com tanta frequência nos últimos poucos minutos.
— Eu aprecio o aviso, capitão.
As Montanhas Tavan tornaram-se gigantescas, uma parede de pedra cinzenta escura mais alta do que qualquer outra que já vislumbrara em suas próprias terras. Não que ela tivesse visto muitas montanhas de perto. Sua família raramente se arriscava para o interior de Adarlan ou seus reinos circundantes – principalmente porque seu pai era ocupado, mas parcialmente porque as pessoas rurais nessas áreas não eram tão boas com os estrangeiros. Mesmo quando seus filhos nasciam em solo adarlaniano, com uma mãe adarlaniana. Às vezes, esse último fato era mais revoltante para eles.
Nesryn apenas rezava para que o rukhin fosse mais acolhedor.



Em todas as histórias de seu pai, as descrições das ninhadas do rukhin de alguma forma ainda não transmitiam a impossibilidade absoluta do que havia sido construído nos lados e no topo de três picos altos agrupados no coração das Montanhas Tavan.
Não era uma variedade de gir – tendas com estruturas largas – que os clãs de cavaleiros usavam quando se moviam sobre as estepes. Não, o abrigo de Eridun era cortado na pedra, casas, corredores e câmaras, muitas delas originalmente ninhos dos próprios ruks.
Alguns desses ninhos permaneciam, geralmente perto de um cavaleiro de ruk e sua família, assim os pássaros poderiam ser convocados com um aviso prévio. Ou através de um apito ou de alguém que subisse as inúmeras escadas de corda ancoradas na própria pedra, permitindo a passagem entre várias casas e cavernas – embora escadas internas também tivessem sido construídas dentro dos próprios picos, principalmente para idosos e crianças.
As casas em si, cada uma delas, possuíam uma ampla boca de caverna para que os ruks pousassem, os cômodos atrás delas. Algumas janelas pontilhavam aqui e ali, marcadores de salas escondidas atrás da pedra, e levando ar fresco para as câmaras internas.
Não que precisassem de muito mais ar fresco ali. O vento era um rio entre os três picos que abrigavam o clã de Sartaq, cheio de ruks de vários tamanhos, subindo, pousando ou mergulhando. Nesryn tentou e não conseguiu contar as habitações esculpidas nas montanhas. Deveria haver centenas ali. E talvez houvesse mais montanhas adentro.
— Isto... este é apenas um clã? — Suas primeiras palavras em horas.
Kadara subiu para a face do pico mais alto. Nesryn deslizou para trás na sela, o corpo de Sartaq uma parede quente atrás dela enquanto ele se inclinava para frente, guiando-a para fazê-lo também. Suas coxas pressionaram as dela, os músculos se deslocaram abaixo enquanto mantinha o equilíbrio com os estribos.
— O Eridun é um dos maiores, o mais antigo, se acreditarmos.
— Você não acredita? — A arte em torno deles realmente parecia ter existido por épocas inexplicáveis.
— Todo clã afirma que é o mais antigo e o primeiro entre os montadores. — Uma risada retumbou em seu corpo. — Quando há um encontro, só se ouve discussões sobre isso. É preferível insultar um homem falando de sua esposa do que dizer na cara dele que o próprio clã é o mais velho.
Nesryn sorriu, mesmo quando apertou os olhos contra a enorme queda atrás. Kadara seguiu, rápida e inalterável, para a mais ampla das saliências – uma varanda, ela percebeu enquanto a ruk se aproximava.
Pessoas já estavam de pé logo abaixo do enorme arco da boca da caverna, braços levantados em saudação.
Ela sentiu o sorriso de Sartaq em sua orelha.
— Ali está o Salão-Montanha de Altun, a casa de minha mãe e minha família postiça. — Altun – Refúgio do Vento era a tradução grosseira. Era realmente maior do que qualquer outro entre os três picos: os Dorgos ou os Três Cantores, como chamavam a caverna em si, tinha pelo menos doze metros de altura e três vezes isso de largura. Lá dentro, ela podia apenas ver os pilares do que na verdade parecia ser um salão maciço.
— A corte de recepção, onde recebemos nossos encontros e celebrações — explicou Sartaq, seus braços apertando-a enquanto Kadara diminuía. Fechar os olhos na frente das pessoas que aguardavam certamente não ganharia a admiração delas, mas...
Nesryn segurou o pito da sela com uma mão, a outra apertando o joelho de Sartaq, apoiado atrás dela.
Com força o suficiente para machucar.
O príncipe apenas riu baixinho.
— Então a famosa arqueira tem uma fraqueza.
— Eu descobrirei a sua em breve — respondeu Nesryn, ganhando outra risada suave em resposta.
A ruk, misericordiosamente, fez um pouso suave na pedra escura polida do quase-balcão, aqueles esperando na entrada se protegendo contra o vento de suas asas.
Então eles ainda estavam vivos, e Nesryn rapidamente se endireitou, soltando o seu aperto de morte na sela e no príncipe para contemplar um corredor cheio de pilares de madeira esculpida e pintada. Os braseiros queimavam, a pintura dourada brilhando entre o verde e o vermelho, e tapetes grossos em padrões negros impressionantes cobriam grande parte do chão de pedra, interrompidos apenas por uma mesa redonda e o que parecia ser um pequeno estrado contra uma das paredes mais distantes. E além disso, a escuridão iluminada por tochas presas na parede, um corredor fluía na montanha em si. Forrado com portas.
Mas no centro do Salão-Montanha de Altun: uma fogueira.
O poço havia sido esculpido no chão, tão profundo e extenso que degraus largos levaram a ele. Um pequeno anfiteatro – o entretenimento principal, não um palco, mas a própria chama. A lareira.
Era realmente um domínio adequado para o Príncipe Alado.
Nesryn ajustou os ombros enquanto as pessoas jovens e velhas pressionavam, sorrindo amplamente. Alguns vestidos com o familiar couro de montar, outros usando casacos de lã lindamente coloridos que desciam até os seus joelhos. A maioria possuía o cabelo ônix sedoso de Sartaq e a pele dourada e escura.
— Bem, bem — disse uma jovem em um casaco cor de cobalto e rubi, batendo seu pé calçado com botas no chão de pedra lisa enquanto olhava para eles. Nesryn forçou-se a ficar quieta, a suportar aquele exame, o olhar fixo. As tranças gêmeas da jovem, amarradas com tiras de couro vermelho, desciam abaixo de seus seios, e ela atirou uma por sobre o ombro enquanto dizia: — Olha só quem decidiu desistir do regalo de pele e dos banhos com óleos para se juntar a nós mais uma vez.
Nesryn moldou seu rosto em uma calma cuidadosa. Mas Sartaq simplesmente deixou cair as rédeas de Kadara, o príncipe dando à Nesryn um distinto eu te disse, antes de dizer à menina:
— Não finja que não esteve rezando para que eu trouxesse esses belos chinelos de seda para você, Borte.
Nesryn mordeu o lábio para não sorrir, embora os outros certamente não tivessem tanta restrição e risos ecoassem entre as pedras escuras.
Borte cruzou os braços.
— Suponho que saberia onde comprá-los, já que gosta tanto de usá-los você mesmo.
Sartaq riu, o som rico e alegre.
Foi um esforço não admirar. Ele não rira nenhuma vez no palácio.
E quando foi a última vez que ela fez um som tão brilhante? Mesmo com seus tios, sua risada havia sido restringida, como se algum amortecedor invisível se debruçasse sobre ela. Talvez muito antes disso, voltando aos dias quando ela era apenas uma guarda da cidade, sem ideia do que se arrastava pelos esgotos de Forte da Fenda.
Sartaq suavemente guiou Kadara e ofereceu uma mão para ajudar Nesryn a descer.
Foi a mão que ele levantou que fez com que a dúzia de pessoas ali a notasse – a estudasse. Ninguém mais de perto do que Borte.
Outro olhar perspicaz e pesado. Notando os couros, mas nenhum dos traços que a marcaram como uma deles.
Ela havia lidado com o julgamento de estranhos muito antes disso – isto não era algo novo. Mesmo que agora ela estivesse nos salões dourados de Altun, entre os rukhin.
Ignorando a mão oferecida por Sartaq, Nesryn forçou seu corpo rígido a deslizar suavemente uma perna sobre a sela e desmontar. Seus joelhos oscilaram com o impacto, mas conseguiu pousar levemente, e não se deixou erguer as mãos para os cabelos – os quais ela tinha certeza parecerem um ninho de rato, apesar da sua trança curta.
Um leve brilho de aprovação apareceu nos olhos escuros de Borte logo antes de a menina mover o queixo na direção de Nesryn.
— Uma mulher Balruhni nos couros de um rukhin. Agora, esta é uma visão.
Sartaq não respondeu. Ele apenas olhou na direção de Nesryn. Um convite. E desafio.
Então Nesryn enfiou as mãos nos bolsos de suas calças justas e se dirigiu para o lado do príncipe.
— Será melhor se eu disser que peguei Sartaq lixando suas unhas esta manhã?
Borte olhou para Nesryn, piscando uma vez. Então inclinou a cabeça para trás e riu estrondosamente.
Sartaq lançou um olhar aprovador, porém atrevido, na direção de Nesryn antes de dizer:
— Conheça minha irmã postiça, Borte. Neta e herdeira da minha mãe postiça, Houlun. — Ele foi para frente para puxar uma das tranças de Borte. Ela afastou a mão dele. — Borte, conheça a Capitã Nesryn Faliq. — Ele fez uma pausa para uma respiração, depois acrescentou: — da Guarda Real de Adarlan.
Silêncio. As sobrancelhas escuras e arqueadas de Borte se elevaram.
— O que é mais incomum: que uma mulher Balruhni seja capitã, ou por que uma capitã de Adarlan aventurou-se até aqui? — Um homem velho vestido com os couros de rukhin perguntou.
Borte acenou para o homem.
— Sempre conversa ociosa e perguntas com você — ela o repreendeu. E para o choque de Nesryn, o homem estremeceu e fechou a boca. — A verdadeira pergunta é... — um sorriso astuto para Sartaq. — Ela veio como emissária ou noiva?
Qualquer tentativa de uma aparência constante e calma desapareceu quando Nesryn ficou boquiaberta com a garota. Assim como Sartaq.
— Borte.
Borte deu um sorriso malicioso.
— Sartaq nunca traz lindas moças para casa, seja de Adarlan ou Antica. Tenha cuidado ao caminhar perto das margens do penhasco, capitã Faliq, ou algumas das garotas daqui podem dar-lhe um empurrão.
— Você será uma delas? — a voz de Nesryn era imperturbável, mesmo que seu rosto tivesse ficado quente.
Borte franziu o cenho.
— Eu não deveria pensar nisso. — Alguns outros riram novamente.
— Como minha irmã postiça — explicou Sartaq, levando Nesryn em direção ao conjunto de cadeiras baixas assentadas perto do poço da fogueira — considero Borte uma parente de sangue. Como a minha própria irmã.
O sorriso diabólico de Borte desapareceu quando ela acertou seu compasso ao lado de Sartaq.
— Como está a sua família?
O rosto de Sartaq era ilegível, exceto pelo fraca cintilação naqueles olhos escuros.
— Ocupada. — foi tudo o que ele disse. Mal era uma resposta.
Mas Borte assentiu com a cabeça, como se conhecesse bem seus sentimentos e inclinações e ficou quieta enquanto Sartaq escolhia para Nesryn uma cadeira de madeira esculpida e pintada. O calor do fogo ardente era delicioso, e ela quase gemeu enquanto esticava os pés gelados em direção a ele.
— Você não arrumou um par de botas apropriado para sua querida, Sartaq? — Borte sibilou.
Sartaq grunhiu em advertência, mas Nesryn franziu o cenho para as suaves botas de couro. Elas tinham sido mais caras do que qualquer outra que tivesse ousado comprar para si, mas Dorian Havilliard insistira. Parte do uniforme, ele lhe explicara com uma piscadela.
Ela se perguntou se ele ainda sorria tão livremente, ou gastava tão generosamente, onde quer que estivesse.
Mas ela olhou para Borte, cujas botas eram de couro, porém mais espessas com forro do que parecia ser pele de carneiro. Definitivamente melhor equipada para as altitudes frias.
— Tenho certeza de que você pode desenterrar um par em algum lugar — disse Sartaq à sua irmã postiça, e Nesryn se virou sobre a cadeira enquanto os dois se afastavam de volta para onde Kadara esperava.
As pessoas pressionaram Sartaq, murmurando baixo demais para que Nesryn ouvisse do outro lado do corredor. Mas o príncipe respondia com sorrisos fáceis, falando enquanto descarregava seus pacotes, entregando-os a quem estava mais próximo, e então Kadara ficou livre.
Ele deu um tapinha no pescoço dela, então um golpe sólido em seu flanco – e então Kadara se foi, voando para o ar livre além da boca da caverna.
Nesryn debateu ir até eles, oferecer-se para ajudar com os pacotes que agora estavam sendo transportados através da câmara e para o corredor além, mas o calor crepitando sobre seu corpo diminuíra a força de suas pernas.
Sartaq e Borte retornaram, e os outros se dispersaram, no mesmo momento em que Nesryn notou o homem sentado perto de um braseiro no corredor. Uma xícara com vapor estava apoiada na mesinha de madeira ao lado de sua cadeira, e embora parecesse haver um pergaminho aberto em seu colo, seus olhos permaneceram fixos nela.
Ela não sabia o que era mais marcante: que, enquanto sua pele era bronzeada, estava claro que ele não vinha do continente do sul; que seu curto cabelo castanho estava longe das tranças longas e sedosas dos cavaleiros ruk; ou que sua roupa parecia mais semelhante às jaquetas e calças de Adarlan.
Apenas um punhal pendia de sua cintura, e enquanto ele tinha ombros largos e em forma, não possuía a segurança impiedosa de um guerreiro. Ele estava talvez em seus quarenta anos, linhas pálidas gravadas no canto de seus olhos, onde ele apertou os olhos contra o sol ou contra o vento.
Borte levou Sartaq ao redor da fogueira, depois dos vários pilares, e direto para o homem, que se levantou e curvou-se. Ele tinha quase a mesma altura de Sartaq, e mesmo do outro lado do corredor, com o fogo crepitando e o vento gemendo, Nesryn conseguiu distinguir seu halha parcamente falado:
— É uma honra, príncipe.
Borte bufou.
Sartaq apenas deu um rápido aceno de cabeça e respondeu na língua do norte:
— Foi-me dito que o senhor foi um convidado de minha mãe postiça nas últimas semanas.
— Ela foi gentil o suficiente para me receber aqui, sim. — O homem parecia um pouco aliviado ao usar sua língua nativa. Um olhar para Nesryn. Ela não se incomodou em fingir que não estava ouvindo. — Não pude evitar, mas ouvi o que pensei ser menção a uma capitã de Adarlan.
— A capitã Faliq supervisiona a guarda real.
O homem não tirou os olhos de Nesryn enquanto murmurava:
— Ela, agora.
Nesryn só manteve o olhar fixo do outro lado da sala. Continue. Abra a boca, fale tudo o que quiser.
— E seu nome? — Sartaq perguntou bruscamente.
O homem arrastou o olhar de volta para o príncipe.
— Falkan Ennar.
Borte disse a Sartaq em halha:
— Ele é um comerciante.
E se ele vinha do continente do norte... Nesryn se pôs de pé, seus passos quase silenciosos enquanto se aproximava. Ela se certificou de que estivessem, enquanto Falkan a observava por todo o caminho, examinando-a dos pés à cabeça. Certificando-se de notar que a graça com que se movia não era uma habilidade feminina, mas de treinamento que lhe ensinou a ser furtiva para que outros não a detectassem.
Falkan endureceu como se finalmente percebesse. E entendeu que a adaga em sua cintura seria de pouco uso contra ela, se ele fosse estúpido o suficiente para tentar algo.
Bom. Isso o tornava mais inteligente do que um grande número de homens em Forte da Fenda. Parando uma distância casual, Nesryn perguntou ao comerciante:
— Você tem alguma novidade?
De perto, os olhos que ela confundiu com a escuridão eram safira como a meia-noite. Ele provavelmente teria sido moderadamente bonito na sua juventude.
— Novidade?
— De Adarlan. De... qualquer coisa.
Falkan estava com uma quietude notável – um homem que talvez costumasse manter seu terreno em uma pechincha.
— Eu queria poder oferecer-lhe algo, capitã, mas estou no continente do sul a mais de dois anos. Você provavelmente tem mais novidades do que eu. — Um pedido sutil.
E que ficaria sem resposta. Ela não estava prestes a mostrar os assuntos de seu reino para todos ouvirem.
Então Nesryn deu de ombros e voltou-se para a fogueira do outro lado do corredor.
— Antes de sair do continente do norte — Falkan falou enquanto ela se afastava — um jovem chamado Westfall era o capitão da Guarda Real. Você é a substituta dele?
Cuidado. Ela realmente deveria ser muito cuidadosa em não revelar demais. Para ele, para qualquer um.
— Lorde Westfall agora é Mão do rei Dorian Havilliard.
Choque desmontou o rosto do comerciante. Ela prestava atenção nele – cada tique e cintilação. Sem alegria ou alívio, mas sem raiva também. Apenas... surpresa. Surpresa honesta e espontânea.
— Dorian Havilliard é rei?
Às sobrancelhas levantadas de Nesryn, Falkan explicou:
— Estive no meio dos bosques profundos há meses. Notícias não chegam com rapidez. Ou com frequência.
— Um lugar estranho para vender seus produtos — murmurou Sartaq. Nesryn estava inclinada a concordar.
Falkan apenas deu ao príncipe um sorriso apertado. Um homem com segredos, então.
— Foi uma longa jornada — interrompeu Borte, passando o braço através do de Nesryn e girando-a em direção ao escuro corredor além. — A capitã Faliq precisa de um refresco. E um banho.
Nesryn não tinha certeza se deveria agradecer a jovem ou se irritar pela interrupção, mas... Seu estômago era realmente um poço dolorido. E fazia muito tempo que se banhou.
Nem Sartaq nem Falkan as impediram, embora o murmúrio tenha continuado enquanto Borte a acompanhava, o corredor entrando diretamente na montanha em si. Portas de madeira alinhadas, algumas abertas para revelar pequenas câmaras – até uma pequena biblioteca.
— Ele é um homem estranho — disse Borte em halha. — Minha avó se recusa a falar de por que ele veio para cá, o que ele procura.
Nesryn levantou uma sobrancelha.
— Comércio, talvez?
Borte balançou a cabeça, abrindo uma porta no meio do corredor. A sala era pequena, uma cama estreita escondida contra uma parede, a outra ocupada por um baú e uma cadeira de madeira. A parede distante tinha um lavatório e um jarro, juntamente com uma pilha de panos de aparência suave.
— Não temos bens para vender. Nós geralmente somos quem comercia por todo o continente. Nosso clã não tanto, mas alguns dos outros... seus abrigos estão repletos de tesouros de todos os territórios. — Ela tocou a cama raquítica e franziu a testa. — Não esse lixo velho.
Nesryn riu.
— Talvez ele deseje ajudá-los a se expandir, então.
Borte virou-se, as tranças balançando.
— Não. Ele não se encontra com ninguém, nem parece interessado em encontrar. — Um dar de ombros. — Pouco importa. Só que ele está aqui.
Nesryn guardou a informação. Ele não parecia ser um dos agentes de Morath, mas quem sabia até que ponto o braço de Erawan agora se estendia? Se tinha chegado à Antica, então era possível que tivesse penetrado no continente. Ela ficaria de guarda – não tinha dúvida de que Sartaq já estava.
Borte envolveu a ponta de uma trança em um dedo.
— Eu vi a maneira como o mediu. Você também acha que ele não está aqui para negócios.
Nesryn pesou os méritos de admitir a verdade e optou por responder:
— Estes são dias estranhos para todos nós, aprendi a não julgar os homens com base apenas na sua palavra. Ou aparência.
Borte soltou sua trança.
— Não é de se admirar que Sartaq a tenha trazido para casa. Você soa como ele.
Nesryn escondeu o sorriso, sem se preocupar em dizer que achava tal comparação um elogio.
Borte cheirou, acenando para a sala.
— Não tão bom quanto o palácio do khagan, mas melhor do que dormir em um dos sacos de dormir fedorentos de Sartaq.
Nesryn sorriu.
— Qualquer cama é melhor do que eles, suponho.
Borte sorriu.
— Eu realmente quis dizer isso. Você precisa de um banho. E de um pente.
Nesryn finalmente ergueu uma mão para o cabelo e estremeceu. Emaranhados, nós e mais emaranhados. Apenas soltar a trança seria um pesadelo.
— Até Sartaq trança melhor do que isso — Borte provocou.
Nesryn suspirou.
— Apesar dos melhores esforços de minha irmã para me ensinar, sou inútil quando se trata disso. — Ela piscou para a menina. — Por que acha que mantenho meu cabelo tão curto?
Na verdade, sua irmã havia praticamente desmaiado quando Nesryn voltou para casa uma tarde aos quinze anos de idade com o cabelo cortado na altura da clavícula. Ela mantivera o cabelo nesse comprimento desde então – em parte para irritar Delara, que ainda a cutucava sobre isso, e em parte porque era muito mais fácil de lidar. Empunhar lâminas e flechas era uma coisa, mas estilo de cabelo... ela não tinha esperanças. E aparecer no quartel dos guardas com um lindo penteado não seria bem recebido.
Borte apenas deu a Nesryn um aceno rápido, como se parecesse perceber isso.
— Antes de voar da próxima vez, vou trançá-lo adequadamente para você. — Então ela apontou para o corredor, para um conjunto de escadas estreitas que levavam para baixo. — Os banhos ficam por ali.
Nesryn se cheirou e encolheu-se.
— Oh, isso está horrível.
Borte sorriu quando Nesryn entrou no corredor.
— Estou surpresa que os olhos de Sartaq não tenham lacrimejado.
Nesryn riu quando a seguiu para o que ela rezava ser um banho quente. Ela novamente sentiu o olhar agudo e avaliador de Borte e perguntou:
— O quê?
— Você cresceu em Adarlan, não foi?
Nesryn considerou a questão, por que poderia estar sendo feita.
— Sim. Eu nasci e cresci em Forte da Fenda, porém a família do meu pai vem de Antica.
Borte ficou em silêncio por alguns passos. Mas, quando chegaram à estreita escada e entraram na escuridão interior, Borte sorriu por sobre um ombro para Nesryn.
— Então, bem-vinda ao lar.
Nesryn perguntou-se se aquelas palavras poderiam ser as mais lindas que já ouvira.



Os banhos eram formados por banheiras antigas de cobre que tinham que ser preenchidas chaleira por chaleira, mas Nesryn não se opôs quando finalmente deslizou para dentro de uma.
Uma hora depois, o cabelo finalmente limpo e escovado, ela encontrou-se sentada na maciça mesa redonda do grande salão, enfiando coelho assado na boca, aninhada em roupas grossas e quentes que haviam sido doadas pela própria Borte. Os lampejos de bordados cobalto e narcisos nas mangas prendiam a atenção de Nesryn tanto quanto as bandejas de carne assada na frente dela. Belas roupas em camadas contra o frio que permeava o corredor, mesmo com as fogueiras. E seus dedos do pé... Borte encontrara um par daquelas botas forradas de lã para ela.
Sartaq sentou-se ao lado de Nesryn na mesa vazia, igualmente silencioso e comendo com tanto entusiasmo. Ele ainda não tinha se banhado, embora seu cabelo soprado pelo vento tivesse sido penteado, a longa trança caindo no centro de suas costas musculosas.
Quando a barriga começou a encher e seus dedos diminuíram a velocidade, Nesryn olhou para o príncipe. Ela encontrou-o sorridente.
— Melhor do que uvas e porco salgado?
Ela fez um gesto com o queixo em direção aos ossos empilhados em seu prato em resposta silenciosa, depois para a gordura em seus dedos. Seria rude lambê-los? Os temperos eram deliciosos.
— Minha mãe postiça — ele falou, o sorriso desaparecendo — não está aqui.
Nesryn fez uma pausa em sua comilança. Eles tinham ido até ali para buscar o conselho desta mulher.
— De acordo com Borte, ela voltará amanhã ou no dia seguinte.
Ela esperou por mais. O silêncio poderia ser tão eficaz quanto questões verbalizadas.
Sartaq afastou o prato e apoiou os braços na mesa.
— Estou ciente de que você está pressionada por causa do tempo. Se pudesse, eu a procuraria eu mesmo, mas mesmo Borte não sabe aonde ela foi; Houlun é... à mercê dos ventos assim. Vê o seu sulde acenando no vento e pega o seu ruk para persegui-lo. E nos derrubará com ele, se tentarmos detê-la. — Um gesto em direção as lanças perto da boca da caverna, o próprio sulde de Sartaq entre eles.
Nesryn sorriu a isso.
— Ela parece uma mulher interessante.
— Ela é. De certa forma, sou mais próximo dela do que... — As palavras saíram, e ele balançou a cabeça. Do que da sua própria mãe. Na verdade, Nesryn não o testemunhara tão aberto, tão provocante com seus próprios irmãos, como era com Borte.
— Eu posso esperar — Nesryn finalmente disse, tentando não estremecer. — Lorde Westfall ainda precisa de tempo para se curar, e eu disse a ele que ficaria três semanas. Posso esperar um ou dois dias mais. — E, por favor, deuses, não mais um momento depois disto.
Sartaq assentiu, baixando um dedo sobre a antiga madeira da mesa.
— Esta noite descansaremos, mas amanhã... — A sombra de um sorriso. — Você gostaria de voar amanhã?
— Seria uma honra.
O sorriso de Sartaq cresceu.
— Talvez também possamos fazer um pouco de prática de tiro com arco. — Ele a examinou com franqueza que a fez se mexer em seu assento. — Estou certamente interessado em competir contra a Flecha de Neith, e tenho certeza de que os jovens guerreiros também estão.
Nesryn empurrou seu próprio prato, levantando as sobrancelhas.
— Eles ouviram falar de mim?
Sartaq sorriu.
— Eu posso ter contado uma história ou duas da última vez que vim para cá. Por que você pensa que tantas pessoas estavam reunidas quando chegamos? Eles certamente não costumam se arrastar para cá para me ver.
— Mas Borte parecia nunca ter...
— Borte parece ser uma pessoa que dá trégua a alguém?
Algo aprofundou-se em sua animação.
— Não. Mas como eles poderiam saber que eu estava chegando?
Seu sorriso em resposta era o retrato da arrogância principesca.
— Porque eu mandei um recado um dia antes dizendo que você provavelmente se juntaria a mim.
Nesryn apenas o encarou, incapaz de manter sua máscara de calma.
Levantando-se, Sartaq pegou seus pratos.
— Eu lhe disse que estava rezando para que se juntasse a mim, Nesryn Faliq. E se eu tivesse aparecido com as mãos vazias, Borte nunca me deixaria em paz.

10 comentários:

  1. "— Eu lhe disse que estava rezando para que se juntasse a mim, Nesryn Faliq. E se eu tivesse aparecido com as mãos vazias, Borte nunca me deixaria em paz."

    Shsauhauhsa <3

    ResponderExcluir
  2. Ahhh meu shippe 😍 gente sabemos que a Sarah não dá ponto sem nó, ou seja, esse homem não tá aí a toa, mas a questão é: Quem ele é? Porque veio? Amigo ou Inimigo?

    ResponderExcluir
  3. Sartaq e Borte parecem Rhys e Mor (que eu amo muito)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Meus Deus siiiiim
      Eu ia comentar isso
      É igualzinho hahahahaah

      Excluir
  4. Quando alguém começa a falar da Aelin, pensar nela, meu coração dói '^'

    Aaaaaaaaaaaaaaaaaa meu shipp vai dá certo, sim meu coração 😍
    Esse comerciante que apareceu, acho melhor ficar de olho nele, nenhum personagem que brota em TOG fica só sendo lindo, eles tem um propósito (apesar de achar que água com salsicha da Sorncha foi inútil e totalmente desnecessária), o problema é: inimigo ou aliado?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tenho até pena da Sorscha, ela so apareceu pra morrer e aumentar o drama da coisa

      Excluir
  5. Feyre quebradora de maldição e grã senhora da corte nortuna4 de março de 2018 19:25

    "Falkan Ennar.
    Borte disse a Sartaq em halha:
    — Ele é um comerciante."
    Lembrei que Falkan Ennar é o metamorfo que Celaena conheceu no deserto vermelho, quando ela foi treinar com os assassinos silenciosos. O mesmo homem k lhe vendeu a seda de aranha...
    Estou adorando reencontar antigos personagens. Agora só falta aparecer o assassino que se tornou amigo de Celaena durante a competição para o "assasino do rei" que ela aconselhou a abandonar o jogo depois das várias nortes que houveram...
    😍😍😍😍 estou adorando este livro.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu não acho que seja ele porque primeiro ele não era metamorfo e não tinha olhos azuis,maa eu tô achando que pode ser o pai da Lissandra

      Excluir
  6. — Eu lhe disse que estava rezando para que se juntasse a mim, Nesryn Faliq. E se eu tivesse aparecido com as mãos vazias, Borte nunca me deixaria em paz.

    Aaaaaaaaaa que coisa mais fofenha

    ResponderExcluir

Se você não tem conta no Google e quiser comentar, utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!