15 de janeiro de 2018

Capítulo 26. Mocinhos e bandidos

— Me larga, seu gorila! Me solta!
— Fique quieta, menina! Eu não quero lhe fazer mal!
A gordura do detetive enganava muito. Andrade era forte como poucos. Tinha agarrado o jovem mendigo com uma das mãos e a garota mendiga com a outra. Por mais que se debatessem, os dois esfarrapados não conseguiam soltar-se.
— Fiquem quietos! Não tenham medo! Eu sei quem vocês são! — berrava o detetive.
— Sabe nada! — berrava de volta o mendigo. — Nós somos dois pobres mendigos. Não fizemos nada! O senhor não pode prender a gente!
— Eu não estou prendendo ninguém. Vocês são dois dos estudantes sequestrados, não são? Você é a Magrí e você é o Crânio! Esse disfarce não engana meu faro de detetive. Quero falar com vocês. Fiquem quietos!
Andrade arrastou os dois para uma sala e fechou a porta.
— Você! — acusou a menina. — Você é da quadrilha de sequestradores! Não se aproxime de mim!
— Magrí! Crânio! —suplicou o detetive. —Eu não sou nada disso. Confiem em mim!
— Não! Você é o inimigo! — berrou Magrí. — Eu quero o detetive Rubens! Exijo falar com o detetive Rubens!
Andrade balançou a cabeça:
— Vocês não sabem a diferença entre mocinhos e bandidos! Pois saibam que o detetive Rubens acaba de sair daqui sequestrando o prisioneiro Zé da Silva e um rapazinho, que eu nem sei quem é!
— Calú? Sequestraram o Calú? — surpreendeu-se Crânio.
— Era o Calú? — assombrou-se mais ainda Andrade. — O outro sequestrado? Mas, afinal, vocês três foram ou não foram sequestrados? Foi aí que Crânio percebeu o erro que os Karas tinham cometido. Ao se fazerem de sequestrados, eles tinham se acusado para a quadrilha! Os bandidos seriam os únicos a saber que eles não haviam sido sequestrados. E, se Andrade pensava que eles faziam parte dos desaparecidos, então Andrade era inocente! Diabo! Miguel tinha errado outra vez!
— Ele tem razão, Magrí — concluiu Crânio, segurando a menina enfurecida. — Ele é amigo. Miguel enganou-se. O bandido é o
Rubens. Calú caiu numa armadilha!

* * *

Crânio e Magrí contaram para Andrade tudo o que sabiam. E eles sabiam agora que, além de Chumbinho, Miguel e outros garotos, Calú e Márius Caspérides também estavam nas mãos da quadrilha.
— Quer dizer que esse tempo todo eu tive aqui, na delegacia, a única pista do mistério? — perguntou Andrade.
— Pois é — confirmou Magrí. — Eu ouvi a conversa dos bandidos falando da fuga de Márius Caspérides e da prisão de um tal Zé da Silva. Depois Crânio teve o palpite: analisando a conversa que eu tinha ouvido, descobriu que as duas pessoas eram uma só!
— Não foi uma questão de palpite — consertou Crânio. — Foi uma questão de lógica.
Andrade andava de um lado para o outro:
— Certamente Rubens levou Calú e Caspérides para o mesmo lugar onde esconderam os outros.
Magrí sorriu tristemente:
— O problema é saber onde fica esse lugar...
Crânio fez aquela cara triunfante que sempre fazia quando tinha uma ideia brilhante:
—Acho que temos um jeito de saber...
—Que jeito é esse? Fala logo!

* * *

Àquela hora, a rua onde morava o bioquímico Márius Caspérides já estava movimentada. Numa esquina, três homens corpulentos discutiam dentro de um carro preto estacionado:
— ... a gente estava quase pegando o sujeito, quando o tal assaltante de banco...
— O Zé da Silva.
— É. O Zé da Silva.
— E aí?
— Aí a gente foi em cana.
— É...
— Pense! Precisamos pensar!
— Tô com muito sono pra pensar!
Um rapaz todo esfarrapado passou correndo ao lado do carro e jogou um papel lá dentro. Em um segundo, o rapaz já tinha desaparecido.
— O que é isso? — perguntou o Animal.
— Um papel — respondeu o Coisa.
— E claro que é um papel, seu idiota! — reclamou o Fera. — Dá aqui! O Fera abriu o papel, que estava dobrado em dois.
— É um bilhete!
— E o que é que está escrito? — perguntou o Coisa.
— Hum... deixa ver... — resmungou o Fera. — Leia você, que eu
estou sem óculos.
— Mas você não usa óculos...
— Então preciso usar. Leia!
O Coisa pegou o bilhete. Limpou a garganta com um pigarro e ficou olhando para o papel.
— Tô com muito sono pra ler!
O Animal perdeu a paciência e arrancou o bilhete da mão do Coisa:
— Dá isso aqui. Eu leio. Está escrito: O chefe quer ver vocês imediatamente. Corram!
— O chefe? Deve ser o Doutor Q.I.!
— É claro que só pode ser o Doutor Q.I., seu burro! Que outro
chefe nós temos?
— Aqui diz corram. Acho melhor a gente andar logo!
O Fera deu a partida no carro preto. Não notou que estavam sendo seguidos por outro carro com um homem gordo ao volante e dois jovens mendigos.

3 comentários:

  1. Esses seguranças são os três patetas, certeza. ... kkkkkkkkkk

    Flavia

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  2. to rindo toda hora deles kkkkkkkkkkkkkk
    eles estavam ate tarde da noite com a mesma discussão kkkkkkkkkkkkk

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  3. kkkkkkk Verdade.. discutindo sobre o Zé da Silva.. que burros dá zero pra eles.. ainda bem que são.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!