29 de janeiro de 2018

Capítulo 20

Com a maior parte da cidade nas docas para a cerimônia do nascer do sol para homenagear Tehome, as ruas estavam silenciosas.
Chaol supôs que apenas os mais doentes ficariam abatidos hoje, e por isso, quando se aproximaram de uma casa delgada em uma rua ensolarada e empoeirada, ele não estava surpreso por ser saudado por uma tosse violenta antes de chegaram até a porta.
Bem, antes que Yrene chegasse até a porta. Sem a cadeira, ele continuaria no topo do cavalo, mas Yrene não comentou nada quando desmontou, amarrou sua égua ao posto de engate da rua, e caminhou para a casa. Ele continuava movendo os dedos dos pés de vez em quando – tanto quanto conseguia dentro das botas. O movimento por si só, ele sabia, era um presente, mas exigia mais concentração do que ele esperava; mais energia, também.
Chaol ainda estava flexionando-os quando uma mulher idosa abriu a porta da casa, suspirando ao ver Yrene e falando em um halha muito lento. Para Yrene entender, aparentemente, porque a curandeira respondeu no idioma enquanto entrava na casa e deixava a porta entreaberta, seu uso das palavras difícil e tateante. Melhor do que o dele.
Da rua, ele podia ver através das janelas abertas da casa e da porta, a cama pequena enfiada logo abaixo do peitoril pintado, como que para manter o paciente no ar fresco.
Era ocupada por um homem velho – a fonte da tosse.
Yrene falou com a mulher antes de caminhar para o velho, puxando um banquinho de três pernas.
Chaol acariciou o pescoço de seu cavalo, retorcendo os dedos dos pés novamente, enquanto Yrene pegava a mão murcha do homem e apertava a outra em sua testa.
Cada movimento era gentil, calmo. E seu rosto... Havia um sorriso suave sobre ele. Um que ele nunca tinha visto antes.
Yrene falou algo que ele não pôde ouvir que fez a velha retorcer as mãos atrás deles, então puxar o fino cobertor que cobria o homem.
Chaol se encolheu à vista das lesões cobrindo-lhe o peito e o estômago. Até mesmo a velha fez o mesmo.
Mas Yrene nem piscou, seu semblante sereno nunca mudando enquanto erguia uma mão diante ela. Luz branca acendeu os dedos e a palma da mão.
O velho, embora inconsciente, respirou fundo enquanto ela colocava a mão em seu peito. Direto sobre a pior das feridas.
Por longos minutos, ela apenas ficou com a mão lá, as sobrancelhas franzidas, a luz fluindo de sua palma para o peito do homem. E quando ela retirou a mão... a velha chorou. Beijou as mãos de Yrene, uma após a outra. Yrene apenas sorriu, beijando a bochecha flácida da mulher e despediu-se, dando o que deveriam ser firmes instruções para o cuidado contínuo do homem.
Só depois de Yrene fechar a porta atrás dela, o sorriso bonito desapareceu. Ela estudou o chão de pedra poeirento e sua boca apertou-se. Como se tivesse se esquecido de que ele estava lá.
Seu cavalo relinchou, e a cabeça dela disparou para cima.
— Você está bem? — Ele perguntou.
Ela apenas desprendeu o cavalo e montou, mordendo o lábio inferior quando começaram a andar lentamente.
— Ele tem uma doença que não é fácil. Nós estamos lutando faz cinco meses agora. Mas ela voltou tão ruim dessa vez... — Ela sacudiu a cabeça, desapontada. Consigo mesma.
— Não tem cura?
— Foi vencida em outros pacientes, mas às vezes o hospedeiro... Ele é muito velho. E mesmo quando penso que a purguei dele, ela volta. — Ela suspirou. — Neste ponto, sinto como se eu estivesse apenas comprando tempo, não lhe dando uma solução.
Ele estudou o aperto em sua mandíbula. Alguém que exigia a excelência de si mesma – enquanto talvez não esperasse o mesmo dos outros. Ou nem mesmo tivesse esperança disso.
Chaol encontrou-se dizendo:
— Existem outros pacientes que você precisa visitar?
Ela franziu a testa para suas pernas. Em direção ao dedão que ele empurrava contra o topo da bota, o couro se movendo com o movimento.
— Nós podemos voltar ao palácio.
— Eu gosto de estar fora — ele falou. — As ruas estão vazias. Deixe-me... — Ele não conseguiu terminar.
Yrene parecia ter entendido, no entanto.
— Há uma jovem mãe aqui na cidade... Ela está se recuperando de um trabalho de parto árduo há duas semanas. Eu gostaria de visitá-la.
Chaol tentou não parecer muito aliviado.
— Então vamos.


Assim, eles foram. As ruas permaneciam vazias, a cerimônia, disse-lhe Yrene, durando até meio da manhã. Embora os deuses do império tivessem sido reunidos, a maioria das pessoas participava de suas festividades.
A tolerância religiosa, ela dissera, era algo que o primeiro khagan havia defendido – e também todos os que vieram depois dele. Oprimir várias crenças apenas traria a discórdia para dentro de seu império, então ele absorveu todos eles. Alguns literalmente, torcendo deuses múltiplos em um. Mas sempre permitindo que aqueles que desejassem praticar a liberdade a fizessem sem medo.
Chaol, por sua vez, contou a Yrene sobre algo que aprendeu ao ler a história da lei khagan: em outros reinos, onde as minorias religiosas eram maltratadas, ele encontrou muitos espiões dispostos.
Ela já sabia disso – e perguntou-lhe se ele já usara espiões para a sua própria... posição.
Ele respondeu que não. Embora não tenha revelado que já teve homens que trabalharam secretamente, mas não eram como os espiões que Aedion e Ren Allsbrook tinham empregado. Que ele próprio tinha trabalhado em Forte da Fenda desse modo. Na primavera e no verão. Mas falar sobre seus antigos guardas... Ele ficou em silêncio.
Ela ficou quieta depois disso, como se sentisse que seu silêncio não era por falta de conversa.
Ela o levou para um bairro da cidade que estava cheio de pequenos jardins e parques, com casas modestas ainda bem conservadas. Firmemente de classe média. O lembrou um pouco de Forte da Fenda e ainda... mais limpo. Mais brilhante. Até com as ruas tão calmas nesta manhã, estava cheia de vida.
Especialmente na casinha elegante onde pararam, onde uma jovem de olhos alegres olhou pela janela, um nível acima. Ela gritou para Yrene em halha, depois desapareceu por dentro.
— Bem, isso responde minha pergunta — murmurou Yrene, assim que a porta da frente se abriu e aquela mulher apareceu, uma criança gorda em seus braços.
A mãe fez uma pausa ao ver Chaol, mas ele ofereceu um cumprimento com a voz educada e um aceno de cabeça.
A mulher sorriu gentilmente para ele, mas o sorriso tornou-se tortuoso quando encarou Yrene e estreitou sobrancelhas para ela.
Yrene riu e o som... Belo como o som era, não era nada como o sorriso em seu rosto. O deleite. Ele nunca tinha visto um rosto tão adorável.
Não quando Yrene desmontou e pegou o bebê carnudo – o retrato da saúde do recém-nascido – dos braços estendidos da mãe.
— Oh, ela é linda — ela murmurou, roçando um dedo sobre uma bochecha redonda.
A mãe sorriu.
— Gorda como uma leitoazinha. — Ela falou na língua de Chaol, fosse porque Yrene usou essa língua com ela, ou por perceber os traços dele, tão diferentes das várias feições aqui de Antica. — Tem a fome de um porco, também.
Yrene concordou e balançou o bebê, brincando com a garota.
— A alimentação está indo bem?
— Ela estaria no meu peito dia e noite, se eu a deixasse — respondeu a mãe, de modo algum envergonhada de estar discutindo essas coisas com ele presente.
Yrene riu, seu sorriso crescendo enquanto ela deixava uma mãozinha envolver seu dedo.
— Ela parece tão saudável como deve ser — observou. Então olhou a mãe. — E você?
— Tenho acompanhado o regime que você me passou – os banhos ajudaram.
— Não há sangramento?
Um balançar de cabeça. Então ela pareceu notá-lo, porque ela disse um pouco mais baixo, e Chaol de repente achou os edifícios da rua bastante interessantes.
— Quanto tempo até eu poder... você sabe? Com meu marido.
— Espere mais sete semanas — Yrene murmurou.
A mulher soltou um grito de indignação.
— Mas você me curou.
— E você quase se esvaiu em sangue antes que eu pudesse fazer isso. — Palavras que não provocaram nenhuma respsota. — Dê tempo ao seu corpo para descansar. Outros curandeiros lhe dariam mais oito semanas no mínimo, mas... tente as sete. Se houver algum desconforto...
— Eu sei, eu sei — disse a mulher, acenando. — É só que... faz um tempo.
Yrene soltou outra risada, e Chaol encontrou-se olhando para ela enquanto a curandeira dizia:
— Bem, você pode aguardar um pouco mais a essa altura.
A mulher deu a Yrene um sorriso irônico enquanto retomava seu bebê.
— Certamente espero que você mesma aproveite, já que eu não posso.
Chaol percebeu o olhar significativo em sua direção antes que Yrene percebesse.
E a satisfação não foi pouca ao assistir Yrene piscar, então endurecer e depois ficar vermelha.
— O que... ah. Ah não.
Do jeito como ela cuspiu aquele não... Ele não conseguiu nenhum satisfação nisso.
A mulher apenas riu, levantando o bebê um pouco mais enquanto se dirigia para a encantadora casa.
— Eu certamente aproveitaria.
A porta se fechou.
Ainda vermelha, Yrene se virou para ele, distintamente sem encontrar seus olhos.
— Ela é voluntariosa.
Chaol riu.
— Eu não tinha percebido que eu era um firme não.
Ela olhou para ele, montando em sua égua.
— Eu não compartilho a cama com pacientes. E você está com a capitã Faliq — ela acrescentou rapidamente. — E você está...
— fora de forma para curtir uma mulher?
Ela ficou chocada com o que ele falou. Mas novamente, ficou meio presunçoso ao ver seus olhos flamejarem.
— Não — disse Yrene, de alguma forma ficando mais vermelha. — Certamente não é isso. Mas você é... você.
— Estou tentando não ser insultado.
Ela acenou com a mão, olhando para todos os lados, menos para ele.
— Você sabe o que eu quero dizer.
Que ele era um homem de Adarlan, que tinha servido ao rei? Certamente sim. Mas ele continuou, decidindo ter piedade dela:
— Eu estava brincando, Yrene. Eu... estou com Nesryn.
Ela engoliu em seco, ainda corando loucamente.
— Onde ela está hoje?
— Foi assistir à cerimônia com sua família. — Nesryn não o convidara, e ele afirmou que queria adiar o seu próprio passeio pela cidade. No entanto, aqui estava ele agora.
Yrene assentiu distantemente.
— Você vai à festa hoje à noite, no palácio?
— Sim. Você vai?
Outro aceno de cabeça. Silêncio. Então ela disse:
— Estou com receio de trabalhar com você hoje – apenas no caso de perdermos a hora para a festa.
— Seria tão ruim se perdêssemos?
Ela olhou para ele enquanto eles viravam uma esquina.
— Ofenderia alguns deles. Se não ofender a Senhora das Grandes Profundidades. Não tenho certeza do que me assusta mais. — Ele riu novamente enquanto Yrene continuava: — Hasar me emprestou um vestido, então eu tenho que ir. Ou arriscarei sua ira.
Alguma sombra passou por seu rosto. E ele estava prestes a perguntar sobre isso quando ela adicionou:
— Quer fazer um tour?
Ele olhou para ela, para a oferta que ela atirara entre eles.
— Admito que não sei muito sobre a história, mas meu trabalho me levou para cada bairro, então posso pelo menos evitar de nos perdemos.
— Sim — ele respirou. — Sim.
O sorriso de Yrene era tentador. Quieto.
Ela o conduziu para frente, as ruas começando a encher quando as cerimônias terminaram e as comemorações começavam.
À medida que pessoas rindo atravessavam a avenida e as vielas, a música se espalhava de todo lado, o cheiro de alimentos e especiarias envolvendo-o.
Ele se esqueceu do calor, do sol, esqueceu-se de continuar movendo os dedos dos pés de vez em quando enquanto percorriam os entornos sinuosos da cidade, quando ele se maravilhou com os templos abobadados e bibliotecas de livre acesso, enquanto Yrene mostrou-lhe o papel-moeda que eles usavam – casca de ameixa seca sobre seda – em vez de moedas pesadas.
Ela lhe comprou seus doces favoritos, um bolo feito de alfarroba, e ofereceu sorrisos a quem encontrava no caminho. Raramente para ele, no entanto.
Não havia nenhuma rua em que se recusasse a passar, nenhum bairro ou beco que ela parecesse temer. A cidade-deus, sim – e também uma cidade de aprendizagem, de luz, conforto e riqueza.
Quando o sol atingiu o seu ponto máximo, eles foram para um jardim público exuberante, suas árvores e vinhas pendentes bloqueando os raios brutais. Cavalgaram pelo labirinto de passarelas, o jardim quase vazio graças a todos que participavam a refeição do meio-dia.
Canteiros transbordavam de flores, samambaias penduradas balançavam na brisa fresca do mar, pássaros cantavam da cobertura das frondes caídas sobre suas cabeças.
— Você acha... — Yrene começou depois de longos minutos de silêncio — que um dia... — ela mordeu o lábio — poderemos ter um lugar como esse?
— Em Adarlan?
— Em qualquer lugar — disse ela. — Mas sim, em Adarlan, em Charco Lavrado. Ouvi que as cidades de Eyllwe foram uma vez como... bem como isso, antes...
Antes da sombra entre eles. Antes da sombra em seu coração.
— Elas eram — disse Chaol, selando o pensamento da princesa que morava naquelas cidades, que as amava. Mesmo a cicatriz em seu rosto pareceu pulsar. Mas ele considerou sua pergunta. E daquelas sombras de sua memória, ele ouviu a voz de Aedion Ashryver. O que acha que as pessoas nos outros continentes, do outro lado de todos aqueles mares, pensam de nós? Acha que nos odeiam ou têm pena de nós pelo que fazemos uns contra os outros? Talvez seja tão ruim lá quanto é aqui. Talvez seja pior. Mas para fazer o que preciso, para enfrentar isso... preciso acreditar que seja melhor. Em algum lugar, é melhor que isto.
Ele se perguntou se conseguiria dizer a Aedion que ele havia encontrado esse lugar. Talvez dissesse a Dorian o que tinha visto aqui. Ajudar a reconstruir as ruínas de Forte da Fenda, de seu reino, em algo assim.
Ele percebeu que não tinha terminado. Que Yrene ainda esperava, enquanto tirava uma erva daninha do meio de pequenas flores roxas.
— Sim — ele disse, finalmente, com a cautela escondendo aquela minúscula fagulha ardente de esperança em seus olhos. — Eu acredito que podemos construir isso para nós um dia. Se sobrevivermos a esta guerra. — Ele acrescentou. Se pudesse sair dali com um exército atrás dele para desafiar Erawan.
O tempo o pressionava, sufocando-o. Mais rápido. Ele tinha que se mover mais rápido com tudo.
Yrene observou seu rosto no forte calor do jardim.
— Você ama muito a sua gente.
Chaol assentiu, incapaz de encontrar as palavras.
Ela abriu a boca como se para dizer alguma coisa, mas a fechou. Então disse:
— Mesmo as pessoas de Charco Lavrado não foram irrepreensíveis com suas ações na última década.
Chaol tentou não olhar a leve cicatriz em sua garganta. Fora um dos seus compatriotas quem...
Ela suspirou, estudando o jardim de rosas murchando no calor intenso.
— Devemos voltar para o palácio. Antes que as multidões fiquem impossíveis de se atravessar.
Ele se perguntou o que ela pensou em dizer um momento atrás, mas decidiu esquecer. O que causou a sombra espreitando em seus olhos.
Mas Chaol apenas a seguiu, todas aquelas palavras pesando entre eles.


Eles se separaram no palácio, os corredores cheios de criados preparando-se para as festas da noite.
Yrene foi direto encontrar Hasar e o vestido – e o banho – que lhe foi prometido, e Chaol voltou para a própria suíte, para lavar a poeira e suor e encontrar algo adequado para vestir.
Nenhum sinal de Nesryn até que ela voltou no meio do seu banho, gritou que ela mesma tomaria um, e fechou a porta de sua suíte.
Ele optou por sua casaca verde petróleo e esperou na sala de estar pela chegada de Nesryn. Quando ela apareceu, ele piscou para o casaco e as calças ametista bem cortados. Ele não tinha visto um sinal do uniforme de capitã por dias. E não estava prestes a perguntar quando disse:
— Você está linda.
Nesryn sorriu, seus cabelos brilhantes ainda úmidos do banho.
— Você não parece tão mal. — Ela pareceu notar a cor em seu rosto e perguntou: — Você esteve no sol hoje? — Seu leve sotaque se aprofundou, adicionando mais sonoridade em certas sílabas.
— Ajudei Yrene com alguns pacientes em torno da cidade.
Nesryn sorriu quando eles entraram no corredor.
— Fico feliz em ouvir isso. — Nenhuma palavra sobre o passeio e a visita que ele desmarcou com ela – ele se perguntou se ela até se lembrava.
Ele ainda não tinha contado sobre os dedos dos pés. Mas quando chegaram ao grande salão do palácio... mais tarde. Eles discutiriam tudo mais tarde.
O grande salão do palácio estava uma maravilha.
Essa era a única palavra para descrever.
A comemoração não era tão grande quanto ele teria assumido, apenas mais algumas pessoas do que a reunião habitual dos vizires e da realeza, mas nenhuma despesa havia sido poupada nas decorações. A festa.
Ele boquiabriu-se um pouco, Nesryn fazendo o mesmo, enquanto eles eram conduzidos a seus lugares na mesa alta – uma honra que eles estavam surpresos em receber. O khagan e sua esposa não se juntariam a eles, ele foi informado por Duva. Sua mãe não estava bem nos últimos dias e queria celebrar com seu marido em particular.
Sem dúvida, ver aquelas bandeiras de luto serem baixadas deve ter sido difícil. E esta noite provavelmente não era hora de pressionar o khagan sobre sua aliança, de qualquer maneira.
Alguns convidados chegaram, junto com Hasar e Renia, que estavam de braços dados com Yrene.
Quando Yrene o deixara na encruzilhada de um dos salões principais do palácio, ela estava brilhando com suor e poeira, suas bochechas rosadas, os cabelos ondulando ligeiramente ao redor das orelhas. Seu vestido, também, tinha ficado enrugado depois de um dia montando, a bainha revestida de pó. Certamente, não era como o que ela usava agora.
Ele sentiu a atenção de metade dos homens na mesa deslizar para Hasar – para Yrene – quando elas entraram, seguidas por duas criadas da princesa. Hasar estava sorrindo, Renia era absolutamente impressionante em vermelho rubi, mas Yrene...
Para uma bela mulher vestida com as melhores roupas e joias que um império poderia comprar, havia alguma coisa diferente nela. Sim, os ombros estavam para trás, a coluna ereta, mas o sorriso que o atingiu em cheio no estômago mais cedo se gora.
Hasar vestiu Yrene em azul cobalto que dava vivacidade a pele e deixou o cabelo castanho brilhando como se na verdade fosse dourado. A princesa até salpicara cosméticos no rosto de Yrene – ou talvez a insinuação de cor nas bochechas com sardas viesse do fato de que o vestido era cortado baixo o suficiente para revelar a luxúria da figura dela. Corte baixo e apertado através do corpete.
Os vestidos de Yrene certamente não escondiam seu corpo, mas esse... Ele não tinha percebido exatamente como a cintura era delgada, como seus quadris alargavam-se debaixo dela. Como seus outros atrativos cresciam acima. Ele não foi o único a dar uma segunda olhada. Sartaq e Arghun se inclinaram para frente em seus assentos quando sua irmã levou Yrene para a mesa alta. Os cabelos de Yrene haviam sido penteados para baixo, apenas os lados puxados para trás e fixados com pentes de ouro e rubi. Brincos combinando roçavam a coluna delgada da garganta.
— Ela parece ser da realeza — murmurou Nesryn.
Yrene, de fato, parecia uma princesa – embora uma seguindo para a forca pela solenidade em seu rosto quando chegaram à mesa. Fosse qual fosse a alegria que ela possuía quando eles se separaram, desapareceu nas duas horas em que ela passou com Hasar.
Os príncipes levantaram-se para cumprimentar Yrene desta vez, Kashin erguendo-se primeiro.
A herdeira não declarada da Alta Curandeira; uma mulher que provavelmente exercerá um poder considerável nesse reino. Eles pareceram perceber a profundidade dessa implicação. Arghun especialmente, pelo olhar perspicaz que deu à Yrene. Uma mulher de considerável poder e beleza.
Ele viu a palavra nos olhos de Arghun: prêmio.
O maxilar de Chaol apertou. Yrene certamente não queria as atenções do mais bonito dos príncipes – ele não podia imaginar que ela desejasse a afeição dos outros dois.
Arghun abriu a boca para falar com Hasar, mas a princesa caminhou diretamente para Chaol e Nesryn e murmurou na orelha de Nesryn:
— Mova-se.

2 comentários:

  1. Huumm... Vamos lá:
    1: Imagino que vocês saibam que a Sarah vai ter um baby.
    2: Cada vez que eu leio o nome de um deles que nem agora ela citou o Aedion eu tenho vontade de chorar porque eu tenho muitas saudades e eu tô com medo...
    3: Tô com medo de dar tudo errado no fim. Eu sei que em uma guerra existem baixas dos dois lados não quero que ninguém morra, mas vai ficar estranho se sair todo mundo vivo e ileso eu não tenho problemas com mortes de personagens desde que elas tenham um propósito na trama tipo a morte da Nehemia eu sofri, porem teve um propósito agora quando o autor mata apenas pra chocar aí não é legal. (Mas eu não quero que ninguém morra) mas quando eu digo dar tudo errado é porque eles tem um sonho "O mundo será salvo e refeito por sonhadores." Meu medo é do sonho deles não se realizar. De toda essa luta deles ser em vão. Tipo a luta de uma certa pessoa pra salvar a vida de outra pessoa que no fim explodiu pelos ares acho que não preciso citar nomes, né? Claro que tudo que aconteceu não foi em vão serviu pra muita coisa, mas...
    4: Eu leio azul cobalto e lembro de quem? Quem conhece rabanete sabe.
    5: E por falar em mortes uma das séries que será postada no blog esse ano pelo que eu vi nos projetos tem tantas mortes que eu fiz até uma listinha pra saber quem ainda tava vivo, além de aumentar meu estoque de lencinhos pros personagens que amo e de fogos pros que eu detesto

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Comentários de volta!
Passamos algumas horas sem essa opção, mas estamos à ativa novamente :)

Boa leitura! E SEM SPOILER!