15 de janeiro de 2018

Capítulo 15. Os três incompetentes

O vídeo do intercomunicador acendeu-se e a silhueta do Doutor Q.I. projetou-se sobre os três grandalhões que, naquele momento, mais pareciam três moleques apanhados no meio de uma travessura.
Um pouco atrás dos três, confortavelmente instalado em uma poltrona, alguém se divertia com a situação e brincava com um molho de chaves.
A voz metálica estava furiosa:
— Seus incompetentes! Cambada de paquidermes! Como é que três brutamontes como vocês não conseguem pegar um simples funcionário como Márius Caspérides?
O Coisa, sem saber o que fazer com as mãos, também não sabia direito o que fazer com a fala:
— Doutor Q.I.... sabe o que foi? É que... a gente deu azar!
— Azar deu a Pain Control quando contratou vocês três para a segurança!
— Foi azar mesmo, Doutor Q.I. — desculpou-se o Fera. — O tal Mário Caspinha conseguiu sair pelos portões, nem sei como. Mas nós vimos quando ele subiu num ônibus. Fomos atrás dele até o centro da cidade. Ele se meteu no meio da multidão e, quando a gente estava quase botando a mão nele...
— A gente estava quase... — tentou completar o Coisa.
— Cala a boca, seu cretino! — ordenou a voz.
— Como eu ia dizendo — continuou o Fera —, o azar foi que o tal
Mário das Caspas correu justo para um lugar em que um Zé da Silva qualquer estava assaltando um banco e...
A voz metálica e enfurecida do Doutor Q.I. perdeu o pouco de paciência que ainda tinha:
— E vocês três arranjaram um jeito de ser presos como três trombadões principiantes!
— Foi uma coincidência, Doutor Q.I.! Como é que a gente ia adivinhar que a polícia ia aparecer por causa de uma porcaria de assalto a banco, logo quando a gente estava perseguindo um sujeito, com as armas nas mãos?
— A sorte de vocês é que a Pain Control tem gente infiltrada na polícia. De outro modo, vocês iam acabar condenados como cúmplices de assalto a banco!
O homem da poltrona parou de brincar com o molho de chaves e entrou na conversa:
— Desta vez deu para livrar estes três, Doutor Q.I. Não foi muito difícil porque o escrivão é meu amigo e eu fiz com que ele não registrasse o flagrante. Sumi com as armas dos três e assim foi possível livrá-los. Mas é preciso ter mais cuidado. O ambiente está pegando fogo. Se eu não tivesse agido a tempo...
— Eles estariam encrencados, não é, detetive? — interrompeu o Doutor Q.I. — E a Pain Control, em consequência, estaria encrencada junto, não é, meu caro detetive? E o senhor sabe o que teria de fazer nesse caso, detetive?
Depois de um breve silêncio, a voz do detetive soou naquela sala como se fosse a voz cavernosa de um carrasco:
— Eu teria de eliminar os três, lá mesmo, dentro do cárcere da delegacia...
Podia-se ouvir o som da saliva sendo engolida por três grossas gargantas.
— E o senhor faria isso, detetive? — perguntou o Doutor Q.I. – É claro que eu faria.
O Doutor Q.I. deu o tempo suficiente para que a última frase fizesse o efeito que tinha de fazer dentro das mentes acanhadas dos três seguranças da Pain Control. Por um momento, só se ouvia o barulhinho irritante do molho de chaves.
A voz do Doutor Q.I. novamente se fez ouvir:
— Vocês pensam que o problema está resolvido simplesmente porque o nosso detetive conseguiu libertá-los? Nada disso! Enquanto Márius Caspérides estiver à solta, todo o esquema da Pain Control está em perigo. Ele é, agora, o nosso inimigo mais importante. Foi ele quem criou a Droga da Obediência. Ele sabe tudo o que é preciso saber para destruir a nossa organização!
Uma pausa assustadora percorreu a sala. Não se ouvia mais nem o ruído do molho de chaves.
— Vocês três são ignorantes demais para compreender a grandeza do nosso projeto. E o bioquímico Márius Caspérides foi idealista demais para perceber que o verdadeiro idealismo está do nosso lado. Não precisamos de uma droga como esta para acalmar loucos furiosos. Nós precisamos dela para controlar a humanidade!
Enquanto o vídeo começava a escurecer, ainda foi possível ouvir as últimas ordens do Doutor Q.I.:
— É o futuro que está em jogo. Quero a cabeça de Márius Caspérides já, ou as cabeças de vocês é que rolarão!

4 comentários:

  1. Molho de Chaves?! Mds eu achei que ele era tão bonzinhoo :o

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  2. O barulhinho indica que é o detetive , mas qual detetive? Hehehe . Curioso demais

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  3. Tô achando que é o Rubens ele é muito bonzinho

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Boa leitura, E SEM SPOILER!