29 de janeiro de 2018

Capítulo 12

Dor ardente cortou suas costas em garras brutais. Chaol arqueou-se, gritando em agonia.
A mão de Yrene desapareceu instantaneamente e um barulho soou.
Chaol ofegou enquanto ele se erguia nos cotovelos para encontrar Yrene sentada na mesa baixa, seu frasco de óleo virado e vazando pela madeira. Ela encarou surpesa as suas costas, onde a mão estivera.
Ele não tinha palavras, nada além da dor ecoada.
Yrene ergueu as mãos diante de seu rosto como se nunca as tivesse visto antes. Ela as virou de um lado para o outro.
— Não apenas não gosta de minha magia — ela respirou.
Seus braços se curvaram, então ele se deitou de novo nas almofadas, segurando seu olhar enquanto Yrene declarava:
— Odeia minha magia.
— Você disse que era um eco – não conectado à lesão.
— Talvez eu estivesse errada.
— Rowan me curou sem nenhum desses problemas.
Suas sobrancelhas anotaram o nome e ele silenciosamente se amaldiçoou por revelar esse pedaço de sua história neste palácio de ouvidos e bocas.
— Você estava consciente?
Ele considerou.
— Não. Eu estava quase morto.
Ela notou o óleo derramado então e amaldiçoou levemente – de maneira suave, em comparação com algumas outras bocas sujas que ele tivera o prazer de estar ao redor.
Yrene pulou para a bolsa, mas ele se moveu mais rápido, agarrando sua camisa úmida de suor de onde o deixara no braço do sofá e colocando-a sobre a poça de óleo antes que pudesse escorrer sobre o tapete certamente inestimável.
Yrene estudou a camisa, depois o braço estendido, agora quase em sua cintura.
— Ou a sua falta de consciência durante aquela cura inicial impediu que você sentisse esse tipo de dor, ou talvez seja que seja lá o que for isso não tivesse... se estabelecido.
Sua garganta se fechou.
— Você acha que estou... possuído? — por aquela coisa que havia morado dentro do rei, que tinha feito coisas tão indescritíveis...
— Não. Mas a dor pode parecer viva. Talvez isso não seja diferente. E talvez isso não a queira deixar ir.
— A minha coluna ainda está ferida? — ele mal conseguiu fazer a pergunta.
— Está — ela disse e uma parte de seu peito afundou. — Percebi os pedaços quebrados, os nervos emaranhados e partidos. Mas para curar essas coisas, para que elas se comuniquem com seu cérebro novamente... preciso superar esse eco. Ou ganhar sua submissão o suficiente para ter espaço para trabalhar em você — seus lábios pressionaram-se em uma linha sombria. — Essa sombra, essa coisa que te assombra, seu corpo. Ele vai lutar a cada passo, lutar para convencê-lo a me dizer para parar. Através da dor. — Seus olhos eram claros. — Você entende o que estou lhe dizendo?
Sua voz era baixa, áspera.
— Que, se você tiver sucesso, terei que suportar esse tipo de dor. Repetidamente.
— Tenho ervas que podem fazê-lo dormir, mas com uma lesão como essa... não acho que serei a única que terá que lutar contra isso. E com você inconsciente... temo o que isso pode tentar fazer se estiver preso lá. Na sua paisagem de sonhos, sua psique — seu rosto parecia ainda mais pálido.
Chaol deslizou a mão de onde ainda descansava no topo de sua camisa e apertou em um punho.
— Faça o que precisar.
— Doerá. Constantemente. Pior, provavelmente. Terei que trabalhar meu caminho para baixo, vértebra por vértebra, antes mesmo de chegar à base da coluna vertebral. Lutando e curando você ao mesmo tempo.
Sua mão apertou a dela, tão pequena em comparação com a dele.
— Faça o que precisar — ele repetiu.
— E você — ela falou calmamente. — Você terá que lutar também.
Ele acalmou com isso.
Yrene prosseguiu:
— Se essas coisas se alimentam de nós por natureza... se eles se alimentam e ainda assim você está saudável... — ela gesticulou para seu corpo. — Então deve estar se alimentando de outra coisa. Algo dentro de você.
— Não sinto nada.
Ela estudou as mãos unidas, então deslizou os dedos para longe. Não tão violento como deixar cair a mão, mas a retirada foi argumento o suficiente.
— Talvez devêssemos discutir isso.
— Discutir o quê?
Ela passou o cabelo sobre um ombro.
— O que aconteceu, seja lá o que for, com que você alimenta essa coisa.
Suor cobriu as palmas das mãos.
— Não há nada a discutir.
Yrene olhou para ele por um longo momento. Tudo o que ele podia fazer era não diminuir sob aquele olhar franco.
— Por tudo o que tenho observado, há mais do que o suficiente para discutir sobre os últimos meses. Parece que foi uma época tumultuada para você recentemente. Você mesmo disse ontem que não há quem o odeie mais do que você.
Para dizer o mínimo.
— E você está de repente tão ansiosa para ouvir sobre isso?
Ela não desceu tanto.
— Se for o necessário para você se curar e se livrar disto.
Suas sobrancelhas se ergueram.
— Bem então. Ele finalmente sairá.
O rosto de Yrene era uma máscara ilegível.
— Suponho que você não deseje ficar aqui para sempre, com a guerra se alastrando em nossa terra natal, como você chamou.
— Não é nossa terra natal?
Silenciosamente, Yrene levantou-se para pegar sua bolsa.
— Não tenho interesse em compartilhar nada com Adarlan.
Ele entendia. Realmente entendia. Talvez fosse por isso que ainda não contara a ela a quem, exatamente, aquela persistente escuridão pertencia.
— E você... — prosseguiu Yrene — ... está evitando o tópico em questão. — Ela remexeu em sua bolsa. — Você terá que falar sobre o que aconteceu cedo ou tarde.
— Com todo o devido respeito, não é da sua conta.
Seus olhos se dirigiram para ele a essa resposta.
— Você ficaria surpreso com a proximidade da cura de feridas físicas com as emocionais.
— Eu enfrentei o que aconteceu.
— Então, do que essa coisa na sua espinha se alimenta?
— Eu não sei. — Ele não se importava.
Ela finalmente tirou algo da sacola, e quando caminhou de volta para ele, seu estômago apertou com o que ela segurava.
Um mordedor. Fabricado a partir de couro escuro e fresco. Não utilizado.
Ela ofereceu-lhe sem hesitação. Quantas vezes ela entregou um para pacientes, para curar lesões muito piores do que a dele?
— Agora seria a hora para me dizer para parar — disse Yrene, com uma expressão sombria. — Para o caso de você preferir discutir o que aconteceu nos últimos meses.
Chaol apenas deitou sobre o estômago e deslizou o pedaço de couro para a boca.




Nesryn assistiu o nascer do sol no céu.
Ela encontrou o príncipe Sartaq esperando com sua montaria uma hora antes do amanhecer. O minarete estava aberto aos elementos em seu nível mais alto e atrás do príncipe coberto de couro... Nesryn apoiara uma mão no arco da escada, ainda sem fôlego da subida.
Kadara era linda.
Cada uma das penas douradas da ruk brilhava como metal queimado, o branco de seu peito brilhante como neve fresca. E seus olhos de ouro mediram Nesryn imediatamente. Antes de Sartaq virar-se de onde estava, colocando a sela em suas costas largas.
 — Capitã Faliq — declarou o príncipe em saudação.  — Você acordou cedo. —Palavras ocasionais para os ouvidos que estivessem escutando.
— A tempestade na noite passada me impediu de dormir. Espero não estar incomodando-o.
— Pelo contrário. — Na luz fraca, sua boca se curvou em um sorriso. — Eu estava prestes a dar uma volta, para deixar essa porca gorda caçar seu café da manhã de uma vez.
Kadara soprou suas penas em indignação, clicando em seu enorme bico, totalmente capaz de arrancar a cabeça de um homem com uma bicada.
— Não é de admirar que a princesa Hasar tenha cuidado com o pássaro.
Sartaq riu, acariciando suas penas.
— Quer se juntar a mim?
Com essas palavras, Nesryn de repente teve a sensação de quão, quão alto, era o minarete. E como Kadara provavelmente voaria acima dele. Sem nada para afastá-la da morte além do cavaleiro e da sela agora instalados.
Mas montar um ruk...
Ainda melhor, montar um ruk com um príncipe que poderia ter informações para eles...
— Eu não sou particularmente experiente em alturas, mas seria uma honra, príncipe.
Foi uma questão de alguns minutos. Sartaq ordenou que ela mudasse de sua túnica azul meia-noite para a jaqueta de couro sobressalente dobrada em uma cômoda empurrada contra a parede distante. Ele educadamente virou as costas quando ela trocou as calças também. Uma vez que seu cabelo descia apenas até seus ombros, ela teve dificuldade em puxá-los para trás, mas o príncipe procurara em seus próprios bolsos e lhe fornecera uma tira de couro para prendê-lo em um nó.
Sempre carregue um sobressalente, ele disse a ela. Ou então ela pentearia seu cabelo por semanas.
Ele montou a ruk de olhos afiados primeiro, Kadara se abaixando como uma galinha de grande tamanho no chão. Ele subiu pela sua leteral em dois movimentos fluidos, depois esticou a mão para Nesryn. Ela colocou sua palma suavemente sobre as costelas de Kadara, maravilhando-se com as lindas penas suaves como a mais fina seda.
Nesryn esperou que a ruk se movesse e se encolhesse enquanto Sartaq a puxava para a sela na sua frente, mas a montaria do príncipe permanecia dócil. Paciente.
Sartaq se curvou e prendeu os dois na sela, verificando três vezes as tiras de couro. Então ele estalou sua língua uma vez, e...
Nesryn sabia que não era educado espremer os braços de um príncipe com tanta força que o osso provavelmente quebraria. Mas, assim mesmo, Kadara abriu as brilhantes asas douradas e pulou.
Saltou para baixo.
Seu estômago disparou diretamente para a garganta. Seus olhos lacrimejaram e sua vista ficou borrada.
Vento a assolou, tentando arrancá-la daquela sela, e ela apertou as coxas com tanta força que elas doeram, enquanto ela segurava os braços de Sartaq, que empunhavam as rédeas, com tanta força que ele riu em sua orelha.
Mas os pálidos edifícios de Antica surgiram, perto do azul no início da madrugada, correndo para encontrá-los enquanto Kadara mergulhava e mergulhava, uma estrela caindo dos céus.
Então ela abriu as asas e eles dispararam para cima.
Nesryn ficou feliz por ter pulado o café da manhã. Com certeza, teria chegado até boca com o que o movimento que fez seu estômago.
No espaço de alguns batimentos, Kadara inclinou-se para a direita, em direção ao horizonte que começava a ficar rosa.
Antica se espalhava diante deles, cada vez menor, quando eles subiam aos céus. Até que não fosse mais do que uma estrada de paralelepípedos debaixo deles, seguindo-se em todas as direções. Até que ela pudesse espiar os olivais e os campos de trigo do lado de fora da cidade. As propriedades do país e as pequenas cidades que o salpicavam. As dunas ondulantes do deserto do norte à esquerda. A faixa cintilante e serpenteante do rio se tornando dourado no sol nascente que crescia sobre as montanhas à direita.
Sartaq não falou. Não apontou pontos de referência. Nem mesmo a linha pálida da Estrada-Irmã que corria em direção ao horizonte no sul.
Não, na luz crescente, ele deixou Kadara liderar. A ruk levou-os a flutuar ainda mais, o ar girando frio, o céu azul do despertar brilhante a cada poderoso movimento de suas asas.
Aberto. Tão aberto.
Não era como o mar infinito, as ondas tediosas e o navio apertado. Isso era... era  uma respiração. Era...
Ela não podia olhar rápido o suficiente, ver tudo. Quão pequeno era tudo, quão adorável e remoto. Uma terra reivindicada por uma nação conquistadora, ainda amada e nutrida.
Sua terra. Sua casa.
O sol e as pastagens ondulantes que acenavam na distância. As selvas exuberantes e os campos de arroz para o oeste; as dunas de areia pálidas do deserto ao nordeste. Mais do que ela podia ver em uma vida, mais longe do que Kadara poderia voar em um único dia. Um mundo inteiro, essa terra. O mundo inteiro contido aqui.
Ela não conseguia entender por que o pai tinha ido embora.
Por que ele havia ficado quando tal escuridão penetrara em Adarlan. Por que ele os havia mantido naquela cidade onde ela raramente olhava para o céu, ou sentia uma brisa que não viesse do sal do Avery ou do lixo que apodrecia nas ruas.
— Você está quieta — comentou o príncipe, e foi mais uma pergunta do que uma declaração.
Nesryn admitiu em halha:
— Não tenho palavras para descrevê-lo.
Sentiu Sartaq sorrir perto de seu ombro.
— Foi o que senti, em meu primeiro voo. E todos os voos desde então.
— Entendo por que você ficou no acampamento anos atrás. Por que está ansioso para retornar.
Uma batimento de silencio.
— Eu sou tão fácil de ler?
— Como você não poderia querer retornar?
— Alguns consideram o palácio de meu pai como o melhor do mundo.
— E é.
Seu silêncio era uma pergunta suficiente.
— O palácio de Forte da Fenda não era nada tão bom, tão adorável e parte da terra.
Sartaq murmurou, o som reverberando nas costas dele. Então ele disse calmamente:
— A morte da minha irmã tem sido difícil para minha mãe. É por ela que eu permaneço.
Nesryn estremeceu um pouco.
— Sinto muito.
Apenas o vento zumbindo falou por um tempo.
Então Sartaq disse:
— Você disse era. Em relação ao palácio real de Forte da Fenda. Por quê?
— Você ouviu o que aconteceu, o vidro estilhaçando.
— Ah — outro momento de silêncio. — Quebrado pela Rainha de Terrasen. Sua... aliada.
— Minha amiga.
Ele ergueu seu corpo em torno dela para olhar seu rosto.
— De verdade?
— Ela é uma boa mulher — Nesryn falou, e quis dizer isso. — Difícil, sim, mas... alguns podem dizer o mesmo de qualquer realeza.
— Aparentemente, ela achou o antigo rei de Adarlan tão difícil que o matou. — Palavras cuidadosas.
— O homem era um monstro e uma ameaça para todos. Seu tenente, Perrington, continua assim. Ela fez um favor a Erilea.
Sartaq segurou as rédeas quando Kadara começou uma descida lenta e constante em direção a um vale de rio cintilante.
— Ela é realmente tão poderosa?
Nesryn debateu os méritos de dizer a verdade ou minimizar o poder de Aelin.
— Ela e Dorian possuem uma magia considerável. Mas eu diria que sua inteligência é a arma mais forte. O poder bruto é inútil sem ela.
— É perigoso sem ela.
— Sim — Nesryn concordou, engolindo. — Há... — ela não tinha sido treinada na maneira de falar na corte. — Existe uma ameaça dentro de sua corte que nos justifique a necessidade de falar nos céus?
Ele poderia muito bem ser a ameaça representada, lembrou a si mesma.
— Você jantou com meus irmãos. Vê como eles estão. Marcar um encontro com vocês enviaria uma mensagem para eles. Que eu estou disposto a ouvir seu termo, talvez pressionar o nosso pai. Eles considerariam os riscos e os benefícios de me mitigar. Ou se pareceria melhor tentar juntar-se ao meu lado.
— E você? Quer nos ouvir?
Sartaq não respondeu por um longo momento, apenas o vento gritando enchendo o silêncio.
— Eu escutaria. Você e Lorde Westfall. Ouviria o que você sabem, o que aconteceu com vocês dois. Eu não mantenho tanto poder com meu pai como os outros, mas ele sabe que os cavaleiros ruk são leais a mim.
— Eu pensei...
— Que eu fosse seu favorito? — uma risada baixa e amarga. — Talvez eu tenha uma chance de ser nomeado herdeiro, mas o khagan não seleciona seu herdeiro com base em quem ele mais ama. Mesmo assim, essa honra particular vai para Duva e Kashin.
Duva de rosto doce, ela podia entender, mas...
— Kashin?
— Ele é leal ao meu pai, sem falhas. Nunca planejou, nunca traiu. Eu fiz isso, conspirando e manobrando contra todos eles para obter o que quero. Mas Kashin... Ele pode comandar os exércitos da terra e os senhores dos cavalos, pode ser brutal quando necessário, mas com meu pai, ele é inocente. Nunca houve um filho mais amoroso ou leal. Quando nosso pai morrer... eu me preocupo. O que os outros farão com Kashin se ele não se submeter, ou pior: o que sua morte fará ao próprio Kashin.
Ela ousou perguntar:
— O que você faria com ele? — Destruí-lo, se ele não jurar lealdade?
— Resta saber qual tipo de ameaça ou aliança ele poderia representar. Somente Duva e Arghun são casados, e Arghun ainda não tem filhos. Embora Kashin, se tiver a chance, provavelmente traria aquela jovem curandeira para seus braços. Yrene.
— Estranho que ela não tenha interesse nele.
— Um ponto a seu favor. Não é fácil amar os descendentes de um khagan.
A grama verde, ainda úmida sob o sol fresco, ondulou quando Kadara desceu em direção a um rio que se movia rapidamente. Com suas enormes garras, ela poderia facilmente pegar grandes peixes.
Mas não era a presa que Kadara procurava enquanto voava sobre o rio, procurando algo.
— Alguém entrou na biblioteca da Torre na noite passada — disse Sartaq enquanto monitorava a caçada da ruk sobre as águas azul-escuras. A névoa da superfície beijou o rosto de Nesryn, mas o frio das palavras dele foi muito mais profundo. — Mataram uma curandeira, através de um vil poder que a deixou como uma casca. Nós nunca vimos isso em Antica.
O estômago de Nesryn revirou-se com essa descrição.
— Quem? Por quê?
— Yrene Towers soou o alarme. Nós procuramos por horas e não encontramos vestígios, além de livros desaparecidos onde ela estudava, e onde ele a perseguiu. Yrene estava abalada, mas bem.
Pesquisando sobre o que Chaol a informara – na noite anterior, Yrene planejara fazer alguma pesquisa sobre feridas mágicas, sobre demônios.
— Você sabe o que Yrene poderia ter investigado, que representava um interesse tão ruim e roubo de seus livros? — Sartaq perguntou casualmente.
Nesryn considerou. Poderia ser um truque, revelar algo pessoal de sua família, sua vida, para acalmá-la para lhe contar segredos. Nesryn e Chaol não revelaram nenhuma informação sobre as chaves, os valg ou Erawan para o khagan ou seus filhos. Eles estavam esperando para fazer isso, para avaliar quem confiar. Pois, se seus inimigos ouvissem que estavam buscando as chaves para selar o portão de Wyrd...
— Não — ela mentiu. — Mas talvez sejam inimigos não anunciados dos nossos que desejam assustá-la e a outros curandeiros que ajudem o capitão. Quero dizer, Lorde Westfall.
Silêncio. Ela pensou que ele a pressionaria sobre isso, esperava por Kadara voar mais perto da superfície do rio, como se estivesse se aproximando de alguma presa.
— Deve ser estranho ter um novo título, com o antigo proprietário ao seu lado.
— Eu fui capitã por apenas algumas semanas antes de sairmos. Suponho que terei que aprender quando eu retornar.
— Se Yrene tiver sucesso. Entre outras possíveis vitórias.
Como levar esse exército com eles.
— Sim — foi tudo o que conseguiu dizer.
Kadara mergulhou, uma movimentação rápida que fez Sartaq apertar seus braços ao redor dela, apoiando suas coxas.
Ela o deixou guiá-la, mantendo-os na sela enquanto Kadara mergulhava na água, agarrava e atirava algo com violência no banco do rio. Um batimento cardíaco mais tarde, ela estava sobre aquilo, garras e bico atacando e cortando. A criatura sob ela lutava, torcendo e girando...
Um estalo. Então, silêncio.
A ruk se acalmou, penas eriçadas, depois alisando o sangue que agora salpicava seu peito e pescoço. Um pouco também respingara nas botas de Nesryn.
— Tenha cuidado, capitã Faliq — disse Sartaq enquanto Nesryn olhava bem a criatura com que a ruk já se divertia.
Era enorme, quase cinco metros, coberto de grossas escamas como uma armadura. Como as bestas dos pântanos de Eyllwe, porém mais gorda que o gado que, sem dúvida, estivera arrastando para dentro da água ao longo desses rios.
— Há beleza nas terras do meu pai — continuou o príncipe, enquanto Kadara percorreu aquela carcaça monstruosa — mas também há muito à espreita sob a superfície.

15 comentários:

  1. Aff... Quanto mistério. Suspense... aguenta coração.

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  2. Gente será que é muito loucura eu já shippar a Kadara com o Abraxos?

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    1. Gaby filha de Atena8 de fevereiro de 2018 09:52

      EU PENSEI A MESMA COISA HAHHAHAHA

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    2. Kkkkkkkk kkkkkkkkkkk morrir de rir pow. Gente, parem de shippar por favor!!

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    3. Hahahahahah as ideias das guria gente!!!

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  3. Estou chocada com a gravidade da lesão do Chaol, e a trouxa aqui achando que era uma lesão comum -_-'


    EU NÃO QUERO NEM SABER COMO, MAS QUERO SARTAQ NO BONDE DA AELI. Se ele for do mal vou ficar com vontade de dá na cara de alguém, de preferência na da tia Sarah

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    1. Faço das suas as minha palavras

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  4. Eu tbm choquei com a gravidade da fratura. Tem magia dos valg ali, nossa, chega arrepiar!
    Quero Saraq e Nesryn juntos e do lado da Aelin e do Dorian. Vou matar alguém se ele for do mal. Kkkkkkkkk
    E agora brotou uma desconfiança do Kashin.

    Flavia

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  5. "— Não há nada a discutir.
    Yrene olhou para ele por um longo momento. Tudo o que ele podia fazer era não diminuir sob aquele olhar franco." Pscicolog Yrene.


    "— Você ouviu o que aconteceu, o vidro estilhaçando.
    — Ah — outro momento de silêncio. — Quebrado pela Rainha de Terrasen. Sua... aliada.
    — Minha amiga.
    Ele ergueu seu corpo em torno dela para olhar seu rosto.
    — De verdade?
    — Ela é uma boa mulher — Nesryn falou, e quis dizer isso. — Difícil, sim, mas... alguns podem dizer o mesmo de qualquer realeza.
    — Aparentemente, ela achou o antigo rei de Adarlan tão difícil que o matou. — Palavras cuidadosas.
    — O homem era um monstro e uma ameaça para todos. Seu tenente, Perrington, continua assim. Ela fez um favor a Erilea.
    Sartaq segurou as rédeas quando Kadara começou uma descida lenta e constante em direção a um vale de rio cintilante.
    — Ela é realmente tão poderosa?
    Nesryn debateu os méritos de dizer a verdade ou minimizar o poder de Aelin.
    — Ela e Dorian possuem uma magia considerável. Mas eu diria que sua inteligência é a arma mais forte. O poder bruto é inútil sem ela.
    ❤️Que fofa

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  6. É impressão minha ou a maioria dos leitores são mulheres?
    Comecei essa série sem grandes pretensões.
    Começou morna e foi aquecendo aos poucos.
    Quando dei por mim estava envolvido kkk

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Boa leitura, E SEM SPOILER!