14 de dezembro de 2017

Capítulo 8

— Nas viagens espaciais, vocês sabem — disse Slartibartfast, enquanto mexia em alguns instrumentos na Sala de Ilusões Informacionais —, nas viagens espaciais...
Parou e deu uma olhada em volta.
A Sala de Ilusões Informacionais era um alívio para os olhos após as monstruosidades da área central de computação. Não havia nada lá. Nenhuma informação, nenhuma ilusão — apenas eles, as paredes brancas e alguns pequenos instrumentos que deveriam aparentemente ser ligados em algo que Slartibartfast não conseguia encontrar.
— Sim? — perguntou Arthur. Ele captou o sentido de urgência de Slartibartfast, mas não tinha ideia do que fazer com ele.
— Sim o quê? — perguntou o velho.
— O que você estava dizendo?
Slartibartfast encarou-o.
— Os números — disse então — são terríveis. — Continuou procurando algo.
Arthur concordou, com um ar de sabedoria. Depois de algum tempo percebeu que aquilo não o levaria a lugar algum e decidiu que deveria dizer “o quê?” novamente.
— Nas viagens espaciais — repetiu Slartibartfast — todos os números são terríveis.
Arthur assentiu novamente, olhando em volta para ver se Ford o ajudava, mas Ford estava praticando a arte de ficar ranzinza e se saindo muito bem nisso.
— Estava apenas tentando evitar que você se desse ao trabalho de me perguntar por que todos os cálculos da nave estavam sendo feitos no talão de um garçom — disse Slartibartfast finalmente, com um suspiro.
Arthur não entendeu.
— Por que — perguntou ele — todos os cálculos da nave estavam sendo feitos no talão de...
Parou.
Slartibartfast retrucou:
— Porque nas viagens espaciais todos os números são terríveis. — Percebeu que não estava conseguindo se fazer entender. — Preste atenção — disse. — No talonário de um garçom, os números mudam o tempo todo. Você já deve ter percebido.
— Bem...
— No talonário de um garçom — continuou Slartibartfast —, realidade e irrealidade colidem em um nível tão fundamental que as duas se fundem e qualquer coisa se torna possível, dentro de certos parâmetros.
— Quais?
— É impossível dizer — disse Slartibartfast. — Este é um deles. Estranho, mas verdadeiro. Pelo menos eu acho que é estranho — acrescentou — e me garantiram que é verdadeiro.
Ele finalmente localizou na parede o orifício que estava procurando e inseriu o instrumento que segurava.
— Não tenham medo — disse, e subitamente ele mesmo pareceu se assustar com o instrumento, pulando para trás —, é que...
Não ouviram o que ele disse porque naquele momento a nave piscou e sumiu ao redor deles e uma astronave de combate do tamanho de uma cidade industrial surgiu cortando a na direção deles, disparando seus lasers estelares.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!