7 de dezembro de 2017

Capítulo 6

— Alo? Pois não? Editora Megadodo, sede do Mochileiro das Galáxias – o Guia da Galáxia para Caronas, o livro mais completamente notável de todo o Universo conhecido, em que posso servi-lo? — disse o grande inseto de asas cor-de-rosa num dos setenta fones alinhados na vastidão cromada do balcão de recepção no térreo do edifício dos escritórios do Guia da Galáxia para Caronas. Ele agitava as asas e girava os olhos. Lançava olhares ferozes para todas aquelas pessoas encardidas que se atropelavam pelo saguão, enlameando o carpete e deixando marcas de mãos sujas nos estofados. Ele adorava trabalhar no Guia da Galáxia para Caronas, e só gostaria de que houvesse um jeito de manter os caronistas longe dali. Eles não deveriam estar andando por portos espaciais sujos ou coisa assim? Ele tinha certeza de ter lido em algum lugar do livro a respeito da importância de andar por portos espaciais sujos. Infelizmente a maioria deles parecia vir ficar andando por aquele lindo, limpo e reluzente saguão logo em seguida a ter ficado andando por portos espaciais extremamente sujos. E tudo o que eles faziam era reclamar.
Ele sacudiu as asas.
— O quê? — disse ele ao telefone. — Sim, eu passei seu recado para o Sr. Zarniwoop, mas creio que ele está desocupado demais para vê-lo no momento. Está num cruzeiro intergaláctico.
Acenou com um tentáculo petulante para uma das pessoas encardidas, que estava desesperadamente tentando chamar sua atenção. O tentáculo petulante era para mandar a pessoa desesperada olhar para um aviso na parede à sua esquerda e não interromper um telefonema importante.
— Sim — disse o inseto —, ele está em seu escritório, mas está num cruzeiro intergaláctico. Muito obrigado por ter telefonado. — Bateu o telefone.
— Leia o aviso — disse ele ao homem desesperado e furioso que estava tentando fazer uma reclamação a respeito de uma das mais absurdas e perigosas das informações incorretas contidas no livro.
Guia da Galáxia para Caronas é um companheiro indispensável para todos aqueles que estão interessados em dar sentido à vida num Universo infinitamente complexo e confuso, pois apesar de não ter esperanças de ser útil e informativo em todas as questões, ele pelo menos traz a alegação tranquilizadora de que onde ele está incorreto, está pelo menos definitivamente incorreto. Em casos de maior discrepância, é sempre a realidade que está errada.
Era esse o âmago do que dizia o aviso. Ele dizia: “O Guia é definitivo. A realidade é frequentemente incorreta”.
Isso tem levado a consequências interessantes. Por exemplo, quando os editores do Guia foram processados pelas famílias daqueles que tinham morrido em resultado de terem tomado literalmente o verbete sobre o planeta Traal (dizia: “As Feras Vorazes Paponas frequentemente fazem uma boa refeição para os turistas visitantes” em vez de “As Feras Vorazes Paponas frequentemente fazem uma boa refeição dos turistas visitantes”), eles alegaram que a primeira versão da frase era esteticamente mais agradável, intimaram um poeta qualificado para declarar sob juramento que beleza é verdade e verdade é beleza e esperaram assim provar que a parte culpada no caso era a própria Vida por deixar de ser tanto bela quanto verdadeira. Os juízes concordaram, e num discurso comovente sustentaram que a própria Vida era um desacato àquele tribunal e confiscaram-na prontamente de todos os presentes antes de saírem para uma agradável partida de ultragolfe ao cair da noite.
Zaphod Beeblebrox entrou no saguão. Dirigiu-se a passos largos ao inseto recepcionista.
— OK — disse ele. — Onde está Zarniwoop? Leve-me até Zarniwoop.
— Perdão, cavalheiro? — disse o inseto friamente. Não gostava que se dirigissem a ele dessa maneira.
— Zarniwoop. Chame-o, entendeu? Chame-o já.
— Bem, cavalheiro — falou asperamente a frágil criatura —, se o senhor ficar frio...
— Olha aqui — disse Zaphod. — Eu estou por aqui de frio, entendeu? Estou tão fantasticamente frio que você poderia conservar um pedaço de carne dentro de mim durante um mês. Agora, quer se mexer antes que eu estoure?
— Bem, se o senhor me deixar explicar, cavalheiro — disse o inseto batendo na mesa com o mais petulante dos tentáculos à sua disposição —, lamento, mas não será possível no momento, pois o Sr. Zarniwoop está num cruzeiro intergaláctico.
Inferno, pensou Zaphod.
— Quando ele volta? — perguntou.
— Quando volta? Ele está em seu escritório.
Zaphod parou para tentar arrumar essa ideia em sua mente. Não conseguiu.
— Esse cara está num cruzeiro intergaláctico... no escritório dele? — exclamou, inclinando-se e agarrando o tentáculo que batia na mesa. — Escuta, três olhos, não tente me enrolar, eu tomo coisas mais estranhas do que você pode imaginar no meu café da manhã.
— Bem, quem você pensa que é, querido? — estrebuchou o inseto batendo as asas com furor. — Zaphod Beeblebrox ou algo assim?
— Conte as cabeças — disse Zaphod num tom áspero.
O inseto piscou para ele. Piscou novamente.
— Você é Zaphod Beeblebrox? — guinchou.
— Sou — disse Zaphod —, mas fala baixo senão todo mundo vai querer.
— Aquele Zaphod Beeblebrox?!
— Não apenas um Zaphod Beeblebrox, você não sabia que eu venho em seis embalagens?
O inseto chacoalhava os tentáculos agitado.
— Mas, senhor — gritou —, eu acabo de ouvir uma notícia no rádio subéter. Dizia que você estava morto...
— É, é verdade — disse Zaphod —, só que eu ainda não parei de me mexer. Agora, onde é que eu encontro Zarniwoop?
— Bem, senhor, o escritório dele fica no décimo quinto andar, mas...
— Mas ele está num cruzeiro intergaláctico, tá bom, mas como eu faço para encontrá-lo?
— Os Transportadores Verticais de Pessoas da Companhia Cibernética de Sírius ficam naquele canto, senhor. Mas, senhor...
Zaphod já ia se virando para lá. Voltou-se para o inseto.
— O que é?
— Posso lhe perguntar por que o senhor deseja ver o Sr. Zarniwoop?
— Pode — respondeu Zaphod, que também não tinha clareza quanto a esse ponto. — É que eu disse para mim mesmo que eu tinha que fazer isso.
— Como, senhor?
Zaphod inclinou-se para ele, como quem conspira.
— Acabo de me materializar a partir de ar rarefeito em um de seus cafés — disse — como resultado de uma discussão com o fantasma do meu bisavô. Mal eu cheguei ali, o antigo eu, o que operou meu cérebro, apareceu na minha cabeça e disse: “Vai ver o Zarniwoop”. Nunca tinha ouvido falar nesse cara. Isso é tudo o que eu sei. Isso e o fato de que eu tenho que encontrar o homem que rege o Universo.
Deu uma piscada.
— Senhor Beeblebrox — disse o inseto com reverência — o senhor é tão esquisito que devia estar no cinema.
— É — disse Zaphod dando um tapinha na reluzente asa cor-de-rosa da criatura — e você, menino, devia estar na vida real.
O inseto fez uma pausa momentânea para recuperar-se da agitação e então estendeu um tentáculo para atender um telefone que estava tocando.
Uma mão metálica o conteve.
— Perdão — disse o dono da mão metálica com uma voz que teria feito um inseto mais sentimental cair em lágrimas.
Este não era um inseto desse tipo, e ele não tolerava robôs.
— Pois não, senhor — disse, rispidamente —, posso ajudá-lo?
— Duvido — disse Marvin.
— Bem, nesse caso, se o senhor me der licença... — Seis telefones estavam tocando agora. Um milhão de coisas esperavam a atenção do inseto.
— Ninguém pode me ajudar — entoou Marvin.
— Sim, cavalheiro, bem...
— Não que alguém tenha tentado, é claro. — Marvin deixou cair lentamente a mão de metal. Inclinou a cabeça para a frente, ligeiramente.
— Ah, é? — disse acidamente o inseto.
— Não vale muito a pena ajudar um robô desprezível, né?
— Lamento, senhor, mas...
— Quero dizer, qual é a vantagem em ajudar um robô se ele não tem circuitos de gratidão?
— E o senhor não tem? — disse o inseto, que não parecia capaz de escapar da conversa.
— Nunca tive oportunidade de descobrir — informou Marvin.
— Escuta, seu monte de metal desajustado...
— Você não vai me perguntar o que eu quero?
O inseto fez uma pausa. Lambeu os olhos com sua língua longa e fina e a recolheu novamente.
— Vale a pena? — perguntou.
— Alguma coisa vale? — disse Marvin imediatamente.
— O que... o... senhor... quer?
— Estou procurando uma pessoa.
— Quem? — sibilou o inseto.
— Zaphod Beeblebrox — disse Marvin. — Ele está ali adiante.
O inseto se sacudia de raiva. Quase não conseguia falar.
— Então por que você perguntou para mim? — berrou.
— Só queria alguém com quem conversar — disse Marvin.
— O quê?!
— Patético, não?
Rangendo as engrenagens, Marvin virou-se e saiu sobre suas rodinhas. Alcançou Zaphod perto dos elevadores. Zaphod voltou-se surpreso.
— Hei... Marvin? — disse ele. — Marvin! Como você veio parar aqui?
Marvin foi forçado a dizer algo que era muito difícil para ele.
— Eu não sei — ele disse.
— Mas...
— Num momento eu estava sentado na sua nave sentindo-me deprimido, e no momento seguinte estava aqui sentindo-me totalmente miserável. Um Campo de Improbabilidade, espero.
— É — disse Zaphod. — Eu espero que meu bisavô o tenha mandado aqui para me fazer companhia.
— Valeu a intenção, vovô — acrescentou para si mesmo.
— E então, como vai? — disse em voz alta.
— Ah, bem — disse Marvin —, para quem por acaso gostar de ser eu, o que eu pessoalmente detesto.
— Tá, tá — disse Zaphod quando o elevador abriu as portas.
— Olá — disse o elevador docemente —, eu serei seu elevador durante esta viagem até o andar de sua preferência. Fui desenvolvido pela Companhia Cibernética de Sírius para levar você, visitante do Guia da Galáxia para Caronas, para seus escritórios. Se você apreciar o trajeto, que será rápido e agradável, talvez se interesse em experimentar alguns dos outros elevadores que foram instalados recentemente nos edifícios de escritórios do departamento de impostos da Galáxia, dos Alimentos Infantis Bubilu e do Hospital Psiquiátrico Estatal de Sírius, onde muitos dos antigos executivos da Companhia Cibernética de Sírius adorarão receber sua visita, solidariedade e estórias felizes do mundo lá fora.
— Tá bom — disse Zaphod. — Que mais você faz além de falar?
— Eu subo — disse o elevador — ou desço.
— Ótimo — disse Zaphod. — Nós vamos subir.
— Ou descer — lembrou o elevador.
— É, tá, mas vamos subir, por favor.
Houve um momento de silêncio.
— Descer é muito bom — sugeriu o elevador esperançoso.
— Ah, é?
— Super.
— Que bom — disse Zaphod. — Agora vamos subir.
— Posso perguntar — perguntou o elevador com sua voz mais doce e moderada — se você já considerou todas as possibilidades que a descida pode lhe oferecer?
Zaphod bateu uma das cabeças contra a parede interna. Ele não precisava disso, pensou, dentre todas as coisas de que ele não precisava. Ele não tinha pedido para estar ali. Se lhe perguntassem o que gostaria de estar fazendo naquele momento, provavelmente responderia que gostaria de estar deitado numa praia com pelo menos cinquenta mulheres bonitas e uma equipe de especialistas desenvolvendo novos métodos de serem agradáveis para ele, o que era sua resposta costumeira. A isso ele provavelmente acrescentaria alguma coisa apaixonada a respeito de comida.
Uma coisa que ele não queria estar fazendo era sair à procura do homem que rege o Universo, que estava apenas fazendo um serviço que poderia perfeitamente continuar fazendo, porque se não fosse ele seria outra pessoa. Acima de tudo ele não queria estar num prédio de escritórios discutindo com um elevador.
— Que outras possibilidades, por exemplo? — perguntou, exausto.
— Bom — a voz parecia mel escorrendo sobre biscoitos —, tem o porão, os arquivos de microfilmes, o sistema de aquecimento central... ahn;..
Fez uma interrupção.
— Nada particularmente interessante — admitiu —, mas são alternativas.
— Santo Zarquon — resmungou Zaphod —, por acaso eu pedi um elevador existencial? — Bateu com os punhos contra a parede. — Qual é o problema com essa coisa?
— Não quer subir — disse Marvin simplesmente. — Acho que está com medo.
— Medo? — gritou Zaphod. — De quê? Altura? Um elevador que tem medo de altura?
— Não — disse o elevador miseravelmente —, medo do futuro...
— Do futuro? — exclamou Zaphod. — Mas o que essa coisa desgraçada está querendo? Um esquema de aposentadoria?
Nesse instante uma comoção irrompeu no saguão atrás deles. Das paredes à sua volta vinha o ruído de maquinaria repentinamente posta em atividade.
— Todos podemos ver o futuro — sussurrou o elevador em tom que parecia aterrorizado —, faz parte da nossa programação.
Zaphod olhou para fora do elevador. Uma multidão agitada se reunira em torno da área dos elevadores, apontando e gritando.
Todos os elevadores do prédio estavam descendo em alta velocidade. Ele voltou para dentro.
— Marvin — disse ele —, dá para você dar um jeito deste elevador subir? A gente tem que encontrar Zarniwoop.
— Por quê? — perguntou Marvin pesarosamente.
— Não sei — disse Zaphod —, mas quando eu o encontrar espero que ele tenha um motivo muito bom para eu querer vê-lo.
Os elevadores modernos são entidades estranhas e complexas. Os antigos aparelhos elétricos com polia e “capacidade-máxima-oito-pessoas” têm tanta semelhança com um Transportador Vertical Feliz de Pessoas da Companhia Cibernética de Sírius quanto um saquinho de castanhas sortidas tem com toda a ala ocidental do Hospital Psiquiátrico Estatal de Sírius.
Isso porque eles operam segundo o curioso princípio da “percepção temporal desfocalizada”. Em outras palavras, são capazes de prever vagamente o futuro imediato, o que permite que o elevador esteja no andar correto para apanhar você antes mesmo de você saber que o desejava, eliminando assim toda essa estória entediante de bater papo, descontrair-se e fazer amigos a que as pessoas eram anteriormente forçadas enquanto esperavam o elevador.
Não é de surpreender que muitos elevadores, imbuídos de inteligência e premonição, acabaram frustrando-se terrivelmente com o serviço estúpido de subir e descer, subir e descer, experimentaram brevemente a noção de ir para os lados, como uma espécie de protesto existencial, reivindicaram participação no processo de tomada de decisão e finalmente deram para acocorar-se amuados nos porões.
Um mochileiro duro de visita a qualquer um dos planetas do sistema estelar de Sírius nos dias de hoje pode levantar um dinheiro fácil trabalhando como conselheiro de elevadores neuróticos.
No décimo quinto andar as portas do elevador abriram-se rapidamente.
— Décimo quinto — disse o elevador —, e lembre-se, só estou fazendo isso porque gosto do seu robô.
Zaphod e Marvin pularam para fora do elevador, que fechou instantaneamente as portas e desceu tão rápido quanto seu mecanismo permitiu.
Zaphod olhou ao redor cautelosamente. O corredor estava deserto e silencioso e não dava nenhuma pista de onde Zarniwoop poderia ser encontrado. Todas as portas que davam para o corredor estavam fechadas e não tinham nenhuma inscrição. Estavam perto da ponte que levava de uma torre à outra. Através de uma grande janela o sol brilhante de Beta da Ursa Menor lançava blocos de luz onde dançavam pontinhos de poeira. Uma sombra passou por um momento.
— Abandonado por um elevador — murmurou Zaphod, que pelo menos estava se sentindo vivaz.
Os dois olharam em ambas as direções.
— Sabe de uma coisa? — disse Zaphod a Marvin.
— Mais do que você pode imaginar.
— Tenho certeza absoluta de que este prédio não devia estar balançando — disse Zaphod.
Foi apenas um leve tremor na sola do pé, e depois outro. Nos raios de sol as partículas de poeira dançavam mais vigorosamente. Passou uma outra sombra. Zaphod olhou para o chão.
— Das duas uma — disse, não muito confiante — ou eles têm algum sistema vibratório para exercitar os músculos enquanto trabalham, ou...
Foi andando em direção à janela e de repente tropeçou porque naquele momento seus Óculos Escuros Supercromáticos Perigo-Sensitivos Joo Janta 200 tinham ficado completamente pretos. Uma sombra imensa passou pela janela com um zumbido agudo.
Zaphod arrancou os óculos, e assim que o fez o edifício sacudiu com um ruído de trovão. Ele saltou para perto da janela.
— Ou então — disse — este prédio está sendo bombardeado!
Outro tremor ressoou pelo edifício.
— Quem na Galáxia ia querer bombardear uma editora? — perguntou Zaphod, mas não ouviu a resposta de Marvin porque naquele momento o prédio sacudiu com outro bombardeio.
Tentou ir cambaleando de volta ao elevador — uma manobra sem sentido, ele sabia, mas a única em que conseguiu pensar.
De repente, no final de um corredor em ângulo reto, avistou uma figura, um homem. O homem o viu.
— Beeblebrox, aqui! — gritou o homem.
Zaphod o encarou, desconfiado, enquanto uma nova bomba atingia o edifício.
— Não — gritou Zaphod. — Beeblebrox aqui! Quem é você?
— Um amigo! — respondeu o homem. Ele veio correndo em direção a Zaphod.
— Ah, é? — disse Zaphod. — Amigo de alguém em particular, ou simplesmente bem disposto para com todas as pessoas?
O homem corria pelo corredor, com o chão enrugando-se a seus pés como um cobertor. Era baixo, atarracado, maltratado pelo tempo e suas roupas pareciam ter dado duas voltas pela Galáxia com ele dentro.
— Você sabia — gritou Zaphod em seu ouvido quando ele chegou — que seu prédio está sendo bombardeado?
O homem atestou seu conhecimento do fato.
De repente não estava mais claro. Olhando pela janela para descobrir por que, Zaphod ficou boquiaberto ao ver uma imensa nave espacial cinza-chumbo com uma consistência de lesma arrastando-se pelo ar em torno do edifício. Outras duas a seguiam.
— O governo que você desertou está em seu encalço, Zaphod — sussurrou o homem —, mandaram um esquadrão de Lutadores Astrossapos.
— Lutadores Astrossapos! — murmurou Zaphod. — Zarquon!
— Sentiu o drama?
— O que são Lutadores Astrossapos? — Zaphod tinha certeza de ter ouvido alguém falar sobre eles quando era presidente, mas nunca prestava muita atenção a assuntos oficiais.
O homem o estava puxando para uma porta. Ele o acompanhou. Com um gemido, um objeto em forma de aranha cortou chamuscando o ar e desapareceu no fim do corredor.
— O que foi isso? — sussurrou Zaphod.
— Um robô classe A da Patrulha Astrossapa à sua procura — disse o homem.
— Ah, é?
— Abaixe-se!
Da direção oposta veio um objeto maior em forma de aranha. Passou por eles zunindo.
— E isso foi...?
— Um robô classe B da Patrulha Astrossapa à sua procura.
— E aquilo? — disse Zaphod quando um terceiro vinha chamuscando pelo ar.
— Um robô classe C da Patrulha Astrossapa à sua procura.
— Ei — disse Zaphod consigo mesmo com um risinho de escárnio —, uns robôs bem estúpidos, ehn?
Do outro lado da ponte veio um estrondo retumbante. Uma gigantesca forma negra movia-se sobre ela, vinda do outro prédio, do tamanho e da forma de um tanque.
— Fóton Sagrado, o que é aquilo? — disse Zaphod, resfolegante.
— Um tanque — disse o homem —, um robô classe D da Patrulha Astrossapa que veio te pegar.
— Não é melhor irmos embora?
— Acho que sim.
— Marvin! — gritou Zaphod.
— O que você quer?
Marvin ergueu-se de uma pilha de entulho de alvenaria mais adiante no corredor e olhou para eles.
— Você está vendo aquele robô vindo em nossa direção?
Marvin olhou para a gigantesca forma negra que se dirigia em sua direção atravessando a ponte. Olhou para seu franzino corpo metálico. Olhou de novo para o tanque.
— Imagino que você quer que eu o detenha — disse.
— Isso.
— Enquanto vocês salvam suas peles.
— Isso — disse Zaphod —, faça isso!
— Apenas pelo tempo em que eu souber onde estou — disse Marvin.
O homem deu um puxão no braço de Zaphod, e Zaphod o seguiu pelo corredor.
Ocorreu-lhe uma questão a esse respeito.
— Onde estamos indo? — perguntou.
— Ao escritório de Zarniwoop.
— Isso é hora de manter um compromisso?
— Venha!

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