7 de dezembro de 2017

Capítulo 4

A dez anos-luz dali, o sorriso de Gag Halfrunt abriu-se mais e mais. Vendo a imagem no seu visor, transmitida pelo subéter da ponte de comando da nave vogon, viu os últimos frangalhos do campo de força da nave Coração de Ouro serem destroçados, e a própria nave desaparecer em fumaça.
— Ótimo — pensou.
O fim dos últimos sobreviventes da demolição do planeta Terra que tinha encomendado, pensou.
O fim definitivo dessa experiência perigosa (para a profissão psiquiátrica) e subversiva (também para a profissão psiquiátrica) para descobrir a Pergunta da Questão Fundamental da Vida, do Universo e Tudo o Mais, pensou.
Ia festejar essa noite com os colegas, e amanhã de manhã eles encontrariam novamente seus pacientes desnorteados, infelizes e lucrativos, seguros de que o Sentido da Vida não seria revelado agora de uma vez por todas, pensou.
— Essas coisas de família são sempre embaraçosas — disse Ford a Zaphod quando a fumaça começou a desvanecer.
Ele parou e deu uma olhada à sua volta.
— Cadê o Zaphod? — disse.
Arthur e Trillian olharam à volta, confusos. Estavam pálidos e atrapalhados e não sabiam onde Zaphod estava.
— Marvin! — disse Ford. — Onde está Zaphod? Um momento mais tarde ele disse: — Onde está Zaphod?
O canto do robô estava vazio.
A nave estava completamente silenciosa. Flutuava na escuridão do espaço. De vez em quando balançava e oscilava. Todos os instrumentos estavam sem funcionar e todos os visores estavam sem funcionar. Consultaram o computador. Ele disse:
— Lamento, mas estou temporariamente fechado para qualquer comunicação. Por enquanto, fiquem com um pouco de música suave.
Eles desligaram a música suave.
Procuraram em cada canto da nave, cada vez mais atônitos e alarmados. Todos os lugares estavam quietos e silenciosos. Não havia em parte alguma qualquer sinal de Zaphod ou de Marvin. Uma das áreas em que procuraram foi o corredorzinho onde ficava a máquina Nutrimática.
Na bandeja da Sintetizadora Nutrimática de Bebidas estavam três xícaras de porcelana, uma jarra de porcelana de leite, uma chaleira de prata contendo o melhor chá que Arthur já tinha experimentado, e um bilhetinho impresso onde estava escrito: “Sirvam-se”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Boa leitura :)