17 de dezembro de 2017

Capítulo 32

O profundo clamor do oceano.
As ondas dissolvendo-se na arrebentação em litorais mais longínquos do que o pensamento pode imaginar.
Os silenciosos trovões das profundezas.
Em meio a isso, vozes falando, vozes que não são vozes, trinados, morfemas, as canções semi-articuladas do pensamento.
Saudações, ondas de saudações, deslizando novamente até o inarticulado, palavras na arrebentação.
Uma onda de mágoa chocando-se nos litorais da Terra.
Ondas de alegria em, onde? Um mundo indescritivelmente descoberto, indescritivelmente alcançado, indescritivelmente molhado, uma canção de água.
Súbito, uma fuga de vozes, explicações clamorosas sobre um desastre irreversível, um mundo a ser destruído, uma onda de impotência, um espasmo de desespero, uma queda fatal e novamente palavras na arrebentação.
E então um fio de esperança, a descoberta da sombra de uma Terra nas implicações do tempo redobrado, dimensões submersas, a tração dos paralelos, profunda tração, a torção da yontade, seu arremesso e a rachadura, a passagem. Uma nova Terra puxada para o mesmo lugar; os golfinhos se foram.
Então, uma única voz espantosamente clara.
— Este aquário é um oferecimento da Campanha para Salvar os Humanos. Adeus para vocês.
Depois o som de corpos grandes, pesados e perfeitamente cinzentos, girando para uma profundeza desconhecida e insondável, rindo baixinho.

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Boa leitura :)