7 de dezembro de 2017

Capítulo 32

Um silvo agudo encheu o ar. Rodopiou e penetrou nas árvores incomodando os esquilos. Alguns pássaros voaram para longe, enojados. O ruído dançava e deslizava pela clareira. Ululava num som áspero e agredia generalizadamente.
O Capitão, no entanto, observava o solitário tocador de gaita de foles com um olhar indulgente. Quase nada era capaz de abalar sua serenidade; de fato, uma vez refeito da perda de sua esplêndida banheira naquela situação desagradável no pântano tantos meses atrás, começava a achar sua nova vida extraordinariamente agradável. Tinham escavado uma cavidade numa grande pedra que ficava no meio da clareira, e aí ele ficava lagarteando todos os dias enquanto assistentes derramavam água sobre ele. Não exatamente água quente, é preciso que se diga, pois ainda não tinham arrumado um meio de esquentá-la. Não importa, isso viria; por enquanto, equipes de busca exploravam a região atrás de uma fonte de água quente, de preferência numa clareira agradável e frondosa, e se fosse perto de uma mina de sabão — perfeito. Àqueles que diziam que tinham a impressão de que sabão não se encontra em minas, o Capitão ousara sugerir que isso talvez se devesse a eles não terem procurado com o esforço necessário, e esta possibilidade fora relutantemente admitida.
Não, a vida era muito agradável, e o que tinha de melhor era que quando a fonte de água quente fosse descoberta, completa, com clareira frondosa en suite, e quando viesse o grito ecoando de trás das colinas de que a mina de sabão fora localizada e que estava produzindo quinhentas barras por dia, seria mais agradável ainda. Era muito importante ter coisas para esperar ansiosamente.
Lamentando, lamentando, esganiçando, gemendo, grasnando, guinchando, chiando, rangendo, lá ia o gaiteiro, aumentando ainda mais o já considerável prazer do Capitão só de pensar que ele poderia parar a qualquer momento. Esta era mais uma coisa que ele esperava ansiosamente.
O que mais era agradável, perguntava-se a si mesmo. Bem, tantas coisas: o vermelho e dourado das árvores, agora que se aproximava o outono; o barulho pacífico das tesouras a alguns metros de sua banheira onde dois cabeleireiros praticavam suas habilidades num diretor de artes que cochilava e em seu assistente; a luz do sol refletida nos seis telefones reluzentes alinhados aos pés de sua banheira escavada na pedra. A única coisa melhor que um telefone que não tocava o tempo todo (ou melhor, nunca) eram seis telefones que não tocavam o tempo todo (ou melhor, nunca).
Melhor do que tudo era o alegre murmurar das centenas de pessoas que lentamente se reuniam na clareira à sua volta para assistir à reunião vespertina do comitê. O Capitão apertou marotamente o bico de seu pato de borracha. As reuniões vespertinas do comitê eram suas favoritas.
Outros olhos espreitavam a massa que se reunia. No alto de uma árvore, na beira da clareira, estava Ford Prefect, recém-chegado de climas estrangeiros. Após sua viagem de seis meses, estava magro e saudável, seus olhos brilhavam, vestia um casaco de pele de rena; sua barba estava tão dura e seu rosto tão bronzeado como de um cantor de countryrock. Ele e Arthur Dent vinham observando os golgafrichaneses há quase uma semana, e Ford decidira que era hora de agitar um pouco as coisas.
A clareira estava cheia agora. Centenas de homens e mulheres andavam por ali, conversando, comendo frutas, jogando cartas, em geral relaxando. Seus macacões de viagem estavam a essa altura imundos e até rasgados, mas todos tinham cabelos impecavelmente penteados. Ford ficou curioso ao notar que alguns deles tinham recheado o macacão com folhas e ficou pensando se seria alguma forma de proteção contra o inverno que se aproximava. Ford apertou os olhos. Não poderiam ter de repente se interessado por botânica.
No meio destas especulações a voz do Capitão elevou-se sobre o burburinho.
— Muito bem — disse ele —, gostaria de pedir alguma ordem para esta reunião, se for possível. Todo mundo de acordo? — sorriu cordialmente. — Num minuto. Quando todos estiverem prontos.
A conversa foi diminuindo gradativamente até a clareira ficar em silêncio, exceto pelo gaiteiro que parecia estar num mundo particular selvagem e desabitado. Alguns dos que estavam próximos a ele lhe atiraram algumas folhas. Se havia algum motivo para isso, escapou à compreensão de Ford Prefect.
Um pequeno grupo de pessoas tinha se reunido em torno do Capitão e um deles estava claramente se preparando para falar. Fez isso ficando em pé, limpando a garganta e então deitando o olhar na distância, como querendo dizer à multidão que estaria com ela num minuto.
A multidão naturalmente estava atenta e voltou os olhos para ele.
Seguiu-se um momento de silêncio, que Ford julgou ser o exato momento dramático para fazer sua entrada. O homem virou-se para falar.
Ford pulou da árvore.
— Oi, pessoal — disse.
A multidão girou para o seu lado.
— Ah, meu caro rapaz — disse o Capitão. — Tem fósforos com você? Ou isqueiro? Algo assim?
— Não — disse Ford, soando como se tivesse sido um pouco esvaziado. Não era o que tinha preparado. Decidiu que seria melhor ser mais efusivo no assunto. — Não, não tenho — prosseguiu —, não tenho fósforos. Em vez disso trago notícias...
— Que pena — disse o Capitão. — Estamos todos sem, sabe. Há semanas que não tomo um banho quente.
Ford recusou-se a ser dirigido.
— Trago notícias — disse — de uma descoberta que poderia interessá-los.
— Está na pauta? — perguntou asperamente o homem que Ford tinha interrompido.
Ford abriu um largo sorriso de cantor de country-rock.
— Não, pera aí — disse.
— Muito bem, lamento — disse o homem com arrogância —, mas enquanto consultor de gerência de muitos anos de experiência, devo insistir na importância de se observar a estrutura do comitê.
Ford olhou para a multidão.
— Ele está louco, sabem — disse. — Este é um planeta pré-histórico.
— Dirija-se à mesa — ralhou o consultor de gerência.
— Não tem mesa nenhuma — explicou Ford —, só uma pedra.
O consultor de gerência decidiu que o que a situação agora requeria era impaciência.
— Ora, chame de mesa — disse impacientemente.
— Por que não chamar de pedra? — perguntou Ford.
— Você obviamente não tem concepção — disse o consultor de gerência, sem abandonar a impaciência em favor da velha e boa soberba — dos modernos métodos de negócios.
— E você não tem concepção do lugar em que está — disse Ford.
Uma garota de voz estridente levantou-se de um salto e usou-a.
— Calem-se, vocês dois — disse ela —, quero enviar uma moção ao plenário.
— Você quer enviar uma moção à clareira — disse um cabeleireiro, dando uma risadinha.
— Ordem, ordem! — gritou o consultor de gerência.
— Muito bem — disse Ford —, vamos ver como estão se saindo. — Agachou-se no chão para ver quanto tempo aguentava manter a calma.
O Capitão fez uma espécie de ruído conciliatório.
— Gostaria de pedir ordem — disse amavelmente. — A cinco centésima septuagésima terceira reunião do comitê de colonização de Flintevudlevix...
Dez segundos, pensou Ford, e ergueu-se de um pulo.
— Isso é frívolo — exclamou. — Quinhentas e setenta e três reuniões de comitê e vocês ainda não descobriram o fogo!
— Se você se desse o trabalho — disse a garota da voz estridente — de consultar a folha de pauta da reunião...
— A pedra de pauta — gorjeou o cabeleireiro alegremente.
— Obrigado, eu coloquei essa questão — murmurou Ford.
— ... você... vai... ver... — continuou a garota com firmeza — que teremos um relatório do Subcomitê de Desenvolvimento do Fogo dos cabeleireiros esta tarde.
— Oh... ah — disse o cabeleireiros com um olhar encabulado, que é reconhecido em toda a Galáxia como significando: “Ahn, será que dava pra ser pra terça-feira?”.
— Muito bem — disse Ford, cercando-o. — O que você fez? O que você vai fazer? Quais são suas ideias a respeito do desenvolvimento do fogo?
— Bom, não sei — disse o cabeleireiro —, só me deram uns pauzinhos...
— E então? O que você fez com eles?
Nervoso, o cabeleireiro procurou nos bolsos do seu macacão e entregou a Ford o fruto de seu trabalho. Ford os levantou para que todos vissem.
— Pinças para cachear cabelos — disse.
A multidão aplaudiu.
— Não importa — disse Ford. — Roma não se fez num dia.
A multidão não tinha a mais remota ideia do que ele estava dizendo, mas mesmo assim adoraram. E aplaudiram.
— Bem, você está sendo totalmente ingênuo, obviamente — disse a garota. — Quando você tiver trabalhado com marketing tanto quanto eu vai saber que antes que um novo produto possa ser desenvolvido ele tem que ser devidamente pesquisado. Precisamos descobrir o que as pessoas esperam do fogo, como se relacionam com ele, que tipo de imagem ele tem para elas.
A multidão estava tensa. Esperavam algo de sensacional de Ford.
— Enfia no nariz — disse ele.
— O que é precisamente o tipo de coisa que precisamos saber — insistiu a garota. — As pessoas querem fogo que possa ser introduzido nasalmente?
— Vocês querem? — perguntou Ford à massa.
— Queremos! — gritaram alguns.
— Não! — gritaram outros alegremente. Não sabiam, só achavam ótimo.
— E a roda? — disse o Capitão. — Como vai essa roda? Parece um projeto terrivelmente interessante.
— Ah — disse a garota de marketing —, estamos encontrando alguma dificuldade aí.
— Dificuldade? — exclamou Ford. — Dificuldade? Como assim, dificuldade? É a máquina mais simples de todo o Universo!
A garota de marketing olhou para ele com mau humor.
— Muito bem, Sabe-Tudo — disse. — Já que você é tão esperto, então diga de que cor ela deve ser.
A massa delirou. Um ponto para o time da casa, pensaram. Ford sacudiu os ombros e sentou-se de novo,
— Zarquon Todo-Poderoso — disse —, nenhum de vocês fez nada?
Como que em resposta a sua pergunta houve um repentino clamor na entrada da clareira. A multidão não acreditava na quantidade de diversão que estava tendo aquela tarde: uma tropa de cerca de uma dúzia de homens vestindo os restos de seus uniformes do terceiro regimento de Golgafrincham entrou marchando. Estavam bronzeados, saudáveis e totalmente exaustos e enlameados. Pararam a um “alto” e perfilaram-se atentos. Um deles desfaleceu e não se moveu mais.
— Capitão! — gritou Número Dois, que era o líder. — Permissão para informe, senhor!
— Tá, tudo bem, Número Dois, sejam bem-vindos e tudo o mais. Acharam alguma fonte de água quente? — disse o Capitão, desesperançado.
— Não, senhor!
— Foi o que pensei.
Número Dois atravessou a multidão é apresentou armas diante da banheira.
— Descobrimos um outro continente!
— Quando foi isso?
— Fica além do mar... — disse Número Dois, estreitando os olhos expressivamente — a leste!
— Ah.
Número Dois voltou o rosto para a multidão. Ergueu sua arma acima da cabeça.
Essa vai ser ótima, pensou a massa.
— Declaramos guerra!
Aplausos desenfreados explodiram em todos os cantos da clareira. Isto superava todas as expectativas.
— Espere um minuto — disse Ford Prefect —, espere um minuto!
Levantou-se e pediu silêncio. Após um instante, conseguiu, ou pelo menos conseguiu o melhor silêncio que podia sob as circunstâncias: as circunstâncias eram que o tocador de gaita de foles estava espontaneamente compondo um hino nacional.
— Tem que ter esse gaiteiro? — indagou Ford.
— Ah, sim — disse o Capitão —, nós lhe demos uma subvenção.
Ford considerou a ideia de colocar isso em debate mas rapidamente decidiu que a loucura prevaleceria. Em vez disso, atirou uma pedra no gaiteiro e virou-se para Número Dois.
— Guerra? — disse.
— É! — Número Dois olhava desdenhosamente para Ford.
— Contra o continente vizinho?
— É! Guerra total! A guerra que vai acabar com todas as guerras!
— Mas ainda nem tem ninguém morando lá!
Ah, interessante, pensou a multidão, um ponto importante.
O olhar de Número Dois pairava sem se perturbar. A este respeito seus olhos eram como um par de pernilongos que pairam propositalmente cinco centímetros diante do seu nariz e se recusam a se desviar por golpes com as mãos, tapas de mata-moscas ou jornais enrolados.
— Eu sei disso — disse —, mas um dia vai ter! Por isso deixamos um ultimato com um espaço em branco para eles preencherem.
— O quê?
— E explodimos algumas instalações militares.
O capitão debruçou em sua banheira.
— Instalações militares, Número Dois? — disse. Os olhos tremularam por um momento.
— Sim, senhor, instalações militares em potencial. Tudo bem... árvores.
Passou o momento de incerteza, seus olhos adejavam para a audiência.
— E também — vociferou — interrogamos uma gazela!
Posicionou elegantemente sua Matazap debaixo do braço e marchou através do pandemônio que irrompera pela multidão em êxtase. O máximo que conseguiu caminhar foram alguns passos antes de ser levantado e carregado para uma volta de honra ao redor da clareira.
Ford sentou-se e começou a bater negligentemente duas pedrinhas, uma contra a outra.
— Então, o que mais que vocês fizeram? — indagou, quando as celebrações tinham acabado.
— Começamos uma cultura — disse a moça de marketing.
— Ah, é? — disse Ford.
— É. Um dos nossos produtores de cinema já está fazendo um fascinante documentário sobre os homens das cavernas nativos da área.
— Não são homens das cavernas.
— Parecem homens das cavernas.
— Eles vivem em cavernas?
— Bom...
— Vivem em cabanas.
— Talvez estejam redecorando suas cavernas — gritou um gaiato na multidão.
Ford virou-se para ele, irritado.
— Muito engraçado — disse —, mas vocês notaram que eles estão morrendo?
Em sua viagem de volta, Ford e Arthur tinham deparado com duas aldeias abandonadas e pelos corpos de vários nativos na floresta, para onde tinham se arrastado para morrer. Os que ainda viviam pareciam doentes e apáticos, como se sofressem de uma doença do espírito e não do corpo. Andavam indolentemente e com uma tristeza infinita.
Seu futuro lhes tinha sido tirado.
— Morrendo! — repetiu Ford. — Sabe o que isso significa?
— Ahn... que não devemos vender apólices de seguro para eles? — gritou o gaiato outra vez.
Ford ignorou-o e apelou para toda a multidão.
— Será que dá para vocês tentarem entender — disse — que foi só depois da gente chegar aqui que eles começaram a morrer?
— Na verdade isso calha magnificamente no filme — disse a garota de marketing —, dá aquele toque pungente que é a marca característica de todo documentário realmente bom. O produtor é muito empenhado.
— Tem que ser — murmurou Ford.
— Eu soube — disse a garota voltando-se para o Capitão que começava a discordar com a cabeça — que ele quer fazer um sobre o senhor em seguida, Capitão.
— Ah, verdade? — disse ele animado. — Isso é maravilhoso.
— Ele tem um ângulo muito interessante sobre esse assunto, sabe, o fardo da responsabilidade, a solidão do comando...
O Capitão festejou por uns instantes.
— Bom, eu não acentuaria demais esse ângulo, sabe — disse finalmente. — A gente nunca está sozinho com um pato de borracha.
Ergueu o pato para o alto para a multidão apreciá-lo.
Por todo esse tempo o consultor de gerência tinha ficado sentado num silêncio de pedra, com as pontas dos dedos apertadas contra as têmporas para indicar que estava esperando e que esperaria o dia todo se fosse necessário.
A esse ponto ele resolveu que não ia esperar o dia todo nada, ia só fingir que a última meia hora não tinha acontecido.
Levantou-se.
— Se — disse sucintamente — pudéssemos por um momento passar para a questão da política fiscal...
— Política fiscal! — gritou Ford Prefect. — Política fiscal!
O consultor de gerência dirigiu-lhe um olhar que apenas uma piramboia poderia imitar.
— Política fiscal... — repetiu — foi o que eu disse.
— Como vocês podem ter dinheiro — perguntou Ford — se nenhum de vocês produz efetivamente alguma coisa? Não nasce em árvores, sabia?
— Se você me permitisse continuar...
Ford consentiu com um sinal de cabeça, desanimado.
— Obrigado. Desde que decidimos há algumas semanas adotar a folha como moeda legal, todos nos tornamos, naturalmente, imensamente ricos.
Ford assistia incrédulo à multidão, que murmurava apreciativamente e passava os dedos pelos montes de folhas que tinham entuchado em seus macacões.
— Mas também — prosseguiu o consultor de gerência — deparamos com um pequeno problema de inflação decorrente do alto nível de disponibilidade de folhas, o que significa, eu acho, que o valor atual de câmbio corresponderia a algo como três florestas caducas para a compra de um amendoim da nave.
Murmúrios alarmados vieram da multidão. O consultor de gerência os aplacou.
— Então, com o objetivo de prevenir este problema — continuou -- e efetivamente revalorizar a folha, estamos prontos a lançar uma campanha massiva de desfolhação e... ahn, queima de toda a floresta. Acredito que todos concordarão que é um passo sensato diante das circunstâncias.
A massa parecia um pouco insegura quanto a isso por alguns segundos até que alguém lembrou o quanto isso elevaria o valor das folhas em seus bolsos, o que os fez dar pulos de alegria e ovacionar de pé o consultor de gerência. Os contadores entre eles previam um outono muito lucrativo.
— Vocês estão todos loucos — explicou Ford.
— Estão absolutamente apalermados — sugeriu.
— Vocês são um bando de otários delirantes — opinou.
O grosso das opiniões começou a voltar-se contra ele. O que tinha começado como excelente diversão tinha agora, na visão da massa, deteriorado em mero abuso, e já que este abuso era principalmente dirigido contra eles, eles ficaram fartos.
Sentindo essa mudança no ar, a garota de marketing voltou-se para ele.
— Talvez venha ao caso — disse ela — perguntar o que você andou fazendo todos estes meses então. Você e aquele outro intruso estão desaparecidos desde o dia em que chegamos.
— Estávamos viajando — disse Ford. — Fomos tentar descobrir alguma coisa sobre este planeta.
— Oh — disse a garota maliciosamente —, não me parece muito produtivo.
— Não? Pois bem, eu tenho notícias para você, meu amor. Nós descobrimos o futuro deste planeta.
Ford esperou que esta afirmação produzisse seu efeito. Não produziu nenhum. Não sabiam do que ele estava falando.
Continuou.
— Não importa um par de fígados fétidos de cães o que vocês resolverem fazer de agora em diante. Queimar as florestas ou o que for, não vai fazer nem um arranhão de diferença. Sua história futura já aconteceu. Vocês têm dois milhões de anos e pronto. Ao final desse tempo sua raça vai estar morta, passada e já vai tarde. Lembrem-se disso, dois milhões de anos!
A multidão murmurava entre si, incomodada. Pessoas ricas como eles tinham acabado de se tornar não deveriam ser obrigadas a ficar escutando tipo de pagação. Talvez se eles dessem uma ou duas folhas para o sujeito ele fosse embora.
Não precisaram se incomodar. Ford já estava caminhando para fora da clareira, parando apenas para sacudir a cabeça para Número Dois, que já estava descarregando sua Matazap em algumas árvores das proximidades.
Voltou-se uma vez.
— Dois milhões de anos! — disse, e deu uma risada.
— Bom — disse o Capitão com um sorriso reconfortante —, ainda há tempo para mais alguns banhos. Alguém podia me passar a esponja? Acabei de derrubar aqui do lado.

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Boa leitura :)