17 de dezembro de 2017

Capítulo 28

— As pessoas estão começando a falar — disse Fenchurch naquela noite, depois de eles terem subido o violoncelo para dentro.
— Não só a falar — respondeu Arthur -, mas a publicar, em letras garrafais, logo abaixo dos prêmios da loteria. É por isso que eu achei melhor providenciar isso aqui.
Mostrou a ela os dois talões longos e estreitos das passagens áreas.
— Arthur! — exclamou, abraçando-o. — Isso quer dizer que você conseguiu falar com ele?
— Tive um dia — disse Arthur — de extrema exaustão telefônica. Falei com absolutamente todos os departamentos de absolutamente todos os jornais na Fleet Street até finalmente conseguir o telefone do sujeito.
— Você obviamente trabalhou demais, está encharcado de suor, pobrezinho.
— Não é suor — disse Arthur, exausto. — Um fotógrafo acabou de sair. Eu tentei argumentar, mas... deixa pra lá, fato é que sim.
— Você falou com ele.
— Falei com a mulher dele. Ela me disse que ele estava esquisitão demais para atender o telefone e pediu para eu mais tarde.
Arthur sentou-se pesadamente, percebendo então que esta va esquecendo de alguma coisa e foi até a geladeira buscar.
— Quer um drinque?
— Mataria alguém para conseguir um. Sempre sei que estou perdida quando o meu professor de violoncelo me olha de cima a baixo e diz: “Pois bem, minha cara, que tal um pouquinho de Tchaikovsky hoje...”
— Eu liguei novamente — disse Arthur — e ela me disse que ele estava a 3.2 anos-luz do telefone e que era para eu tornar a ligar mais tarde.
— Ah.
— Aí eu liguei de novo. Ela disse que a situação estava um pouquinho melhor. Ele já estava a apenas 2.6 anos-luz do telefone, mas ainda estava muito longe para gritar.
— Você não acha — perguntou Fenchurch, meio incerta — que podíamos falar com uma outra pessoa?
— Ainda não terminou — disse Arthur. — Eu falei com uma pessoa em uma revista científica que conhece o sujeito e ele me disse que John Watson não apenas acredita como tem provas concretas, frequentemente ditadas para ele por anjos com barbas douradas, asas verdes e usando sandálias ortopédicas do Dr. Scholl, que a teoria popular mais absurda do momento é verdadeira. Para as pessoas que questionam a veracidade dessas visões, ele triunfantemente apresenta as sandálias em questão, e a coisa não passa disso.
— Não sabia que era tão ruim assim — Fenchurch resmungou baixinho. Ela estava brincando distraidamente com as passagens.
— Bom, liguei para a Sra. Watson novamente — prosseguiu Arthur. — Aliás, talvez te interesse saber que ela é conhecida como Jill, a Enigmática.
— Entendo.
— Ainda bem que você entendeu. Fiquei com medo de você não acreditar em nada disso; então, quando eu tornei a ligar, usei a secretária eletrônica para gravar a conversa.
Foi até a secretária eletrônica, mexeu para lá e para cá, apertando todos os botões por um tempo, porque aquele aparelho que havia sido especialmente recomendado por uma revista especializada e era quase impossível usá-lo se enlouquecer.
— Aqui está — disse ele, finalmente, enxugando o suor da testa A voz era fina e quebradiça devido a
sua viagem de ida e volta a um satélite geoestacionário, mas também era assustadoramente tranquila.
— Talvez eu devesse explicar — disse a voz de Jill Watson, a Enimática — que o telefone na verdade fica em um quarto onde ele nunca entra. É no Asilo, sabe. Wonko, o São, não gosta de entrar no Asilo, então nunca entra. Acho melhor você ficar sabendo disso, para poupar o seu tempo e suas ligações. Se você quer encontrar com ele, isso pode ser facilmente providenciado. Você só precisa chegar aqui. Ele só encontra as pessoas fora do Asilo.
Ouviram a voz de Arthur, completamente aturdido:
— Sinto muito, mas não estou entendendo. Onde fica esse Asilo?
— Onde fica o Asilo? — perguntou Arcane Jill Watson. — Você já leu as instruções nas caixinhas de palitos de dente?
Na gravação, a voz de Arthur teve de admitir que não.
— Faça isso. Talvez isso esclareça um pouquinho as coisas. Você vai ver que lá está explicado onde é que fica o Asilo. Obrigada.
A linha ficou muda. Arthur desligou a secretária eletrônica.
— Bom, creio que a gente pode encarar isso como uni convite — disse ele, dando de ombros.
— Eu acabei conseguindo o endereço com o cara que trabalha na revista científica.
Fenchurch olhou para Arthur novamente com uma expressão pensativa e depois para as passagens em suas mãos.
— Você acha que vale a pena? — perguntou ela.
— Bom — disse Arthur -, a única coisa com a qual todos concordam , além do fato de acharem ele completamente maluco, é que ele de fato sabe mais do qualquer outra pessoa sobre golfinhos.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!