7 de dezembro de 2017

Capítulo 24

— Ahn, Capitão...
— O que é, Número Um?
— Nada, é que eu tenho um informe do Número Dois.
— Ai, meu Deus.
Na ponte de comando da nave o Capitão observava o espaço infinito com certa irritação. Do lugar onde estava, sob um amplo domo, podia ver atrás de si e à sua frente o vasto panorama de estrelas que estavam atravessando — um panorama que ia ficando perceptivelmente mais rarefeito conforme seguia a viagem. Voltando-se e olhando para trás além do vasto corpo de três quilômetros de comprimento da nave, ele via a distante massa mais densa de estrelas que formavam quase um aglomerado sólido. Esta era a vista do centro da Galáxia, de onde vinham, e de onde estavam viajando há anos, a uma velocidade que ele não se lembrava exatamente no momento, mas sabia que era terrivelmente alta. Era qualquer coisa parecida com alguma coisa, ou três vezes a velocidade de uma outra coisa?
Muito impressionante, de qualquer maneira. Espiou na distância brilhante atrás da nave, procurando algo. Fazia isso de poucos em poucos minutos mas nunca achava o que estava procurando. Não deixava que isso o preocupasse, no entanto. Os rapazes cientistas tinham insistido em que tudo correria perfeitamente bem contanto que ninguém entrasse em pânico e que todo mundo fizesse tudo de maneira ordeira.
Ele não estava em pânico. No que lhe dizia respeito tudo estava correndo esplendidamente. Esfregou os ombros com uma grande esponja espumante. Voltou à sua mente a lembrança de quê estava levemente irritado com alguma coisa. Mas o que era mesmo? Uma tossidela o alertou para o fato de que o primeiro oficial da nave ainda estava ali em pé. Bom rapaz, o Número Um. Não era dos mais brilhantes, tinha uma estranha dificuldade em amarrar os cordões dos sapatos, mas um oficial muito bom e importante. O Capitão não era um homem que chutasse um rapaz agachado tentando amarrar os sapatos, por mais tempo que levasse. Não como aquele horrível Número Dois, andando empoado de um lado para o outro, lustrando seus botões, transmitindo informes a cada hora: “A nave continua em movimento, Capitão”, “Prosseguimos em curso, Capitão”, “Os níveis de oxigênio continuam sendo mantidos, Capitão”. “Dá uma folga” era a sugestão do Capitão.
Ah, sim, era isso que o vinha deixando irritado. Olhou para o Número Um.
— Sim, Capitão, ele estava gritando qualquer coisa a respeito de ter encontrado uns prisioneiros...
O Capitão pensou sobre o caso. Parecia-lhe um tanto improvável, mas ele não era homem de se intrometer nos assuntos de seus oficiais.
— Bem, isso talvez o deixe satisfeito por algum tempo, é o que ele sempre quis.
Ford Prefect e Arthur Dent foram levados pelos corredores aparentemente intermináveis da nave. Número Dois marchava atrás deles latindo ocasionalmente a ordem de não fazerem nenhum movimento em falso ou tentarem qualquer gracinha. Pareciam ter passado pelo menos um quilômetro de lambris marrons. Chegaram finalmente a uma grande porta de aço que se abriu com um grito de Número Dois.
Entraram.
Aos olhos de Ford Prefect e Arthur Dent, a coisa mais notável na ponte de comando da nave não era o domo hemisférico de cem metros de diâmetro que a cobria, e através do qual brilhava o deslumbrante conjunto de estrelas: para pessoas que comeram no Restaurante do Fim do Universo tais maravilhas são lugar-comum. Também não era o atordoante aparato de instrumentos que ocupavam toda a parede circular em torno deles. Para Arthur era exatamente assim que naves espaciais tradicionalmente deviam ser, e para Ford parecia totalmente antiquada: confirmava suas suspeitas de que a nave dublê do Disaster Área os tinha levado para pelo menos um milhão de anos, se não dois, antes de sua época.
Não, a coisa que realmente os aturdiu foi a banheira.
A banheira ficava sobre um pedestal de cristal azul talhado e era de uma monstruosidade barroca raramente vista fora do Museu de Imaginação Doentia de Maximegalon. Uma miscelânea intestinal de encanamentos tinha sido folhada a ouro em vez de ser enterrada à meia-noite numa sepultura anônima; as torneiras e o chuveiro teriam feito um gárgula pular.
Como peça central dominante da ponte de comando de uma espaçonave era terrivelmente inadequada, e foi com o ar amargo de um homem que tem consciência disso que Número Dois se aproximou dela.
— Senhor Capitão! — gritou entre os dentes cerrados – um truque difícil, mas ele tinha tido anos para aperfeiçoar.
Uma face afável e um afável braço coberto de espuma apareceram acima da borda da monstruosa banheira.
— Ah, olá, Número Dois — disse o Capitão, acenando com uma simpática esponja —, está tendo um bom dia?
Número Dois empertigou-se ainda mais.
— Trouxe-lhe os prisioneiros que localizei na câmara de congelamento número sete, senhor — ganiu ele.
Ford e Arthur tossiram, confusos.
— Ahn... oi — disseram.
O Capitão sorriu para eles. Então o Número Dois tinha mesmo achado prisioneiros. Bom para ele, pensou o Capitão, é bom ver um rapaz fazendo aquilo em que se dá melhor.
— Oh, olá — disse a eles. — Desculpe por não me levantar, estou tomando um banho rápido. Bem, jimtonnik para eles. Veja na geladeira, Número Um.
— Certamente, senhor.
É um fato curioso, e ao qual é difícil saber quanta importância atribuir, que algo como 85% de todos os mundos conhecidos na Galáxia, sejam primitivos ou altamente avançados, tenham inventado uma bebida chamada jimtonnik, ou gind ônic ou j’nt’nik ou qualquer outra dos milhares de variações sobre o mesmo tema fonético. As bebidas em si não são as mesmas e variam entre o “chinto mnig” sivolviense, que é água comum servida a uma temperatura um pouco acima da temperatura ambiente e o “tzjin-antonio-cah” de Gagrakacka, que mata vacas a distância; e de fato, o que têm em comum entre si, além dos nomes terem sons semelhantes, é o fato de terem todas sido inventadas antes que os mundos em questão tivessem estabelecido contato com outros mundos.
O que se pode fazer com este fato? Encontra-se totalmente isolado. No que diz respeito a qualquer teoria de linguística estruturalista, é totalmente fora dos padrões, e no entanto persiste. Os velhos linguistas estruturalistas ficam muito irritados quando os jovens linguistas estruturalistas prosseguem com esta questão. Os jovens linguistas estruturalistas ficam profundamente empolgados e vão até tarde da noite convencidos de que estão muito perto de algo de profunda importância, e acabam se tornando velhos linguistas estruturalistas antes da hora, ficando muito irritados com os jovens. A linguística estruturalista é uma disciplina amargamente dividida e infeliz, e um grande número de seus adeptos passa noites demais afogando seus problemas em Uizghezodahs.
Número Dois postava-se diante da banheira do Capitão tremendo de frustração.
— O senhor não vai querer interrogar os prisioneiros, Capitão? — guinchou.
O Capitão olhou para ele, confuso.
— Por que, por Golgafrincham, deveria fazê-lo? — perguntou.
— Para obter informações, senhor! Para descobrir por que vieram para cá!
— Oh, não, não, não — disse o Capitão. — Suponho que eles apenas deram uma passada para tomar um jimtonnik, você não acha?
— Mas, senhor, são prisioneiros! Eu preciso interrogá-los!
O Capitão olhou para eles, em dúvida.
— Ah, está bem — disse —, se você precisa. Pergunte o que querem beber.
Um brilho agudo e frio veio aos olhos de Número Dois. Avançou vagarosamente sobre Ford Prefect e Arthur Dent.
— Muito bem, escória — grunhiu. — Seu verme... — cutucou Ford com a Matazap.
— Vá com calma — advertiu o Capitão delicadamente.
— O que vocês querem beber??? — berrou Número Dois.
— Bom, acho que jimtonnik parece uma boa ideia para mim — disse Ford. — E você, Arthur?
Arthur piscou.
— O quê? Ah, ahn, certo — disse.
— Com ou sem gelo? — urrou Número Dois.
— Ah, com, por favor — disse Ford.
— Limão??!!
— Sim, por favor — disse Ford. — E será que tem umas bolachinhas? Sabe, daquelas de queijo?
— Quem faz as perguntas aqui sou eu!!!! — uivou Número Dois, que tiritava com uma fúria apoplética.
— Ahn, Número Dois... — disse suavemente o Capitão.
— Sim, senhor?
— Caia fora, está bem, esse é um bom rapaz. Estou tentando tomar um banho relaxante.
Número Dois apertou os olhos e assumiu o que é chamado pelo Sindicato das Pessoas que Gritam e Matam de olhar gélido, cuja ideia, ao que se pode presumir, é dar ao oponente a ideia de que você perdeu os óculos ou está tendo dificuldade em manter-se acordado. Por que isso é assustador continua, por enquanto, um problema sem solução.
Avançou em direção ao Capitão, estreitando sua (de Número Dois) boca. Mais uma vez, difícil saber por que este é considerado um comportamento de combate. Se, ao vagar pelas florestas de Traal, você de repente deparasse com a fabulosa Fera Voraz Papona, teria razões para agradecer se ela estreitasse a boca em vez de, como faz normalmente, escancará-la num bocejo exibindo afiados dentes salivantes.
— Posso lembrá-lo, senhor — sibilou Número Dois ao Capitão —, que o senhor está no banho há mais de três anos?! — Dado este último golpe, Número Dois girou sobre os calcanhares e encaminhou-se a um canto para praticar olhares dardejantes diante do espelho.
O Capitão contorceu-se em sua banheira. Dirigiu um sorriso sem graça.
— Bom, a gente precisa de muito relaxamento num serviço como o meu — disse ele.
Ford foi baixando as mãos devagar. Não provocou nenhuma reação. Arthur baixou as suas.
Movendo-se lentamente e com cuidado, Ford foi até o pedestal da banheira. Deu uns tapinhas nela.
— Bacana — mentiu.
Pensou se seria seguro abrir um sorriso. Foi abrindo devagar e com cuidado. Era seguro.
— Ahn... — disse ao Capitão.
— O quê? — disse o Capitão.
— Eu queria saber — disse Ford —, eu poderia perguntar qual é exatamente seu serviço?
Uma mão lhe tocou no ombro, por trás. Ele virou. Era o primeiro oficial.
— Sua bebida — ele disse.
— Ah, obrigado — disse Ford.
Ele e Ford pegaram seus jimtonniks. Arthur deu um gole e ficou surpreso ao descobrir que o sabor era muito parecido com o de uísque com soda.
— Quero dizer, não pude deixar de notar — disse Ford, também dando um gole — os corpos. No compartimento de carga.
— Corpos? — disse o Capitão, surpreso.
Ford parou e pensou consigo próprio. Nunca tomar algo por certo, pensou. Seria possível que o Capitão não soubesse que tinha quinze milhões de cadáveres a bordo de sua nave?
O Capitão balançava a cabeça simpaticamente para ele. Parecia também que estava brincando com um pato de borracha.
Ford olhou ao redor. Número Dois o estava encarando pelo espelho, mas só por um instante: seus olhos estavam em constante movimento. O primeiro oficial só estava ali segurando a bandeja e sorrindo bondosamente.
— Corpos? — disse o Capitão de novo.
Ford lambeu os lábios.
— Sim — disse. — Todos aqueles limpadores de telefone e executivos de contabilidade, sabe, lá no compartimento de carga.
O Capitão olhou para ele. De repente deitou a cabeça para trás e começou a rir.
— Ah, não estão mortos — disse. — Santo Deus, não, estão congelados. Serão reanimados.
Ford fez algo que muito raramente fazia. Pestanejou. Arthur parecia estar saindo de um transe.
— Quer dizer que você tem um porão cheio de cabeleireiros congelados? — disse.
— Oh, sim — disse o Capitão. — Milhões deles. Cabeleireiros, produtores de TV fatigados, vendedores de apólices de seguro, funcionários graduados, guardas de segurança, executivos de relações públicas, assessores de gerência, é só dizer. Vamos colonizar um outro planeta.
Ford cambaleou de leve.
— Emocionante, não? — disse o Capitão.
— O quê? Com essa turma? — disse Arthur.
— Ah, não me entenda mal — disse o Capitão —, somos apenas uma das naves da Frota. Somos a Arca “B”, entende? Desculpe, será que posso lhe pedir para ligar um pouco a água quente?
Arthur atendeu, e urna cascata de água cor-de-rosa espumante rodopiou pela banheira. O Capitão emitiu um suspiro de prazer.
— Muito obrigado, meu caro. Sirvam-se à vontade de mais bebidas, claro.
Ford bebeu seu drinque de um gole, pegou a garrafa da bandeja do primeiro oficial e encheu seu copo até a boca.
— O que — disse — é uma Arca “B”?
— É esta — disse o Capitão, sacudindo alegremente a água com o pato de borracha.
— Certo — disse Ford —, mas...
— Bem, o que ocorreu, sabe — disse o Capitão — foi que o nosso planeta, o mundo de onde estamos vindo, estava, por assim dizer, condenado.
— Condenado?
— Oh, sim. De forma que o que todos pensaram foi, vamos colocar toda a população em algumas espaçonaves gigantes e vamos nos instalar em outro planeta.
Tendo contado esta parte da estória, recostou-se com um gemido de satisfação.
— Você diz um planeta menos condenado?
— O que você disse, meu caro?
— Um planeta menos condenado. Onde vocês iam se instalar.
— Onde vamos nos instalar, sim. Então decidiu-se que seriam construídas três naves, entenderam, três Arcas do Espaço, e... espero não os estar aborrecendo?
— Não, não — disse Ford com firmeza. — É fascinante.
— Sabem, é delicioso — refletiu o Capitão — ter mais alguém com quem conversar para variar.
Os olhos de Número Dois dardejaram fervorosamente pela sala mais uma vez e então voltaram ao espelho, como um par de moscas brevemente distraídas de seu pedaço favorito de carne de um mês atrás.
— O problema com uma viagem assim longa — prosseguiu o Capitão — é que você acaba conversando muito consigo próprio, o que se torna terrivelmente aborrecido; na metade das vezes você sabe o que vai dizer em seguida.
— Só metade das vezes? — perguntou Arthur, surpreso.
O Capitão pensou por um momento.
— É, mais ou menos metade, eu diria. De qualquer modo... onde está o sabão? — Procurou pela banheira e acabou achando.
— Então — retomou —, a ideia foi de que na primeira nave, a nave “A”, iriam todos os líderes brilhantes, os cientistas, os grandes artistas, sabe, todos os realizadores; e então na terceira nave, ou nave “C”, iriam todas as pessoas que fazem o trabalho real, que fazem e constroem coisas; e na nave “B” – que somos nós – iriam todos os outros, os homens médios, entende?
Sorriu feliz para eles.
— E fomos mandados em primeiro lugar — concluiu, e começou a cantarolar uma cançãozinha de banheira.
A cançãozinha de banheira, que tinha sido feita para ele por um dos compositores de jingles mais interessantes e prolíficos de seu planeta (que no momento se encontrava adormecido no compartimento trinta e seis a uns seiscentos metros atrás deles), cobriu o que de outra forma teria sido um desconfortável momento de silêncio. Ford e Arthur trocavam os pés de lugar e evitavam furiosamente os olhares um do outro.
— Ahn... — disse Arthur depois de um tempo — o que exatamente havia de errado com seu planeta?
— Ah, estava condenado, como disse — disse o Capitão. — Aparentemente ia de encontro ao sol ou coisa assim. Ou era a lua que vinha de encontro a nós. Alguma coisa assim. Prospectos absolutamente tenebrosos de qualquer modo.
— Ah — disse o primeiro oficial de repente —, eu pensei que era porque o planeta ia ser invadido por um enxame gigantesco de abelhas-piranhas de seis metros. Não era isso?
Número Dois virou-se, com um olhar flamejante de uma aguda luminosidade fria que só vem com a porção de prática que ele estava preparado para pôr em ação.
— Não foi o que me disseram — disse sibilante. — Meu oficial comandante disse que o planeta inteiro estava sob o perigo iminente de ser comido por um enorme bode mutante das estrelas!
— Ah, verdade?... — disse Ford Prefect.
— Verdade! Uma criatura monstruosa do poço do inferno de dentes cortantes de dez mil quilômetros de comprimento, um hálito que ferveria os oceanos, patas que arrancariam os continentes de suas raízes, mil olhos que queimariam como o sol, mandíbulas de um milhão de quilômetros, um monstro que você, nunca, jamais, em tempo algum...
— E eles tomaram o cuidado de mandarem vocês na frente, certo? — indagou Arthur.
— Ah, sim — disse o Capitão. — Todos disseram, muito gentilmente, achei, que era muito importante para o moral sentir que iam chegar a um planeta onde teriam certeza de que poderiam ter um bom corte de cabelo e onde os telefones estariam limpos.
— Ah, é mesmo — concordou Ford. — Vejo que seria muito importante. E as outras naves... ahn... partiram em seguida?
Por um momento o Capitão não respondeu. Virou-se em sua banheira e fitou além do imenso corpo da nave na direção do brilhante centro da Galáxia. Apertou os olhos para olhar na distância inconcebível.
— Ah. É engraçado que você mencione isso — disse, permitindo-se um franzir de sobrancelhas a Ford Prefect — porque curiosamente não ouvimos o menor sinal deles desde que deixamos o planeta há cinco anos... Mas devem estar atrás da gente, em algum lugar.
Espiou através da distância mais uma vez. Ford espiou com ele e franziu as sobrancelhas, pensativo.
— A não ser, é claro — disse suavemente —, que tenham sido comidos pelo bode...
— Ah, sim... — disse o Capitão com um leve tom de hesitação na voz — o bode... — Seu olhar passou pelas formas sólidas dos instrumentos e computadores que se alinhavam na ponte. Piscavam inocentemente para ele. Olhou para as estrelas, mas nenhuma lhes dizia nada. Deu uma olhada em seus oficiais primeiro e segundo, mas eles pareciam perdidos em seus próprios pensamentos. Olhou para Ford Prefect que ergueu as sobrancelhas para ele. — É uma coisa engraçada, sabe — disse por fim o Capitão —, mas agora que estou contando a estória para uma outra pessoa... Quero dizer, não lhe parece esquisita, Número Um?
— Ahnnnrinnnnnnnn... — disse Número Um.
— Bom — disse Ford —, vejo que vocês têm uma porção de coisas para conversar, então, obrigado pelos drinques, e agora se vocês puderem nos deixar no próximo planeta que convier...
— Ah, isso vai ser um pouco difícil, sabe — disse o Capitão —, porque nossa trajetória foi preestabelecida quando deixamos Golgafrincham, acho que em parte porque eu não sou muito bom em cifras...
— Quer dizer que estamos presos aqui nesta nave? — exclamou Ford, perdendo de súbito a paciência com toda a charada. — Quando vocês devem chegar ao planeta que vão colonizar?
— Ah, estamos perto, eu acho — disse o Capitão. — A qualquer segundo, agora. Na verdade já é hora de eu sair desta banheira, provavelmente. Oh, se bem que não sei, por que sair agora que está tão bom?
— Então nós vamos mesmo aterrissar num minuto? — disse Arthur.
— Bem, não aterrissar exatamente, não tanto aterrissar, mas... ahn...
— Do que você está falando? — perguntou Ford asperamente.
— Bem — disse o Capitão, escolhendo as palavras com cuidado —, acho que se bem me lembro, fomos programados para trombarmos com o planeta.
— Trombar? — gritaram Ford e Arthur.
— Ahn, é — disse o Capitão —, é, faz tudo parte do plano, eu acho. Havia um motivo terrivelmente bom para isso, mas não consigo me lembrar no momento. Era qualquer coisa com... ahn...
Ford explodiu:
— Vocês são um bando de malditos malucos inúteis! — gritou.
— Ah, é, era isso — disse o Capitão com um sorriso radiante —, era esse o motivo.

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