14 de dezembro de 2017

Capítulo 23

— Está bem — Ford gritou com Arthur —, eu sou mesmo um covarde, mas a questão é que ainda estou vivo. — Estavam de novo a bordo da Espaçonave Bistromática, assim como Slartibartfast e Trillian. A harmonia e a concórdia, contudo, não estavam por lá.
— Bom, eu também estou vivo, não estou? — retaliou Arthur, a adrenalina correndo solta por conta da aventura e da raiva. Suas sobrancelhas subiam e desciam como se quisessem bater uma na outra.
— Mas por pouco não morreu! — explodiu Ford.
Arthur virou-se bruscamente para Slartibartfast, que estava em seu assento de piloto na cabine de comando. O velho olhava pensativamente para o fundo de uma garrafa que estava lhe dizendo algo que ele claramente não conseguia compreender, apelou para Slartibartfast.
— Você acha que esse cara entendeu uma palavra sequer do acabei de dizer? — falou, trêmulo de emoção.
— Não sei — respondeu Slartibartfast, vagamente.
— Não estou bem certo — acrescentou, olhando para cima por um instante — se eu mesmo entendi.
Olhou para seus instrumentos com renovado vigor e total desconcerto.
— Você terá que nos explicar tudo de novo — disse então.
— Bem...
— Mas não agora. Coisas terríveis nos aguardam.
Deu uns tapinhas no pseudovidro do fundo da garrafa.
— Devo dizer que nosso desempenho na festa foi patético. Nossa única chance agora é tentar impedir que os robôs coloquem a Chave na Fechadura. Como iremos fazer isso, não tenho ideia — murmurou. — Creio que temos de ir até lá. Não que eu goste da ideia. Provavelmente vamos todos morrer.
— Onde está Trillian, afinal? — disse Arthur, aparentando uma repentina indiferença. Estava louco de raiva porque Ford havia lhe dado uma bronca por ele ter perdido tempo naquela discussão com o Deus do Trovão, quando poderiam ter escapado muito mais rápido. A opinião pessoal de Arthur, que ele tinha exposto caso alguém achasse que ela pudesse contar minimamente, era de que havia sido extraordinariamente corajoso e imaginativo.
A visão dominante parecia ser a de que sua opinião não valia sequer uma lasca podre de pão. O que realmente doía, contudo, era que Trillian não parecia se importar muito com a coisa toda e havia saído da cabine.
— E onde estão minhas batatas fritas? — disse Ford.
— Ambas estão — respondeu Slartibartfast, sem olhar para cima — na Sala de Ilusões Informacionais. Acho que sua jovem amiga está tentando entender algumas questões da História Galáctica. E creio que as batatas estão lhe fazendo bem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários de volta!
Passamos algumas horas sem essa opção, mas estamos à ativa novamente :)

Boa leitura! E SEM SPOILER!