17 de dezembro de 2017

Capítulo 17

Angústia, depressão. Mais angústia e mais depressão. Precisava de um projeto e arrumou um.
Ia descobrir onde havia sido a sua caverna.
Na Terra Pré-Histórica, morara em uma caverna, não uma caverna agradável, na verdade uma caverna pavorosa, mas... Não havia mas. Era uma caverna totalmente pavorosa e ele a detestara. Mas morara nela durante cinco anos e isso fazia dela uma espécie de lar e as pessoas não gostam de perder os seus lares de vista. Arthur Dent era uma dessas pessoas; então, foi até Exeter comprar um computador.
Aquilo era realmente o que ele queria, é claro, um computador. Mas sentia que devia ter um propósito sério em mente antes de sair por aí gastando a maior nota no que as pessoas podiam encarar como sendo apenas um brinquedinho. Então, esse era o seu propósito sério.
Descobrir a localização exata de uma caverna na Terra Pré-Histórica. Explicou isso para o sujeito da loja.
— Por quê? — quis saber o sujeito da loja.
Perguntinha capciosa.
— Tudo bem, vamos pular essa parte — disse o sujeito da loja — Como?
— Bem, eu estava esperando que você pudesse me ajudar com essa parte.
O sujeito suspirou e deixou cair os ombros.
— Você tem muita experiência com computadores?
Arthur chegou a cogitar se devia mencionar Eddie, o computador de bordo da nave Coração de Ouro, que teria feito em um segundo, ou o Pensador Profundo, ou... mas decidiu que era melhor não.
— Não — respondeu ele.
“Essa vai ser uma tarde bem divertida”, disse o sujeito da loja para si mesmo.
De todo jeito, Arthur comprou o Apple. E, alguns dias depois adquiriu também alguns softwares astronômicos, traçou os movimentos das estrelas, esquematizou pequenos diagramas toscos de como se lembrava da posição das estrelas no céu à noite sobre a sua caverna e trabalhou com afinco na coisa durante semanas, alegremente adiando a conclusão que sabia que teria de encarar inevitavelmente, ou seja, que o projeto em si era absurdo.
Desenhos toscos feitos de memória eram inúteis. Não sabia nem dizer há quanto tempo tinha sido, a não ser pelo chute de Ford Prefect, na época, de que tinham voltado no tempo “uns dois milhões de anos” e ele nem sabia como calcular a coisa toda.
Ainda assim, no final, criou um método que pelo menos iria produzir um resultado.
Decidiu não se importar com o fato de que, com a extraordinária mistureba de regras inventadas, aproximações tresloucadas e conjecturas misteriosas que ele estava usando, seria preciso muita sorte para localizar a Galáxia certa, mas seguiu em frente assim mesmo e chegou a um resultado.
Ele o chamaria de resultado correto. Quem iria discordar?
Acontece que em meio a insondável miríade de possibilidades do destino, o resultado estava de fato correto, embora ele jamais fosse saber disso. Ele simplesmente foi até Londres bateu na porta certa.
— Ué, pensei que você fosse me ligar primeiro.
Arthur estava pasmo com a surpresa.
— Você não vai poder ficar muito tempo — disse Fenchurch. — É que eu estou de saída.

Um comentário:

  1. Leitor triste por causa dos capítulos curtos23 de dezembro de 2017 02:21

    Capítulos curtos nãaaaoooo, eu não quero que o livro acabe tão rapido!
    ;-;

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Boa leitura, E SEM SPOILER!