14 de dezembro de 2017

Capítulo 15

Dois meses mais tarde, Zipo Bibrok 5x108 havia transformado seus jeans do Estado Galáctico em bermudas e estava gastando parte dos enormes honorários que cobrava por seus julgamentos deitado em uma praia de areia de pedras preciosas, e aquela mesma bela participante do júri estava massageando suas costas com Essência de Qualactina. Ela era uma garota soolfiniana, vinda de trás dos Neblimundos de Yaga. Sua pele parecia seda de limão e ela se interessava profundamente por corpos jurídicos.
— Você ouviu o noticiário?
— Aaaiiuuuauuu! — disse Zipo Bibrok 5x108, e somente estando lá para entender por que ele disse isso. Nada foi gravado na fita de Ilusões Informacionais e tudo se baseia em boatos.
— Não — respondeu depois que a coisa que o havia feito dizer “Aaaiiuuuauuu!” tinha parado de acontecer. Ele virou o corpo ligeiramente para pegar os primeiros raios do terceiro e maior dos sóis primevos de Vod, que subia agora pelo horizonte de inefável beleza enquanto o céu brilhava com uma das maiores forças bronzeadoras jamais encontradas.
Uma brisa de aroma suave levantou-se do mar, passeou pela praia e retornou ao mar, pensando aonde iria depois. Em um impulso súbito, retornou à praia, depois voltou para o mar.
— Espero que não sejam boas notícias — murmurou Zipo Bibrok 5x10— porque acho que não suportaria.
— Sua sentença no caso de Krikkit foi executada hoje — disse a garota suntuosamente. Não havia necessidade de dizer uma coisa tão simples suntuosamente, mas ela foi em frente e disse assim mesmo porque combinava com o jeitão do dia. — Ouvi no rádio — disse ela — quando voltei à nave para pegar a loção.
— Ahn — murmurou Zipo, descansando sua cabeça na areia de pedras preciosas.
— Aconteceu algo.
— Mmrnm?
— Logo depois do envoltório de Tempolento ser trancado — disse ela, interrompendo sua massagem —, uma nave de guerra Krikkit, que achavam que estava desaparecida e possivelmente destruída, estava apenas desaparecida mesmo. Ela reapareceu e tentou se apoderar da Chave.
Zipo sentou-se com um gesto brusco.
— Como assim?
— Está tudo bem — continuou ela, num tom de voz que acalmaria até mesmo o Big Bang. — Parece que houve uma rápida batalha. A Chave e a nave foram desintegradas e desapareceram no contínuo espaço-temporal. Aparentemente, ambos se perderam para sempre.
Ela sorriu e deixou cair um pouco mais de Essência de Qualactina nos dedos. Ele relaxou e deitou-se de costas.
— Faça de novo o que você fez agora há pouco.
— Isso? — perguntou ela.
— Não, não — respondeu ele. — Isso.
Ela tentou novamente.
— Isso? — perguntou.
— Aaaiiuuuauuu!
Novamente, só mesmo estando lá.
A brisa de aroma suave levantou-se do mar outra vez.
Um mágico vagava pela praia, mas ninguém precisava dele.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Se você não tem conta no Google e quiser comentar, utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!