7 de novembro de 2017

Divulgação: O soar das botas


Sinopse:

 Isso não vai acabar bem.  Pensou o Gaúcho ao observar o estranho vaqueiro que surgiu em seu Pampa sagrado trazendo consigo o nascer do sol. O que o guardião dessa terra não poderia imaginar era que aquele forasteiro se tratava de um Cowboy. Um encontro improvável orquestrado pelo destino cuja repercussão ficará guardada além da memória destes dois homens do campo.



Categorias: ação, ficção, aventura, história original

Autor: P.R. Carvalho Jr.


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Capitulo 0.1: Isso Não Vai Acabar Bem


Isso não vai acabar bem. Lembro-me que foram com essas palavras que meu avô iniciou seu relato, quando eu ainda era um menino curioso quanto ao mundo, sentado em um velho degrau de madeira que rangia à frente de sua morada.
Após a missa de Domingo, papai montava seu cavalo andaluz de pelagem negra, comigo a sua frente e seguíamos até o Rancho do Butiá, onde almoçávamos com meus avós e tinha eu a oportunidade de ouvir histórias sobre a juventude de meu avô, como um guardião do Pampa.
– Olhe para as estrelas. – Dizia ele, sentado em sua cadeira de balanço na varanda, preparando um cigarro de palha – Observe a vigia de nossos ancestrais acompanhados por seus pedacinhos de almas equinas a observar nossas ações sobre este Pampa sagrado. É um privilégio proteger esta terra que foi confiada por aqueles antes de nós. Agora desça seus curiosos olhinhos para nossa frente e contemple a nossa incumbência.
Normalmente eram com essas palavras que ele iniciava seus relatos, mas não naquela ocasião. Aquela noite era diferente das demais ao longo dos meses, pois, em poucas noites seria ano novo. Nunca tive gosto pelas festividades para com um novo ano. Para mim ele sempre era igual ao anterior, mas naquele ano foi diferente.
Naquele Domingo ficamos o dia inteiro na fazenda. Papai precisava ajudar meu avô a terminar de trocar a cerca de madeira que estava muito velha.
Depois de cear e conversar com minha avó, enquanto os dois trabalhadores dividiam o mate, finalmente corri para ocupar o lugar de meu pai na varanda e assim ouvir os relatos daquele gaúcho apaixonado por sua terra e pela vida, a qual era grato em sua essência.
Papai levantava, passava pela porta e esfregava sua mão grossa sobre meu cabelo penteado para missa, permitindo que trocássemos nossos parceiros de proza.
Corri até o lado de meu avô, beijei sua mão e sentei-me rapidamente no mesmo degrau a ouvir o familiar ranger da madeira abaixo de mim.
Aguardei ouvir suas palavras, mas elas demoraram. Algo muito estranho para mim, pois ele sempre tinha prazer em compartilhar suas memórias comigo. Eis que, ao espiar com o canto dos meus olhos castanhos aquela figura cheia de saber, escutei sua boca proferir palavras diferentes das quais estava acostumado.
– Isso não vai acabar bem. – Falou rispidamente.
Meu coração acelerou por um momento. Tive receio de ter feito algo que o desagradasse. Seus olhos cinzentos estavam concentrados a nossa frente. Vagorosamente desviei meu olhar na mesma direção que ele tão concentradamente fitava e enxerguei a sombra de um estranho vaqueiro a olhar de volta para nós.
Aquela visão paralisou meu frágil corpo de apenas nove primaveras. Por um único instante, aquele estranho homem estava a poucos metros de distância da nossa posição e inexplicavelmente como surgiu diante de nós ele desapareceu do lombo do animal, restando apenas Luana, uma égua que pertencia ao meu avô.
Permaneci inquieto. Mesmo que não tenha enxergado seu rosto, parcialmente encoberto pelo estranho chapéu que vestia, o sorriso em seus lábios arrepiou minha espinha. Nunca tinha visto almas penadas e simplesmente uma cruzou nosso destino, enquanto seguia seu caminho incerto.
Olhei para meu avô em socorro, mas ele desviou seu olhar para mim e apenas sorriu com seus botões.
 – Isso foi há muito tempo. Meu Deus. Que epifania tardia. – Falou consigo mesmo – Calma meu filho. Ele é amigo e já retornou para o local de onde veio. Creio que esta tenha sido uma breve visita sua e um último adeus.
Meu avô demonstrava alegria em suas palavras, algo que não poderia ser entendido em minha santa ingenuidade.
– Amigo? – Reuni força e coragem para conseguir proferir esta simples pergunta para ele.
– Sim. Ele foi meu amigo. Engraçado. Foram com essas palavras que o recebi quanto o encontrei em minhas terras, mas nunca poderia imaginar qual seriam as consequências de nosso encontro.
– Ele era um fantasma vovô. – Falei com a voz tremula.
– Tem razão. – Expirou o ar pelas narinas – E agora ele partiu. – Sorriu novamente ao terminar de enrolar seu cigarro de palha – Preste atenção e apenas escute essa prosa que tive com um estranho vaqueiro que conheci em minha mocidade. Um estranho sujeito que diferente de nós, mas ao mesmo tempo parecido, era chamado de Cowboy.
Permaneci assustado, mas ao mesmo tempo ainda mais curioso para ouvir suas palavras. Inspirei com vontade pela boca e escutei com atenção essas palavras que transcrevo agora, da minha maneira, para preservar além da memória este relato.

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Contato: contoscarvalho@yahoo.com.br

7 comentários:

  1. Vovo sinistro esse ... Certeza q daqui a pouco o vovo morre e o menino fica loko ...

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    1. Acredite, este relato irá te surpreender. Boa leitura...

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    2. Ai to com medo ... Ja tem o livro inteiro aqui? ... To com vontadde de ler parece bom

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    3. Aqui é apenas uma divugação, como diz lá em cima. Se quiser saber mais, mande um e-mail para o autor no endereço que deixei lá em cima :)

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  2. Amigos leitores, esse conto pode ser adquirido na loja Nerdz em Poa, pelo site Clube de autores ou em contato com o autor. Mande um email ou visite a loja e comecem sua nova leitura. Um abraço e boa leitura a todos.

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Boa leitura :)