20 de novembro de 2017

Capítulo 33

Mas o fim não veio. Pelo menos, não naquela hora. De repente os raios cessaram, e no silêncio repentino que se seguiu ouviram-se gritos guturais e dois baques surdos. Os quatro se entreolharam.
— O que houve? — perguntou Arthur.
— Eles pararam — disse Zaphod, dando de ombros.
— Por quê?
— Sei lá! Quer ir lá e perguntar a eles?
— Não. Esperaram.
— Ei! — gritou Ford.
— Nada.
— Estranho.
— Pode ser uma armadilha.
— Eles são burros demais pra isso.
— Aqueles baques, o que foi aquilo?
— Não sei.
Esperaram mais alguns segundos.
— Eu vou lá ver — disse Ford. Olhou para os outros e acrescentou: — Será que ninguém vai dizer: Não, você não, deixe que eu vou?
Os outros três sacudiram a cabeça.
— Nesse caso... — disse ele, e levantou-se. Por um momento, não aconteceu nada.
Então, alguns segundos depois, continuou a não acontecer nada. Ford olhou para a fumaça espessa que saía do computador destruído.
Cuidadosamente, saiu do esconderijo. Continuou não acontecendo nada.
Vinte metros adiante, ele pôde entrever em meio à fumaça o vulto de um dos policiais em sua roupa espacial. Estava embolado no chão. A 20 metros dele, no outro lado da sala, estava o outro. Não havia mais ninguém.
Ford achou isso extremamente estranho.
Lenta e nervosamente, aproximou-se do primeiro policial. O corpo estava perfeitamente   imóvel            quando          ele       se        aproximou     e permaneceu perfeitamente imóvel quando ele colocou o pé sobre a arma de Raio-da-Morte que o cadáver ainda tinha na mão.
Abaixou-se e pegou a arma, sem encontrar nenhuma resistência. O policial estava indubitavelmente morto.
Ford examinou-o rapidamente e constatou que ele era de Kappa de Blagulon — um ser que respirava metano e que só poderia sobreviver na rarefeita atmosfera de oxigênio existente em Magrathea com seu traje espacial.
O pequeno sistema computadorizado em sua mochila, que lhe permitia sobreviver naquele planeta, parecia ter explodido inesperadamente
Ford examinou-o profundamente intrigado. Esses minicomputadores normalmente funcionavam ligados ao computador central que ficava na nave e com o qual eles permaneciam ligados através do subeta. O sistema era completamente seguro, a menos que houvesse uma falha completa do sistema de retroalimentação, o que jamais acontecera.
Ford correu até o outro cadáver e descobriu que exatamente a mesma coisa impossível havia acontecido com ele. E, pelo que tudo indicava, exatamente na mesma hora.
Ford chamou os outros para virem olhar. Eles vieram, manifestaram o mesmo espanto, mas não a mesma curiosidade.
— Vamos sair daqui — disse Zaphod. — Se a coisa que estou procurando está mesmo aqui, seja lá o que ela for, não quero mais saber dela.
Zaphod agarrou a segunda arma, fulminou um computador de contabilidade absolutamente inofensivo e saiu correndo pelo corredor; os outros foram atrás. Quase atirou também num aeromóvel que os esperava perto dali.
O veículo estava vazio, mas Arthur reconheceu-o: era de Slartibartfast.
No painel de controle, que tinha poucos controles, aliás, havia um recado do proprietário. No papel havia uma seta apontando para um dos botões do painel e os seguintes dizeres: Este é provavelmente o melhor botão para vocês apertarem.

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