15 de novembro de 2017

Capítulo 29

1917

Já não choro pelo meu lar. Não poderia dizer por quanto tempo viajamos, pois os dias e as noites se fundiam, e o sono se tornara um visitante fugaz e esporádico. A alguns quilômetros de Mannheim, minha cabeça começara a doer, e logo fui acometida por uma febre que me deixava ora tremendo de frio, ora lutando contra o desejo de tirar as poucas roupas que restavam. Liliane ia sentada ao meu lado, enxugando minha testa com sua saia, ajudando-me quando parávamos. Tinha o semblante contraído de tensão. “Já vou melhorar”, eu lhe dizia, obrigando-me a acreditar que isso não passava de um resfriado, uma consequência inevitável dos últimos dias, da friagem, do choque.
O caminhão sacolejava e contornava as poças, a lona ondulava, deixando entrar respingos de uma chuva gelada, e a cabeça do jovem soldado balançava, seus olhos se abriam com os solavancos maiores e nos fitavam com uma súbita expressão de fúria, como nos alertando a ficar onde devíamos.
Eu cochilava encostada em Liliane e acordava periodicamente, observando o pequeno triângulo de lona que expunha rapidamente a paisagem que deixávamos para trás. Observei as fronteiras bombardeadas e esburacadas darem lugar a cidades mais em ordem, onde havia fileiras inteiras de casa sem danos visíveis, as vigas negras sobressaindo contra o revestimento branco, os jardins repletos de arbustos podados e canteiros bem cuidados de vegetais. Passamos por vastos lagos, cidades movimentadas, caminhos sinuosos no interior de florestas de abeto, onde o veículo gemia e seus pneus lutavam para encontrar um ponto de apoio em trilhas de lama. Liliane e eu recebíamos poucos alimentos: canecas de água e pedaços de pão preto, jogados para dentro da carroceria como se atirariam restos para porcos.
E quanto mais a febre subia, menos eu ligava para a falta de comida. A dor em meu estômago era abafada por outras dores. Na cabeça, nas articulações, na nuca. Meu apetite desapareceu, e Liliane tinha que insistir para que eu deixasse a água descer pela minha garganta dolorida, lembrando-me que eu devia comer enquanto havia comida, que eu tinha que ficar forte. Tudo que dizia tinha uma sutileza, como se ela sempre soubesse muito mais do que optava por dizer a respeito do que nos esperava. A cada parada, seus olhos se arregalavam de ansiedade, e mesmo que a enfermidade confundisse meus pensamentos, o medo dela se tornou contagioso.
Quando Liliane dormia, seu rosto se contorcia com pesadelos. Às vezes, ela acordava arranhando o ar e fazendo ruídos indistintos de ansiedade. Quando podia, eu tocava no braço dela, tentando trazê-la delicadamente de volta ao estado de vigília. Às vezes, olhando para a paisagem alemã, eu me perguntava por que eu fazia isso.
Desde que eu descobrira que já não rumávamos para Ardennes, comecei a perder a fé. O Kommandant e seus tratos agora pareciam a milhões de quilômetros de distância. Minha vida no hotel, com aquele balcão de mogno lustroso, minha irmã e a aldeia onde eu crescera, haviam se tornado oníricos, como se eu os tivesse imaginado muito tempo antes. Nossa realidade era o desconforto, o frio, a dor, o medo onipresente, como um zumbido em minha cabeça. Eu tentava focar, lembrar-me das feições de Édouard, sua voz, mas até ele me faltava. Eu conseguia visualizar pequenas partes dele: o ondulado de seu cabelo castanho macio em seu colarinho, suas mãos fortes; mas já não conseguia juntar os pedaços num todo reconfortante. Eu estava mais familiarizada agora com a mão quebrada de Liliane pousada na minha. Olhava para ela, com as minhas talas improvisadas nos dedos machucados, e tentava me lembrar de que havia um propósito nisso tudo: que a questão crucial da fé é que ela precisa ser testada. Ficava mais difícil, a cada quilômetro, acreditar nisso.
A chuva passou. Paramos num vilarejo e o jovem soldado esticou as pernas compridas com rigidez e saltou. O motor parou e ouvimos alemães falando do lado de fora. Eu me perguntei por um instante se eu poderia pedir um pouco de água. Meus lábios estavam secos, e meus membros, fracos.
Liliane, sentada em frente a mim, estava imóvel, como um coelho farejando o ar para identificar o perigo. Tentei esquecer minha cabeça latejante e gradualmente percebi os ruídos de um mercado: a divulgação alegre dos comerciantes, as negociações em voz baixa entre as mulheres e os donos das barracas. Só por um instante, fechei os olhos e tentei imaginar que os sotaques alemães eram franceses, e que aqueles eram os ruídos de St Péronne, o pano de fundo da minha infância. Imaginava minha irmã, sua cesta embaixo do braço, pegando tomates e berinjelas, sopesando-os e devolvendo-os.

* * *

Eu quase sentia o sol no rosto, o cheiro do saucisson, da fromagerie, me via andando devagar por entre as barracas. Então a lona subiu e apareceu o rosto de uma mulher.
Foi tão inesperado que, sem querer, quase deixei escapar um grito. A mulher me olhou e, por um segundo, achei que ela fosse me oferecer comida, mas ela se virou, ainda segurando a lona com a mão pálida, e gritou algo em alemão.
Liliane atravessou trôpega a caçamba do caminhão e me puxou.
— Cubra a cabeça — sussurrou ela.
— O quê?
Antes que ela pudesse dizer algo mais, uma pedra atravessou a traseira do veículo e me acertou com força no braço. Olhei para baixo, confusa, e veio mais outra, atingindo em cheio a lateral da minha cabeça. Pisquei, e apareceram mais três ou quatro mulheres, com expressões de ódio, carregando punhados de pedras, batatas podres, pedaços de pau, quaisquer que fossem os mísseis que encontrassem à mão.
— Huren!
Liliane e eu nos encolhemos no canto, tentando cobrir a cabeça enquanto os projéteis choviam sobre nós, o impacto machucava minha cabeça, minhas mãos. Eu estava prestes a gritar para elas: Por que fazem isso? O que lhes fizemos? Mas o ódio em seus rostos e suas vozes me congelou. Essas mulheres realmente nos desprezavam. Elas nos estraçalhariam se tivessem chance. O medo me subiu à garganta como bílis. Até aquele momento, eu não o sentira como uma coisa física, uma criatura capaz de abalar minha noção de quem eu era, destruir meus pensamentos, soltar meus intestinos com o terror. Rezei... rezei para que fossem embora, para que aquilo tudo parasse. E então, quando me atrevi a erguer os olhos, vi o jovem soldado que viajara conosco. Ele estava em pé, mais afastado, acendendo um cigarro, calmamente olhando para a praça do mercado. Então fiquei furiosa.
O bombardeio continuou provavelmente por alguns minutos, mas pareceram horas. Um caco de tijolo acertou minha boca, e senti o visgo metálico do sangue no lábio. Liliane não gritava, mas estremecia em meus braços a cada objeto que nos acertava. Eu me segurava a ela como se não houvesse mais nada de sólido em meu universo.
Então, de repente, o bombardeio parou. Meus ouvidos cessaram de vibrar e um fio quente de sangue escorreu para o canto do meu olho. Só consegui distinguir uma conversa do lado de fora. O motor foi ligado, o jovem soldado embarcou descontraidamente na caçamba e o veículo seguiu.
Um soluço de alívio me encheu o peito.
— Filhos da puta — sussurrei em francês. Liliane apertou minha mão com a mão boa. Corações palpitando, voltamos, trêmulas, para os nossos bancos.
Quando finalmente saímos do vilarejo, a adrenalina aos poucos se esvaiu do meu corpo, e eu me vi quase morta de exaustão. Tive medo de dormir, medo do que poderia vir a seguir, mas Liliane, com os olhos esbugalhados, examinava o pequeno trecho de paisagem visível pela lona. Uma parte egoísta minha sabia que ela olharia por mim, que não tornaria a dormir. Deitei a cabeça no banco, e, quando minha pulsação finalmente voltou ao normal, fechei os olhos e me permiti afundar no nada.

* * *

Havia neve na parada seguinte: uma planície desolada, apenas com um arvoredo e um galpão em ruínas para quebrar a paisagem plana. Fomos retiradas do veículo no lusco-fusco e empurradas na direção das árvores, instruídas em silêncio, com o aceno de uma pistola, quanto ao que devíamos fazer. Não sobrava mais nada dentro de mim. Tremendo e febril, eu mal me aguentava em pé. Liliane foi mancando para a privacidade relativa do galpão, e, enquanto eu a observava, a paisagem oscilava ao meu redor. Afundei na neve, vagamente consciente dos homens batendo os pés ao lado do caminhão. Parte de mim se deliciava ao sentir o frio gélido nas pernas quentes. Deixei o ar frio se instalar na minha pele, o sangue esfriar nas minhas veias, usufruindo da breve sensação de estar novamente com os pés no chão. Olhei para o céu infinito, onde surgiam minúsculas estrelas cintilantes, até ficar tonta. Forcei-me a recordar as noites, tantos meses antes, quando eu achara que ele poderia estar por ali, olhando para as mesmas estrelas. Então, com o dedo, abaixei-me e escrevi na superfície cristalina: ÉDOUARD.
Um tempo depois escrevi o nome de novo do meu outro lado, como se para me persuadir de que ele era real, em algum lugar, e que ele — e nós — havíamos existido. Escrevi o nome, pressionando a neve com meus dedos azulados, até estar rodeada por ele. Édouard, Édouard, Édouard. Escrevi o nome dele dez, vinte vezes. Era tudo que eu enxergava. Eu estava num grande círculo de Édouards, todos dançando para mim. Seria tão fácil tombar ali, sentar em meu Palácio de Édouard e deixar tudo ir embora. Recostei-me um pouco e comecei a rir.
Liliane saiu de trás do galpão e parou. Eu a vi olhando para mim e, em seu rosto, de repente enxerguei a mesma expressão que Hélène tinha, uma espécie de exaustão, não de dentro, mas de um cansaço do mundo, uma incapacidade momentânea de decidir se esta era uma luta que ela ainda tinha energia para enfrentar. E algo me fez retroceder.
— Eu... eu... minha saia está molhada — eu disse.
Era a única coisa sensata que consegui pensar para dizer.
— É só a neve. — Ela me puxou pelo braço para me levantar, espanou a neve e, ela mancando e eu cambaleando, passamos pelos soldados pouco curiosos e suas pistolas e tornamos a subir no caminhão.

* * *

Luz. Liliane estava me olhando nos olhos, tapando minha boca com a mão.
Pisquei e, sem querer, resisti a ela, mas ela levou o dedo aos lábios. Ela esperou até eu fazer um sinal de cabeça, mostrando ter entendido, e, enquanto ela retirava a mão, percebi que o caminhão parara de novo. Estávamos numa floresta. Havia uma camada de neve com trechos manchados no chão, silenciando ruídos e movimentos.
Ela apontou para o guarda. Ele estava dormindo pesado, esticado no banco, a cabeça deitada na mochila. Roncava, completamente vulnerável, o coldre visível, vários centímetros do pescoço descobertos acima do colarinho. Vi minha mão entrar involuntariamente em meu bolso, tocando no caco de vidro.
— Pule — sussurrou Liliane.
— O quê?
— Pule. Se ficarmos naquela vala, ali, onde não há neve, não deixaremos pegadas. Eles podem acordar a horas de distância daqui.
— Mas estamos na Alemanha.
— Falo um pouco de alemão. Vamos encontrar um jeito de sair.
Ela estava animada, cheia de convicção. Acho que não a tinha visto tão viva desde St Péronne. Pisquei para o soldado adormecido, depois para Liliane, que agora levantava cuidadosamente a aba da lona, espiando a luz azul.
— Mas eles vão atirar em nós se nos pegarem.
— Eles vão atirar em nós se ficarmos. E se não atirarem em nós será pior. Venha. Esta é a nossa chance.
Ela falou apenas com um movimento de lábios, fazendo um gesto para que eu pegasse a minha bolsa.
Levantei-me. Olhei para o bosque. E parei.
— Não consigo.
Ela se virou para mim. Ainda levava a mão quebrada junto ao peito, como se temesse que algo esbarrasse nela. Agora, à luz do dia, eu enxergava os arranhões e hematomas em seu rosto onde os objetos a haviam acertado no dia anterior.
Engoli em seco.
— E se eles estiverem me levando para Édouard?
Liliane olhou para mim.
— Está louca? — sussurrou. — Venha, Sophie. Venha. É a nossa chance.
— Não consigo.
Ela se agachou de novo, olhando nervosa para o soldado adormecido, depois agarrou meu pulso com a mão boa. Sua expressão era feroz e ela falou como se falaria com uma criança particularmente burra:
— Sophie. Eles não estão levando você para Édouard.
— O Kommandant disse...
— Ele é alemão, Sophie! Você o humilhou. Mostrou-o como sendo menos que um homem! Acha que ele vai retribuir com bondade?
— É uma esperança tênue, eu sei. Mas é... só o que me resta. — Enquanto ela me olhava, puxei minha bolsa para mim. — Olhe, vai você. Leve isso. Leve tudo. Você consegue.
Liliane agarrou a bolsa e espiou pela traseira, pensativa. Preparou-se como se calculando aonde seria melhor ir. Observei o guarda, aflita, temendo que ele acordasse.
— Vá.
Eu não entendia por que ela não se mexia. Virou-se para mim devagar, agoniada.
— Se eu fugir, eles vão matar você.
— O quê?
— Por ajudar na minha fuga. Vão matá-la.
— Mas você não pode ficar. Foi pega distribuindo material da resistência. Minha posição é diferente.
— Sophie. Você foi a única que me tratou como humana. Não posso ter sua morte na consciência.
— Eu vou ficar bem. Sempre fico.
Liliane Béthune olhou para minhas roupas sujas, meu corpo magro e febril, agora tremendo na friagem matinal. Ela ficou ali em pé por muitíssimo tempo, depois se sentou pesadamente, largando a bolsa como se já não lhe importasse quem ouvisse o barulho. Olhei para ela, mas ela desviou o olhar. Ambas nos sobressaltamos com a trepidação do caminhão quando o motor pegou. Ouvi um grito. O caminhão arrancou muito devagar, sacolejou ao passar numa poça, jogando-nos de encontro à lateral da carroceria. O soldado deixou escapar um ronco gutural, mas não se mexeu.
Peguei o braço dela, sibilando.
— Liliane, vá. Enquanto pode. Você ainda tem tempo. Eles não vão ouvir.
Mas ela fingiu não me ouvir. Empurrou a bolsa para mim com o pé e sentou-se ao lado do soldado ferrado no sono. Encostou na lateral do caminhão e ficou olhando o vazio.
O caminhão saiu da floresta para uma estrada aberta, e viajamos os quilômetros seguintes em silêncio. Ao longe, ouvimos tiros, vimos outros veículos militares. Diminuímos a velocidade ao passarmos por uma coluna de homens andando com dificuldade, vestidos com roupas cinzentas esfarrapadas. Iam cabisbaixos. Eram como espectros, nem sequer se pareciam com gente de verdade. Observei Liliane olhando para eles e senti a presença dela no caminhão como um peso morto. Ela poderia ter conseguido se não fosse por mim.
Poderíamos ter conseguido juntas. Quando minhas ideias ganharam clareza, vi que provavelmente eu havia destruído sua última chance de reencontrar a filha.
— Liliane...
Ela balançou a cabeça, como se não quisesse ouvir.
Prosseguimos. O céu escureceu e recomeçou a chover, uma chuva com neve gelada, que pinicava minha pele ao passar pelas frestas do teto. Minha tremedeira se intensificou, e a cada buraco uma dor lancinante percorria meu corpo como se disparada por um raio. Eu queria dizer a ela que sentia muito.
Queria lhe dizer que sabia que tinha feito algo terrível e egoísta. Eu deveria ter concedido sua chance. Ela estava certa: eu vinha me enganando ao achar que o Kommandant me recompensaria pelo que eu fizera.
Finalmente, ela falou.
— Sophie?
— Sim?
Eu estava muito desesperada para ela falar comigo. Devo ter soado pateticamente ansiosa.
Ela engoliu em seco, fitando seus sapatos.
— Se... se algo acontecer comigo, você acha que Hélène vai cuidar de Édith? Quero dizer, realmente cuidar dela? Amá-la?
— Claro. É tão impossível Hélène deixar de amar uma criança quanto... sei lá... se juntar aos boches. — Tentei sorrir. Eu estava determinada a parecer menos doente do que me sentia, tentar garantir-lhe que ainda poderia acontecer algo de bom. Mexi-me no banco, procurando esticar as costas. Todos os ossos do meu corpo doeram quando fiz isso. — Mas você não deve pensar assim. Vamos sobreviver a isso, Liliane, e depois você vai para casa encontrar a sua filha. Talvez em uns meses.
Liliane levou a mão boa ao rosto, seguindo uma cicatriz arroxeada que lhe descia do canto da sobrancelha até a bochecha. Parecia concentrada. Muito longe de mim. Rezei para que minha convicção a tivesse tranquilizado um pouco.
— Sobrevivemos até agora, não? — continuei. — Já não estamos mais naquele caminhão de gado infernal. E estamos juntas. Com certeza o destino deve ter nos olhado com bondade para fazer isso.
De repente, ela me fez lembrar Hélène em seus dias negros. Eu queria tocar no braço dela, mas estava muito fraca. Mal conseguia me manter reta no banco de madeira.
— Você tem que continuar tendo fé. As coisas podem voltar a ser boas. Eu sei.
— Você acha mesmo que nós duas podemos ir para a nossa terra? Para St Péronne? Depois do que fizemos?
O soldado começou a se endireitar, esfregando os olhos. Parecia irritado, como se nossa conversa o tivesse acordado.
— Bem... talvez não agora — gaguejei. — Mas podemos voltar à França. Um dia. As coisas serão...
— Estamos na terra de ninguém agora, você e eu, Sophie. Não temos mais o nosso país.
Liliane levantou a cabeça então. Seus olhos eram enormes e escuros. Ela estava, agora eu via, completamente diferente da brilhante criatura que eu vira passando vaidosa pelo hotel. Mas não eram só as cicatrizes e os hematomas que modificavam sua aparência: algo dentro dela fora corrompido, maculado.
— Você acha mesmo que os prisioneiros que acabam na Alemanha algum dia saem de lá?
— Liliane, por favor, não fale assim. Por favor. Você só precisa... — Minha voz foi sumindo.
— Sophie, minha querida, com a sua fé, seu otimismo cego na natureza humana. — Ela meio que sorriu para mim, e foi uma coisa terrível e sinistra. — Você não tem ideia do que eles vão fazer conosco.
E com isso, antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ela arrancou a pistola do coldre do soldado, apontou para a própria cabeça e puxou o gatilho.

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Boa leitura :)