20 de novembro de 2017

Capítulo 28

Durante muito, muito tempo, ninguém disse nada. Com o canto do olho, Phouchg via pela janela o mar de rostos cheios de expectativa na praça.
— Nós vamos ser linchados, não vamos? — sussurrou.
— A pergunta não foi fácil — disse Pensador Profundo, com modéstia.
— Quarenta e dois! — berrou Loonquawl. — É tudo que você tem a nos dizer depois de sete milhões e quinhentos mil anos de trabalho?
— Eu verifiquei cuidadosamente — disse o computador —, e não há dúvida de que a resposta é essa. Para ser franco, acho que o problema é que vocês jamais souberam qual é a pergunta.
— Mas era a Grande Pergunta! A Questão Fundamental da Vida, o Universo e Tudo o Mais — gritou Loonquawl.
— É — disse Pensador Profundo, com um tom de voz de quem tem enorme paciência para aturar pessoas estúpidas — mas qual é exatamente a pergunta?
Um silêncio de estupefação aos poucos dominou os homens, que olharam para o computador e depois se entreolharam.
— Bem, você sabe, é simplesmente tudo... tudo... — começou Phouchg, vacilante.
— Pois é! — disse Pensador Profundo. — Assim, quando vocês souberem qual é exatamente a pergunta, vocês saberão o que significa a resposta.
— Genial — sussurrou Phouchg, jogando o caderno para o lado e enxugando uma pequena lágrima.
— Está bem, está bem — disse Loonquawl. — Será que dava pra você nos dizer qual é a pergunta?
— A Pergunta Fundamental?
— É!
— Sobre a Vida, o Universo e Tudo o Mais?
— É!
 Pensador Profundo pensou um pouco.
— Essa é fogo — disse ele.
— Mas você pode descobri-la? — perguntou Loonquawl. Pensador Profundo ponderou a questão por mais algum tempo.
— Não — respondeu por fim, com firmeza. Os dois homens caíram sentados, em desespero.
— Mas eu lhes digo quem pode — disse o computador. Os dois levantaram a vista de repente.
— Quem?
— Diga!
De repente, Arthur começou a sentir seus pêlos inexistentes ficarem em pé à medida que ele se aproximava lenta porém inexoravelmente do terminal do computador, mas era apenas um zoom de grande efeito dramático por parte de quem havia realizado aquela gravação, aparentemente.
— Refiro-me ao computador que virá depois de mim — proclamou Pensador Profundo, reassumindo seu tom declamatório habitual. — Um computador cujos parâmetros operacionais eu não sou digno de calcular, mas que, ainda assim, irei projetar para vocês. Um computador capaz de calcular a Pergunta referente à Resposta Fundamental, um computador de tamanha complexidade sutil e infinita que a própria vida orgânica fará parte de sua matriz operacional. E vocês assumirão uma nova forma e entrarão no computador para operar seu programa, durante dez milhões de anos! Sim! Eu projetarei este computador para vocês. E eu também lhe darei um nome. E ele se chamará... Terra.
Phouchg olhou para Pensador Profundo, atônito.
— Que nome mais besta — disse ele, e longas incisões abriram-se em seu corpo de alto a baixo. Loonquawl, também, de repente começou a sofrer cortes terríveis vindos de lugar nenhum. O terminal do computador inchou e rachou-se, as paredes estremeceram e desabaram, e toda a sala caiu para cima, em direção ao teto...
Slartibartfast estava em pé diante de Arthur, segurando os dois fios.
— Fim da gravação — explicou ele.

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Boa leitura :)