15 de novembro de 2017

Capítulo 26


Não tenho medo, embora seja estranho tê-los aqui, comendo e conversando, debaixo do nosso teto. Eles são em grande medida educados, quase solícitos. E acredito, sim, que Herr Kommandant não tolerará quaisquer deslizes da parte de seus homens. Então nossa trégua instável já começou...
O estranho é que Herr Kommandant é um homem culto. Já ouviu falar de Matisse! De Weber e Purrmann! Pode imaginar quão estranho é discutir as sutilezas da sua pintura com um alemão?
Comemos bem hoje à noite. Herr Kommandant entrou na cozinha e disse para comermos as sobras do peixe. O pequeno Jean chorou quando elas acabaram. Rezo para que você tenha comida suficiente, onde quer que esteja...

Liv lê e relê esses trechos, tentando preencher os espaços entre as palavras de Sophie. É difícil encontrar uma cronologia, pois os escritos de Sophie estão em papéis soltos, e em alguns lugares a tinta desbotou, mas sua relação com Friedrich Hencken está definitivamente mais aquecida. Ela dá pistas de longas conversas, de amabilidades aleatórias, de que ele continua lhes dando comida.
Sem dúvida, Sophie não discutiria arte nem aceitaria refeições de alguém que considerasse um animal.
Quanto mais lê, mais próxima ela se sente da autora desses trechos. Lê a história do leitãozinho, traduzindo-a duas vezes para ter certeza de que a leu direito. E quer comemorar o seu desfecho. Consulta seus autos do processo, as descrições desdenhosas de Madame Louvier da desobediência da garota, sua coragem, sua bondade. O espírito dela parece saltar da página. Liv deseja, por um instante, poder falar com Paul sobre isso.
Fecha a pasta com cuidado. E, depois, olha culpada para o lado da mesa onde guarda os papéis que não mostrou a Henry.

O Kommandant tem um olhar atento, inteligente, e no entanto de certa forma velado, como se pretendesse esconder seus verdadeiros sentimentos. Eu temia que ele fosse capaz de ver a minha compostura desmoronando.

Falta o restante da folha, arrancado, ou talvez rasgara-se com o tempo.

“Eu danço com o senhor, Herr Kommandant”, eu disse. “Mas só na cozinha.”

E depois há o pedaço de papel com uma letra que não é de Sophie. “Depois de feito”, diz, simplesmente, “não pode ser desfeito.” A primeira vez que leu isso, Liv murchou.
Ela lê e relê as palavras, visualiza uma mulher, em segredo, nos braços de um homem que supostamente era seu inimigo. E, então, fecha a pasta e torna a colocá-la com cuidado embaixo de sua pilha de papéis.

* * *

— Quantas hoje?
— Quatro — diz ela entregando a cota diária de cartas ofensivas. Henry já lhe disse para não abrir nenhuma cuja letra ela não reconheça. Seus assessores farão isso e denunciarão qualquer uma que seja ameaçadora. Ela tenta confiar nesse novo desdobramento, mas, no íntimo, estremece cada vez que vê uma carta estranha. Pensar que todo esse ódio sem foco está por aí, só esperando um alvo.
Não pode mais digitar “A garota que você deixou para trás” num mecanismo de busca. Antes só havia duas referências históricas, mas agora há versões eletrônicas de reportagens de jornal do mundo inteiro, reproduzidas por grupos de interesse, e chats na internet discutindo seu aparente egoísmo, o descaso inerente a ela pelo que é certo. As palavras surgem como socos: Pilhado. Furtado. Roubado. Vaca.
Por duas vezes, postaram fezes de cachorro na caixa postal da entrada.
Só houve um protesto naquela manhã, uma desleixada mulher de meia-idade, de capa de chuva azul, que insistia em lhe entregar mais um panfleto sobre o Holocausto.
— Isso realmente não tem nada a ver comigo ou com este processo — disse Liv, devolvendo-lhe o panfleto.
— Se não fizer nada, você é cúmplice.
O rosto da mulher estava transtornado de contrariedade.
Henry a retirou dali.
— Não vale a pena se envolver — disse ele.
O estranho é que isso não diminuiu seu vago sentimento de culpa.
Esses são os sinais ostensivos de desaprovação. Há resultados menos visíveis da ação penal em andamento. Os vizinhos já não a cumprimentam com leveza, mas com um aceno de cabeça e olham para o chão quando ela passa. Não foi convidada para mais nada desde que o caso saiu nos jornais. Nem para jantar, nem para um vernissage só para convidados, nem para os eventos ligados a arquitetura aos quais ela era sempre convidada, embora em geral não os aceitasse. A princípio, achou que fosse apenas coincidência. Agora começa a ficar intrigada.
Os jornais falam de sua roupa todos os dias, descrevem-na como “sombria”, às vezes “discreta” e sempre “loura”. O apetite deles por todos os aspectos da ação parece não ter fim. Ela não sabe se alguém já tentou contatá-la para ouvir seus comentários: seu telefone está desligado há dias.
Ela olha para o banco repleto de Lefèvre, os rostos sisudos e expressões tomadas de beligerância resignada, como no primeiro dia. Ela se pergunta o que eles sentem quando ouvem como Sophie foi expulsa da família, sozinha, desamada. Será que agora têm outro sentimento em relação a ela? Ou não registram a presença dela no centro disso, enxergando apenas o dinheiro?
Paul senta-se todos os dias na ponta do banco. Ela não olha para ele, mas sente sua presença como um impulso elétrico.
Christopher Jenks toma a palavra. Resumirá, diz ele ao tribunal, a última prova de que A garota que você deixou para trás, de fato, uma obra de arte saqueada. Trata-se de um caso inusitado, diz, no sentido de que as investigações sugerem que o retrato foi obtido por meios escusos não uma, mas duas vezes. A palavra “escusos” nunca deixa de fazê-la contrair o rosto.
— Os atuais donos do quadro, os Halston, compraram-no do espólio de uma Louanne Baker. “A destemida Srta. Baker”, como era conhecida, foi uma repórter de guerra em 1945, pertencente a um grupo seleto de mulheres. Há recortes do New York Register que detalham a presença dela em Dachau no fim da Segunda Guerra Mundial. Fornecem um registro vivo de sua presença quando as tropas aliadas libertaram o campo.
Liv observa os repórteres do sexo masculino escrevendo atentamente.
— Matéria da Segunda Guerra Mundial — murmurou Henry, quando eles se sentaram. — A imprensa adora um nazista.
Dois dias antes, ela jurara que dois deles jogavam o jogo da forca.
— Um recorte em particular nos conta como a Srta. Baker passou um dia, na época da libertação, num enorme depósito conhecido como Collection Point, localizado num antigo quartel-general dos nazistas perto de Munique em que as tropas norte-americanas guardavam obras de arte confiscadas. Ele conta a história de outra repórter, que recebeu um quadro em agradecimento por sua ajuda aos Aliados nessa época. O quadro fora alvo de um processo distinto e voltara aos donos originais.
Henry balança a cabeça de um lado para o outro, num gesto mínimo.
— Meritíssimo, distribuirei agora cópias deste artigo de jornal, datado de 6 de novembro de 1945, intitulado “Como me tornei governadora de Berchtesgaden”, que, sustentamos, demonstra como Louanne Baker, uma humilde repórter, acabou, por meios extremamente não ortodoxos, sendo a proprietária de uma obra-prima moderna.
O tribunal faz silêncio e os jornalistas se inclinam para a frente, com as canetas apontadas para seus blocos de anotações. Christopher Jenks começa a ler.
— “Os tempos de guerra preparam a pessoa para muitas coisas. Mas não me preparou para o dia em que me vi governadora de Berchtesgarden e do butim de Goering no valor de uns cem milhões de dólares em obras de arte roubadas. A voz da jovem repórter ecoa pelos anos afora, corajosa, competente. Ela desembarca com as Screaming Eagles na praia de Omaha. Está lotada nessa divisão, perto de Munique. Registra os pensamentos de jovens soldados que nunca haviam se afastado de casa, o fumo, as bravatas, a nostalgia secreta. E então, uma manhã, ela observa as tropas saírem, rumo a um campo de prisioneiros de guerra a alguns quilômetros dali, e se vê encarregada de dois marines e um caminhão de bombeiro.
“O exército norte-americano não poderia admitir sequer a possibilidade
de um acidente enquanto tais tesouros estivessem sob sua custódia.”
Ela conta da aparente paixão de Goering por arte, da prova de anos da pilhagem sistemática dele encontrada dentro do prédio, de seu alívio quando o exército norte-americano voltou e ela pode se eximir da responsabilidade pelo butim.
Então Christopher Jenks faz uma pausa.
— “Quando fui embora, o sargento me disse que eu poderia levar comigo uma lembrança à guisa de agradecimento pelo que disse ter sido meu ‘dever patriótico’. Levei, e a tenho comigo até hoje – uma pequena recordação do dia mais estranho da minha vida.
Ele fica parado e levanta as sobrancelhas.
— E que recordação!
Angela Silver está de pé.
— Protesto. Não há nada neste artigo que diga que a recordação foi A garota que você deixou para trás.
— É uma coincidência extraordinária ela mencionar ter sido autorizada a retirar um item do depósito.
— O artigo em nenhum momento diz que o item era um quadro. Muito menos este quadro específico.
— Aceito.
Angela Silver está diante do juiz.
— Meritíssimo, examinamos os registros de Berchtesgaden e não consta em nenhum deles que este quadro vem do depósito de Collection Point. Ele não aparece em nenhuma das listas ou inventários dessa época. Portanto, fazer a associação é uma atitude especiosa do meu colega.
— Já foi documentado aqui que, em tempos de guerra, há sempre coisas que ficam por registrar. Já ouvimos depoimentos de especialistas afirmando que obras de arte que não constavam como tendo sido roubadas, na verdade, o foram.
— Meritíssimo, se meu nobre colega está afirmando que A garota que você deixou para trás foi uma pintura saqueada que estava em Berchtesgaden, então ainda cabe aos autores da ação, em primeiro lugar, o ônus da prova, ou seja, estabelecer sem dúvida que esse quadro estava realmente ali. Não há prova concreta de que ele fizesse parte dessa coleção.
Jenks balança a cabeça.
— Em sua própria declaração, David Halston disse que, quando comprou o quadro, a filha de Louanne Baker lhe contou tê-lo adquirido em 1945 na Alemanha. Ela não poderia lhe apresentar a origem e ele não conhecia o mercado de arte o suficiente para saber que deveria ter exigido a documentação. Parece extraordinário um quadro desaparecido da França no tempo da ocupação alemã, que consta ter sido cobiçado por um Kommandant alemão, reaparecer então na casa de uma mulher que estivera na Alemanha, que disse ter trazido com ela uma recordação preciosa de sua viagem a esse país e nunca mais quisesse voltar lá.
O tribunal está em silêncio. No banco, uma mulher de cabelo escuro, vestida de verde-limão, está alerta, inclinada para a frente, as grandes mãos nodosas no encosto do assento à sua frente. Liv se pergunta onde já a viu antes.
A mulher faz que não com a cabeça enfaticamente. Há muitos idosos na plateia: quantos deles se lembram da guerra? Quantos perderam seus quadros?
Angela Silver se dirige ao juiz.
— Mais uma vez, meritíssimo, isso é tudo circunstancial. Não há referências específicas a um quadro neste artigo. Uma recordação, como o quadro é referido aqui, poderia ter sido simplesmente a insígnia de um soldado ou um seixo. Este tribunal deve fazer o seu julgamento unicamente com base em provas. Em nenhum trecho deste artigo a autora se refere especificamente a este quadro.
Angela Silver se senta.
— Podemos chamar Marianne Andrews?
A mulher de vestido verde-limão se levanta pesadamente, vai para o banco das testemunhas e, após fazer o juramento, olha em volta, pestanejando ligeiramente. Ela segura a bolsa com tanta força que as enormes juntas dos seus dedos ficam brancas. Liv se sobressalta ao se lembrar de quando a viu antes: numa ruela ensolarada em Barcelona, quase dez anos antes, o cabelo louro em vez do preto retinto de hoje. Marianne Johnson.
— Sra. Andrews. A senhora é a única filha de Louanne Baker.
— Srta. Andrews. Sou viúva. E, sim, sou filha única.
Liv se recorda daquele sotaque americano carregado.
Angela Silver aponta para o quadro.
— Srta. Andrews. A senhora reconhece o quadro, a cópia do quadro, que se encontra no tribunal à sua frente?
— Com certeza. Esse quadro esteve na nossa sala de estar durante toda a minha infância. Chama-se A garota que você deixou para trás, e é de Édouard Lefèvre.
Ela pronuncia “Le Fever”.
— Srta. Andrews, sua mãe algum dia lhe contou sobre o suvenir a que ela se refere no artigo?
— Não, senhora.
— Ela nunca disse que se tratava de um quadro?
— Não, senhora.
— Alguma vez ela mencionou de onde vinha o quadro?
— Não, para mim, não. Mas eu só gostaria de dizer que de jeito nenhum mamãe teria aceitado esse quadro se achasse que ele pertencia a uma vítima daqueles campos. Ela simplesmente não era assim.
O juiz se inclina para a frente.
— Srta. Andrews, temos que ficar dentro dos limites do que conhecemos. Não podemos atribuir motivos a sua mãe.
— Bem, vocês parecem atribuir. — Ela bufa. — Não a conheceram. Ela acreditava em jogo honesto. Os suvenires que ela guardava eram objetos como cabeças encolhidas ou pistolas antigas ou placas de carro. Coisas que não interessariam a ninguém. — Ela pensa um instante. — Bem, tudo bem, as cabeças encolhidas poderiam já ter pertencido a alguém, mas podem apostar que os donos originais não as queriam de volta, certo?
Uma onda de risos se propaga pelo tribunal.
— Ela ficou realmente muito perturbada com o que aconteceu em Dachau. Durante anos mal conseguiu falar no assunto. Sei que ela não teria aceitado nada se achasse que isso poderia magoar mais uma daquelas pobres pessoas.
— Então a senhora não acha que sua mãe tirou esse quadro de Berchtesgaden?
— Minha mãe nunca tirou nada de ninguém. Ela pagava com o dinheiro dela. Ela era assim.
Jenks se levanta.
— Está tudo muito bem, Srta. Andrews, mas, segundo suas palavras, a senhora não tem ideia de como sua mãe conseguiu este quadro, tem?
— Como eu disse, sei que ela não era ladra.
Liv observa o juiz fazendo suas anotações. Ela olha para Marianne Andrews, que faz trejeitos enquanto a reputação de sua mãe é destruída diante dela. Olha para Janey Dickinson, que sorri para os irmãos Lefèvre sem esconder o ar de triunfo. Olha para Paul, que está inclinado para a frente, as mãos cruzadas nos joelhos, como se estivesse rezando.
Liv desvia os olhos da imagem de seu quadro e sente algo pesado, como um manto, cair sobre ela tapando a luz.

* * *

— Oi! — diz ela, ao entrar em casa.
São quatro e meia, mas não há sinal de Mo. Ela vai até a cozinha e pega o bilhete em cima da mesa: “Fui para a casa do Ranic. Volto amanhã. Mo.”
Liv larga o bilhete e dá um pequeno suspiro. Já se acostumou com Mo andando pela casa — o barulho dos passos dela, o cantarolar ao longe, uma banheira enchendo, o cheiro da comida esquentando no forno. Ela sente a casa vazia agora. Nunca a sentira vazia antes de Mo chegar.
Mo anda meio distante há dias. Liv se pergunta se ela já adivinhou o que aconteceu depois de Paris. O que a leva, como tudo, de volta a Paul.
Mas não vale muito a pena pensar em Paul.
Não há correspondência, a não ser uma mala direta para cozinhas planejadas e duas contas.
Ela tira o casaco e prepara uma caneca de chá. Liga para o pai, que saiu. A mensagem barulhenta dele na secretária eletrônica insta-a a deixar seu nome e número de telefone. “Precisa deixar! ADORARÍAMOS ter notícias suas!” Ela liga o rádio, mas a música é muito irritante, as notícias, muito deprimentes. Ela não quer se conectar à internet: é improvável que haja alguma mensagem oferecendo trabalho e ela teme ver algo sobre a ação penal. Não quer a fúria em pixels de um milhão de pessoas que não a conhecem deslizar na tela do seu computador e entrar na sua cabeça.
Não quer sair.
Vamos lá , ela se censura. Você é mais forte que isso. Pense no que Sophie teve que enfrentar.
Liv põe uma música para tocar, só para quebrar o silêncio. Coloca roupa na máquina, para dar uma aparência de normalidade doméstica. E depois pega uma pilha de envelopes e documentos que ignorou nas últimas duas semanas, puxa uma cadeira e começa a examinar tudo.
As contas, ela coloca no meio; cartas de cobrança, à direita. À esquerda, coloca tudo que não seja urgente. Os extratos bancários, ela ignora. Os extratos de conta dos seus advogados vão para uma pilha específica.
Ela tem um bloco grande no qual anota uma coluna de números. Vai seguindo a lista metodicamente, somando e subtraindo, apagando as contas e colocando os resultados na margem da página. Recosta-se na cadeira, rodeada pelo céu negro, e fica um bom tempo olhando os números.
Afinal, se inclina para trás, e olha pela claraboia. Está escuro como se fosse noite fechada, mas, quando ela olha o relógio, não são nem seis horas. Ela olha as linhas retas e irretocáveis da criação de David, o jeito que emolduram uma extensão enorme de céu cintilante, de qualquer que seja o ângulo que ela escolha ver. Ela olha para as paredes, para o vidro térmico intercalado com folhas de um material isolante finíssimo que ele trouxe da Califórnia e da China para deixar a casa silenciosa e aquecida. Olha para a parede cor de alabastro em que uma vez escreveu “POR QUE VOCÊ NÃO VAI À MERDA?” com caneta marcador quando ela e David brigaram por causa da sua desordem no início do casamento. Apesar do tratamento com vários removedores especiais de tinta, ainda se vê a sombra dessas palavras em determinadas condições atmosféricas.
Ela olha para o céu, visível pelo menos através de uma parede transparente em cada cômodo, de modo que a Casa de Vidro sempre dava a impressão de estar suspensa no espaço, pairando acima das ruas fervilhantes.
Ela vai para seu quarto e observa o retrato de Sophie Lefèvre. Como sempre, os olhos de Sophie encaram os seus. Hoje, porém, a garota não parece impassível, imperiosa. Hoje, Liv acha que pode detectar uma informação nova por trás da expressão dela.
O que aconteceu com você, Sophie?
Ela já sabe há dias que terá que tomar essa decisão. Provavelmente sempre soube. No entanto, ainda sente isso como uma traição.
Procura na lista telefônica, pega o telefone e liga.
— Alô? É da agência imobiliária?

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Boa leitura :)