29 de novembro de 2017

Capítulo 2 - Cheias sem limites

Os quatro atravessaram o Instituto direto para a biblioteca, sem parar para trocarem de roupa. Só quando entraram na sala, e Emma percebeu que ela, Mark, Cristina e Julian estavam os quatro sujos de icor grudento de demônio, foi que ela parou para pensar se talvez devessem ter tomado um banho antes.
O teto da biblioteca tinha sido danificado há duas semanas, e consertado às pressas, a claraboia de vitral substituída por vidro liso, o teto elaboradamente decorado agora estava coberto por uma camada de madeira de sorveira Marcada. A madeira das sorveiras era protetora: mantinha a magia negra afastada. Também tinha um efeito sobre fadas – Emma viu Mark fazer uma careta e olhar para cima ao entrarem na sala. Ele havia dito a ela que proximidade com uma grande quantidade da madeira fazia com que ele se sentisse como se a pele estivesse coberta por pequenas centelhas de fogo. Ela ficou imaginando qual seria o efeito em uma fada de puro sangue.
— Fico feliz em vê-los aqui — cumprimentou Diana.
Ela estava sentada à cabeceira de uma das compridas mesas da biblioteca, com o cabelo preso em um coque. Uma corrente grossa de ouro brilhava contra sua pele. Seu vestido preto e branco estava, como sempre, perfeito e sem qualquer amassado.
Ao lado dela estava Diego Rocio Rosales, notável pela Clave por ser um Centurião altamente treinado e para os Blackthorn por ter o apelido Diego Perfeito. Ele era irritantemente perfeito – ridiculamente bonito, um combatente espetacular, inteligente e absurdamente educado. Ele também tinha partido o coração de Cristina antes de ela sair do México, o que significava que normalmente Emma estaria planejando a morte dele, mas não podia porque ele e Cristina tinham voltado a namorar há duas semanas.
Ele sorriu para Cristina agora, seus dentes brancos e retos brilhando. O broche de Centurião brilhava em seu ombro, as palavras Primi Ordines visíveis contra a prata. Ele não era apenas um Centurião, ele era um dos da Primeira Companhia, o que tinha de melhor na turma que se formou pela Scholomance. Porque, é claro, ele era perfeito.
Em frente a Diana e Diego sentavam-se duas figuras muito familiares para Emma: Jace Herondale e Clary Fairchild, os diretores do Instituto de Nova York, apesar de que quando Emma os conheceu, eles eram adolescentes da idade que ela tem agora. Jace era pura beleza dourada e despenteada, uma aparência que só melhorou com o tempo. Clary tinha cabelo ruivo, olhos verdes teimosos, e um rosto enganadoramente delicado. Ela tinha uma vontade de ferro, como Emma tinha bons motivos para saber.
Clary se levantou, com o rosto iluminado, enquanto Jace se inclinava na cadeira com um sorriso.
— Vocês voltaram! — exclamou ela, correndo para Emma. Estava de calça jeans e uma camiseta puída que dizia MADE IN BROOKLYN, que provavelmente tinha sido de seu melhor amigo, Simon. Parecia gasta e macia, exatamente o tipo de camiseta que Emma costumava pegar de Julian e se recusava a devolver. — Como foi com o demônio lula?
Emma não conseguiu responder por causa do abraço apertado de Clary.
— Bem — disse Mark. — Muito bem. São tão cheias de líquidos, as lulas.
Ele realmente parecia satisfeito com o fato. Clary soltou Emma e franziu o rosto para o icor, a água do mar, e a gosma não identificada que tinham sujado a camisa dela.
— Estou vendo.
— Eu só vou dar as boas-vindas a todos vocês daqui mesmo — disse Jace, acenando. — Tem um cheiro perturbador de lula vindo de vocês.
Ouviu-se uma risada, rapidamente abafada. Emma olhou para cima e viu pernas penduradas entre as grades da galeria superior. Entretida, ela reconheceu os membros longos de Ty e as meias estampadas de Livvy. Havia cantos na galeria de cima que eram perfeitos para bisbilhotar – ela perdeu a conta de quantas reuniões de Andrew Blackthorn ela e Julian espiaram quando criança, absorvendo o conhecimento e o senso de relevância que estar presente a uma reunião de Conclave trazia. Ela olhou de esguelha para Julian, vendo-o notar a presença de Ty e Livvy, sabendo o instante em que ele decidiu, como ela o fez, não comentar nada a respeito. Todo o processo de pensamento dele era visível para ela na curva do seu sorriso – estranho o quão transparente ele era nesses momentos sem reservas, e quão pouco ela sabia o que ele estava pensando quando ele escolhia esconder.
Cristina foi até Diego, tocando gentilmente em seu ombro. Ele a beijou no pulso. Emma viu Mark olhar para eles, com expressão ilegível. Mark tinha falado com ela sobre muitas coisas nas últimas semanas, mas não sobre Cristina. Nunca sobre Cristina.
— Então já são quantos demônios marinhos? — perguntou Diana. — Ao todo?
Ela gesticulou para que todos tomassem seus assentos ao redor da mesa. Eles se sentaram, se apertando um pouco, Emma ao lado de Mark, mas em frente a Julian. Ele respondeu a Diana calmamente, como se não estivesse pingando icor no chão polido.
— Alguns menores nesta última semana — disse Julian —, mas isso é normal quando há tempestade. Eles encalham na praia. Fizemos algumas patrulhas; os Ashdown fizeram outras mais ao sul. Acho que conseguimos pegar todos eles.
— Esse foi o primeiro realmente grande — disse Emma. — Quer dizer, eu só vi alguns grandes daquele jeito na vida. Eles normalmente não saem do mar.
Jace e Clary trocaram um olhar.
— Tem alguma coisa que precisamos saber? — perguntou Emma. — Vocês estão colecionando demônios marinhos bem grandes para decorar o Instituto ou coisa parecida?
Jace se inclinou para a frente, com os cotovelos sobre a mesa. Ele tinha um semblante calmo, semelhante ao de um felino, e olhos cor de âmbar ilegíveis. Clary falou que, na primeira vez que o viu, achou que ele se parecia com um leão. Emma entendia: leões pareciam muito calmos e quase preguiçosos até explodirem em ação.
— Talvez devêssemos contar por que estamos aqui — falou.
— Pensei que estivessem aqui por causa de Kit — disse Julian. — Por ele ser um Herondale e tudo o mais.
Ouviram um movimento em cima e um murmúrio baixo. Ty vinha dormindo na frente da porta de Kit nas últimas noites, um comportamento estranho que ninguém mencionou. Emma supôs que Ty achasse Kit incomum e interessante, como, às vezes, achava abelhas e lagartos incomuns e interessantes.
— Também — disse Jace. — Acabamos de voltar de uma reunião do Conselho em Idris. Foi por isso que demoramos tanto para chegar aqui, apesar de querer vir o mais rápido possível assim que soube de Kit. — Ele se reclinou e colocou um braço atrás da própria cadeira. — Vocês não ficarão surpresos em saber que houve muita discussão sobre a situação de Malcolm.
— Você quer dizer sobre a situação em que o Alto Feiticeiro de Los Angeles se revelou um assassino e um necromante? — disse Julian.
Havia claras camadas de insinuação em sua voz: a Clave não tinha desconfiado de Malcolm, tinha aprovado sua indicação para Alto Feiticeiro, não tinha feito nada para impedir os assassinatos que ele cometeu. Foram os Blackthorn que fizeram isso.
Ouviu-se mais uma risadinha de cima. Diana tossiu para esconder um sorriso.
— Desculpem — falou para Jace e Clary. — Acho que temos ratos.
— Eu não ouvi nada — disse Jace.
— Só estamos surpresos que a reunião do Conselho tenha terminado tão depressa — disse Emma. — Achamos que talvez fôssemos ter que testemunhar. Sobre Malcolm e tudo que aconteceu.
Emma e os Blackthorn já tinham testemunhado perante o Conselho antes. Anos antes, após a Guerra Maligna. Não foi uma experiência que Emma estivesse empolgada para repetir, mas teria sido uma chance de contar a sua versão dos fatos. De explicar por que trabalharam em conjunto com as fadas, contradizendo diretamente as Leis da Paz Fria. Por que tinham investigado o Alto Feiticeiro de Los Angeles, Malcolm Fade, sem avisar à Clave que estavam fazendo isso; o que fizeram quando descobriram que ele era culpado de crimes hediondos. Por que Emma o matou.
— Você já contou a Robert, o Inquisidor — disse Clary. — Ele acreditou em você. Ele testemunhou em seu nome.
Julian ergueu uma sobrancelha. Robert Lightwood, o Inquisidor da Clave, não era um homem caloroso e amigável. Contaram a ele o que aconteceu porque foram forçados a isso, mas ele não era o tipo de pessoa que você conseguiria imaginar lhe fazendo favores.
— Robert não é tão ruim assim — disse Jace. — Sério. Ele amoleceu depois que se tornou avô. Além disso, a Clave estava menos interessada em vocês do que no Volume Negro.
— Aparentemente ninguém percebeu que ele já esteve na biblioteca daqui — disse Clary. — O Instituto da Cornualha é famoso por ter uma seleção consideravelmente ampla de livros sobre magia negra: o Malleus Maleficarum original, o Demonatia. Todo mundo achou que estivesse lá, devidamente trancado.
— Os Blackthorn dirigiam o Instituto da Cornualha — disse Julian. — Talvez meu pai tenha trazido com ele quando foi nomeado para cuidar do Instituto daqui — ele parecia perturbado. — Mas não sei por que ele ia querer fazer isso.
— Talvez Arthur tenha trazido — sugeriu Cristina. — Ele sempre foi fascinado por livros antigos.
Emma balançou a cabeça.
— Não pode ser. O Livro tinha que estar aqui quando Sebastian atacou o Instituto. Antes de Arthur vir.
— Quanto do fato de não nos quererem lá para testemunhar teve a ver com eles discutirem se eu deveria poder ficar? — perguntou Mark.
— Uma boa parte — disse Clary, olhando nos olhos dele. — Mas, Mark, nós nunca permitiríamos que o fizessem voltar para a Caçada. Todo mundo teria se manifestado.
Diego assentiu.
— A Clave deliberou, e eles concordam que Mark fique aqui com a família. A ordem original só proibia que Caçadores de Sombras procurassem por ele, mas ele veio até vocês, então a ordem não foi desrespeitada.
Mark assentiu, muito formal. Ele nunca pareceu gostar do Diego Perfeito.
— E, acreditem em mim — acrescentou Clary — eles ficaram muito felizes por usarem essa brecha. Acho que até os que mais odeiam fadas ali sentem pelo que Mark passou.
— Mas não pelo que Helen passou? — disse Julian. — Alguma coisa sobre a volta dela?
— Nada — respondeu Jace. — Sinto muito. Não quiseram nem ouvir falar.
A expressão de Mark endureceu. Naquele momento, Emma pôde ver o guerreiro nele, a sombra escura dos campos de batalha que a Caçada Selvagem rondava, o caminhante entre os corpos dos mortos.
— Vamos continuar insistindo — disse Diana. — Tê-lo de volta é uma vitória, Mark, e vamos pressionar essa vitória. Mas agora...
— O que é que está acontecendo agora? — Mark quis saber. — A crise não acabou?
— Somos Caçadores de Sombras — disse Jace. — Você vai ver que a crise nunca acaba.
— Agora — prosseguiu Diana — o Conselho acabou de discutir o fato de que grandes demônios marinhos foram vistos por toda a costa da Califórnia. Em número recorde. Mais deles foram vistos na última semana do que na última década. Aquele Teuthida que combateram não foi um demônio isolado.
— Achamos que é porque o corpo de Malcolm e o Volume Negro ainda estão no mar — disse Clary. — E achamos que pode ser por causa dos feitiços que Malcolm realizou durante a vida.
— Mas os feitiços de um feiticeiro desaparecem quando ele morre — protestou Emma. Ela pensou em Kit. As barreiras que Malcolm colocou em torno da casa dos Rook caíram quando ele morreu. Demônios atacaram em uma questão de horas. — Nós fomos até a casa dele depois que ele morreu, para procurar provas do que ele vinha fazendo. O lugar tinha se desintegrado totalmente.
Jace tinha desaparecido sob a mesa. Ele apareceu um instante depois, segurando Church, o gato de meio período do Instituto. Church estava com as patas esticadas e tinha um olhar de satisfação no rosto.
— Pensamos a mesma coisa — disse Jace, colocando o gato no colo. — Mas, aparentemente, segundo Magnus, há feitiços que podem ser construídos para serem ativados pela morte de um feiticeiro.
Emma olhou para Church. Ela sabia que o gato já tinha morado no Instituto de Nova York, mas parecia grosseiro demonstrar uma preferência assim tão descarada. O gato estava deitado de costas no colo de Jace, ronronando e ignorando-a.
— Como um alarme — disse Julian —, que dispara quando você abre uma porta?
— Sim, mas nesse caso a morte é a porta aberta — disse Diana.
— Então qual é a solução? — perguntou Emma.
— Provavelmente precisamos que o corpo dele desligue o feitiço, por assim dizer — respondeu Jace. — E uma pista de como ele fez isso seria uma boa.
— As ruínas da convergência foram verificadas com grande cuidado — disse Clary. — Mas vamos checar a casa de Malcolm amanhã, só para garantir.
— São só destroços — alertou Julian.
— Destroços que terão que ser limpos em breve, antes que os mundanos percebam — disse Diana. — Disfarçados por feitiço, mas é temporário. Isso significa que o local só estará intacto por mais alguns dias.
— E não há mal nenhum em dar uma última olhada — disse Jace. — Principalmente porque Magnus nos deu uma ideia do que procurar — ele afagou a orelha de Church, mas não falou mais sobre o assunto.
— O Volume Negro é um objeto necromântico poderoso — disse Diego Perfeito. — Pode estar causando perturbações que nem imaginamos. Fazer os demônios marinhos das maiores profundezas emergirem para as nossas praias significa que os mundanos correm perigo; alguns já desapareceram do Píer.
— Então — disse Jace. — Uma equipe de centuriões vai chegar amanhã...
— Centuriões? — O pânico passou pelos olhos de Julian, um olhar de medo e vulnerabilidade que Emma supôs que fosse visível apenas para ela. Desapareceu quase instantaneamente. — Por quê?
Centuriões. Caçadores de Sombras de elite, treinados na Scholomance, uma escola esculpida nas paredes de pedra das Montanhas Cárpatos, cercada por um lago gelado. Eles estudavam ciência esotérica e eram especialistas em fadas e na Paz Fria. E, aparentemente, em demônios marinhos.
— Excelente notícia — disse Diego Perfeito. Ele diria isso, Emma pensou. Presunçosamente, o rapaz tocou o broche no ombro. — Eles vão conseguir encontrar o corpo e o livro.
— Espero que sim — concluiu Clary.
— Mas vocês já estão aqui, Clary — disse Julian, com a voz enganosamente calma. — Você e Jace... se trouxessem Simon e Isabelle, e Alec e Magnus, aposto que conseguiriam encontrar o corpo de cara.
Ele não quer estranhos aqui, Emma pensou. Pessoas que espionariam os assuntos do Instituto, que pediriam para falar com o tio Arthur. Ele conseguiu preservar os segredos do Instituto mesmo com tudo o que aconteceu com Malcolm. E agora estavam sendo ameaçados novamente por Centuriôes desconhecidos.
— Clary e eu estamos de passagem — disse Jace. — Não podemos ficar e procurar, por mais que quiséssemos. Estamos em uma missão do Conselho.
— Que tipo de missão? — perguntou Emma. Que missão poderia ser mais importante do que recuperar o Volume Negro e limpar a bagunça que Malcolm causou de uma vez por todas?
Mas ela pôde perceber, pelo olhar que Jace e Clary trocaram, que havia um mundo de coisas mais importantes lá fora, coisas que ela não podia imaginar. Emma não pôde conter uma pequena explosão de amargura por dentro, o desejo de ser só um pouquinho mais velha, de poder ser igual a Jace e Clary, de conhecer seus segredos e os segredos do Conselho.
— Sinto muito — falou Clary. — Não podemos falar.
— Então não vão nem ficar aqui? — insistiu Emma. — Enquanto tudo isso acontece, e nosso Instituto é invadido...
— Emma — disse Jace. — Sabemos que vocês estão acostumados a ficarem sozinhos e a não serem incomodados aqui. A só terem que responder a Arthur.
Se, ao menos, ele soubesse. Mas isso era impossível.
Ele prosseguiu:
— Mas o propósito de um Instituto não é só centralizar atividades da Clave, mas abrigar Caçadores de Sombras que precisam ser acomodados em uma cidade onde não moram. Tem cinquenta quartos aqui que ninguém está usando. Então, a não ser que haja um motivo sério para que não venham...
As palavras ficaram pairando no ar. Diego olhou para as próprias mãos. O centurião não sabia toda a verdade sobre Arthur, mas Emma supôs que ele desconfiasse.
— Podem nos contar — disse Clary. — Manteremos segredo absoluto.
Mas não era um segredo de Emma para revelar. Ela se conteve de olhar para Mark ou Cristina, Diana ou Julian, os únicos à mesa que sabiam a verdade sobre quem realmente comandava o Instituto. Uma verdade que teria que ser escondida dos Centuriões, que teriam a obrigação de reportá-la ao Conselho.
— O tio Arthur não anda bem, como imagino que saibam — falou Julian, gesticulando para a cadeira vazia onde o diretor do Instituto normalmente sentaria. — Fiquei preocupado que os Centuriões pudessem piorar as condições dele, mas, dada a importância dessa missão, vamos recebê-los com o maior conforto possível.
— Desde a Guerra Maligna, Arthur tem sido suscetível a enxaquecas e dores em velhos ferimentos — acrescentou Diana. — Eu farei a ponte entre ele e os Centuriões até que ele esteja melhor.
— Realmente não há com o que se preocupar — disse Diego. — Eles são Centuriões: soldados educados e disciplinados. Não vão dar festas nem fazer pedidos descabidos. — Ele colocou um braço em volta de Cristina. — Vou ficar feliz por você conhecer alguns dos meus amigos.
Cristina sorriu de volta para ele. Emma não pôde deixar de olhar para Mark, para ver se ele estava olhando para Cristina e Diego como costumava fazer – uma maneira que a fazia imaginar como Julian podia não perceber. Um dia ele notaria, e haveria perguntas desconfortáveis para responder. Mas esse dia não seria hoje, porque em algum momento nos últimos minutos, Mark tinha saído furtivamente da biblioteca. Ele não estava lá.


Mark associava diferentes cômodos do Instituto a diferentes sentimentos, a maioria novos desde a sua volta. A biblioteca feita de madeira de sorveira o deixava tenso. A entrada, onde ele havia enfrentado Sebastian Morgenstern há tantos anos, fazia sua pele arder e seu sangue esquentar. Em seu próprio quarto, ele se sentia sozinho. No quarto dos gêmeos, e no de Dru ou Tavvy, ele podia se perder no papel de irmão mais velho. No quarto de Emma, ele se sentia seguro. O quarto de Cristina era proibido para ele. No quarto de Julian, ele se sentia culpado. E, na sala de treinamento, ele se sentia como um Caçador de Sombras.
Ele tinha se dirigido inconscientemente à sala de treinamento assim que saiu da biblioteca. Ainda era demais para Mark o jeito como Caçadores de Sombras escondiam suas emoções. Como conseguiam suportar um mundo onde Helen vivia exilada? Ele mal conseguia aguentar; sentia saudade da irmã todos os dias. E mesmo assim todos o teriam olhado surpresos se ele tivesse gritado de tristeza ou se ajoelhado.
Jules, ele sabia, não queria os Centuriões lá, mas sua expressão mal se alterou. Fadas podiam fazer enigmas, trapacear e conspirar, mas não escondiam sua dor verdadeira.
Foi o bastante para mandá-lo para a prateleira de armas, tateando com as mãos até encontrar qualquer coisa que o permitisse se perder no treino. Diana já tivera uma loja de armas em Idris uma vez, e sempre havia uma variedade impecável de belas armas dispostas para eles treinarem: machaeras gregas com suas pontas de fio único. Spathas vikings, claymores e Zweihänder, para serem usadas com as duas mãos, e bokken japoneses, de madeira, usadas apenas para treino.
Ele pensou nas armas das fadas. Na espada que carregava durante a Caçada Selvagem. As fadas não usavam nada de ferro, pois armas e ferramentas de ferro faziam mal para eles. A espada que ele levava na Caçada era feita de osso, e era leve em suas mãos. Leve como as flechas de elfo que ele atirava com seu arco. Leve como o vento sob as patas do seu cavalo, como o ar ao seu redor quando cavalgava.
Mark tirou uma espada claymore da prateleira, e a virou cautelosamente na mão. Dava para sentir que era de aço – não era exatamente ferro, mas uma liga de ferro – apesar de ele não ter a reação que fadas de puro sangue tinham a ferro. Ela pesava em sua mão. Mas tanta coisa era pesada desde que ele voltou para casa. O peso da expectativa era pesado. O peso do amor que sentia pela família era pesado. Até o peso do seu envolvimento com Emma era pesado. Ele confiava em Emma. Não questionava se o que ela estava fazendo era a coisa certa; se ela acreditava nisso, ele acreditava nela. Mas mentir não era fácil para ele, e ele detestava fazer isso com a família, acima de qualquer coisa.
— Mark? — Era Clary, seguida por Jace.
A reunião na biblioteca devia ter acabado. Os dois tinham se trocado e estavam de uniforme de combate; os cabelos ruivos de Clary eram muito luminosos, como um esguicho de sangue contra suas roupas escuras.
— Estou aqui — falou Mark, devolvendo a espada que segurava ao seu lugar.
A lua cheia estava alta, e a luz branca era filtrada pelas janelas. A lua traçava um tipo de estrada pelo mar onde beijava o horizonte à beira da praia.
Jace ainda não tinha dito nada; ele observava Mark com seus olhos dourados, como um falcão. Mark não conseguia deixar de se lembrar de como Clary e Jace eram logo depois que a Caçada o levou. Ele estava escondido nos túneis perto da Corte Seelie quando eles vieram andando em sua direção, e seu coração doeu e se partiu ao vê-los. Caçadores de Sombras, vagando pelos perigos do Reino das Fadas, com a cabeça erguida. Não estavam perdidos; não estavam fugindo. Não tinham medo.
Ele já tinha se perguntando se teria esse orgulho de novo, essa falta de medo. Mesmo enquanto Jace segurava a pedra enfeitiçada na mão, mesmo ao dizer mostre a eles do que é feito um Caçador de Sombras, mostre a eles que você não tem medo, Mark morreu de medo. Não por ele. Pela família. Como ficariam em um mundo em guerra, sem ele para protegê-los? Surpreendentemente bem, foi a resposta. Não precisaram dele, afinal. Tinham Jules.
Jace se sentou em um parapeito. Ele era maior do que na primeira vez em que Mark o viu, é claro. Mais alto, ombros mais largos, mas ainda gracioso. Rumores diziam que até a Rainha Seelie se impressionou com a aparência e a postura dele, e fadas nobres raramente se impressionavam com humanos. Mesmo os Caçadores de Sombras.
Mas, às vezes, sim. Mark supunha que sua própria existência fosse prova disso. Sua mãe, Lady Nerissa, da Corte Seelie, se apaixonou por seu pai Caçador de Sombras.
— Julian não quer os Centuriões aqui — indagou Jace. — Quer?
Mark olhou desconfiado para os dois.
— Eu não saberia.
— Mark não nos contaria os segredos do irmão, Jace — disse Clary. — Você contaria os de Alec?
A janela atrás de Jace se erguia alta e clara, tão clara que Mark, às vezes, imaginava que poderia voar dali.
— Talvez se fosse pelo bem dele — argumentou Jace.
Clary emitiu um ruído deselegante de dúvida.
— Mark — falou ela. — Precisamos da sua ajuda. Temos algumas perguntas sobre o Reino das Fadas e as Cortes, a disposição física delas, e não parece haver respostas, nem do Labirinto Espiral, nem da Scholomance.
— E, para falar a verdade — disse Jace —, não queremos que pareça muito que estamos investigando, porque nossa missão é secreta.
— Sua missão é no Reino das Fadas? — Mark supôs.
Ambos fizeram que sim com a cabeça.
Mark ficou surpreso. Caçadores de Sombras nunca se sentiram confortáveis nas terras do Reino das Fadas, e, desde a Paz Fria, as evitavam como veneno.
— Por quê? — Ele se voltou rapidamente para a claymore. — É alguma espécie de missão de vingança? Porque Iarlarth e alguns dos outros colaboraram com Malcolm? Ou... por causa do que aconteceu com Emma?
Emma, às vezes, ainda precisava de ajuda com o que restara dos curativos. Toda vez que Mark olhava para as linhas vermelhas que cruzavam sua pele, ele se sentia culpado e nauseado. Eram como uma rede de fios sangrentos que o mantinham preso à mentira que os dois estavam perpetrando.
Os olhos de Clary eram gentis.
— Não estamos planejando machucar ninguém — falou. — Não existe vingança em curso aqui. É estritamente uma questão de informação.
— Vocês acham que estou preocupado com Kieran. — Mark percebeu. O nome entalava na garganta como um pedaço de osso quebrado. Ele tinha amado Kieran e Kieran o traíra, e voltara para a Caçada; sempre que Mark pensava nele, parecia que estava sangrando por dentro em algum lugar. — Não estou — falou — preocupado com Kieran.
— Então você não se importaria se falássemos com ele — insistiu Jace.
— Eu não me preocuparia com ele — disse Mark. — Eu poderia me preocupar com vocês.
Clary esboçou um sorriso.
— Obrigada, Mark.
— Ele é o filho do Rei da Corte Unseelie — disse Mark. — O Rei tem cinquenta filhos. Todos eles disputam o trono. O Rei está cansado deles. Ele devia um favor a Gwyn, então deu Kieran a ele como pagamento. Como o presente de uma espada ou um cachorro.
— Pelo que entendo — falou Jace —, Kieran veio até você, e ofereceu ajuda contra os desejos das fadas. Ele se colocou em grande perigo para auxiliá-lo.
Mark supunha que não deveria se surpreender por Jace saber disso. Emma frequentemente conversava com Clary.
— Ele me devia. Foi graças a ele que as pessoas que eu amo se feriram gravemente.
— Mesmo assim — disse Jace —, existe chance de que ele se prove acessível às nossas perguntas. Principalmente se pudéssemos dizer que temos o seu apoio.
Mark não disse nada. Clary deu um beijo na bochecha de Jace e murmurou alguma coisa em seu ouvido antes de se retirar da sala. Jace a observou sair, com a expressão momentaneamente suave. Mark sentiu uma pontada aguda de inveja. Ele ficou imaginando se algum dia teria isso com alguém: a maneira como eles pareciam combinar, as brincadeiras gentis de Clary, e a força e o sarcasmo de Jace. Ele ficou imaginando se algum dia tinha combinado com Kieran. Se teria combinado com Cristina, se as coisas tivessem sido diferentes.
— O que vocês querem perguntar a Kieran? — indagou.
— Algumas coisas sobre a Rainha e sobre o Rei — respondeu Jace. Notando o movimento impaciente de Mark, ele emendou: — Eu conto um pouco, e lembre-se de que eu não deveria dizer nada. A Clave cortaria a minha cabeça por isso. — Ele suspirou. — Sebastian Morgenstern deixou uma arma com uma das Cortes do Reino das Fadas — falou. — Uma arma que pode destruir a todos nós, destruir todos os Nephilim.
— O que a arma faz? — perguntou Mark.
— Eu não sei. Isso é parte do que temos que descobrir. Mas sabemos que é letal.
Mark fez que sim com a cabeça.
— Acho que Kieran pode ajudar — observou. — E eu posso dar uma lista de nomes no Reino das Fadas que podem ser solidários à sua causa, porque não será uma causa popular. Acho que vocês não sabem o quanto eles os odeiam. Se eles têm uma arma, espero que vocês encontrem, pois não hesitarão em usá-la e não terão compaixão por vocês.
Jace o olhou através dos cílios dourados que eram muito parecidos com os de Kit. Seu olhar estava atento e fixo.
— Compaixão por nós? — repetiu. — Você é um de nós.
— Isso parece depender de a quem você pergunta — disse Mark. — Você tem papel e caneta? Vou começar a listar os nomes...


Já fazia muito tempo que o tio Arthur não saía do quarto do sótão onde dormia, comia e trabalhava. Julian franziu o nariz quando ele e Diana subiram as escadas estreitas – o ar estava mais seco do que o normal, rançoso, com comida velha e suor. As sombras eram densas. O próprio Arthur era uma sombra, curvado sobre a mesa, uma luz enfeitiçada queimando em um prato no parapeito acima. Ele não reagiu à presença de Julian e Diana.
— Arthur — começou Diana —, precisamos falar com você.
Arthur se virou lentamente na cadeira. Julian sentiu o olhar do tio vagar para Diana e depois para ele.
— Srta. Wrayburn — disse ele, afinal. — O que posso fazer por você?
Diana já tinha acompanhado Julian em idas ao sótão antes, mas foram poucas. Agora que a verdade sobre sua situação era conhecida por Mark e Emma, Julian tinha conseguido reconhecer para Diana o que eles sempre souberam, mas nunca discutiram.
Durante muito tempo, desde que ele tinha doze anos, Julian carregou sozinho o conhecimento de que seu tio Arthur era louco, que sua mente tinha sido destruída durante a prisão na Corte Seelie. Ele tinha períodos de lucidez, ajudado pelo remédio que Malcolm Fade lhe dava, mas nunca duravam muito.
Se a Clave soubesse a verdade, teriam deposto Arthur de sua posição como diretor do Instituto em instantes. Era bem provável que ele acabasse trancado em Basilias, proibido de sair ou receber visitas. Em sua ausência, sem nenhum Blackthorn adulto para dirigir o Instituto, as crianças seriam separadas, mandadas para a Academia em Idris, espalhadas pelo mundo. A determinação de Julian de jamais permitir que isso acontecesse tinha resultado em cinco anos de segredos, cinco anos escondendo Arthur do mundo, e o mundo, de Arthur.
Às vezes, ele ficava imaginando se estava fazendo a coisa certa para o tio. Mas isso tinha alguma importância? De qualquer forma, ele protegeria os irmãos e irmãs. Sacrificaria Arthur por eles, se precisasse, e se as consequências morais o despertassem no meio da noite de vez em quando, em pânico e engasgando, então ele viveria com isso.
Ele se lembrou dos olhos afiados de fada de Kieran nele: você tem um coração cruel. Talvez fosse verdade. Nesse momento o coração de Julian parecia morto no peito, um nó inchado e sem batimentos. Tudo parecia acontecer de longe – ele até se sentia como se estivesse se movendo mais lentamente pelo mundo, como se estivesse avançando pela água. Mesmo assim, era um alívio ter Diana ao lado. Arthur frequentemente confundia Julian com seu pai ou seu avô mortos, mas Diana não fazia parte do seu passado, e ele não parecia ter escolha a não ser reconhecê-la.
— O remédio que Malcolm fazia para você — disse Diana. — Alguma vez ele falou com você sobre isso? Sobre o que tinha na composição?
Arthur balançou a cabeça de forma apologética.
— O menino não sabe?
Julian sabia que estava falando dele.
— Não — respondeu ele. — Malcolm nunca falou sobre isso comigo.
Arthur franziu o rosto.
— Existem borras, sobras que possam ser analisadas?
— Eu usei todas as gotas que encontrei há duas semanas.
Julian tinha dopado o tio com um poderoso coquetel do remédio de Malcolm na última vez em que Jace, Clary e o Inquisidor estiveram no Instituto. Ele não ousou correr o risco de que Arthur pudesse estar de qualquer jeito que não firme e lúcido, tanto quanto fosse possível. Julian tinha quase certeza de que Jace e Clary dariam cobertura se soubessem das condições de Arthur. Mas era um fardo injusto a impor, e, além disso, ele não confiava no Inquisidor, Robert Lightwood. Não confiava nele desde quando Robert o fez passar por um julgamento brutal com a Espada Mortal há cinco anos, porque não acreditou que Julian fosse falar a verdade.
— Você não guardou nada, Arthur? — perguntou Diana. — Escondido em algum lugar?
Arthur balançou a cabeça outra vez. À sombra da pouca luz enfeitiçada ele parecia velho – muito mais velho do que era, seus cabelos cheios de fios grisalhos, seus olhos desbotados como o mar nas primeiras horas da manhã. Seu corpo sob o roupão cinza frouxo era muito magro, a ponta do osso do ombro, visível através do tecido.
— Eu não sabia que Malcolm acabaria revelando ser quem era — lamentou. Um assassino, um matador, um traidor. — Além disso, eu dependia do menino. — Ele limpou a garganta. — Julian.
— Eu também não sabia sobre Malcolm — disse Julian. — A questão é que vamos receber hóspedes. Centuriões.
— Kentarchs — murmurou Arthur, abrindo uma das gavetas de sua mesa como se quisesse procurar alguma coisa ali dentro. — Era assim que eram chamados no exército bizantino. Mas um centurião sempre foi o pilar do exército. Ele comandava cem homens. Um centurião podia impor a um cidadão romano uma punição da qual a lei normalmente os protegia. Centuriões estão acima da lei.
Julian não sabia ao certo quanto os centuriões originais de Roma e os Centuriões da Scholomance tinham em comum. Mas ele achava que estava entendendo o argumento do tio assim mesmo.
— Certo, então isso significa que teremos que ser especialmente cuidadosos. Com o nosso comportamento diante deles. Com o modo como você deverá agir.
Arthur colocou os dedos nas têmporas.
— Estou muito cansado — murmurou. — Podemos não... se pudéssemos pedir um pouco mais de remédio a Malcolm...
— Malcolm está morto — disse Julian. Seu tio tinha sido informado, mas não parecia ter assimilado ainda. E era exatamente o tipo de erro que ele não poderia cometer na presença de estranhos.
— Existem remédios mundanos — disse Diana, após um instante de hesitação.
— Mas a Clave — disse Julian. — A punição por procurar tratamento mundano é...
— Eu sei qual é — falou Diana, surpreendentemente ríspida. — Mas estamos desesperados.
— Mas não fazemos ideia da dosagem nem do remédio. Não fazemos ideia de como os mundanos tratam doenças como essa.
— Eu não estou doente. — Arthur fechou violentamente a gaveta da mesa. — As fadas destruíram a minha mente. Eu senti quebrar. Nenhum mundano poderia entender isso.
Diana trocou um olhar preocupado com Julian.
— Bem, há diversos caminhos que podemos explorar. Vamos deixá-lo sozinho, Arthur, e vamos discuti-los. Sabemos como o seu trabalho é importante.
— Sim — murmurou o tio de Julian. — Meu trabalho... — E se inclinou novamente sobre seus papéis, no mesmo instante, esquecendo Diana e Julian.
Enquanto Julian seguia Diana para fora do recinto, não pôde deixar de imaginar que refúgio seu tio encontrava em velhas histórias de deuses e heróis, de uma época mais antiga do mundo, um tempo em que tapar os ouvidos e se recusar a escutar o barulho da música das sirenes poderia salvá-lo da loucura.
Ao pé da escada Diana se voltou para Julian e falou baixinho:
— Você terá que ir ao Mercado das Sombras hoje à noite.
— Quê? — Julian ficou espantado. O Mercado das Sombras era proibido para os Nephilim, a não ser que estivessem em missão, e era sempre proibido para Caçadores de Sombras menores de idade. — Com você?
Diana balançou a cabeça.
— Eu não posso ir lá.
Julian não perguntou. Era uma questão não pronunciada entre eles que Diana tinha segredos e que Julian não podia perguntar sobre o assunto.
— Mas há feiticeiros — falou ela. — Feiticeiros que não conhecemos e que ficarão calados por um preço. Feiticeiros que não conhecem seu rosto. E fadas. Essa é uma loucura causada por fadas, afinal, não é um estado natural. Talvez saibam como reverter. — Ela ficou em silêncio por um instante, pensando. — Leve Kit com você — emendou. — Ele conhece o Mercado das Sombras melhor do que ninguém, e os membros do Submundo lá confiam nele.
— Ele é só um garoto. — Julian se opôs. — E ele não saiu do Instituto desde que o pai morreu. — Foi morto, na verdade. Destruído em pedacinhos diante de seus olhos. — Pode ser difícil para ele.
— Ele terá que se acostumar com coisas sendo difíceis para ele — disse Diana, com a expressão dura. — Ele é um Caçador de Sombras agora.

11 comentários:

  1. e comeca...

    um quer ficar com o outro,o outro quer ficar com esse,esse quer ficar com aquele... 😳💘ahh como o amor é lindo!

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  2. Ai gente como Amo ler !
    Livro perfeito S2
    By: Yoná

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  3. Jaceee que sdds ❤❤ mark meu amorzinho nao fica assim!

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  4. Eu sei que o casal é Jules e Emma, mas eu gosto de Emma e Mark também. Apesar de não ser real.

    Não sei, peguei uma implicância com esse Kit, não consigo gostar dele, me dá uma agonia... Tomara que isso passe.

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  5. Fico impressionada com o quanto já ouvi nessa série que "A Lei é dura, mas é a Lei" e já vi a Lei sendo quebrada.
    Esses Caçadores de Sombras de hoje em dia não são o que eram!
    Brincadeirinha
    Regras foram feitas para serem quebradas, certo, gente?

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    1. A Lei é dura com quem é pego hauehauehaue

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  6. É como eu tô com meus shippis não acontecendo, tirando ClaCe claro, morrendo...

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  7. João amava Teresa que amava Raimundo

    que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili

    que não amava ninguém.

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  8. João amava Teresa que amava Raimundo

    que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili

    que não amava ninguém.

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  9. Duda Filha de Hades13 de dezembro de 2017 07:11

    Sério, eu ainda me surpreendo com o Julian pé tipo ele teve que criar esses irmão dele praticamente sozinho . Tenho uma admiração profundazinha por ele.
    Mudando de assunto...eu não consigo gostar do Mark e de Emma juntos. Para mim tem que ser Emma e Julian E Mark e Christina.Tomara que eles superem tudo esse negócio para darem um jeito de Parabatais poderem namorar.

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Boa leitura :)