8 de outubro de 2017

Quatro - Mas veja só: se você agir agora, o segundo lobo é de graça!

— COMO VOCÊ QUER lidar com isso? — perguntei.
Dos aros do cinto, Alex tirou o fio dourado que tinha a função tripla de acessório da moda, cortador de argila e garrote.
— Eu estava pensando em matá-lo.
O lobo rosnou e passou as unhas na escotilha. Runas mágicas brilharam no acrílico. O pelo do focinho do animal já estava soltando fumaça e chamuscado de tentativas anteriores de entrar.
Eu me perguntei quanto tempo havia que aquele lobo estava no telhado e por que não tentara entrar de outra forma. Talvez não quisesse acabar morto como o amigo no andar de baixo. Ou talvez estivesse interessado apenas naquele aposento.
— Ele quer alguma coisa…
— Nos matar — disse Alex. — E é por isso que a gente deveria matá-lo primeiro. Você quer abrir a escotilha ou…?
— Espere. — Normalmente, eu seria a favor de matar um lobo azul-cintilante, mas alguma coisa naquele animal me incomodava… Seus olhos frios e escuros pareciam nos ignorar, como se o lobo estivesse procurando uma presa diferente. — E se nós deixarmos ele entrar?
Alex olhou para mim como se eu estivesse louco. Ele fazia isso com muita frequência.
— Você quer oferecer uma xícara de chá também? Quem sabe emprestar um livro?
— Ele deve estar aqui em uma missão — insisti. — Alguém mandou esses lobos para buscar alguma coisa. Pode ser a mesma coisa que estou procurando.
Alex refletiu.
— Você acha que Loki mandou os lobos.
Eu dei de ombros.
— Quem mais teria mandado?
— E se a gente deixar o lobo entrar, você acha que ele pode ir direto para o que veio caçar.
— Tenho quase certeza de que ele não veio buscar o remédio para prisão de ventre.
Alex afrouxou ainda mais a gravata xadrez.
— Certo. Nós abrimos a escotilha, vemos aonde o lobo vai e aí matamos ele.
— Isso.
Tirei o pingente de runa do pescoço. Jacques assumiu a forma de espada, embora parecesse mais pesado do que o habitual, como uma criança fazendo birra em uma loja de departamentos.
— O que você quer agora? — Jacques suspirou. — Não vê que estou morrendo de coração partido?
Eu poderia ter comentado que ele não podia morrer e que não tinha um coração de verdade, mas achei que seria crueldade.
— Desculpa, Jacques. Nós temos um lobo para matar.
Eu expliquei o que estava acontecendo.
A lâmina de Jacques brilhou em tom violeta.
— Você viu quão afiada era a lâmina da Contracorrente? — perguntou ele em tom sonhador. — Você viu?
— Vi. Muito afiada. Agora, que tal a gente impedir Loki de partir com o poderoso navio da morte e iniciar o Ragnarök? Depois, pode ser que a gente consiga marcar um segundo encontro entre você e Contracorrente.
Outro suspiro.
— Lobo. Telhado. Escotilha. Entendi.
Olhei para Alex e sufoquei um grito. Enquanto não estava olhando, ele tinha se transformado em um enorme lobo cinzento.
— É realmente necessário virar um animal quando estou de costas? — perguntei.
Alex mostrou os dentes em um sorriso canino. Ele apontou com o focinho para o alto da escada como quem diz: O que você está esperando? Sou um lobo. Não posso abrir a escotilha.
Subi até lá. Era abafado como o interior de uma estufa. Do outro lado da barreira de acrílico, o lobo farejou e tentou morder, deixando filetes de baba e arranhões na superfície. As runas da barreira protetora deviam estar com um gosto ótimo. Estar perto assim de um lobo inimigo fez os pelos da minha nuca se eriçarem.
O que aconteceria se eu abrisse a escotilha? As runas me matariam? Matariam o lobo? Ou seriam desativadas se eu deixasse o lobo entrar por livre e espontânea vontade, já que era a coisa mais idiota que eu podia fazer?
O lobo babou no acrílico.
— Oi, amigão — falei.
Jacques zumbiu na minha mão.
— O quê?
— Não você, Jacques. Estou falando com o lobo. — Eu sorri para o animal, mas aí lembrei que mostrar os dentes não era um gesto muito amigável para os caninos. Então fiz beicinho. — Vou deixar você entrar. Isso não vai ser legal? Aí você vai poder pegar o que veio buscar, pois sei que você não veio aqui me matar, né?
O rosnado do lobo não foi tranquilizador.
— Tudo bem — falei. — Um, dois, três!
Empurrei a escotilha com toda a minha força de einherji, jogando o lobo para trás quando saí para o terraço. Deu tempo de notar uma churrasqueira, hibiscos floridos e duas espreguiçadeiras com uma vista incrível do rio Charles. Tive vontade de dar uns tapas no tio Randolph por nunca ter me contado que tinha um lugar tão legal para festas.
O lobo saiu de trás da escotilha e rosnou, o pelo eriçado como uma nadadeira dorsal desgrenhada. Um dos olhos estava fechado de tão inchado, a pálpebra queimada por causa do contato com a armadilha de runas do meu tio.
— Agora? — perguntou Jacques sem nem um pingo de entusiasmo.
— Ainda não.
Flexionei os joelhos, pronto para entrar em ação. Eu mostraria àquele lobo como podia lutar bem… ou, sabe como é, como podia fugir rápido, dependendo do que a situação pedisse.
O lobo me observou com o olho bom, rosnou com desdém e correu para a escada, entrando na casa.
Não sabia se ficava aliviado ou se me sentia insultado.
Eu corri atrás dele. Quando cheguei ao pé da escada, Alex e o outro lobo estavam trocando rosnados no meio da biblioteca. Mostravam os dentes e se encaravam, procurando sinais de medo ou fraqueza. O lobo azul era bem maior. Os filetes de néon que cintilavam no pelo lhe davam certo ar descolado. Mas ele também estava cego de um olho e mancando de dor. Alex, por ser Alex, não parecia nem um pouco intimidado. Ele se manteve firme enquanto o outro lobo o rodeava.
Quando nosso visitante azul ficou confiante de que Alex não atacaria, ele ergueu o focinho e farejou o ar. Eu esperava que corresse para as estantes e mastigasse algum livro secreto de mapas náuticos, ou talvez um exemplar de Como deter o navio dos mortos de Loki para leigos. Mas o lobo disparou na direção da lareira, pulou na prateleira e abocanhou o chifre de hidromel.
Uma parte lerda do meu cérebro pensou: Ei, acho que eu devia impedir isso. Alex estava mais adiantado. Em um movimento fluido, ele voltou à forma humana, deu um passo à frente e atacou com o garrote como se estivesse jogando uma bola de boliche. (Na verdade, foi bem mais gracioso que isso. Eu já tinha visto Alex jogar boliche e não era nada bonito.) O fio dourado se enrolou no pescoço do lobo. Com um puxão, Alex curou o animal de qualquer problema futuro de dor de cabeça.
A carcaça decapitada caiu no carpete, começou a chiar e se desintegrou até restarem apenas o chifre e alguns tufos de pelo.
A lâmina de Jacques ficou pesada na minha mão.
— Tudo bem, então — disse ele. — Parece que você não precisou de mim, afinal de contas. Vou voltar a escrever poesias de amor e me acabar de chorar.
Jacques voltou a ser um pingente de runa.
Alex se agachou ao lado do chifre.
— Alguma ideia de por que um lobo iria querer um item decorativo?
Eu me ajoelhei ao lado dele, peguei o chifre e olhei pela abertura. Enfiado lá dentro, enrolado, estava um livrinho de couro que parecia um diário. Eu o peguei e folheei: desenhos de runas vikings se intercalavam com parágrafos escritos com a letra pequena do tio Randolph.
— Acho que encontramos o autor branco morto certo.

* * *

Nós nos recostamos nas espreguiçadeiras do terraço.
Enquanto eu folheava o diário do meu tio para tentar entender os desenhos desvairados de runas e o texto louco e quase ilegível, Alex relaxava e bebia suco de goiaba no chifre de hidromel.
Por que tio Randolph tinha suco de goiaba no frigobar da biblioteca, eu não fazia ideia.
De tempos em tempos, só para me irritar, Alex bebia com entusiasmo exagerado e estalava os lábios.
— Ahhhh.
— Tem certeza de que é seguro beber nesse chifre? — perguntei. — Pode ser amaldiçoado, sei lá.
Alex agarrou o pescoço e fingiu se engasgar.
— Ah, não! Estou virando um sapo!
— Por favor, não.
Ele apontou para o diário.
— Alguma sorte com isso aí?
Olhei para as páginas. Runas dançavam diante dos meus olhos. As anotações eram uma mistura de línguas: norueguês antigo, sueco e algumas que eu não conseguia nem adivinhar. Não que as passagens em inglês fizessem mais sentido para mim. Era como se eu estivesse tentando ler um livro de física quântica avançada de trás para a frente em um espelho.
— A maior parte eu não consigo entender — admiti. — As primeiras páginas parecem ser da época em que Randolph estava procurando pela Espada do Verão. Reconheço algumas referências. Mas aqui, no final…
As últimas páginas foram escritas com pressa. A caligrafia de Randolph ficou trêmula e frenética. Manchas de sangue seco salpicavam o papel. Eu lembrei que, na tumba dos zumbis vikings em Provincetown, vários dedos de Randolph foram cortados. Aquelas páginas podiam ter sido escritas depois, com a outra mão. As letras trêmulas lembravam meus garranchos do ensino fundamental, quando a professora me obrigava a usar a mão direita.
Na última página, Randolph rabiscou meu nome: Magnus.
Debaixo dele, desenhou duas serpentes entrelaçadas formando um oito. A qualidade era péssima, mas reconheci o símbolo na mesma hora. Alex tinha um desenho idêntico tatuado na nuca: o símbolo de Loki.
Em seguida havia um termo que supus ser norueguês antigo: mjöð. Depois, algumas anotações em inglês: Talvez impeça L. Pedra de amolar de Bolverk > guardiões. Onde?
A última palavra estava inclinada, e o ponto de interrogação era um rabisco desesperado.
— O que você acha disso?
Eu passei o diário para Alex. Ele franziu a testa.
— É o símbolo da minha mãe, obviamente.
(Vocês ouviram certo. Loki costumava preferir a forma masculina, mas por acaso era a mãe de Alex. Longa história.)
— E o resto? — perguntei.
— Essa palavra parece um mu com um j. Será que as vacas escandinavas têm sotaque?
— Então você não lê norueguês antigo ou sabe-se lá que língua é essa?
— Magnus, talvez você fique surpreso de saber que não tenho todos os talentos do mundo. Só os mais importantes.
Ele estreitou os olhos para o papel. Quando se concentrava, o canto esquerdo da boca tremia como se ele estivesse apreciando uma piada secreta. Esse tique me distraía. Queria saber o que ele achava tão engraçado.
— Talvez impeça L — leu Alex. — Vamos supor que seja Loki. A pedra de amolar de Bolverk… Você acha que é a mesma coisa que a pedra Skofnung?
Estremeci. Nós perdemos a pedra e a espada Skofnung durante uma festa de casamento na caverna de Loki, quando ele se libertou das amarras que o aprisionavam havia milhares de anos. (Ops. Desculpa aí.) Eu nunca mais queria ver aquela pedra de amolar de novo.
— Espero que não — falei. — Você já ouviu falar em Bolverk?
— Não. — Alex terminou o suco de goiaba. — Mas já estou começando a gostar desse chifre de hidromel. Você se importa se eu ficar com ele?
— É todo seu. — Achei a ideia de Alex levar um souvenir da mansão da minha família estranhamente agradável. — Se Randolph queria que eu encontrasse o diário e Loki mandou os lobos para recuperá-lo antes que eu pudesse…
Alex jogou o diário para mim.
— Você quer dizer: supondo que o que você disse seja verdade, que tudo isso não seja uma armadilha e que o diário não seja apenas os delírios de um doido?
— Hã… é.
— Então, na melhor das hipóteses, seu tio teve uma ideia para impedir Loki. Não era algo que ele pudesse fazer, mas esperava que você conseguisse. Envolve uma pedra de amolar, um Bolverk e possivelmente uma vaca escandinava.
— Quando você fala assim, não parece muito promissor.
Alex cutucou a ponta do chifre de hidromel.
— Desculpe estragar a festa, mas a maioria dos planos para impedir Loki falha. Nós sabemos bem disso.
A amargura na voz dele me surpreendeu.
— Você está pensando no seu treinamento com Sam — concluí. — Como está indo?
O rosto de Alex já foi resposta suficiente.
Dentre as muitas qualidades perturbadoras de Loki, ele era capaz de obrigar os filhos a fazer o que quisesse quando estavam na presença dele, o que tornava as reuniões de família um verdadeiro inferno.
Alex era exceção. Ele tinha aprendido a resistir ao poder de Loki e, nas últimas seis semanas, estava tentando ensinar sua meia-irmã Samirah al-Abbas a fazer o mesmo. O fato de nenhum dos dois falar muito sobre os treinos sugeria que não estavam tendo muito progresso.
— Ela está se esforçando — disse Alex. — Não facilita o fato de ela estar…
Ele hesitou.
— O quê?
— Deixa pra lá. Prometi não falar sobre isso.
— Agora fiquei curioso. Está tudo bem entre ela e Amir?
Alex riu.
— Ah, está. Eles ainda estão apaixonados, sonhando com o dia em que vão poder se casar. Eu juro, se eu não vigiasse aqueles dois, acabariam fazendo alguma loucura, tipo dar as mãos.
— Então, qual é o problema?
Alex ignorou minha pergunta.
— Só estou dizendo que você não deveria confiar em nada que vier do seu tio Randolph. Nem o conselho nesse diário. Nem essa casa. As coisas que herdamos da família… sempre têm um preço.
Pareceu uma coisa estranha para ele dizer, considerando que estava apreciando a vista do terraço magnífico de Randolph enquanto tomava suco de goiaba gelado no chifre de hidromel viking dele, mas tive a sensação de que Alex não estava pensando no meu tio desequilibrado.
— Você nunca fala muito sobre a sua família — observei. — Sobre a sua família mortal.
Ele olhou para mim de forma sombria.
— Nem vou começar agora. Se você soubesse metade da…
CRAW! Em uma agitação de penas pretas, um corvo pousou na ponta da bota de Alex.
Não se vê muitos corvos selvagens em Boston. Gansos-do-canadá, gaivotas, patos, pombos, até falcões, sim. Mas quando uma ave preta enorme pousa no seu pé, isso só pode querer dizer uma coisa: mensagem de Valhala.
Alex esticou a mão. (Normalmente, não recomendado com corvos. A bicada dói à beça.) A ave pulou no pulso dele, vomitou uma cápsula do tamanho de uma noz-pecã na palma de sua mão e saiu voando, tendo cumprido sua missão.
Sim, nossos corvos entregam mensagem via correio do vômito. Os corvos têm a capacidade natural de regurgitar qualquer coisa que não consigam digerir, como ossos e pelo, por isso não têm problemas para engolir uma cápsula de mensagem, voar pelos nove mundos e vomitar no destinatário correto. Não seria minha escolha de carreira, mas, ei, não estou aqui para julgar ninguém.
Alex abriu a cápsula. Desdobrou uma carta e começou a ler, o canto da boca tremendo de novo.
— É do T.J. — disse ele. — Parece que vamos partir hoje. Agora, na verdade.
— O quê? — Eu me sentei na espreguiçadeira. — Por quê?
Claro que eu sabia que estávamos ficando sem tempo. Tínhamos que partir logo para podermos chegar ao navio de Loki antes do solstício de verão. Mas havia uma grande diferença entre logo agora. Eu não era muito fã de agora.
Alex continuou lendo.
— Alguma coisa a ver com a maré? Sei lá. É melhor eu ir buscar Samirah na escola. Ela tem aula de cálculo. Não vai ficar nada feliz.
Ele se levantou e ofereceu a mão para mim.
Eu não queria me levantar. Queria ficar no terraço com Alex e ver a luz da tarde mudar a cor do rio de azul para âmbar. Talvez nós pudéssemos ler alguns livros velhos do Randolph. Beber todo o suco de goiaba. Mas o corvo vomitou nossas ordens. Não dava para discutir com vômito de corvo.
Eu aceitei a mão dele e me levantei.
— Quer que eu vá com você?
Alex franziu a testa.
— Não, seu burro. Você tem que voltar para Valhala. É você que está com o barco. Falando nisso, você já avisou aos outros sobre…?
— Não — respondi rápido, o rosto ficando vermelho. — Ainda não.
Alex riu.
— Isso vai ser interessante. Não nos espere. Vamos alcançar vocês no caminho!
Antes que eu pudesse perguntar o que ele queria dizer com isso, Alex virou um flamingo e saiu voando pelo céu, tornando aquele um dia especial para os observadores de pássaros de Boston.


15 comentários:

  1. Nossa que fofos! Shipando muuuiiittttooooo

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  2. QUEM CONCORDA Q O MAGNUS VAI SE PEGAR COM O ALEX NESSE LIVRO ?

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  3. — Não, seu burro. Você tem que voltar para Valhala. É você que está com o barco. Falando nisso, você já avisou aos outros sobre…?
    — Não — respondi rápido, o rosto ficando vermelho. — Ainda não.
    Só eu to curiosa?

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    1. NAO EH A UNICA
      O Q ELE/ELA QUIS ENSINUAR?!?!?!?!?

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    2. ~gente 6 credita q eu li o livro todo e nao entendi essa parte kkkk ai agora q eu vi esse comentario q fui entenderkkkkkkkk mo percy da vida

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    3. Damon Herondale, filho de Zeus14 de outubro de 2017 13:48

      Eu to muito curioso.
      Último livro, quando o herói tem um plano secreto q só vai ser revelado mais a frente

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    4. Caramba eu tbm tô muito curiosa AHHHHHHHHHHH

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    5. Eu quero muito saber o que Alex quis insinuar

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  4. Karina tem um próximo livro do Magnus ? E existes um do Alex Frierro?

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    1. Damon Herondale, filho de Zeus14 de outubro de 2017 13:48

      Vai ter algum extra?

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  5. Será q não vai mais aparecer o Percy?

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    1. Acho que não. Ele aparecer no começo já foi demais (nos dois sentidos).
      Mas sei lá, Annie apareceu no início e no fim dos outros talvez ela participe no final desse também

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Boa leitura :)