1 de dezembro de 2017

Divulgação: Orquestra real


Sinopse:
Yandra é filha de Cícero Jenkins, lorde de uma das seis famílias que fazem parte do parlamento e governam o país-ilha de Unityland. Yandra como filha mais velha cresceu com a certeza que um dia assumiria o lugar de seu pai no governo, um posto alto e desejado, um posto que ela não quer. Seu dom é tocar, e não cuidar de problemas burocráticos do reino. Finalmente com 18 anos Yandra encontra a oportunidade que pode mudar sua vida e realizar seus sonhos, a seleção para escolher os novos membros da Orquestra Real do rei vai começar, e ela foi umas das selecionadas.
Henry Aubry, futuro herdeiro do trono, é um príncipe marcado por seu passado, perdeu a mãe em um acidente de carro, e desde então não é mais o mesmo, isolado em seu palácio só tem a irmã mais nova como companhia. Porém isso muda, quando seu destino se cruza com uma jovem que veio ao palácio disputar por uma vaga na Orquestra Real de seu pai.

A seleção começou, é com ela estranhos atentados vêm ocorrendo contra a família real de Unityland, nessa luta de poder todos correm perigo.

Categorias: romance, ficção, música, história original
Autora: Cecília Amaral

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Capítulo um:

Uma leve brisa açoitou meu rosto quando me sentei abaixo da enorme e antiga magnólia no jardim de casa, o outono estava quase no fim, mas ainda, graças a ele todas as flores brancas que anteriormente se encontravam nos galhos da árvore cobriam o chão em um véu branco.
Cruzando as pernas eu apoiei meu caderno e a caneta nos joelhos, ainda sem saber como escreveria aquela carta.
Me virei para o túmulo de mármore que se erguia a poucos metros dali, ele estava um pouco encoberto pelas flores da árvore, mas eu ainda conseguia ler as escrituras, por mais que estivessem um pouco ilegíveis graças aos anos sem reforma.
"Queria que estivesse aqui", sussurrei, mal ouvindo minha voz, "Me sinto perdida sem a senhora, como se não soubesse em qual direção seguir. Sei o que diria se pudesse, diria para que eu seguisse meu coração, certo? Mas e se meu coração estiver errado? E se eu desistisse de tudo? Simplesmente seguindo o caminho que a vida toda o meu pai moldou para mim? Essa seria a alternativa mais fácil, claro que seria, mas não sei se conseguiria ser feliz..."
Uma rajada de vento me acertou novamente, fazendo com que meus cabelos voassem e as páginas do caderno virassem.
"Sinto muito a sua falta mãe", falei para o nada, mas sabia que ela havia ouvido.
Alguns minutos se passaram e eu continuei fitando a página em branco em minha frente. Poucas horas atrás eu finalmente havia me dado conta que não conseguiria encarar meu pai cara a cara e dizer o que estava prestes a fazer na minha vida, então decidi apenas deixar uma carta, e fugir daquela casa o mais rápido possível. Eu sei, estava simplesmente me tornando uma tremenda covarde.
"De novo aqui? Acho que você poderia começar a morar debaixo dessa árvore."
Pulei de susto, me virando instintivamente para o lugar de onde vinha a voz.
"Arthur! Você poderia por favor avisar quando estiver por perto? Juro que da próxima vez vou lhe dar um soco no nariz!", falei ainda com o coração disparado, mas ele apenas riu e se sentou ao meu lado se encostando no tronco da árvore.
"Maninha suas mãos foram feitas para tocar, não para sair por aí acertando murros em alguém", ele disse passando um dos braços pelos meus ombros e me puxando para mais perto dele.
"Pelo menos você pensa assim, papai acha que essas mãos aqui foram feitas apenas para preencher relatórios e cuidar de outros problemas burocráticos", disse com uma careta.
"Parece um tédio", comentou.
"Por isso que quero ir embora."
Arthur era a única pessoa que sabia sobre a seleção e que eu havia sido sorteada. Apesar de todas as nossas brigas, por boa parte da vida ele sempre foi mais que um irmão para mim, era meu amigo e companheiro, e foi graças a ele que suportei o inferno que havia se tornado nossa casa depois que mamãe morreu, nós havíamos dado forças um para o outro, nosso pai, antes nunca presente em nossas vidas, se afastou ainda mais depois da morte da esposa, e ficamos durante todos aqueles anos sempre nos cuidados dos empregados e recebendo aulas particulares em casa. Aquela mansão que eu devia chamar de lar na verdade se tornou uma prisão para mim.
"Se você for, e papai concordar com isso, sabe que o seu posto vai pertencer a mim, não é?",  ele disse me encarando, mas eu não suportei seu olhar.
"Você também tem uma escolha, não precisa aceitar um cargo no governo se não quiser", murmurei.
"Você sabe que não é assim, cada família tem que ter um sucessor, é assim há quase trezentos anos", ele disse, e senti meu coração apertar. 
"Estou sendo egoísta, me desculpe, eu não pensei em você", disse, lutando contra as lágrimas que ameaçavam cair.
"Yandra", ele me chamou, mas não o encarei, "Olhe para mim", ele pediu, e com relutância o olhei, fitando seus olhos azuis, que eram absurdamente idênticos aos meus. "Você não está sendo egoísta, muito pelo contrário, você sempre pensou em todos ao seu redor antes de pensar em si mesma, e agora tem a oportunidade de realizar seu sonho. Me diga, quantas pessoas se inscreveram para participar da seleção para a Orquestra Real?", abri e boca para responder mas ele continuou: "Isso mesmo, milhares, de todo o reino, e você, você , foi uma das quinze sorteadas para concorrer a vaga de violinista. Se isso não é destino eu realmente não sei o que é. Uma oportunidade acaba de bater na sua porta, então por favor, não seja burra, agarre-a!"
Eu pisquei, chocada com as palavras do meu irmão mais novo, de alguma forma ele sempre sabia o que dizer para mim.
"Mamãe iria ficar orgulhosa se soubesse da oportunidade que tem nas mãos, ficaria orgulhosa de ouvir você tocando na orquestra particular do rei, não tenho dúvidas que você vai passar na seleção, eles logo vão perceber seu talento e eliminar todo e qualquer concorrente. Você pode ser feliz, bem mais feliz do que seria aqui."
"Mas também quero que você seja feliz", eu disse.
"Vou ser, prometo. Além do mais, papai tem uma longa vida pela frente, vai governar durante muitos e muitos anos, então não vou precisar me preocupar com isso agora. Pelos meus cálculos eu ainda tenho até os quarenta para viver uma vida plena e bela, e é claro, de muita diversão", ele disse me lançando uma piscadela, e eu ri.
"Às vezes parece que você quem é o irmão mais velho", comentei sorrindo encostando a cabeça em seu ombro.
"Não se engane apenas por eu ser dois anos mais novo, maninha, ainda sou mais sábio que você."
"Não duvido nada", falei rindo.
"Você ainda precisa escrever a carta para o papai, e também arrumar as malas. Eu li a carta de aceitação que você recebeu ontem, precisa se apresentar no palácio de Ermon no dia vinte e quatro, tem dois dias para chegar à capital", ele falou e eu suspirei.
Moraria no palácio enquanto estivesse na competição.
Aquele mais parecia um sonho de criança se tornando realidade, aliás, qual garota nunca sonhou em morar em um castelo e se tornar uma princesa? Bom, morar em um castelo eu sem dúvida ainda desejava, deveria ser mágico! Mas me tornar princesa? Jamais, minha realidade é bem próxima a da realeza para eu saber o quanto certos cargos podem pesar.
"Papai vai querer me matar quando souber o que aconteceu, isso se não entrar em contato com o rei e pedir para que me tragam novamente para a casa", falei.
"Não sei se o rei concordaria com isso, aliás, ele assinou todas as cartas dos selecionados para a Orquestra Real, com certeza viu seu nome e a reconheceu, não mandaria a carta se achasse imprudente a futura herdeira da família Jenkins abdicar do seu lugar de direito no parlamento para se tornar uma musicista em seu palácio."
"Talvez esteja certo. Mas eu não diria que sou a melhor amiga do rei, o vi pelo menos umas três vezes durante a vida, quando papai me levava nas reuniões da câmara com esperança que eu aprendesse alguma coisa...", falei sufocando o riso, durante aquelas reuniões tudo que fazia era olhar para as paredes e calcular mais quantas horas teria que suportar de falação sobre tudo o que estava acontecendo em Unityland.
"Bom, seja como for acho melhor você começar a organizar tudo. Quando papai ler a carta que você vai deixar me fingirei de inocente e direi que não fazia nem ideia desse seu plano."
Sorri largamente, com uma onda de determinação me invadindo. Me endireitei no tronco da árvore e segurei a caneta contra o papel, já sabendo quais palavras escrever. Mas antes de começar abracei Arthur com toda a minha força.
"Vou sentir muito a sua falta", disse com um nó na garganta.
"Também vou sentir a sua. Mas não se preocupe, vamos nos ver mais brevemente do que imagina", eu assenti desejando profundamente que aquilo fosse verdade. Ele se levantou me dando um beijo na bochecha.
"Vou voltar para dentro, quando acabar me chame, quero te ajudar a fazer as malas", falou, e com um aceno se afastou indo para dentro da mansão.
Novamente fiquei sozinha com meus pensamentos, mas agora eu sabia o que queria, é também o que tinha que fazer.
                           ☆☆☆

Pai,

Sinto muito ter te feito me procurar pela casa inteira, o senhor provavelmente deve estar furioso, desculpe, mas pode parar de procurar, aliás, não vai me encontrar em um raio de menos de trezentos quilômetros. Bom, não podia ir embora sem lhe dar uma explicação, de certa forma acho que lhe devo isso. Sim pai, não estou em Tervey, nossa grande e sem graça cidade, estou a quilômetros de distância, mas especificamente em Ermon, provavelmente já hospedada no palácio real. Não faço ideia de como lhe dizer o que estou prestes a dizer, não estou acostumada a desobedecer as ordens que o senhor me impõe, quanto mais quebrar uma tradição que já perdura a mais de duzentos anos no nosso país... Não, realmente não estou habituada a isso, então acho melhor ir direto ao ponto. Pai, eu não vou nunca assumir seu lugar no parlamento um dia, desculpe, mas não nasci para governar. Quis te dizer isso em todos os meus 18 anos de vida, mas o senhor nunca parou para me ouvir, acredito que nunca nem me olhou como filha, mas sim como alguém que o senhor quer que seja exatamente como você. Mas eu não sou, e agradeço a Deus por isso; só eu sei o quanto sofri por não te ter presente em minha vida por todo esse tempo, Arthur foi meu pai, meu irmão e meu amigo, a única pessoa que tive desde que mamãe morreu. Não quero mais ser criada para governar, não quero viver com um peso esmagador nas costas sobre saber que daqui trinta, quarenta, ou cinquenta anos, eu serei obrigada a lidar com responsabilidades grandes de mais para mim. Já desperdicei muito tempo da minha vida sendo obrigada a ser e a agir do modo como as pessoas a minha volta acreditam ser correto, isso não pode continuar. E foi exatamente por esses motivos que quando vi o anúncio em que dizia que ocorreria uma seleção para designar os novos membros da orquestra de câmera do rei eu me inscrevi, minha grande paixão sempre foi tocar, desde que mamãe me deu meu primeiro violino. Esse é meu verdadeiro dom, e é o que eu quero fazer pelo resto da vida. Milhares de pessoas por todo país se inscreveram, eu sabia que nunca seria sorteada, não tinha a menor chance, mas eu fui, dentre milhares que poderiam ter sido sorteados e escolhidos, eu fui uma dos quinze concorrentes a vaga de violinista. Não podia deixar escapar essa chance, eu não posso deixar escapar essa chance... e eu não posso me desculpar para o senhor, não quando estou prestes a realizar meu verdadeiro sonho. Peço que não me procure, não vai adiantar, já me decidi e não vou voltar atrás. E se não der certo... bem, não sei o que acontece se não der certo, mas essa é a graça dos sonhos, não é? Traçar outros, mesmo que seu primeiro não aconteça como planejado. Mas eu acredito, que no fim, tudo acontece de maneira melhor ou pior do que imaginamos; não sei se será assim comigo, preciso viver para descobrir, e se continuar nesta casa eu nunca saberei. 

Espero que fique bem papai, e que não me odeie pelo que fiz, te guardarei comigo sempre, apesar de todo rancor e amargura que nós guardamos em nossos corações.

Com amor,

Yandra.

As palavras que havia escrito ainda queimavam em minha mente como fogo, se recusando a ir embora. Havia sido sincera de mais, não queria ferir meu pai, nunca quis, mas quando comecei a escrever aquela carta as palavras pareceram jorrar de minha mente para o papel sem dó. Bom, agora não havia mais nada que eu pudesse fazer, a carta já estava lacrada e posicionada impecavelmente em cima de minha cama, e a cada segundo eu me distanciava mais daquela casa.
Encostei a cabeça no vidro da janela do táxi, observando as luzes de Tervey ficando para trás, eu havia crescido naquela cidade, e nunca passei mais de duas semanas fora dela, seria uma experiência completamente nova para mim, assim como muitas outras.
Meu rosto ainda estava molhado pelas lágrimas que eu havia derramado quando me despedi de Arthur no portão de casa, precisamos ser discretos e silenciosos para não acordar papai quando nos esgueiramos para fora da casa, era meia noite quando saímos, e Arthur havia contratado um táxi para que me levasse até a capital. Eu queria muito me despedir dos empregados que moravam conosco, que praticamente me criaram e me viram crescer, mas eu não podia, ninguém podia saber de nada, não antes que eu saísse da cidade, não queria que alguém tentasse me convencer a ficar.
Todas as coisas que eu precisava estavam dentro de uma mochila que eu levava comigo, algumas roupas que não queria deixar para trás, poucos itens pessoais e dinheiro. Havia pegado tudo que recebera em aniversários e mesadas durante dois anos, era uma quantia suficientemente boa caso eu precisasse usar se houvesse alguma emergência. Todos os meus vestidos haviam ficado para trás, não que me importasse com isso, sempre preferi uma boa e pratica calça jeans. Mas de acordo com minha carta de aceitação eu teria um armário completo de vestimentas no palácio, o que deveria incluir muitos e muitos vestidos, ou seja, praticamente todas as minhas roupas e sapatos haviam ficado em Tervey.
"Chegaremos em Ermon dentro de quantas horas?", perguntei ao taxista, ele era um homem alto de meia idade, extremamente simpático, e que prometeu sigilo ao meu irmão sobre me levar até Ermon.
"Cerca de sete horas Srta. Jenkins", ele respondeu, e eu assenti, me acomodando ainda mais no banco de trás do carro, pretendia dormir, estava completamente exausta.
Observando a paisagem da janela percebi que pequenos flocos de neve caiam lentamente. Estávamos no final de novembro e logo o outono daria lugar ao inverno, rigoroso como sempre, aliás, morávamos em um país próximo as terras frias da Groenlândia.
Unityland é um país pequeno, um pouco maior que a Islândia, embora os dois tenham mais ou menos a mesma extensão territorial. Ele foi descoberto um pouco depois das Américas, mas por muito tempo nossas terras foram consideradas sem importância, já que o solo do litoral foi considerado por muitos infértil. Porém, no ano de 1776 alguns poucos ingleses e franceses que viviam nas 13 colônias norte-americanas decidiram não lutar pela independência do seu país e preferiram procurar um lugar seguro e longe da guerra para viver. Imigraram então para nossa ilha, se fixando no interior do país onde as terras eram férteis e haviam condições favoráveis para a vida humana. Depois que os Estados Unidos venceram a guerra e conseguiriam a independência, os povos que antes habitavam as 13 colônias continuaram em Unityland, já acostumados com a vida na ilha. Nos anos seguintes nossas terras foram vendidas para diversos países diferentes, sem nunca conseguir uma forma de governo fixa e uma forma de vida favorável. Isso durou cerca de quinze anos, até que seis das famílias mais ricas e estabelecidas do nosso país se uniram e decidiram lutar, pela independência, todo o povo se uniu. Não foi fácil, mas no fim nós vencemos. Como no início os imigrantes franceses e ingleses foram os primeiros a habitar Unityland os idiomas falados por eles se espalharam pelo território, por isso as línguas oficiais faladas aqui são o francês e o inglês americano, a maioria dos cidadãos falam os dois, eu particularmente prefiro o inglês. Em 1798 nosso país finalmente se declarou independente, Jonathan Aubry como principal líder do movimento se tornou o primeiro rei, e chamou os outros cinco lordes das famílias que lhe ajudaram a conquistar a terra para governar junto dele como ministros, tornando assim nosso país recém nomeado Unityland uma monarquia constitucional. Embora um pouco diferente das que existem hoje em dia. Cada uma das cinco famílias ficaram responsáveis, juntamente com o rei, por uma área da administração do país, sendo elas a educação, a saúde, alimentação, segurança e a designação de trabalhos. E é nessa parte que eu entro.
Desde o início foi decidido que o filho ou filha mais velho de determinado lorde das cinco grandes famílias assumiria o cargo no governo quando seu pai ou mãe morresse, geralmente uma pessoa assumia o cargo em uma idade mais avançada, mas o dia de assumir o poder sempre chegava para os descendentes mais velhos, independente do tempo que demoraria. É assim desde que Unityland se tornou independente, ou seja, mais de duzentos anos. Nunca houve alguém que renunciasse o cargo, ou que passasse seu posto para o próximo irmão ou irmã na linha de sucessão. Admito que havia um certo prazer em ser a primeira a quebrar uma tradição tão antiga, era um sentimento empolgante que eu nunca havia me permitido sentir, algo como... Rebeldia.
As cinco famílias que governam juntamente com o rei são:
Família Jenkins, responsável pela educação do país. Meu pai e seus antecessores foram as pessoas que fundaram cada escola e cada universidade de Unityland, além de organizar projetos que estimulam a aprendizagem para alunos de diversas idades em todo país. O ensino de Unityland é considerado um dos melhores de todo o mundo. Reconheço que é um trabalho admirável e que ajuda milhares de pessoas, mas simplesmente não é para mim. Não conseguiria lidar com tantas responsabilidades, no início eu me esforcei muito para gostar daquilo e ficar empolgada com o trabalho que um dia eu iria exercer, mas eu nunca consegui.
A segunda família é a Lemoine, responsável pela saúde dos cidadãos da país. Sua regente atualmente é a Lady Catharina, ela é simplesmente um amor, de todos os chefes das grandes famílias ela com certeza é a mais simpática e amável, ao contrário de seu marido que mais parece um bruta-montes ignorante. Ela tem filhos gêmeos, Eric e Barrett, sendo que o primeiro deles nunca me deixou em paz, ele sempre achou que teria uma chance comigo, mas nós dois simplesmente não temos nada em comum um com o outro, por isso sempre o dispensei, com o máximo de delicadeza que consegui reunir, é claro.
A família Hertel é responsável por toda a segurança do país, cuidam da guarda real, dos policiais e do exército de Unityland. Para ser sincera Lorde Harley e seus três filhos sempre pareceram meio estranhos, principalmente o mais velho deles, Lowell, como se não gostassem muito de se misturar, como se escondessem alguma coisa... Uma vez comentei isso com papai, ele disse ser coisa da minha cabeça, bom, deve ser mesmo.
A quarta família e a Kuster, responsável pela alimentação do país. Lorde Anthony e sua esposa possuem uma única filha, Julie, ela já deve estar na casa dos vinte, e é aparentemente muito satisfeita com o fato de que daqui alguns anos assumirá o lugar do pai no parlamento, pelo menos alguém é feliz com isso...
Por último, mas não menos importante, temos a excelentíssima família Privost, ou como eu gosto de chamar: Os maiores narizes empinados que você vai conhecer na vida!
Representada por Túlian Privost (que por si só já é insuportável), ele e casado com Lady Amélia Privost e tem dois filhos, Isaac, que é o mais velho, e Stephanie, que o ser humano mais detestável que eu conheço. Stephanie tem minha idade, e é tão orgulhosa e mesquinha que me dá nos nervos! Graças aos céus eu não a vejo muito, já que Isaac é o filho mais velho e futuro herdeiro da família o vi mais vezes nas reuniões e eventos que meu pai me levava; mas acredite, já me encontrei com Stephanie por vezes suficientes para saber exatamente qual é seu gênio, espero profundamente que não precise encontrá-la nunca mais!
Ah sim, quase me esqueci da família mais importante em Unityland, e a mais poderosa também...
A família Aubry, também conhecida como: A família real de Unityland.
O rei, Nicholas Aubry II, é um soberano bom e justo, e fez muito mais pelo nosso país do que qualquer outro rei que subiu ao trono. Infelizmente à dez anos sua rainha e seus dois filhos sofreram um estranho acidente de carro enquanto voltavam a Ermon depois de uma viajem pelo país, eu era só uma criança na época e não me lembro de muita coisa, só sei que todo o país se tornou um caos. O acidente foi tão grave que todos estavam convictos que toda a família real iria morrer, a rainha, uma mulher doce e forte, segundo meu pai, morreu na hora, a princesa Odete que na época só tinha cinco anos ficou presa nas ferragens do carro, junto com seu irmão, o príncipe Henry, que até onde sei tinha nove anos. Quando conseguiriam resgatá-los eles estavam muito feridos, e ficaram meses internados, recebendo os maiores cuidados do pai, o rei provavelmente morreria se perdesse toda sua família daquele jeito, eu pelo menos não aguentaria. A princesa depois de um tempo se recuperou totalmente, e dizem que o príncipe também, embora ele não apareça mais em eventos ou transmissões importantes do reino, os boatos são muitos, até onde sei ele nunca saiu do palácio desde que perdeu a mãe, e ninguém nunca o viu...
Minhas pálpebras estavam pesadas, o cansaço me invadindo. Me deitei nos bancos do carro, colocando minha mochila como travesseiro.
"Me acorde quando chegarmos em Ermon, por favor", pedi ao taxista já bocejando.
"Sim, senhorita."
No segundo seguinte eu já mergulhava deliciosamente na inconsciência. 
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16 comentários:

  1. Amei já vou começar a le agora.😍 O livro já foi lançado por aula editora?

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    1. Não, só foi postado no Wattpad... no link aqui em cima. Quem sabe um dia não seja publicado? :)

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    2. Eu sabia! Eu tenho wattpad e estranhei esse livro aq ele é bom

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  2. Nossa onde se faz essas capas lindas mdss?
    Karina, to tentando falar com vc nos comentarios mas td o q eu posto demora a ser recebido.
    Vou fala aqui msm <3

    Eu sou aquela garota do livro da April e Olive. Meu nome é Ester Naira.
    Eu percebi q aquela história n ia rolar pq minha amg me falou q existe tipo um drama com essa ideia. Ai eu tive outra.
    Eu n consegui fazer a conta no Wattpad mas eu descobri outro site tipo ele. Chama Widbook.
    O nome do livro q vou começa a posta nele chama "Nova Geração".
    Sinopse:
    Hope Bloons era uma garota de sete anos quando perdeu seu pai, Brian Bloons. Os dois moravam no castelo por causa do trabalho de seu pai: guarda real de Noah Writh, o principe. Seu pai morreu em mãos dos inimigos do rei, Antony Writh, que queriam matar o principe caçula. Hope virou orfã e foi adotada por um lorde chamado Michael Caloman, e desde então não voltou ao castelo.
    Apenas quando Hope está com 17 anos, onze anos depois, ela volta para celebrar a coroação da filha mais velha, Victória Writh, que ocorrerá em três meses. O tempo exato para Hope celebrar seus 18 anos.
    Lá ela reencontra Noah, que por sua vez ainda o culpa pela morte do pai biologico. Ela também conhece Seth, o príncipe herdeiro de Áurea, que também está no castelo para comemorar a coroação da futura rainha.
    O que ela vai escolher?
    Ser princesa ou ser rainha?
    Noah ou Seth?
    Ser Hope Bloons ou Hope Coleman?

    Veja tudo isso em Nova Geração. Um novo reinado, uma nova guerra!

    Meu nome lá no Widbook é Ester Naira msm <3
    Espero que goste do meu livro <3

    ~Jak~

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    1. Os comentários demoram o memso tempo para serem lidos, não importa em que post você os faça, Jak! Hauehaue
      Mas vc mudou a história de novo? Veremos o que você tem pela frente então. Escreva, desenvova e poste lá. E rápido, antes que a ideia vá embora ou você a substitua por outra... Senão você vai ficar nesse ciclo vicioso para sempre
      (Desculpe se isso soou crítico demais)
      Ahh, e depois que vc postar os primeiros capítulos lá no site, me envia o link, primeiro capítulo, capa para livroson-line@hotmail.com

      Ah sim, e quanto à capa, nenhum amigo seu pode ajudar? Elas na maior parte das vezes são feitas por conhecidos, outris autores ou gente que gosta dessa parte da arte. Não sei como se entra em contati, como funciona

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  3. Amei . parabéns, que continue há escreve livros formidáveis como este

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    1. Obrigada!
      https://my.w.tt/UiNb/I4AcWWeiAH
      Acesse o link acima se quiser acabar de ler a história! ❤

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  4. ~karina o link esta errado eu tentei achar o livro clicando no link e nao deu certo, por favor corrija - o

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    1. Ué.. Acabei de clicar nele e funcionou!

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    2. Ué.. Acabei de clicar nele e funcionou!

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  5. Quero mt ler esse livro!

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    1. https://my.w.tt/UiNb/I4AcWWeiAH
      Aqui está o link, espero que goste!❤

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  6. karina
    te amo mas tambem te odeio to com 7 livros p ler so de series

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    1. Kkkkk
      Ah, você lê rapidinho! Ou, senão, pelo menos terá livros pra ler pelos próximos meses

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  7. Karina, eu mandei uma fanfic para ser divulgada aqui no blog mas já faz tempo que estou esperando ela ser publicada, tipo uns quatro cinco meses. É normal ou ela não vai ser divulgada? O nome dela é "The Princess Of Dark"

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    1. Ai, não, não é normal! Fui olhar aqui agora e ela estava no arquivo morto do e-mail, sabe-se lá porque. A sua será a próxima a ser postada, desculpe a confusão!

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Boa leitura :)