13 de outubro de 2017

Capítulo 8

SE DEPENDESSE DELE, Adrian teria saído à caça da irmã da sra. Terwilliger naquela mesma hora. Mas o toque de recolher de Amberwood não permitiria; além do mais, eu preferia empreender aquela busca à luz do dia. Pelo menos ele curou Marcus sem que saíssem no braço de novo, o que era um avanço. Marcus perdeu um pouco da hostilidade e tentou puxar conversa com Adrian sobre o que o espírito era capaz de fazer. Adrian deu respostas curtas e pareceu aliviado quando Sabrina apareceu para levar Marcus embora. Ele se despediu de mim com ar misterioso, dizendo apenas que me mandaria uma mensagem em breve sobre o “próximo estágio”. Eu estava cansada demais para pedir mais detalhes e voltei ao alojamento para descansar e me recuperar daquele dia maluco.
Fui acordada ao romper do dia com batidas violentas na porta. Olhei para o relógio, fazendo uma careta ao notar que faltava uma hora para o horário em que costumava me levantar. Continuei na cama, torcendo para que a pessoa desistisse. Se algo realmente urgente tivesse acontecido, teriam me ligado no celular. Mas a tela não mostrava nenhuma ligação perdida.
Infelizmente, as batidas não pararam. Com um pressentimento ruim, finalmente me levantei, quase temendo o que encontraria atrás da porta.
Era Angeline.
— Finalmente — ela disse, entrando sem que eu a convidasse. — Pensei que nunca fosse abrir.
— Desculpe — eu disse, fechando a porta atrás dela. — Estava muito ocupada dormindo.
Ela caminhou diretamente para a cama e sentou como se fosse dona do quarto. Eu não fazia a menor ideia do horário dela, mas Angeline sempre me parecera alguém que dormia até tarde. Pelo jeito, não era o caso naquele dia. Ela estava usando o uniforme da escola, com o cabelo vermelho-vivo amarrado atrás da cabeça no que era, para os padrões dela, um rabo de cavalo até que caprichado.
Meu medo cresceu. Liguei a cafeteira, que eu sempre deixava pronta com grãos frescos e água. Algo me dizia que precisaria de uma xícara para passar por aquilo.
— Qual é o problema? — perguntei, me acomodando na cadeira da escrivaninha.
Nem tentei adivinhar. Quando se tratava de Angeline, podia ser qualquer coisa, desde atirar uma carteira através da sala num acesso de raiva até acidentalmente derrubar ácido clorídrico em outro aluno. Ambos tinham acontecido pouco tempo antes.
— Vou repetir em matemática — ela respondeu.
Era uma notícia desagradável, mas não totalmente inesperada. A comunidade de Angeline nas montanhas, embora educasse as crianças, não alcançava os altos padrões do currículo de Amberwood. Ela tinha problemas em muitas matérias, mas, até então, estava conseguindo se virar.
— Já estou com problemas em espanhol — ela acrescentou. — Mas aquela piñata que fiz me deu alguns pontos extras, então estou aguentando bem, por enquanto.
Tinham me falado sobre a piñata. Angeline a tinha feito para a feira cultural, e havia sido tão cuidadosa com o papel machê que nenhum dos seus colegas conseguira quebrá-la por meios normais. Angeline acabara jogando a piñata contra uma parede e precisou ser impedida pela professora quando tirou um isqueiro do bolso.
— Mas, se reprovar em espanhol e em matemática, posso ser expulsa.
Aquilo me fez esquecer a piñata inflamável e voltar para o presente.
— Ugh — resmunguei, sem saber um jeito melhor de articular as ideias. O lado ruim de uma escola que tinha altos padrões era que... bom, ela tinha altos padrões. Problemas em uma matéria poderiam ser tolerados, mas não em duas. E, se Angeline fosse expulsa, teríamos um nível de segurança a menos para Jill, sem contar que eu provavelmente levaria a culpa por tudo aquilo.
— A sra. Hayward disse que preciso de um tutor. Ela disse que preciso melhorar ou, pelo menos, mostrar que estou me esforçando.
Isso era promissor, pensei. Mesmo se um tutor não pudesse ajudar, com sorte a escola seria mais tolerante por causa do esforço bem-intencionado dela.
— Está bem — eu disse. — Vamos conseguir um tutor pra você.
Ela franziu a testa.
— Por que não pode ser você? Você é inteligente. É boa em matemática.
Por que eu não podia? Bom, primeiro porque tinha que impedir uma feiticeira do mal de sugar a juventude e o poder de garotas inocentes. Depois, precisava descobrir os segredos e as mentiras que a organização da qual eu fazia parte desde que tinha nascido estava me contando.
Em vez disso, respondi:
— Ando meio ocupada.
— Mas precisa ser você. Seria moleza — ela protestou.
— Muito ocupada — reiterei. — É uma surpresa Eddie não poder.
A menção ao nome dele fez brotar um sorriso no rosto dela.
— Ele se ofereceu, mas as notas dele são só medianas. Preciso de alguém que seja muito bom.
— Então vou arranjar alguém muito bom. Eu mesma não posso agora.
Angeline não gostou nada da resposta, mas pelo menos não destruiu minha mesa.
— Tá. Tudo bem. Mas seja rápida.
— Sim, majestade — murmurei, observando-a sair mal-humorada.
Pelo menos os problemas acadêmicos de Angeline eram um pouco mais fáceis de resolver do que as outras intrigas sobrenaturais que ocupavam meu tempo. Como já estava acordada e havia tomado café, achei que não fazia sentido voltar para a cama. Tomei banho e me vesti, depois fiz alguns trabalhos extras para a escola enquanto esperava pelo café da manhã. Quando o refeitório abriu, desci as escadas e esperei perto da entrada. Demorou apenas cinco minutos para que minha amiga Kristin Sawyer chegasse. Ela sempre saía para correr antes das aulas e, depois, costumava ser a primeira na fila para o café da manhã. Ela fazia cálculo avançado comigo.
— Ei — cumprimentei, sem conseguir acompanhar o ritmo dela. — Foi boa a corrida?
— Foi ótima — ela respondeu. Sua pele morena ainda estava um tanto suada. — Muito melhor agora que o tempo está mais fresco. — Ela me olhou com curiosidade. — Não costumo ver você aqui tão cedo. Aliás, nem costumo ver você tomando café da manhã.
— É a refeição mais importante do dia, não é? — Peguei mingau de aveia e uma maçã. — Além disso, preciso pedir um favor pra você.
Kristin quase derrubou o prato com ovos mexidos que um dos atendentes entregava para ela. Seus olhos castanhos se arregalaram.
— Precisa pedir um favor pra mim?
Embora meus amigos humanos não fossem minha responsabilidade do mesmo modo que os Moroi e os dampiros, eu tomava conta deles mesmo assim. Havia ajudado Kristin diversas vezes.
— Sim... Minha prima Angeline precisa de um tutor de matemática.
Kristin me olhou com expectativa, como se estivesse esperando que eu terminasse a história. Então ela entendeu.
— Quem, eu? Não. De jeito nenhum.
— Ah, por favor. Seria moleza. — Eu a segui até uma mesa, me apressando para acompanhar seu ritmo. Talvez ela tenha pensado que, se andasse rápido o bastante, poderia fugir do meu pedido. — Angeline está em matemática básica. Você poderia ajudá-la com as mãos nas costas.
Kristin sentou e me lançou um olhar demorado.
— Sydney, vi sua prima bater num homem adulto e atirar um microfone numa pessoa. Você realmente acha que vou aceitar um trabalho que vai obrigá-la a fazer o que ela não quer? E se ficar frustrada com o que eu disser pra ela? Como vou saber que não vai me furar com um compasso?
— Não dá para saber — admiti. — Mas acho improvável. Acho mesmo. Ela realmente quer melhorar a nota. Senão, pode ser expulsa.
— Sinto muito. — Kristin parecia sincera. — Sabe que eu faria quase qualquer coisa por você, mas não isso. Vai ter que encontrar alguém que não tenha medo dela.
Pensei nas palavras dela várias vezes enquanto ia para a aula de história. Ela tinha razão. Mas as únicas pessoas completamente à vontade com Angeline eram Eddie e Jill, e eles estavam fora da lista de possíveis tutores. Cogitei que talvez devesse oferecer dinheiro a alguém quando fosse para a aula de cálculo mais tarde.
— Srta. Melbourne.
A sra. Terwilliger tinha voltado à ativa, sem dúvida para o alívio da substituta. Ela me chamou até sua mesa caótica e me entregou uma folha de papel.
— Aqui está a lista de que falei.
Examinei a página. Continha o nome e o endereço de seis meninas. Deviam ser as garotas que ela havia mencionado, com aptidão mágica mas sem clã ou mentor para cuidar delas. Todos os endereços eram na região metropolitana de Los Angeles.
— A sra. Santos lhe enviou as informações de que precisava para o projeto, não?
— Sim, enviou. — A sra. Santos havia me mandado um e-mail sobre os bairros históricos que conhecia, e eu havia reduzido a lista a dois candidatos prováveis. — Vou começar a trabalhar no, hum, projeto no fim de semana.
A sra. Terwilliger arqueou uma sobrancelha.
— Por que só no fim de semana? Achei que você nunca adiasse uma tarefa.
Fiquei um tanto desconcertada.
— Bom, normalmente não. Mas isso vai demorar um pouco... Precisarei viajar e não tenho muito tempo livre nos dias de semana.
— Ah — ela disse, entendendo rápido. — Bom, nesse caso, pode usar o horário do estudo independente para isso. Vai lhe dar um tempinho extra. E direi à sra. Weathers que talvez você chegue depois do toque de recolher. Tomarei as providências para que ela concorde. Esse projeto é de importância máxima.
Não havia como protestar.
— Começarei hoje, então.
Enquanto voltava para minha carteira, uma voz disse:
— Caramba, Melbourne. Bem quando eu achava que aquele seu estudo independente não podia ficar mais fácil... agora você nem precisa ir mais pra aula?
Parei e sorri para Trey. Ele era o assistente da sra. Terwilliger naquela matéria, o que significava que vivia organizando e xerocando papéis.
— É uma tarefa muito importante — eu disse.
— Imagino. Qual é?
— Não quero entediar você. — Olhei de novo para o rosto dele. Nem precisei me esforçar para mudar de assunto. — O que aconteceu com você?
Os olhos dele estavam vermelhos, e o estado desgrenhado do seu cabelo preto sugeria que não tinha tomado banho naquela manhã. Sua pele normalmente bronzeada estava com uma cor pálida, quase doentia. Ele entreabriu um sorriso e abaixou a voz.
— O irmão do Craig Lo levou umas cervejas pra gente ontem à noite. Eram de uma microcervejaria. Eram boas.
Soltei um suspiro.
— Trey, pensei que você fosse melhor do que isso.
Trey me lançou o olhar mais indignado que conseguiu em meio à sua ressaca.
— Ei, algumas pessoas se divertem de vez em quando. Você deveria experimentar uma hora dessas. Já tentei juntar você e Brayden, mas você estragou tudo.
— Não estraguei nada! — Brayden era um barista que trabalhava com Trey e compartilhava meu amor pelos estudos e por conhecimentos gerais. Nosso breve relacionamento tinha sido repleto de informações, mas vazio de paixão. — Foi ele quem terminou comigo.
— Ninguém adivinharia. Sabia que ele vive escrevendo poemas apaixonados sobre você nos intervalos?
Isso me pegou de surpresa.
— Ele... escreve? — Brayden havia terminado comigo porque minhas várias obrigações com os vampiros viviam interferindo no nosso relacionamento, o que me levava a dar menos atenção a ele e cancelar muitos compromissos. — Fico mal por saber que foi tão pesado para ele. É uma surpresa ele ter um... acesso de paixão desses.
Trey riu.
— Não sei se é paixão. Ele se preocupa mais com a forma dos poemas e fica sentado com livros sobre pentâmetro iâmbico e análise de sonetos.
— Tá, agora parece que estamos falando da mesma pessoa. — O sinal estava prestes a tocar; fiz menção de voltar para o meu lugar quando percebi uma coisa na carteira de Trey. — Ainda não terminou isso?
Era uma lista de exercícios que tínhamos de resolver para a aula de química, com vários problemas complicados sobre ácidos e bases. Precisávamos entregar no horário seguinte, e parecia improvável que Trey fosse conseguir, já que tudo o que havia no papel até agora era o nome dele.
— Não... Eu ia terminar ontem à noite, mas...
— Claro. A cerveja. Se divertir. — Nem me dei ao trabalho de esconder minha desaprovação. — É uma parte enorme da nota.
— Eu sei, eu sei. — Ele olhou para os papéis com um suspiro. — Vou fazer o máximo possível até lá. Crédito parcial é melhor que nenhum crédito.
Fiquei examinando-o por um instante e, então, tomei uma decisão que ia contra muitos dos meus princípios mais básicos. Enfiei a mão na bolsa e tirei meu trabalho terminado.
— Toma — eu disse.
Ele pegou as folhas, franzindo a testa.
— Toma o quê?
— É a minha lição. Use as minhas respostas.
— Eu... — O queixo dele caiu. — Você tem noção do que está fazendo?
— Sim.
— Acho que não tem. Você está me dando sua lição.
— Sim.
— E me dizendo para fingir que é minha.
— Sim.
— Mas na verdade não fui eu que fiz.
— Quer ou não quer? — perguntei, frustrada. Comecei a pegar os papéis de volta, mas ele os segurou com força.
— Ah, eu quero — ele disse. — Só gostaria de saber o que você quer em troca. Porque isso não compensa meu banimento entre meus amigos e a minha família. — Ele manteve o tom amigável, mas notei uma nota de amargura em sua voz. Não tinha jeito. Por mais que gostássemos um do outro, nossas respectivas filiações aos guerreiros e aos alquimistas sempre estariam entre nós. Poderia ser uma piada agora... mas algum dia talvez não fosse mais.
— Preciso de um favor — expliquei. — Um favorzinho, na verdade. Não tem nada a ver com... aquelas coisas.
Como era de se esperar, Trey ficou desconfiado.
— Que favor?
O sinal tocou, então falei rápido.
— Angeline precisa de um tutor de matemática, senão vai reprovar. E, se reprovar, vai ser expulsa. Seria bem fácil pra você. E pegaria bem no seu currículo pra faculdade.
— Sua prima é um pouquinho maluca — ele disse. Mas não recusou, o que tomei como um bom sinal.
— Você achava ela bonita — eu o lembrei.
— Sim, mas isso foi antes... — Ele não terminou a frase, mas eu entendi. Antes de ele descobrir que ela era uma dampira. Os guerreiros tinham os mesmos tabus que os alquimistas quanto a relacionamentos inter-raciais.
— Tudo bem — eu disse. — Entendi. Vou pegar meu trabalho e voltar pro meu lugar. — Estendi a mão, mas ele não me devolveu as folhas.
— Espera. Eu topo. Mas, se ela me machucar, tomara que você se sinta muito culpada. A temporada de basquete acabou de começar e meu time vai desmoronar se eu ficar no banco por causa dela.
Abri um sorriso largo.
— Eu ficaria arrasada.
Angeline não se animou muito quando lhe contei durante o almoço. Na verdade, ficou vermelha de raiva e parecia prestes a atirar a bandeja para o outro lado do refeitório.
— Você quer que eu estude com aquele... aquele... caçador de vampiros? — ela perguntou. Fiquei imaginando se ela tinha outro nome em mente, mas se conteve, numa demonstração impressionante de autocontrole. — Ainda mais depois do que eles tentaram fazer com Sonya?
— Trey não é como os outros — defendi. — Ele se recusou a matar Sonya e até teve o trabalho de me colocar lá dentro para ajudá-la, o que, aliás, acabou ferrando com a vida dele.
Eddie parecia estar se divertindo, apesar do assunto desagradável.
— Você esqueceu de mencionar que ele está louco pra voltar para aquela vida.
Apontei meu garfo para Eddie.
— Não venha me dizer que também acha Trey uma má opção.
— Para tutor? — Ele balançou a cabeça. — Não, ele é o.k. Só estou dizendo que você não deveria acreditar que está tudo às mil maravilhas com ele. É muito provável que o grupo dele esteja trabalhando contra a gente.
— Ele é meu amigo — eu disse, torcendo para que meu tom de voz pusesse fim à discussão. Depois de dar mais alguns argumentos, Eddie convenceu Angeline a estudar com Trey, lembrando que ela precisava manter as notas altas. Apesar disso, as palavras de Eddie me perturbaram. Eu tinha certeza absoluta de que Trey era meu amigo, mas não sabia se aquela rixa entre nós um dia viria à tona.
Quando Eddie e Angeline saíram para as aulas da tarde, pedi para Jill ficar na mesa por mais um minuto.
— O que Adrian está fazendo agora?
— Está na aula de pintura — ela respondeu prontamente.
— O laço deve estar forte hoje, hein? — perguntei. Em alguns dias as visões que ela tinha da mente e das experiências dele eram mais claras do que em outros.
Ela encolheu os ombros.
— Não, mas são onze da manhã de terça-feira.
— Claro — eu disse, me sentindo idiota. Eu sabia os horários de todo mundo; era necessário para o meu trabalho. — Devia ter imaginado. Você acha que ele poderá se encontrar comigo depois da aula?
— Pra ir caçar bruxas? Sim, ele deve estar saindo agora.
Jill sabia o que Adrian sabia, o que significava que já estava a par da minha busca por Veronica. Embora eu tivesse aprendido a aceitar que contar meus segredos a Adrian significava contar a Jill indiretamente, ainda era um pouco chocante ouvir esses assuntos proibidos discutidos tão abertamente. Ao ver minha reação atordoada, Jill abriu um meio sorriso.
— Não se preocupe — ela disse. — Eu guardo os segredos de Adrian. E os seus também. — A amargura na voz dela também me pegou de surpresa.
— Você está brava comigo? — perguntei, sem entender. — Você não está... não está chateada ainda por causa do que aconteceu entre mim e Adrian, está? Pensei que tivesse deixado isso pra lá. — Embora a declaração de Adrian de que me amaria apesar de todos os obstáculos tivesse sido perturbadora, sua atitude mais relaxada tinha contaminado Jill até então.
— Adrian deixou um pouco pra lá — ela disse. — Não vê o perigo de você sair por aí com outro cara.
Fiquei sem entender.
— Outro cara? Você não está falando do... Marcus, está? Isso é loucura.
— É mesmo? — Jill perguntou. O laço era muito estranho às vezes. Jill estava com ciúme no lugar de Adrian. — Ele é humano, você é humana. Vocês dois têm esse lance de alquimistas rebeldes. E eu vi o cara. Ele é bem bonito. Não dá para saber o que vai acontecer.
— Bom, eu sei o que vai acontecer: nada — eu disse. Mesmo através de um laço psíquico, Marcus conseguia seduzir as garotas. — Acabei de conhecê-lo. Nem sei se confio nele direito e definitivamente não sinto nada por ele. Olha, entendo que você queira ajudar Adrian, mas não pode ficar brava comigo pelo que aconteceu. Você sabe por que o rejeitei, ainda mais depois do que aconteceu com Micah. — Micah era o colega de quarto de Eddie e, embora ela soubesse que não poderia haver relacionamentos sérios entre humanos e vampiros, havia se surpreendido com a complexidade e a dificuldade da situação.
— É... — Ela franziu a testa, visivelmente dividida entre os sentimentos de Adrian e o que ela sabia ser certo. — Mas talvez com Adrian... sei lá. Talvez as coisas possam ser diferentes. Ou talvez ao menos exista um jeito de fazer com que ele sofra menos.
Desviei o olhar, sem conseguir encará-la. Não gostava de saber que Adrian estava sofrendo, mas o que eu poderia fazer? O que eles queriam que eu fizesse? Os dois sabiam das regras.
— Sinto muito — eu disse, pegando minha bandeja e levantando. — Nunca quis que nada disso acontecesse. Adrian vai me esquecer.
— Você realmente quer que Adrian a esqueça? — ela perguntou.
— Como assim? Por que você faria uma pergunta dessas?
Ela não respondeu; em vez disso, fez uma cena mexendo seu purê de batata. Quando percebi que não ia responder, sacudi a cabeça e caminhei em direção à saída. Podia sentir o olhar dela pesando nas minhas costas enquanto aquela pergunta ecoava na minha cabeça: Você realmente quer que Adrian a esqueça?

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