30 de outubro de 2017

Capítulo 4

Sydney

NÃO RECOMENDO SE TRANSFORMAR NUM GATO.
A experiência de ser um felino propriamente dita não é ruim. Mas sair dela? É terrível. Sentia como se estivesse sendo rasgada em duas. Meus ossos e pele se esticaram e contorceram de maneiras estranhas e, quando acabou, me senti quebrada e destruída, como na vez em que tinha caído de uma escada na infância. Uma náusea se instalou no fundo do meu estômago e, em um momento de pânico, achei que ia vomitar. Vômitos forçados tinham sido uma das muitas punições que os alquimistas me impuseram quando estava na reeducação, e só de pensar nisso me vinha uma avalanche de lembranças desagradáveis. Felizmente a sensação passou rápido e voltei a me sentir mais ou menos como eu mesma.
— Tem um lugar ótimo para tomar café a uns trinta quilômetros daqui — disse a sra. Terwilliger depois que eu me vesti e coloquei o cinto de segurança. — Vamos dar uma passadinha lá e comprar gasolina antes de continuar para Pittsburgh.
Concordei, enviei uma mensagem para Adrian e estiquei as pernas, ainda me reacostumando ao meu corpo humano. Ao meu lado estava a caixa de madeira que a sra. Terwilliger havia trazido e a peguei para dar uma olhada mais de perto. Sem o feitiço de trancamento, ela não tinha nada de extraordinário. Desde o desaparecimento de Jill, houve muita especulação sobre quem a teria sequestrado. Quase sempre colocávamos a culpa em algum dissidente Moroi contrário a Lissa. No entanto, isso era uma evidência clara de magia humana, o que meio que virava do avesso todas as nossas hipóteses. Além de mim, não conhecíamos nenhum usuário de magia humana trabalhando com Moroi.
Eu só podia torcer para que esse museu nos desse alguma resposta, por mais improvável que fosse. Dentro da caixa, as palavras no panfleto me encaravam: VEM BRINCAR, SYDNEY.
Depois que tomamos café, seguimos tranquilamente. Só tivemos de diminuir a velocidade numa parte da rodovia em obras. Para falar a verdade, teria sido uma viagem agradável se não estivéssemos tão preocupados e tensos. Estava com receio de que Adrian tomasse alguma atitude irresponsável na Corte. E, claro, estava preocupada com Jill.
Eddie também, visivelmente. Em vez de fazer com que se sentisse melhor, essa nova pista só tinha aumentado sua agitação. Ele mal falou com a gente durante o percurso.
Chegamos rápido até, e fomos ao Museu de Robôs de Pittsburgh no final da tarde. Uma placa escrita à mão declarava que ele era “mundialmente famoso”, mas nenhum de nós nunca tinha ouvido falar daquele lugar. A julgar pelo estacionamento vazio, muita gente também não.
— Normalmente enche mais nos fins de semana — explicou o atendente na bilheteria. Compramos três ingressos e entramos.
— Entrem, por favor. Entrem, por favor — ressoou um robô parado perto da entrada. Ele não se mexia e estava remendado com fita adesiva em vários lugares. Segurava uma placa longa e retangular que dizia “bem-vindo”.
A maior parte do museu era uma grande galeria que expunha uma seleção variada de robôs, usados tanto nas áreas de entretenimento como em práticas profissionais. A maioria dos itens expostos não se mexia, mas alguns eram animados, como uma pequena linha de montagem mostrando um robô responsável pelo controle de qualidade industrial. Uma esteira transportadora movia canecas de cerâmica por um aparelho que lembrava uma caixa. Ele parava a esteira e examinava cada uma das canecas, acendendo uma luz vermelha ou verde, dependendo se tinha ou não encontrado um defeito.
Uma sala ao lado expunha a história da robótica nas paredes. Incluía origens mitológicas, como autômatos que trabalhavam para o deus grego Hefesto, o que achei um bom toque especial. A maior parte da linha do tempo focava em avanços nos séculos XX e XXI, e terminava com O FUTURO: ???
Encarei os pontos de interrogação por um momento, pensando que eles bem que poderiam simbolizar o meu futuro. O que aconteceria na minha vida? Será que algum dia realizaria meus sonhos antigos de ir à faculdade e viajar pelo mundo? Ou minha vida seria limitada a um flat cercado de vampiros para sempre? Ficar foragida era a minha melhor esperança?
— Sydney?
Ao ouvir a voz da sra. Terwilliger, saí da sala da linha do tempo e voltei à galeria principal. Ela e Eddie estavam parados diante de uma vitrine enorme atrás da qual estava o que parecia ser um dinossauro metálico duas vezes mais alto que eu. Eu o reconheci do panfleto: era ao lado dele que estava escrito meu nome. A sra. Terwilliger encostou a mão no vidro.
— Você sente isso? — ela me perguntou.
Encostei a mão ao lado da dela e esperei. Depois de alguns segundos, senti uma espécie de zumbido de energia. Eddie nos imitou, mas logo sacudiu a cabeça.
— Não sinto nada — ele falou.
— Tem um feitiço no robô — explicou a sra. Terwilliger, dando um passo para trás.
— Você consegue saber alguma coisa sobre ele? — perguntei. Ela era mais sensível do que eu a esse tipo de coisa. Era uma habilidade que exigia prática.
— Não. Preciso abrir a vitrine.
Havia uma pequena fechadura metálica no vidro que provavelmente qualquer uma de nós poderia abrir com um feitiço. Pelo que tinha visto, não havia nenhum outro dispositivo de segurança ou alarme eletrônico nesse ou nos outros itens expostos e, para ser sincera, não era nenhuma surpresa. Tinha a sensação de que aquele lugar não possuía orçamento para nada muito tecnológico, o que era irônico. Nem ar-condicionado, o que tornava o lugar quente e abafado, já que havia apenas algumas poucas janelas teladas para ventilação.
— Ah — disse o atendente. Ele deve ter ficado entediado na bilheteria. — Vi que estão admirando o Raptorbot.
Encarei os dentes metálicos e os olhos vermelhos do robô.
— Não é todo dia que a gente vê um desses — eu disse, sincera.
— Vocês são fãs do filme? — ele perguntou.
— Que filme? — indaguei.
— A vingança do Raptorbot — o atendente respondeu.
— Sim — Eddie disse, quase relutante. Eu e a sra. Terwilliger viramos para ele, surpresas. Ele ficou vermelho. — O que é que tem? É… enfim, é bem incrível. Vi com Micah e Trey.
O atendente concordou, entusiasmado.
— É sobre um cientista cuja mulher está morrendo de uma doença incurável. Pouco antes de ela morrer, ele constrói esse velociraptor robô e consegue transferir a alma dela pra ele. Só que algumas coisas dão errado quando ela inesperadamente sai matando todo mundo.
— Não é tão inesperado assim — discordei. — Quer dizer, por que ele construiu um corpo de dinossauro pra ela? Por que não alguma coisa mais humana? Ou pelo menos um bichinho mais simpático?
— Porque aí o filme não seria tão legal — Eddie disse.
— Mesmo assim, precisa ter uma história plausível… — eu falei.
Um sorriso sarcástico apareceu no rosto de Eddie e, embora o assunto fosse absurdo, me toquei que poucas vezes o vira com uma expressão que não fosse de tristeza desde o sequestro de Jill.
— Acho que não dá pra assistir a um filme chamado A vingança do Raptorbot e esperar uma história plausível — ele falou.
O atendente pareceu ofendido.
— O que você está querendo dizer? É um filme primoroso. Quando sair o segundo, as pessoas vão fazer fila na porta pra ver esta exposição!
— O segundo? — eu e Eddie perguntamos em uníssono.
A sra. Terwilliger limpou a garganta.
— Desculpa interromper, mas até que horas vocês vão ficar abertos hoje?
— Até as cinco — respondeu o atendente, ainda parecendo incomodado porque eu não estava demonstrando o devido respeito ao Raptorbot.
— Obrigada — ela disse. — Acho que já vimos tudo que precisávamos. Foi uma visita adorável. Vamos, Sydney. Eddie.
Sem entender, nós a seguimos até a saída, mas só falamos quando entramos no carro.
— O que está acontecendo? — perguntei.
— Precisamos voltar hoje à noite, depois que tiverem fechado, e abrir aquela vitrine. — Ela falou com um tom formal e controlado; nem parecia que estava sugerindo uma invasão e um arrombamento. — Imaginei que não tinha por que continuar lá dentro e fazer com que ele lembrasse da gente.
— Devemos ter sido os únicos visitantes hoje — comentei. — Ele vai lembrar da gente… Até porque um de nós viu e gostou de A vingança do Raptorbot.
— Ei! — Eddie avisou. — Não julgue o filme sem ter visto.
Fomos até o centro de Pittsburgh e reservamos um hotel, já que era provável que passaríamos a noite na cidade. Tinha vários restaurantes perto dali e encontramos um lugar legal para jantar. Quase dava para fingir que levávamos uma vida normal. Mesmo assim, Eddie estava inquieto. Depois de comer, ele me chamou para dar uma volta e fiquei tentada por um momento. O centro histórico parecia divertido de explorar e era um fim de tarde de verão perfeito, quente e com uma brisa gostosa. Mas pensei nos alquimistas me encontrando e me aprisionando de novo, forçando-me a repetir a retórica deles e sofrer suas torturas. Meu coração ficou apertado e fiz que não com a cabeça.
— Vou esperar no quarto até a gente voltar para o museu.
— Eles não sabem que você está aqui — ele disse, com a voz suave e o olhar atencioso. — E não vou deixar que nenhum deles se aproxime.
— É melhor evitar — insisti, balançando a cabeça.
Quando ficou completamente escuro, voltamos de carro para o museu de robôs.
Estacionamos a alguns quarteirões de distância e caminhamos pelo resto do caminho. Grades de metal trancavam todas as portas e janelas, e uma placa avisava que tinha um alarme eletrônico na porta.
— Nenhum sinal de que as janelas tenham alarme também — Eddie disse, depois de inspecionar de perto. — Dá até pra ver que uma delas ainda está aberta atrás da grade de metal, talvez para arejar o lugar. — Mesmo já sendo bem tarde, o calor e a umidade do verão continuavam fortes.
— Não tem câmeras lá dentro e não estou vendo nenhuma aqui fora — a sra. Terwilliger acrescentou.
— Acho que gastaram todo o orçamento com o Raptorbot — falei. — Não que esteja trazendo muitos visitantes.
A descontração de Eddie já tinha passado e ele não respondeu ao meu comentário. Em vez disso, examinou o fecho da grade de metal da janela aberta, com uma expressão séria.
— Se eu puxar com força, talvez consiga arrombar o cadeado.
— Não tem por que desperdiçar sua força — disse a sra. Terwilliger. — Tenho certeza de que tenho um feitiço para abrir isso.
— E não tem por que desperdiçar sua magia — eu disse, dando um passo à frente.
Tirei um pequeno frasco do fundo da minha bolsa grande. Minha temporada enfurnada naquele flat na Corte não tinha sido inteiramente desperdiçada. Graças a Abe, nosso amigo de moral duvidosa, eu conseguira acesso a vários ingredientes que iam nos compostos químicos alquimistas mais comuns. Havia passado meu longo confinamento montando um estoque de compostos úteis, incluindo aquele, que dissolvia metal com muita facilidade.
A grade de metal parecia um portãozinho, com um trinco de um dos lados da janela. Na verdade, poderia ser difícil para Eddie arrombar, mas algumas gotas da solução derreteram o trinco com facilidade, destrancando o portão. O vidro da janela estava aberto, e apenas uma tela nos separava do interior do museu. Eddie tirou um canivete do bolso e cortou a tela de forma rápida e eficiente. Franzi a testa involuntariamente.
— Me sinto meio mal por isso — admiti. — Este lugar não está indo muito bem e agora estamos danificando a propriedade deles.
— É pra isso que serve o seguro — disse a sra. Terwilliger. — Além disso, se nos ajudar a encontrar Jill, tenho certeza de que a rainha pode fazer uma doação anônima para o museu.
Com a ajuda de Eddie, nós duas subimos e passamos pela janela, e ele veio logo atrás. Lá dentro, a galeria estava vazia e silenciosa, exatamente como durante o horário comercial. Depois que nossos olhos se acostumaram, o brilho fraco da placa de saída de emergência somado à luz dos postes lá fora iluminavam o suficiente o caminho. Fomos direto até a vitrine do Raptorbot e, dessa vez, a sra. Terwilliger lançou um feitiço de abertura na porta de vidro. Imaginei que poderia haver algum tipo de feitiço que ligasse a fechadura a mim, mas então, ouvimos um estalo claro e a porta se abriu. Dentro da vitrine, o Raptorbot ficava em cima de um grande suporte que também tinha uma porta que dava acesso a um compartimento interno.
— Sem fechadura — eu disse, estendendo o braço para abrir a portinha.
— Sydney, espera… — a sra. Terwilliger começou, mas já era tarde demais. Eu já tinha aberto. Fiquei paralisada, esperando que a coisa toda explodisse. Mas, depois de alguns segundos de tensão, nada aconteceu. Soltei o ar aliviada.
— Desculpa, não pensei direito.
Ela assentiu, ainda incomodada.
— Continuo sentindo que tem algum tipo de magia aqui.
— Talvez seja o objeto aqui dentro — eu disse. Não consegui ver o que havia no compartimento interno e, hesitante, enfiei a mão no espaço escuro, à espera de que um escorpião me picasse. Em vez disso, meus dedos tocaram um grande envelope pardo que puxei devagar. Nele estava escrito meu nome.
— É a mesma letra — observou Eddie.
Assenti.
— Sim, pena que não tem um jeito fácil de rastrear… Vocês estão ouvindo isso?
Deu para ver pela cara de Eddie que ele já tinha identificado o barulho. A sra. Terwilliger demorou um pouco mais para perceber.
— Parece um zumbido… — Ela ergueu os olhos para a cara metálica do Raptorbot. — Daquela coisa.
O zumbido ficou mais e mais alto, e Eddie avançou rápido para se colocar entre nós e a vitrine.
— Afastem-se! — ele gritou bem na hora que a boca do Raptorbot abriu e dezenas de objetos cintilantes saíram voando. Eles vieram na nossa direção com uma velocidade inacreditável, e caí desajeitadamente no chão. Ergui as mãos para me proteger do enxame reluzente, mas alguns tocaram meu rosto ao passar. Gritei ao sentir o toque, que ardeu feito um milhão de cortes de papel.
— O que são essas coisas? — consegui exclamar.
— Fotianas — a sra. Terwilliger respondeu. Ela também tinha caído no chão e cobriu o rosto quando o enxame voltou.
— Foti… o quê? — perguntou Eddie.
— São da mesma dimensão de onde o Pulinho veio, mas bem menos amigáveis. — Ela tirou as mãos da frente do rosto devagar para poder ver as criaturas. — Pense nelas como vaga-lumes mutantes.
Eddie, sempre pronto para improvisar, pegou a placa de boas-vindas do robô da entrada. Empunhando-a como um taco de beisebol, ele a balançou na direção das fotianas que vinham pra cima dele. Como se pensassem juntas, as fotianas se separaram para que a placa atingisse só o ar. Algumas poucas criaturas foram lentas demais e se desintegraram em faíscas ao serem atingidas. Isso nos animou, mas tínhamos muitas outras para derrotar. As coisas ficaram ainda mais complicadas quando o enxame se dividiu em três e partiu contra cada um de nós.
Tinha acabado de levantar, mas, ao ver o grupo vindo até mim em formação de seta, atravessei a sala correndo e consegui me esconder bem a tempo embaixo da esteira transportadora.
— Qual é o melhor jeito de se livrar delas? — gritei para a sra. Terwilliger. — Fogo? — Do outro lado da sala, pude ver Eddie atacando-as, mas a velocidade e a agilidade delas impediam que fizesse algum progresso significativo.
— Não quero incendiar o lugar — ela gritou, tentando desviar quando o enxame que a perseguia passou bem perto. Elas acertaram seu braço, deixando rasgos na manga da blusa e pequenos cortes sangrentos visíveis na pele embaixo do tecido. Assim que conseguiu se distanciar um pouco das fotianas, ergueu as mãos e entoou um feitiço em latim que nunca tinha ouvido antes. Uma centena de cristais cintilantes apareceu no ar diante dela e, com outro comando, ela os mandou voando na direção das fotianas. Onde os cristais encostavam, os “vaga-lumes mutantes” viravam faíscas.
O enxame que me perseguia voou baixo, tentando me expulsar de debaixo da mesa. Enquanto analisava o feitiço da sra. Terwilliger, os afugentei com a mão, que foi atingida no processo. As palavras e a sensação eram muito parecidas com o feitiço de bola de fogo, meu velho amigo, com algumas poucas diferenças. Me dei conta de que era um feitiço de gelo. Lançadas com força suficiente, lascas de gelo poderiam ter o impacto de pequenas lâminas.
Saí de baixo da mesa correndo e tentei me distanciar um pouco do enxame. Atrás de mim, ouvi a sra. Terwilliger recitar o feitiço mais uma vez. Torcendo para ter decorado as palavras certas, tentei a mesma tática, usando movimentos e gestos iguais aos que usaria para o feitiço de bola de fogo. O poder perpassou meu corpo e cristais de gelo foram disparados ao meu comando. Mas minha mira não era tão boa quanto a da sra. Terwilliger. Embora a estrutura do feitiço fosse parecida com a do feitiço de bola de fogo, a sensação dele era diferente e exigia prática. Só consegui derrubar algumas fotianas na primeira vez, mas tive mais sucesso nas tentativas seguintes. Sempre que parava para lançar mais, elas não perdiam a chance de me atacar, causando mais dor e irritação. Eu as afugentava e lançava o feitiço novamente, reduzindo a quantidade aos pouquinhos.
Perdi a noção do tempo até avistar um segundo amontoado de cristais de gelo se juntando ao meu enquanto os atirava contra a revoada de fotianas, já muito menor. Pelo canto do olho vi a sra. Terwilliger fazendo os gestos. Um momento depois, Eddie também avançou a passos largos, ainda empunhando a placa. Os dois haviam derrotado seus respectivos enxames. O meu era o único que faltava e meus amigos me ajudaram a acabar com as restantes em alguns minutos.
Sem o zumbido, caiu um silêncio sinistro no museu. Ficamos parados, respirando com dificuldade e procurando outros sinais de perigo pela penumbra. Os rostos de Eddie e da sra. Terwilliger exibiam cortes e arranhões onde as fotianas haviam encostado e, pela ardência na minha pele, imaginei que estava igual. Mas estávamos vivos e a ameaça parecia derrotada por enquanto.
— Cadê o envelope? — Eddie perguntou por fim.
Corri até onde o tinha deixado cair, perto do Raptorbot, que assistira à batalha de sua vitrine imponente. Os cristais de gelo estavam derretidos em poças no chão e um dos cantos do envelope estava encharcado. Fora isso, não parecia ter outros danos. Eu o levei até meus amigos e mostrei para a sra. Terwilliger antes de abrir.
— Você sente alguma coisa? — perguntei.
— Se tem algum feitiço, está muito bem escondido. — Ela ergueu a mão e uma chama pequena surgiu na sua palma. — Vou estar preparada, por via das dúvidas.
O envelope era grosso e pesado, então não foi uma surpresa tão grande quando encontrei um tijolo dentro dele, embora não fizesse ideia do propósito daquilo. Parecia feito de algum tipo de arenito. Encarei meus companheiros para ver se aquilo fazia sentido para eles, mas os dois pareciam tão desnorteados quanto eu. Coloquei a mão novamente dentro do envelope e tirei um mapa dos montes Ozark.
— Por essa eu não esperava mesmo — comentei, examinando o mapa em busca de alguma pista ou coisa escrita. Não tinha nada.
O rosto de Eddie se encheu de raiva, somada a outro sentimento que eu também estava sentindo: decepção. Não sabia o que descobriríamos ali, mas havia uma parte de mim que esperava um milagre, torcendo para que encontrássemos Jill. Em vez disso, nossa única recompensa por essa viagem eram alguns cortes e mais pistas misteriosas.
Chacoalhei o envelope. Parecia vazio.
— O que diabos isso pode significar? — refletiu a sra. Terwilliger, pegando o mapa da minha mão.
— Significa que tem alguém tirando uma com a nossa cara — Eddie resmungou. Ele passou a mão na testa suada, manchando-a de sangue. — Nem sabemos se esta história está mesmo relacionada a Jill. Alguém pode estar só fazendo a gente acreditar que está com ela.
Olhei dentro do envelope e senti um aperto no peito ao ver que ele não estava realmente vazio.
— Acho que não é o caso. — Enfiei a mão e tirei o último item do envelope. Mesmo sob pouca luz, não havia dúvida do que era aquilo: uma mecha de cabelo longo, cacheado e castanho-claro. E também não havia dúvida de a quem ela pertencia. — Quem quer que esteja fazendo isso com certeza está com Jill.

4 comentários:

  1. Meu palpite é que essa pessoa seja a menina que foi procurar a Sydney e o Adrian no apartamento e só encontrou o Trey. E no caso, acho que essa menina é a Alicia, aquela bruxa que a Sydney quase matou em feitiço azul... Mas não sei, é só especulação.

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    1. Sim, foi isso que eu pensei pois esse era o assunto que estava faltando pra ser resolvido da Sydney.

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  2. Acho que ela ta envolida com os alquimistas . e ela sim aquela bruxinha ma do oeste so pode....santa mae da carochinha achei que ela tivesse virado po..

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Boa leitura :)