13 de outubro de 2017

Capítulo 3

FIEL À SUA PALAVRA, Adrian não voltou a mencionar nossa relação — ou a falta dela. Vez ou outra, porém, eu podia jurar que via alguma coisa em seus olhos, como um eco da declaração de que continuaria me amando. Ou talvez fosse só sua impertinência de sempre.
Depois de uma última escala e uma hora de carro, já era noite quando finalmente chegamos à cidadezinha turística nas montanhas Pocono, onde seria o casamento. Ao sair do carro, tive uma surpresa. Dezembro na Pensilvânia era completamente diferente de dezembro em Palm Springs. Fui recebida por um vento gélido e cortante, do tipo que congela o nariz e a boca. Uma camada de neve fresca recobria tudo, brilhando sob a luz da mesma lua cheia que iluminara minha sessão de magia com a sra. Terwilliger. As estrelas estavam tão visíveis ali quanto no deserto árido, embora o vento frio as fizesse brilhar ainda mais forte.
Adrian ficou no táxi, mas se debruçou na janela quando o motorista me entregou a maleta.
— Precisa de ajuda? — ele perguntou. Sua respiração soltou uma nuvenzinha gelada no ar.
Era uma oferta rara vindo dele.
— Não, obrigada. Imagino que você não vai ficar aqui, vai? — perguntei, apontando para a pousada em frente à qual o carro havia parado.
Adrian apontou para mais adiante na estrada, em direção a um grande hotel iluminado em cima de uma montanha.
— Lá em cima. É lá onde vão ser todas as festas, se estiver interessada. Devem estar começando agora.
Senti um calafrio que nada tinha a ver com o clima. Os Moroi normalmente viviam num horário noturno, começando os dias ao pôr do sol. Aqueles que viviam entre os humanos, como Adrian, precisavam se adaptar a um horário diurno. Mas ali, em uma cidadezinha pequena que devia estar cheia de convidados Moroi, ele teria a chance de voltar ao horário que, para ele, era mais natural.
— Anotado — eu disse. Depois de alguns segundos de silêncio constrangedor, a temperatura me deu uma desculpa para fugir. — Melhor eu entrar, lá deve estar quentinho. Foi, hum, legal viajar com você.
Ele abriu um sorriso.
— Igualmente, Sage. Até amanhã.
A porta do carro se fechou e de repente me senti sozinha sem ele. O carro partiu na direção do hotel imponente. Minha pousada parecia minúscula em comparação, mas era bonita e conservada. Os alquimistas tinham feito minha reserva ali exatamente por saberem que os convidados Moroi teriam outras instalações. Quer dizer, a maioria deles.
— Veio para o casamento, querida? — perguntou a dona da pousada enquanto confirmava minha reserva. — Alguns outros convidados também estão hospedados aqui com a gente.
Fiz que sim enquanto assinava a nota do cartão de crédito. Não era nenhuma surpresa que alguns acabariam ficando naquela pousada, mas haveria muito menos convidados ali do que no outro hotel. Fiz questão de trancar a porta. Confiava nos meus amigos em Palm Springs, mas todos os outros Moroi e dampiros eram suspeitos.
Cidadezinhas como aquela e suas pousadas sempre pareciam feitas para casais em férias românticas. Meu quarto não era exceção. Tinha uma cama de casal coberta por um dossel fino, além de uma banheira de hidromassagem em forma de coração ao lado da lareira. Tudo parecia gritar amor e romance, o que me fez pensar em Adrian de novo. Fiz o possível para ignorar tudo aquilo e escrevi uma rápida mensagem para Donna Stanton, uma alquimista importante que supervisionava minha missão em Palm Springs.
Cheguei ao Vale Pocono. Estou na pousada.
A resposta veio rápido: Ótimo. Até amanhã. Uma segunda mensagem chegou logo em seguida: Tranque bem a porta.
Stanton e um outro alquimista também tinham sido convidados para o casamento. Mas eles já estavam na Costa Leste e chegariam para a cerimônia só no dia seguinte. Senti inveja deles.
Apesar do nervosismo, dormi surpreendentemente bem e criei coragem para sair e tomar café da manhã. No entanto, não havia por que me preocupar com os Moroi. Eu era a única pessoa comendo no restaurante banhado pelo sol.
— Que estranho — a dona da pousada comentou enquanto me servia café e ovos. — Vários hóspedes ficaram fora até tarde, mas pensei que pelo menos alguns viriam comer. — Então, para enfatizar a estranheza da situação, ela acrescentou: — Afinal, o café da manhã é por conta da casa.
O fato de os Moroi ainda estarem na cama me deu coragem para explorar um pouco mais a cidade naquele dia. Por mais que tivesse levado botas e um casaco pesado, a mudança de tempo ainda era um tanto surpreendente. Palm Springs havia me deixado mal-acostumada. Não demorei a voltar para a pousada e passei o resto da tarde lendo o livro da sra. Terwilliger ao lado da lareira. Devorei a primeira seção e continuei até a de feitiços avançados, que ela havia me dito para pular. Talvez por serem proibidos, não conseguia parar de ler sobre eles. Os temas que o livro descrevia eram tão interessantes e abrangentes que quase pulei da cadeira quando ouvi uma batida na porta. Congelei, imaginando se algum Moroi confuso havia batido na porta errada atrás de um amigo.
Ou pior: de um fornecedor.
De repente, meu telefone apitou com uma mensagem de Stanton: Estamos na sua porta.
Dito e feito. Quando abri, encontrei Stanton ao lado de Ian Jansen, um alquimista da minha idade. A presença dele era uma surpresa. Não via Ian desde que ele, Stanton e eu havíamos sido detidos por alguns Moroi para um interrogatório a respeito de uma dampira fugitiva. Naqueles tempos, Ian tinha uma paixão não correspondida por mim. A julgar pelo sorriso bobo na cara dele, as coisas não haviam mudado muito.
Eu os convidei para entrar e fiz questão de trancar a porta. Assim como eu, os dois tinham uma tatuagem de lírio dourado na bochecha esquerda. Era o sinal da nossa ordem: tatuagens infundidas com sangue de vampiro que nos garantiam uma cicatrização rápida e eram projetadas para nos impedir, magicamente, de conversar sobre assuntos alquimistas com pessoas que não soubessem nada sobre vampiros.
Stanton arqueou a sobrancelha ao ver a banheira em forma de coração e depois se acomodou numa cadeira perto do fogo.
— Foi fácil chegar aqui?
Tirando a parte de viajar com um lindo vampiro que acha que está apaixonado por mim...
— Foi tranquilo — respondi. Olhei para Ian, franzindo a testa. — Não estava esperando você aqui. Quer dizer, que bom que veio, mas depois da última vez... — Fiz uma pausa quando algo me ocorreu. Olhei ao redor. — Nós três estamos aqui. Justo nós três que ficamos em, hum, prisão domiciliar.
Stanton assentiu.
— Foi decidido que, se a ideia é melhorar as relações entre nossos grupos, os Moroi deveriam começar pedindo desculpa especificamente a nós três.
Ian fechou a cara e cruzou os braços, se encostando na parede. Ele tinha olhos e cabelos castanhos, com um penteado perfeitamente arrumado.
— Não quero desculpa nenhuma daqueles monstros depois do que fizeram com a gente no verão passado. Mal consigo acreditar que estamos aqui! Este lugar está cheio deles. Vai saber o que pode acontecer se um deles beber champanhe demais hoje à noite e sair procurando um lanche? Aqui estamos nós, humanos fresquinhos.
Queria dizer que aquilo era ridículo, mas, pela lógica alquimista, era uma preocupação perfeitamente válida. E, me lembrando de que não conhecia a maioria dos Moroi ali, percebi que talvez os medos dele não fossem tão infundados assim.
— Acho que precisaremos ficar juntos, então — eu disse. Não foi uma boa escolha de palavras, considerando o sorriso esperançoso de Ian.
Era raro os alquimistas terem tempo para socializar, e aquele dia não foi exceção. Stanton logo nos pôs para trabalhar, revisando nossos planos para o casamento e qual era nosso objetivo ali. Um dossiê continha informações sobre a vida de Sonya e Mikhail, como se eu não soubesse nada sobre eles. Mas minha atual missão e meu histórico com Sonya eram segredo para os outros alquimistas; por isso, por causa de Ian, tive que ouvir todos aqueles fatos como se fossem novidades para mim, assim como eram para ele.
— As festividades devem durar quase até o amanhecer — disse Stanton, juntando os papéis após terminar de passar as informações. — Depois, Ian e eu vamos embora e no caminho deixamos você no aeroporto. Você não vai precisar passar mais uma noite aqui.
A expressão de Ian ficou sombria e protetora.
— Você não devia ter passado a noite aqui sozinha. Devia ter alguém para protegê-la.
— Posso cuidar de mim mesma — retruquei, um pouco mais áspera do que pretendia. Quer eu gostasse ou não, o treinamento da sra. Terwilliger havia me fortalecido interna e externamente. Nossas sessões, somadas ao curso de defesa pessoal, tinham me ensinado a ficar atenta ao ambiente. A intenção de Ian podia ser boa, mas eu não gostava que ele, ou quem quer que fosse, achasse que eu precisava ser protegida.
— Sage está perfeitamente bem, como você pode ver — Stanton disse, seca. A paixão de Ian devia estar clara para ela, e ficou igualmente claro para mim que ela não via utilidade nenhuma em algo tão infantil. Seu olhar se voltou para a janela, banhada pela luz vermelha e laranja do pôr do sol. — Bom, está quase na hora. Vamos nos arrumar?
Eles já tinham chegado com os trajes formais, mas eu ainda precisava me trocar. Os dois ficaram conversando enquanto eu me aprontava no banheiro, mas, toda vez que saía para pegar alguma coisa, como uma escova de cabelo ou brincos, via Ian me observando com aquele olhar bobo. Ótimo. Era só o que me faltava.
O casamento aconteceria na atração turística mais famosa da cidade: um gigantesco jardim coberto que desafiava o tempo gélido do lado de fora. Sonya era completamente apaixonada por plantas e flores, e aquele era o local perfeito para o casamento dela. As paredes de vidro que cercavam o lugar estavam embaçadas pela diferença drástica entre as temperaturas interna e externa. Nós três chegamos à entrada do jardim, onde se vendiam bilhetes durante o horário de funcionamento normal da estufa. Ali, finalmente encontramos os Moroi que estiveram escondidos de mim à luz do dia.
Havia umas duas dezenas deles andando de um lado para o outro na entrada, com roupas elegantes e aquela beleza exótica, com seus traços esbeltos e pálidos. Alguns eram garçons e outros atendentes que ajudavam a organizar o evento e guiar os convidados para o átrio dentro da estufa. A maioria dos Moroi eram apenas convidados normais, que paravam para assinar o livro de visitas ou conversar com amigos e familiares que não viam fazia tempo. Ao redor, dampiros com ternos pretos e brancos alinhados ficavam de sentinela, atentos a qualquer sinal de perigo. A presença deles me lembrou de uma ameaça muito maior do que um Moroi bêbado nos confundindo com fornecedores.
Realizar o evento à noite nos expunha a ataques Strigoi. Os Strigoi eram um tipo muito diferente de vampiro, tão diferente que eu quase me senti idiota por ter medo das pessoas ali. Os Strigoi eram imortais, o que conseguiam assassinando suas vítimas — diferente dos Moroi, que bebiam sangue de humanos voluntários apenas para se sustentar. Os Strigoi eram selvagens, rápidos e fortes, e só saíam à noite. A luz do dia, que os Moroi achavam meramente desconfortável, era fatal para eles. Esses demônios faziam a maior parte de seus ataques contra humanos desavisados, mas Moroi e dampiros eram seu alimento favorito. Um evento como aquele, com tantos Moroi e dampiros reunidos em um só lugar, era praticamente um banquete para os Strigoi.
Ao olhar para os dampiros guardiões, porém, soube que qualquer Strigoi teria dificuldades para invadir aquele evento. Os guardiões treinavam a vida toda, aperfeiçoando suas habilidades para combater os Strigoi. Como a rainha Moroi compareceria ao evento, suspeitei que os seguranças que eu tinha visto até então eram apenas a ponta do iceberg.
Várias pessoas ali reunidas pararam de falar quando nos viram. Nem todos os Moroi sabiam sobre os alquimistas ou como trabalhávamos com seu povo. Por isso, a presença de três humanos que não eram fornecedores era um tanto estranha. Mesmo aqueles que sabiam sobre os alquimistas deviam estar surpresos com a nossa presença, dada a formalidade das nossas relações. Stanton tinha experiência suficiente para não deixar transparecer seu nervosismo, mas Ian fez abertamente o sinal alquimista contra o mal enquanto todos os Moroi e dampiros nos examinavam. Consegui me manter calma, mas bem que queria que houvesse pelo menos um rosto conhecido naquela multidão.
— Sra. Stanton?
Uma Moroi com maçãs do rosto pronunciadas se aproximou rapidamente.
— Sou Colleen, a coordenadora do casamento. Conversamos por telefone, lembra? — Ela estendeu a mão, que mesmo Stanton hesitou um momento antes de apertar.
— Sim, claro — disse Stanton, com a voz formal e impassível. — Obrigada por nos convidar. — Ela a apresentou a Ian e a mim.
Colleen apontou para a entrada do átrio.
— Venham, venham. Estamos com seus lugares reservados. Eu mesma acompanho vocês.
Ela nos guiou sob olhares curiosos. Ao chegarmos no átrio, me detive e, por um instante, esqueci os vampiros ao nosso redor. A estufa principal era magnífica. O teto era alto e abobadado, feito do mesmo vidro das paredes. Tinham aberto uma área no centro e disposto bancos com flores entrelaçadas, de maneira muito parecida com o que se veria num casamento humano. Um tablado diante dos bancos estava enfeitado com ainda mais flores — claramente, era onde o casal faria seus votos.
Mas foi o resto da estufa que me tirou o fôlego. Era como se tivéssemos entrado em uma selva tropical. Árvores e outras plantas carregadas com flores de cores vivas ladeavam o recinto, enchendo o ar úmido de um perfume quase estonteante. Como não havia sol para iluminar a estufa, tochas e velas haviam sido posicionadas de maneira engenhosa em meio a todo aquele verde, lançando uma luz ao mesmo tempo misteriosa e romântica sobre o ambiente. Senti como se tivesse entrado em algum templo sagrado na Amazônia. E, obviamente, quase escondidos entre os arbustos e árvores, guardiões de preto caminhavam de um lado para o outro, vigiando tudo.
Colleen nos guiou até três assentos à direita com plaquinhas de RESERVADO. Os lugares eram quase no meio, não tão importantes quanto os reservados à família, claro, mas o bastante para mostrar que os Moroi nos tinham em alta conta e realmente estavam tentando desfazer a tensão causada pelo nosso confinamento.
— Posso servir alguma coisa para vocês? — perguntou Colleen. Percebi então que a efusividade dela era apenas nervosismo. Nós a deixávamos quase, quase tão nervosa quanto ela e os outros nos deixavam. — O que vocês quiserem.
— Não — Stanton respondeu por nós. — Obrigada.
Colleen assentiu, ansiosa.
— Se precisarem de qualquer coisinha, não hesitem em pedir. Só chamem os atendentes e eles me avisarão imediatamente. — Ela ficou parada por mais um momento, retorcendo as mãos. — É melhor eu dar uma olhada nos outros. Lembrem-se: chamem se precisarem de qualquer coisa.
— Eu preciso é dar o fora daqui — murmurou Ian depois que ela se afastou. Eu não disse nada; nenhuma resposta parecia segura. Se dissesse que estávamos em segurança, ele me olharia desconfiado. Mas se agisse como se estivéssemos correndo risco de vida, estaria mentindo. Minha opinião estava entre esses dois extremos.
Um dos atendentes me entregou o programa e Ian se aproximou um tanto mais do que eu gostaria para ler por sobre meu ombro. O programa detalhava a lista de músicas e leituras, além dos participantes da cerimônia. Pude ver pela cara de Ian que ele estava esperando encontrar “Derramamento profano de sangue” logo depois da leitura dos Coríntios. O que ele disse a seguir confirmou minha suspeita.
— Eles fazem um belo trabalho fingindo que são normais, né? — ele comentou, sem se importar em esconder a repugnância na voz. Fiquei um tanto surpresa com a maldade em seu tom. Não me lembrava desse comportamento tão extremista no último verão. — Como se fosse um casamento de verdade ou coisa assim.
Ele também não estava abaixando a voz, e olhei ao redor, com medo de que alguém tivesse ouvido.
— Então você acha que não é um casamento de verdade? — respondi, com um sussurro.
Ian deu de ombros, mas pelo menos entendeu a indireta e abaixou a voz.
— Entre eles? Não importa. Eles não têm família ou amor verdadeiro. São uns monstros.
Foi irônico ele ter mencionado “amor verdadeiro”, pois naquele exato momento Adrian e seu pai estavam sendo conduzidos até o lado oposto do átrio. Adrian sempre se vestia bem, mas eu nunca o tinha visto num traje tão formal. Odiava admitir, mas a roupa caía muito bem nele: um terno e um colete azul-marinho quase pretos, combinados com uma camisa azul-clara, além de uma gravata listrada azul e branca.
Destoava dos ternos pretos e cinzas mais sóbrios que a maioria dos homens estava usando, mas não de maneira exagerada ou cafona. Enquanto o examinava, Adrian voltou os olhos para onde eu estava e encontrou os meus. Ele sorriu e deu um aceno rápido.
Respondi com outro sorriso, mas a voz de Stanton me fez voltar à realidade. Observei Adrian por mais um instante e então desviei o olhar.
— Sr. Jansen — disse Stanton, com a voz severa. — Guarde suas opiniões para você. Independente da validade delas, somos convidados aqui e vamos nos comportar de maneira civilizada.
Ian assentiu a contragosto, ficando um pouco vermelho e lançando um olhar de soslaio para mim, como se receber uma bronca na minha frente pudesse arruinar suas chances comigo. Mas não havia por que se preocupar, já que nunca teve a menor chance comigo.
Colleen mandou um atendente até nós e, enquanto ele falava com Stanton, Ian cochichou no meu ouvido.
— Sou o único que acha loucura a gente vir aqui? — Ele apontou com a cabeça para Stanton. — Ela acha que não tem problema, mas eles nos mantiveram em cativeiro. Isso é imperdoável. Você não fica com raiva?
Certamente não tinha gostado na época, mas acabei entendendo por que aquilo havia acontecido.
— Odeio que tenham feito isso também — menti, tentando parecer convincente. — Fico brava sempre que lembro.
Ian pareceu aliviado o bastante para esquecer o assunto.
Ficamos sentados num silêncio maravilhoso enquanto o átrio continuava a se encher. Quando a cerimônia estava prestes a começar, devia ter cerca de duzentas pessoas na estufa. Continuei procurando por rostos familiares, mas Adrian e seu pai eram os únicos que eu conhecia. Então, no último minuto, uma figura de roupas brilhantes entrou apressada. Resmunguei enquanto Stanton soltou um “tsc” de desaprovação. Abe Mazur havia acabado de chegar.
Enquanto Adrian conseguia usar um traje formal colorido com estilo, Abe usava cores para ofender a moral dos outros. Mas era preciso admitir que aquele era um dos conjuntos mais básicos que eu já tinha visto Abe usar: um terno branco, com uma camisa verde-kiwi e um lenço estampado. Ele estava com seus brincos dourados de sempre, e o brilho do seu cabelo preto me levava a pensar que tinha aplicado violentamente algum óleo capilar. Abe era um Moroi de moral duvidosa, além de pai da minha amiga — e dampira por quem Adrian fora apaixonado — Rose Hathaway. Abe me deixava nervosa porque, no passado, eu fizera alguns acordos secretos com ele. Ele deixava Stanton nervosa porque era um Moroi que os alquimistas nunca conseguiam controlar. Abe se sentou na primeira fila, recebendo um olhar horrorizado de Colleen, que supervisionava tudo do canto da estufa. Eu suspeitava que aquele não era o lugar dele.
Ouvi o som de um trompete e aqueles que estavam sentados nas fileiras dos fundos se ajoelharam de repente. Como uma onda, as pessoas sentadas no resto das fileiras começaram a fazer o mesmo. Stanton, Ian e eu trocamos olhares confusos. Então, entendi.
— A rainha — murmurei. — A rainha está chegando.
Pude ver pela expressão de Stanton que ela não havia considerado essa possibilidade. Ela teve uma fração de segundo para decidir o protocolo para aquela situação, de modo a manter nossa condição de convidados “civilizados”.
— Não se ajoelhem — ela sussurrou. — Fiquem onde estão.
Era uma decisão válida, visto que não devíamos fidelidade à rainha Moroi. Mesmo assim, fiquei constrangida por ser uma das únicas pessoas que não estavam ajoelhadas.
Um momento depois, uma voz retumbante declarou:
— Sua Majestade Real, a rainha Vasilisa, primeira de seu nome.
Até Ian perdeu o fôlego quando ela entrou. Vasilisa — ou Lissa, como Adrian e Rose insistiam em chamá-la — era o retrato da beleza etérea. Era difícil acreditar que ela tinha a minha idade. Ela caminhava com uma compostura e uma nobreza que pareciam eternas. Seu corpo alto e esbelto se destacava mesmo entre os Moroi, e seu cabelo loiro platinado enquadrava seu rosto pálido como um véu celestial. Embora estivesse usando um moderno vestido de festa lilás, ela conseguia usá-lo como se fosse um grandioso vestido de baile vitoriano. Um rapaz de cabelo preto e olhos azuis penetrantes caminhava ao lado dela. Seu namorado, Christian Ozera, era sempre fácil de avistar, criando um contraste sombrio que combinava perfeitamente com a luminosidade dela.
Depois que o casal real se sentou na primeira fila, parecendo muito surpresos ao encontrar Abe esperando por eles lá, todos voltaram aos seus lugares. Um violoncelista escondido começou a tocar, e todos retomaram o fôlego ao cair no ritual familiar do casamento.
— Incrível, né? — murmurou Ian no meu ouvido. — A fragilidade do reinado dela. Basta um deslize para eles caírem no caos.
Nesse ponto ele estava coberto de razão, e esse era o motivo pelo qual a segurança de Jill era tão importante. Uma antiga lei Moroi dizia que um monarca precisava ter ao menos um membro da família vivo para manter o trono. Jill era a única pessoa restante na linhagem de Lissa. Aqueles que se opunham a Lissa por causa de sua idade e de suas ideias perceberam que matar Jill seria muito mais fácil do que ir atrás de uma rainha.
Muitos se opunham à lei e estavam tentando mudá-la. Até que isso acontecesse, o caos político gerado pelo assassinato de Jill seria imenso. Os alquimistas, cuja função era manter o mundo dos Moroi oculto e protegido, precisavam evitar que a sociedade deles entrasse em crise. E, num nível um pouco mais pessoal, eu precisava evitar a morte de Jill porque, por mais improvável que fosse, no curto período em que dividimos um quarto, passei a gostar dela.
Desviei os pensamentos dessas ideias sombrias e me concentrei no estágio seguinte do casamento. Madrinhas com vestidos de cetim verde-escuro guiavam a procissão, e me perguntei se Abe estava tentando combinar com elas usando aquela camisa. Se estava, havia fracassado completamente.
Entre elas, vi o primeiro rosto conhecido além de Adrian. Rose Hathaway. Não era nenhuma surpresa ela ser madrinha, já que tinha sido ela a responsável por juntar os dois pombinhos. Ela herdara o cabelo e os olhos negros do pai, e era a única dampira entre as madrinhas. Não precisei ver os olhares surpresos de alguns convidados para saber que aquilo não era nada convencional. Se Rose percebeu ou se importou, não deixou transparecer. Avançou com altivez, a cabeça erguida e o rosto brilhando de alegria.
Com aquela aparência dampira quase humana, ela era mais baixa do que suas companheiras Moroi e tinha um corpo mais atlético que as Moroi magras e de seios pequenos.
Rose tinha um corpo muito normal e saudável entre humanos. Mesmo assim, quando eu me comparava com as Moroi, me sentia enorme. Sabia que era ridículo, ainda mais porque eu usava um número menor do que Rose, mas era uma sensação difícil de superar. Pouco antes, Adrian havia tido uma conversa incômoda comigo sobre isso, a ponto de dizer que eu estava à beira de um distúrbio alimentar. Eu tinha ficado furiosa e dito para ele cuidar dos próprios problemas... mas, desde então, comecei a analisar mais seriamente minhas atitudes. Agora, tentava comer mais e tinha ganhado exatamente meio quilo, o que me pareceu errado e torturante até meu amigo Trey comentar que eu estava “muito bonita ultimamente”. Isso reforçou a ideia de que alguns quilinhos a mais não me matariam, e poderiam até me fazer bem. Não que eu fosse admitir isso para Adrian.
Todos nos levantamos quando Sonya entrou. Ela estava gloriosa, com um vestido de seda cor de marfim e rosinhas brancas enfeitando o cabelo flamejante. A rainha estava magnífica, mas havia um brilho em torno de Sonya que diminuía até a beleza de Lissa.
Talvez fosse algo inerente às noivas. Havia uma aura de amor ao redor dela que a fazia brilhar. Fiquei surpresa ao sentir uma pontada no peito.
Ian devia ter ficado desapontado ao não ver nenhum derramamento de sangue, mas a cerimônia foi doce e cheia de emoção. Não conseguia acreditar na severidade dos meus colegas alquimistas — eu estava à beira de lágrimas quando o casal declamou os votos.
Mesmo se eles não tivessem passado por poucas e boas para ficarem juntos, a cerimônia de Sonya e Mikhail era daquelas de apertar o peito. Enquanto ouvia as juras de amor eterno que faziam um ao outro, me peguei desviando o olhar para Adrian. Ele não percebeu que eu o estava observando, mas pude notar que a cerimônia estava tendo o mesmo efeito sobre ele. Ele estava arrebatado.
Ele tinha um olhar raro e doce nos olhos, e me lembrou do artista perturbado que vivia sob todo aquele sarcasmo. Eu gostava disso nele — não que ele fosse perturbado, mas da maneira como podia sentir as coisas com tamanha profundidade e depois transformar essas emoções em arte. Eu tinha sentimentos, claro, como todas as pessoas, mas essa capacidade de expressá-los de forma criativa era uma área em que eu nunca teria muita habilidade. Não fazia parte da minha natureza. Às vezes eu tirava sarro da arte dele, especialmente das obras mais abstratas. Mas, em segredo, admirava muito seu talento e adorava as muitas facetas de sua personalidade.
Enquanto isso, precisei me esforçar para manter uma expressão neutra, de uma alquimista normal que não ligava nem um pouco para os eventos profanos dos vampiros. Nenhum dos meus colegas me questionou — então, pelo jeito, consegui. Talvez levasse jeito para o pôquer.
Sonya e Mikhail se beijaram e a multidão irrompeu em vivas. As pessoas fizeram ainda mais barulho quando ele deu um segundo beijo ardente nela, e depois um terceiro.
O estágio seguinte da cerimônia, a recepção, aconteceria no hotel em que Adrian e a maioria dos Moroi estavam hospedados. Sonya e Mikhail foram os primeiros a sair, seguidos pela rainha e outros nobres importantes. Stanton, Ian e eu esperamos, pacientes, até que dessem sinal para que nossa fileira se alinhasse para entrar nas limusines que levariam os convidados pelo trajeto de um quilômetro até o hotel. Não seria uma caminhada tão ruim, mesmo de salto, não fosse a temperatura congelante.
Nossa vez chegou e entramos no fundo de uma limusine.
— Agora só precisamos sobreviver à recepção — disse Ian quando o motorista fechou a porta. — Pelo menos temos um carro só para nós.
De repente, a porta se abriu e Abe entrou rapidamente.
— Tem espaço para mais um? — Ele abriu um sorriso ao ver Stanton e eu. — É um prazer vê-las de novo. E você deve ser Ian. Prazer. — Abe estendeu a mão. Por um momento, tive a impressão de que Ian não a apertaria, mas um olhar cortante de Stanton ordenou o contrário. Depois disso, Ian ficou olhando para a mão como se esperasse que ela fosse soltar fumaça.
O trajeto durou mais ou menos cinco minutos, mas pude ver no rosto dos alquimistas que, para eles, pareceu durar cinco horas.
— Acho maravilhoso vocês três terem sido convidados — disse Abe, completamente à vontade. — Considerando o quanto trabalhamos juntos, devíamos ter mais interações agradáveis como essa, não acham? Talvez vocês comecem a nos convidar para seus casamentos também. — Ele piscou para mim. — Tenho certeza de que você deve ter uma fila de pretendentes.
Nem mesmo Stanton conseguiu se manter impassível. O horror no rosto dela mostrava que havia poucas coisas mais profanas do que a presença de um vampiro em um casamento humano. Ela pareceu visivelmente aliviada quando chegamos ao hotel, mas ainda não estávamos livres de Abe. Alguém muito atencioso, provavelmente Colleen, havia nos colocado numa mesa junto com ele, talvez imaginando que seria bom ficarmos sentados perto de um Moroi que conhecíamos. Abe pareceu se divertir muito com o constrangimento criado pela sua presença, mas eu precisava admitir que estava aliviada que alguém reconhecesse a tensão entre nós em vez de simplesmente fingir que estava tudo bem.
— Não tem sangue aí — Abe disse quando o jantar foi servido. Nós três estávamos hesitando em cortar o frango ao molho marsala. — Só tem sangue nos drinques e você precisa pedir por eles no balcão. Ninguém vai colocar nada na bebida de vocês, e os fornecedores estão em outra sala.
Ian e Stanton ainda não pareciam convencidos. Percebi que precisava ser a corajosa dos três e comecei a comer sem hesitar mais. Os vampiros podiam ser criaturas antinaturais, mas tinham um excelente gosto para comida. Um instante depois, os outros alquimistas me imitaram, e até eles foram obrigados a admitir que estava muito boa.
Quando os pratos foram tirados, Ian criou coragem para ir ao banheiro, dando a Stanton uma breve chance de se aproximar para pedir um relato em sussurros.
— Estava tudo bem quando você saiu? — Com ou sem relações tensas, nossa missão de manter os Moroi estáveis não havia mudado.
— Sim — respondi. — Estava tudo calmo lá. Nenhum sinal de problema. — Ela não precisava saber sobre meus dramas pessoais. Mantendo o tom descontraído, perguntei: — Alguma notícia dos guerreiros? Ou do tal Marcus Finch?
Stanton fez que não.
— Nenhuma. Mas aviso você se descobrirmos alguma coisa.
Respondi com um sorriso educado, duvidando seriamente das palavras dela. Nem sempre gostava das minhas missões alquimistas, mas passei a maior parte da vida seguindo ordens sem questionar, pois acreditava que meus superiores sabiam o que precisava ser feito e estavam agindo pelo bem maior. Os acontecimentos recentes, porém, tinham colocado isso em questão. Quando tivemos de combater alguns caçadores de vampiros malucos que se autodenominavam Guerreiros da Luz, Stanton havia escondido informações de mim, comentando que só sabíamos o estritamente necessário. Depois tentou pôr panos quentes na questão, me elogiando por ser uma excelente alquimista que entendia esse tipo de conduta, mas o incidente havia me deixado fervendo de raiva. Eu não queria ser um fantoche nas mãos de ninguém. Podia aceitar que a causa maior às vezes exigia decisões difíceis, mas me recusava a ser usada ou colocada em situações de perigo por causa de mentiras “importantes”. Eu tinha dado minha vida aos alquimistas, sempre acreditando que o que eles faziam e me falavam era certo. Achava que eu era importante, que eles sempre cuidariam de mim. Agora, não tinha mais tanta certeza.
Porém... o que eu podia fazer? Estava presa por juramento aos alquimistas. Gostando ou não do que faziam comigo, eu não tinha saída, não tinha como questioná-los...
Ao menos era o que eu pensava até descobrir a existência de Marcus Finch.
Eu ficara sabendo dele pouco tempo antes, logo depois de descobrir que, no passado, ele havia cruzado o caminho dos guerreiros para salvar um Moroi chamado Clarence.
Embora os guerreiros normalmente só fossem atrás dos Strigoi, um grupo deles decidiu atacar Clarence. Marcus havia defendido Clarence dos guerreiros, convencendo-os a deixar o vampiro em paz. Quase acreditei que Clarence estava inventando a história até ver uma foto de Marcus.
E foi então que as coisas ficaram muito esquisitas. Marcus parecia ter cruzado com os alquimistas também. Na realidade, Clarence e um dos guerreiros haviam dado a entender que Marcus fora um alquimista no passado, mas não era mais. Não acreditei até ver a foto dele. Ele não tinha um lírio dourado, mas uma grande tatuagem tribal em tinta azul, de tamanho suficiente para cobrir a dourada se estivesse tentando esconder o lírio.
Ver aquilo mudou a minha vida. Eu não fazia ideia de que era possível tatuar por cima de algo tão potente. Sem dúvida, nunca tinha pensado que alguém poderia abandonar os alquimistas ou mesmo que alguém poderia querer fazer isso, considerando que nosso objetivo era infundido dentro de nós quase desde o nascimento. Como alguém poderia considerar a ideia de abandonar nossas missões? Como alguém poderia se tornar um renegado e simplesmente dar as costas para os alquimistas? O que havia acontecido para ele fazer uma coisa dessas? Será que havia passado por coisas parecidas com as que eu tinha vivido?
E será que o deixaram ir embora?
Quando perguntara a respeito dele, Stanton dissera que os alquimistas não tinham nenhuma informação sobre Marcus, mas eu sabia que ela estava mentindo. Ela não fazia ideia de que eu tinha aquela foto. A nova tatuagem dele podia ser grande o bastante para cobrir o lírio, mas dava para ver traços do que estava por baixo, o que provava que, de fato, ele havia sido um de nós. E, se tinha a marca alquimista, sem dúvida eles sabiam quem ele era. Estavam encobrindo o caso, o que me deixou ainda mais intrigada. Na verdade, eu estava um tanto obcecada por Marcus. Algum instinto me dizia que ele era a chave para os meus problemas, que ele poderia me ajudar a descobrir os segredos e as mentiras que os alquimistas me contavam. Infelizmente, eu não fazia a menor ideia de como encontrá-lo.
— É importante que ninguém aqui saiba o que você está fazendo, então não se esqueça de ser discreta — acrescentou Stanton, como se eu precisasse ser lembrada. Uma ruga de preocupação surgiu entre as sobrancelhas dela. — Eu estava especialmente preocupada com a vinda daquele Ivashkov para o casamento. Ninguém pode saber que vocês dois são mais do que meros conhecidos. Detalhes como esse podem comprometer nossa missão.
— Ah, não — respondi rapidamente. — Não precisa se preocupar com Adrian. Ele entende a importância do trabalho. Nunca faria nada que pudesse comprometer a missão.
Ian voltou e nossa conversa se encerrou ali. O jantar logo deu lugar ao baile. Com a atmosfera mais relaxada, vários Moroi vieram se apresentar. Eu me senti quase tão popular quanto os noivos. Ian apertou tantas mãos que acabou ficando imune a elas. E, por mais constrangedor que fosse para meus colegas, pude notar que o evento realmente estava atingindo o objetivo de aliviar as relações entre alquimistas e Moroi. Stanton e Ian estavam longe de se tornar amigos de qualquer um deles, mas claramente tiveram uma surpresa agradável com a simpatia e a gentileza da maioria dos convidados.
— Estou contente por termos essa chance de ficar juntos — Ian me disse durante uma pausa nas nossas relações públicas. — É tão difícil com nosso trabalho, sabe? Estou em St. Louis agora, nos arquivos da unidade de lá. Para onde eles mandaram você?
O sigilo era fundamental para proteger Jill.
— Estou fazendo trabalho de campo, mas não posso dizer onde. Sabe como é.
— Claro, claro. Mas, sabe, se quiser fazer uma visita um dia... posso mostrar a cidade para você.
O desespero dele era quase fofo.
— Tipo, para tirar férias?
— Bom, é... Er, não exatamente. — Ele sabia muito bem que era raro alquimistas conseguirem férias. — Haverá cerimônias de fim de ano, sabe. Se quiser ir, hum, é só me avisar.
Os sacerdotes alquimistas realizavam cerimônias especiais de fim de ano nas principais unidades. Algumas famílias alquimistas faziam questão de ir sempre. Fazia tempo que eu não comparecia a uma, já que minhas missões estavam me levando de um lado para o outro ultimamente.
— Me lembrarei disso.
Houve uma longa pausa, e em seguida ele balbuciou:
— Queria tirar você para dançar, sabe. Mas não seria certo neste lugar tão profano.
Forcei um sorriso.
— Claro. Além disso, estamos aqui a trabalho. Precisamos nos concentrar em criar boas relações com eles.
Ian ia começar a responder quando uma voz conhecida nos interrompeu.
— Srta. Sage?
Levantamos os olhos e encontramos Adrian parado à nossa frente, elegante em seus vários tons de azul. Seu rosto era o retrato da polidez e do autocontrole, o que significava que algo desastroso estava prestes a acontecer.
— É um prazer vê-la de novo — ele disse, como se não nos víssemos havia um certo tempo, e eu assenti. Como eu garantira a Stanton, Adrian sabia que familiaridade demais entre nós poderia criar um rastro até Jill. — Acho que acabei de ouvir vocês falando sobre criar boas relações. É isso mesmo?
Eu estava sem palavras, então Ian respondeu por mim.
— Exato. Estamos aqui para tornar as coisas mais amigáveis entre nossos povos. — A voz dele, porém, não era nada amigável.
Adrian assentiu, muito sério, como se não tivesse notado a hostilidade de Ian.
— Acho uma excelente ideia. E pensei em um excelente gesto para representar nosso futuro juntos. — O rosto de Adrian parecia inocente, mas havia uma faísca maliciosa em seus olhos que eu conhecia muito bem. Ele estendeu a mão para mim. — Quer dançar comigo?

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